One More Chance For Love
10 Perdida no Paraíso
Notas iniciais
O grupo misterioso que habitava a casa em que Daryl, Carol e Tyreese encontraram, se resumia à uma mulher que aparentava seus trinta anos, com um cabelo louro que caia até as costas, de rosto bonito; um adolescente magro e alto, com cabelos escuros e olhos enormes; um idoso de rosto amigável, curvado, de barba enorme; e um homem alto e largo, com porte físico de atleta.
Eles mantinham as mãos para cima e as armas postas em cima da pequena mesa de centro.
Tyreese lança um olhar desconfiado para eles.
— Eu fiz uma pergunta, idiotas. Quem são vocês? Digam seus nomes e há quanto tempo vivem aqui. — O homenzarrão diz, alterado.
O silêncio não muda, se torna tenso.
Tyreese agora atira em direção ao teto da velha casa, em sinal de frustração.
Então o tiro não prejudicou ninguém da primeira vez, era apenas um Tyreese descontrolado. — Pensa Carol, internamente.
— Desculpe! Desculpe! — Diz o homem alto. — Somos todos amigos! Não queremos fazer mal à ninguém! Meu nome é Luke, este é meu pai Robert, meu filho Nick e minha amiga Lauren. — Diz o mesmo, apontando para cada integrante de seu grupo. — Vivemos aqui a mais ou menos dois meses. Quase não há ocorrências de muitos zumbis pela vizinhança. O máximo que já nós atacaram aqui, foram cinco. — Ele diz, após um longo suspiro. — E também perdemos minha esposa à uma semana. — O homem chamado Luke parece ser tomado de uma tristeza estratosférica, mas mesmo assim, continua. — Mas afinal, quem são vocês?
Daryl e Carol trocam um olhar cuidadoso.
— Meu nome é Carol. — Diz a mulher, pela primeira vez, apontando para seus companheiros.— Estes são Tyreese e Daryl. Estamos na estrada à algum tempo, e iríamos tomar este lugar como nosso, pensamos que estava vazio.— Ela acena friamente para o grupo à frente.
Daryl a encara.
Sua doce Carol mudara muito.
O que era uma mulher assustada à um tempo atrás, que tinha medo de tudo e todos, que deixava outros tomarem as rédeas das situações, guardando sua opinião só pra si, agora se mostrava independente, corajosa e ousada.
Evoluiu bem.
O caçador a admirava e se apaixonava cada vez mais.
— Oh! — diz Lauren, a mulher de cabelos louros, também encontrando a voz neste momento. — Por que não unimos os dois grupos de uma vez então? Afinal quanto mais gente melhor — Ela diz, sorrindo e piscando descaradamente para Daryl, enquanto que o caçador faz uma careta.
— Bom, eu não sei se seria uma boa ideia. Eu e meu grupo nos conhecemos à bastante tempo, e preferimos ficar apenas em companhia um dos outros. — rebate Tyreese, friamente.
— Se importam se conversarmos à sós por um minuto? — diz Carol, lançando um olhar de desprezo à Lauren. Seu olhar para Daryl não passou despercebido pela mulher mais velha.
— Claro que não. — Diz Luke, amigavelmente.
Carol assente e caminha em direção à porta dos fundos, com Daryl e Tyreese ao seu lado.
Eles se posicionam embaixo de um carvalho morto no quintal, longe dos ouvidos do grupo desconhecido.
— E então? — Diz Tyreese.
Todos pensam por algum tempo, mantendo um silêncio que beirava incerteza.
— Eu acho que seria uma boa ideia termos mais gente. Teremos mais chance de sobrevivência. — declara Daryl, finalmente.
Carol o encara. Eles ficam em silêncio por um momento.
— Bem... o que você acha Tyreese? — murmura a mulher.
Tyreese pensa por mais um momento, depois declara, com um suspiro:
— Talvez o Daryl tenha razão. Teríamos mais chance de sobreviver em maior número de pessoas, do que somente em três. Seria bom. Talvez ganhemos a confiança deles, e eles a nossa.
Foi seu discurso mais longo desde a surra dada em Daryl.
Tyreese mantinha-se reservado todo o tempo, e só falava quando falavam com ele.
— Então acho que os homens venceram. — Diz Carol, aborrecida.
Tyreese assente com a cabeça, sorrindo, e caminha novamente até a casa.
Daryl cruza os braços e se põe a olhar Carol.
— O que foi? — Diz ela, irritada.
Carol fora totalmente contra a junção com o grupo. Não confiava em Luke, muito menos em Lauren.
— Nada. — Daryl diz, com as mãos para cima, em sinal de rendição. — Por que você é tão contra nos juntarmos a eles, Carol? Precisamos recomeçar nossas vidas de algum modo. O que te incomoda? — Diz ele, olhando atentamente para ela, querendo confirmar suas suspeitas.
— Eu... eu... eu não tenho um bom pressentimento quanto a isso. — Diz ela, com o coração disparado. — Você... você... — Carol diz, incapaz de continua, deixando a frase morrer.
— O quê? — Diz Daryl, sorrindo.
O caipira estava se divertindo demais com aquilo.
Carol reúne coragem e diz, com grande nervosismo:
— Você... percebeu... você percebeu o olhar que ela lhe lançou? — Responde Carol, soltando o ar de seus pulmões, que até agora não percebera que estava segurando.
Após admitir o quê a incomodava, seu rosto queima de vergonha, se tornando púrpura.
Daryl emite uma gargalhada deliciosa de se ouvir.
Como música, aos ouvidos de sua doce amada.
— Você está com ciúmes, Carol? — Sussurra o caçador, se aproximando dela.
Carol não responde, apenas olha para baixo.
Daryl segura seu rosto com as mãos, fazendo com que ela olhe em seus olhos.
— Ei, não precisa se preocupar. Eu... você... a verdade, Carol... — O caipira gagueja, e depois reúne a coragem para dizer o que se tornava verdade para ele a todo momento. — A verdade é que sou seu, e somente seu. — Admite ele, soando estrangulado.
Era difícil colocar aquelas palavras para fora.
Ele mesmo se surpreende, por ter conseguido.
Carol esboça um sorriso inseguro.
— Estou falando sério, como nunca falei antes! Acredite em mim! Eu... — O homem não consegue terminar; Puxa Carol para um abraço acolhedor, e sussurra em seu ouvido:
— Eu sou seu, Carol.
A mulher ri, relaxando finalmente, abraçando-o mais forte, como se ele fosse escapar de seus braços.
— E que continue assim, Pookie. Fique sabendo, que gostei de você primeiro. — Explica ela, sorrindo.
Daryl ri novamente, extravasando sua alegria, lembrando da frase de Carol, proferida ainda na prisão, reconhecendo o apelido.
— Claro, claro. — Responde ele, dando-lhe um selinho em resposta.
Os dois ficam ali abraçados, numa troca de olhares magnífica, desvendando o oceano de segredos e sentimentos que ali habitam... quando uma voz feminina os interrompe.
— Ei! Fico feliz que vocês tenham concordado em se juntar a nós. — Lauren surge da cozinha, inesperadamente. — Precisamos decidir como estabeleceremos nosso espaço. Vocês poderiam vir? — completa Lauren, com um sorriso falso, falando apenas com Daryl.
Daryl e Carol se viram na direção de Lauren.
Ela mantinha o olhar em Daryl, sorrindo, mal olhando para Carol.
— É... claro... vamos lá... — Profere Daryl, pigarreando alto, envergonhado com o olhar da moça para com ele.
O homem já caminhava em direção à casa, quando percebeu que Carol não o acompanhava.
Deu então meia volta, e entrelaçou suas mãos nas dela, sorrindo e acalmando-a.
— Agora podemos ir. — O caipira sorri timidamente.
Ele passam direto por Lauren, entrando novamente pela porta dos fundos da casa simples.
Tyreese estava sentado na poltrona, descansando, enquanto conversava com Luke, que estava ao seu lado.
Nick, o adolescente, e Robert, o senhor idoso, permaneciam calados; sentados em um canto no chão, entretidos com um jogo de cartas.
— Ah! Está brincando! Eu vivia naquele bar! — Diz animado, Luke, gargalhando com Tyreese.
Ao ver Carol e Daryl novamente na sala, Tyreese se reposiciona, e esconde o sorriso, assumindo tom sério.
— Bem, eu e meu grupo ficaremos responsáveis por buscar pelo bairro, colchões, travesseiros e cobertores, para dormirmos na sala. Tudo bem? — Tyreese começa.
Luke nega com a cabeça.
— Por favor, não. Insisto para que fiquem com o quarto de solteiro que há nos fundos, há uma cama beliche lá. Vocês tem a mulher, e tudo mais. — Diz ele, sorrindo para Carol gentilmente, que automaticamente sorri de volta, por educação. — Só peço a gentileza de vocês, para que deixem o quarto de casal para meu pai, que é doente, para que ele descanse melhor. — Ele faz uma pausa, depois raciocina e prossegue. — Quanto a mim, Nick e Lauren, nos viramos na sala.
Daryl e Carol trocam olhares.
— Bom, tudo bem. Muito obrigada, Luke. — agradece Carol, apertando a mão do homem.
Daryl apenas revira os olhos.
— Tem mais uma coisa que precisam saber. — diz Daryl, mal humorado, para o galã a sua frente. — Há algum tempo, fui baleado por um maluco. Nós o capturamos a tempo e o mantinha-mos preso, imobilizado. Ele era um perigo. Mas houve um grande problema particular e ele escapou. Então, é bom ficarmos atentos.
Lauren ergue as sobrancelhas.
— Certo, então tecnicamente, ao nos juntarmos a vocês, estamos em igual perigo, não é?
Tyreese se põe em defesa.
— Hei, se vocês topassem com ele, ele tentaria matá-los de qualquer jeito, com a gente ou sem a gente, então, dá no mesmo.
Lauren abaixa a cabeça e Luke assente.
— Ok, vamos olhar um pouco a casa, tudo bem? — diz Carol, puxando Daryl com ela, ambos ainda com as mãos entrelaçadas.
Lauren se demora um pouco, observando as mãos unidas, com uma cara azeda, mas não demora a desviar o olhar.
Tyreese se senta novamente na poltrona, agora relaxando por completo.
Lauren se senta do lado de Robert e Nick no chão, frustrada.
#
Daryl e Carol entram no quarto de solteiro, e Daryl tranca a porta atrás de si.
Carol permanece virada de costas para ele.
— Vem cá. — Sussurra o caçador, numa voz provocante, puxando-a para um beijo.
Os dois se agarram um pouco, num apertado e longo abraço.
— Eu rezei tanto pra te ver bem de novo... aqueles dias com você em estad grave, foram terríveis, para mim, Daryl. — Carol diz, seriamente.
Daryl a olha apaixonadamente, emocionado.
— Mulher... eu só tenho a agradecer por te ter na minha vida. — Ele diz, beijando-lhe na bochecha, em sinal de carinho. — Eu nunca vou te esquecer... — Sussurra ele, afundando o rosto do pescoço de Carol, envergonhado e confuso, com tantos sentimentos.
—Oh Daryl! O quanto esperei ouvir isso saindo dos seus lábios! — verbaliza Carol, em seu ouvido, com o hálito quente, provocando cócegas no homem.
— O melhor presente que eu podia ganhar era te ver de novo, depois de tudo. Queria ter com você, mais um chance. — Expõe Daryl, incapaz de olhá-la nos olhos.
Ele se lembra de cada pensamento na floresta, com Beth, antes de reencontrá-la. Era difícil expor seus sentimentos, apesar de parecer simples.
— Eu não quero só te amar. Quero cuidar de você sempre, ser a pessoa que vai estar sempre ao seu lado; Nada vai nos separar meu amor... não há lugar no mundo em que você se verá sem mim. Eu te dou a minha vida aqui e agora. — Diz Carol, agora emocionada.
Ela sonhara com aquilo muitas vezes.
Daryl se mantinha sob controle por fora até então, mas seus olhos começavam a arder.
Ainda havia um pessoa que o faria feliz naquele mundo.
Carol Peletier.
— Mesmos nos seus sonhos, você me ouvirá gritar, sempre seguirei você. Pra mim só tem você, o resto é apenas... solidão. — Finaliza ele, com um beijo profundo cheio de amor, cheio de paixão.
Ambos os corpos são levados agora, em direção à cama.
As mãos buscando avidamente o corpo do outro. Não haveria como serem interrompidos, não agora. A porta estava trancada. Ninguém viria atrás dos dois. A não ser talvez, Lauren, mas Carol a mataria na primeira oportunidade que tivesse, se caso isso viesse a acontecer.
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