One More Chance For Love
9 Último suspiro.
Notas iniciais
Carol trabalhou nos ferimentos de Daryl durante mais ou menos uma hora.
Ela havia trocado os curativos improvisados por bandagens novas e também limpado seu rosto.
Daryl agora estava se recuperando melhor.
Apesar de ter levado uma surra, ele estava com a aparência mais saudável, depois dos cuidados de Carol.
— Beth, venha cá. — chama Carol, instantes depois.
Beth levanta-se do capô da picape laranja, larga os biscoitos que tinha em mãos, e vai de encontro à Carol.
— Preciso que você me faça uma favor. — Carol começa, olhando seriamente para a garota. — À nossa volta há muitos carros, preciso que você dê mais uma olhada e encontre uma muda de roupas para Daryl, por favor...
Beth olha para Carol intensamente.
— Apesar de tudo, você ainda quer que logo eu me arrisque por ele?
Carol se irrita.
— Olha, Beth, eu apenas quero que você faça esse favor. Todos nos arriscaríamos por você se necessário. Você podia tentar retribuir. — A mulher finaliza.
Com esse comentário, Beth apanha sua faca, e sai furiosa.
Tyreese ainda não havia se mexido.
Continuava na mesma posição em que Carol e Beth o encontraram quando chegaram.
Com o olhar vidrado, ele se mantinha alheio à tudo.
— Tyreese...? — Carol se aproxima timidamente.
O homem não demonstra sinal que escutava palavra alguma.
Carol continua, mesmo com a relutância do homem para responder.
— Eu... eu sinto muito. Sei que você perdeu o controle, mas realmente, você passou dos limites. Como você pôde? — Diz Carol, com lágrimas nos olhos.
Tyreese não responde.
Ela toca gentilmente seu ombro.
De repente, o homem se levanta muito rápido, agarra os ombros de Carol com força, e a abraça bruscamente, descontrolado.
— Tyreese... o que você... — diz Carol tentando se libertar.
— Você não entende que fiz isso por você? Não entende? — Grita Tyreese, em meio a soluços.
— Como assim por mim? O que exatamente agredir o Daryl tem a ver com isso? Olha aonde você chegou Ty! — Carol diz, ofegante. — Eu tinha grande admiração por você, mas você a perdeu completamente! — Carol faz uma pausa, tentando desesperadamente sair daquele abraço forçado, depois continua, destemida. — Covarde! Imagina você acaba tirando a vida dele? O que você tem na cabeça? Tira a mão de mim! Agora! — Carol, termina, furiosa.
Tyreese relaxa finalmente os braços, libertando a mulher.
— Eu... eu... realmente... me perdoa! — Ao olhá-la finalmente nos olhos, ele vê a frieza dela, e continua, desesperado. — Carol, por favor! — suplica Tyreese.
Carol olha para ele e nega com a cabeça.
E inesperadamente, um grito agudo de estourar os tímpanos interrompe a conversa.
Era Beth.
Oh droga!
Imediatamente Carol e Tyreese correm em disparada na direção do som.
Beth se encontra à vinte metros dali, caída no chão com um errante agarrado à sua perna, rasgando a carne com os dentes.
— Beth!!! — Carol solta um grito desesperado e angustiado, enquanto dispara em direção à garota.
Beth tenta de tudo para se livrar do walker, mas sem sucesso.
Nada mais podia ser feito agora.
Carol e Tyreese chegam até lá, e o homem mata o errante com seu machado, mas é tarde demais.
Carol coloca a cabeça da garota em seu colo enquanto a mesma a olha com tristeza.
— Carol... Carol... Me perdoe, eu não queria te prejudicar... Me perdoa... — A garota tenta falar, mas sua respiração já é fraca. — Eu quero que você seja feliz. Por... por favor... acaba com isso agora. Eu quero reencontrar o meu pai...
Mal termina a frase, e se já se entregara à escuridão.
Beth havia perdido muito sangue e uma boa parte de sua perna já havia sido devorada. Não havia mais nada a fazer.
Eles não tinham recursos para amputar, todos medicamentos haviam sido usados em Daryl, e além disso já não havia mais tempo.
Beth se fora.
Carol e Tyreese trocam um olhar triste.
Sabiam o que vinham a seguir.
Eles precisavam matá-lá antes que se transformasse.
Carol pega a faca da garota, que estava perto de si no chão, junto... junto de uma muda de roupas masculinas... as roupas que Carol lhe pedira para Daryl... Oh ...
A mulher engole em seco e crava a faca no crânio de Beth.
E lá se fora mais uma da família Greene.
Seria ela a última?
Carol sentiu os olhos arderem.
Ela esconde o rosto entre os joelhos, e desaba no chão, chorando sobre o corpo da garota morta.
Tyreese chega mais perto e coloca a mão em seu ombro.
Carol sente o toque acolhedor, quente e forte de Ty por um momento, porém, depois imediatamente se afasta.
Não há como perdoar Tyreese.
Ah... Carol Peletier...
Aquele nome dominava cada linha de pensamento seu.
Daryl Dixon admirava cada cuidado que ela tinha para com ele.
Tais cuidados e carinhos eram insubstituíveis.
Apesar de ter apanhado do bastardo Tyreese, a forma como Carol o tratava era mais que uma recompensa...
Ele agora se recuperava melhor.
Carol trocava os curativos regularmente e até viera limpá-lo colocando uma roupa limpa em seu corpo dolorido.
A notícia da morte de Beth o abalara bastante. Agora eles estavam reduzidos em três, apenas.
Tyreese permanecia mudo quase sempre, não falando mais que o necessário.
Quando não estava de guarda, estava procurando suprimentos úteis pelas redondezas.
Carol havia lhe pedido que fizesse manutenção em algum carro, para seguirem viagem.
No final, Tyreese restaura a picape laranja e Carol começa a abastecer o porta-malas com seus pertences.
O corpo de Beth foi oculto com um cobertor, e deixado lá.
Carol e Tyreese ajudaram Daryl a se acomodar no carro, e seguiram viagem, com Tyreese no volante, e Daryl e Carol apertados um contra o outro no banco de carona ao lado.
A eletricidade que passava pelo corpo de Daryl quando tocava em Carol era inexplicável.
Eles se olhavam e ruborizavam, numa repetição infinita.
Tyreese já nem demonstrava mais raiva, apenas mantinha os olhos na estrada, concentrado.
Eles viajaram mais ou menos por duas horas, chegando à um bairro de classe baixa.
Não haviam muitas casas, e acabaram por escolher uma pequena casinha verde de apenas um andar.
— Ficaremos aqui por algum tempo, montaremos algumas armadilhas improvisadas e veremos se tem algo para comer nas casas vizinhas. — Carol sussurra para os dois.
Tyreese assente com a cabeça e sai do carro, deixando ali Carol e Daryl.
Os dois permanecem em silêncio muito tempo, e Carol suspira, indo com em direção à trava da porta da picape, quando Daryl pega sua mão e olha em seus olhos.
— Carol, eu... — Começa ele.
— Sim? — Incentiva Carol, com um familiar brilho nos olhos.
— Obrigado por tudo, você foi incrível comigo... eu... você é muito especial pra mim — diz Daryl, olhando de sua boca para seus olhos, tentando encontrar as palavras certas.
— Você não tem nada que agradecer, Dixon. Fiz o que qualquer um teria feito. — Carol diz, formalmente.
— Mas você não é qualquer uma Carol... você é única. — O caçador diz, sem pensar.
O momento era hipnotizador para quem visse de fora.
Eles se contemplavam tão profundamente, que chegava a ser perturbador.
O silêncio era absurdo.
Daryl então segura o rosto de Carol com as mãos, se aproximando de seus lábios... e mais uma vez, os dois trocam um maravilhoso beijo.
Carol explorava com delicadeza a língua de Daryl, com movimentos suaves.
Uma de suas mãos estava sob sua nuca, puxando-o para mais perto e a outra acariciava seu peito, arranhando aqui e ali com a unha, arrancando gemidos de prazer do caçador.
Daryl, a beijava com vontade. O desejo voraz de vê-la se entregando a ele, dominando-o.
O clima estava esquentando rapidamente.
Daryl e Carol se desejavam, tinham uma ligação tão forte, um sentimento tão poderoso, que quando estavam juntos, todo o caos do apocalipse era esquecido.
Carol era só Daryl, e Daryl era só Carol.
O caçador a puxa para si em um abraço forte, protetor e carinhoso.
Carol se sente pequena, derretida, amada, anestesiada, evolvida naqueles braços.
Ela respira no pescoço do homem e morde o lóbulo de sua orelha.
Daryl quase se desfaz ali mesmo.
Seus hormônios gritam por mais.
Ele suga o pescoço de Carol, sabendo que no dia seguinte, haveria ali uma marca roxa.
Mas ele não se importava.
Era sua marca nela.
Carol era de Daryl. Isso era claro.
Ela preenchia seus olhos de amor e desejo, adoçava seus beijos, parecia uma flor.
Daryl não tinha medo de se entregar. Não à ela.
Logo as mãos dos dois iam de encontro às roupas, na intenção de arrancá-las de uma vez.
Mas, vovamente, o som de um maldito tiro os interrompe.
O estrondo vem de dentro da pequena casa que Tyreese havia entrado a poucos minutos.
Daryl e Carol suspiram.
Ambos os rostos ruborizados, trocam um sorriso nervoso e saem do carro.
Ao chegarem lá, Tyreese mantém a arma apontada para além da cozinha.
Daryl e Carol seguem o olhar e visualizam pela primeira vez, o grupo de pessoas à sua frente.
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