One Love Beyond Time
21 Capítulo 21
— Boa noite! — Cumprimentam juntos Enrico e Emília.
— Boa noite! — Os cumprimentam, Bernardo e Dorotéia. Perceptível era o desconforto de Bernardo.
— Emília, querida, como está? Soube do seu acidente, me desculpe, mas não pude visitá-la! — Se aproximou para beijá-la o rosto.
— Sem problemas, querida! — Entonou meio debochada. — Estou bem melhor, obrigada! — Emília não se sentiu à vontade para também beijar-lhe o rosto. É completamente indiferente a Dorotéia, não entende o porquê, mas desde o primeiro instante em que a viu algo de confuso percebeu nela.
Enrico cumprimenta Dorotéia beijando-a a mão. Bernardo a Emília, que delicadamente beija-lhe a mão fitando-a nos olhos. Ele permanece a admirá-la com um olhar penetrante. Olha-a intensamente. Desde o instante em que a viu adentrar àquele amplo lugar. O seu olhar para ela se encontrou muito antes, ansioso, apaixonado, incomodado, por a mesma linda mulher estar acompanhada por seu mais torpe marido. Curvou-se cavalheiramente para cumprimentá-la e beijá-la. Poderia ser o rosto, mas seria audacioso demais, então, contentou-se em beijar-lhe a mão. Estagnado, permaneceu curvado como se quem estivesse em sua frente fosse nada mais superior que sua majestade. Inebriou-se com o perfume francês, que mesmo o mais distante parecia exacerbado no dorso aveludado daquela delicada mão. E mais uma vez colocou-se a contemplar tão esplendorosa beleza. Emília está radiante, certamente sua beleza ofusca o olhar de qualquer homem por outra mulher naquele salão. Enrico ao lado dela, não pôde deixar de notar os olhares dos dois e muito menos deixar de perceber que àqueles olhares eram como se há tempos se conheciam. A intenção de Bernardo não passara nem perto na imaginação de Enrico, tomá-la pelos braços, dar-lhe um beijo gostoso, roubar os seus lábios, declarar o seu amor na frente de todos e levá-la embora juntamente com o seu cavalo branco, porém, o máximo que conseguiria seriam murros e estragar literalmente o jantar que há dias Rosa estava a preparar, pensando assim, controlou-se, mas nada o impediria se ali tivesse um enorme e belo cavalo branco. Seu olhar sedutor, a fazia ficar desconfortável. Ele era direto. Incisivo. Dominava o ambiente e qualquer intenção de Enrico. Olhou-a firmemente, não se importando talvez com a presença do homem "asqueroso" ao lado. Emília encantada, o sorria belamente para dizer-lhe por um sorriso o como estava bem, agradeceu-lhe o seu bem-estar, afinal, ele a salvou no dia do acidente, um sorriso era o mais que poderia fazê-lo e um sorriso era apenas o necessário para que Bernardo a compreendesse. Passados alguns "insignificantes" segundos foi necessário Dorotéia intervir. Observando estranhamente os olhares dos dois, cutucou disfarçadamente Bernardo para não tornar àquela situação ainda mais constrangedora. Quando Enrico resolve quebrar o silêncio.
— Bernardo Boldrin! — O encarou Enrico.
— Enrico Beraldini, não pensei que viria a este jantar! — O cravou os olhos.
— E por que não? Rosa é muito amiga da minha esposa, seria uma tolice fazer esta desfeita. — Olhou para a esposa. Emília sorriu para Dorotéia sem graça. Antes que Enrico falasse alguma besteira, ela se prontificou a agradecer Bernardo.
— É… Bernardo, eu não posso deixar de agradecer-te pelo que fez, se não fosse por você na hora do acidente eu não sei o que seria de mim. Obrigada! Eu… Eu o agradeço! — O falou com olhar firme, mas as palavras que saiam da sua boca queriam atropelar umas as outras. Ele fixou os seus olhos nos dela de uma maneira, que Emília mal conseguia ficar em pé diante deles, diante daquele charmoso e profundo olhar. Ele a consumia por dentro, suas pernas já não eram tão firmes sobre o chão, ficaram bambas. O olhou mais uma vez e o sorriu.
— Não precisa agradecer, Emília! Faria quantas vezes fosse preciso. Eu me culparia por toda à vida se algo de ruim te acontecesse. — Declarou. Àquele sorriso, ah àquele sorriso o quebrava inteiro por dentro, o desmontava e da mesma forma o montava de novo, assim, como eu um gigantesco quebra-cabeça.
— Obrigada, mesmo assim! — O sorriu. E desconcertada fixou os olhos no marido. — Como sabe, o meu esposo Enrico Beraldini. — O exaltou ainda sem graça. As palavras escolhidas para saírem ligeiramente da sua boca, não foram essas. Pareceu-lhe grosseiro, mas de qualquer forma o queria se certificar que "é" uma mulher casada e que não largaria o seu esposo por uma aventura. Isso o desconcertou. Olhou para Enrico com desdém e novamente voltou os seus olhos para ela, mas dessa vez ignorando sua "certificação".
— Sim, já nos conhecemos! Àquela confusão no hospital foi realmente desnecessária, um engano! Imaginem, ser confundido como o esposo de Emília Beraldini, confesso que não poderia a ver melhor honra. — Sorriu ironicamente. Enrico o olhou incomodado.
— Um mal entendido desnecessário! Minha esposa acabou de me esclarecer, além de…
— Enrico, por favor! — Preocupou-se. Emília temerosa por Enrico tentar algo.
— Além de ser confundido como o marido de minha esposa, ela então o prefere do que a mim. — O olhou debochado. E Emília não pôde entender. O olhou perplexa com sua suposta revelação. Como assim ela prefere o "escritorzinho" do que o marido? Foi "descoberto" alguma coisa?
— Não entendi! — Sorriu. Nesse momento, Emília também olhou para o Bernardo sem entender.
— Deixa eu te explicar! Você é o escritor que durante as noites rouba o sono da minha mulher, ela me troca para ler os seus tão renomados livros! Interessante, não? — Sorriu debochado.
— Muito! — Olhou para Emília. — Emília, não sabia que apreciava os meus livros. E que curiosamente preferia a eles ao seu marido. Interessante, muito interessante! — Riu.
— Sim, costuma ser um dos motivos das nossas discussões antes de fazermos “amor”! Mas me acostumei e sempre ela me recompensa da melhor forma depois. — Riu com um sorriso de quem canta à vitória antes do tempo. Emília o olhou com raiva, como ele pôde ser tão grosso em expor ela dessa forma? Nem íntimo ele de Dorotéia, que dirá de Bernardo. Além de não a ver nem um pouco de verdade, ela jamais deixaria isso passar.
— Enrico, eu não admito! — Exaltou enraivecida.
— Calma, meu amor! Estou dizendo alguma mentira? — Sorriu. Não deveria ter feito esta pergunta.
— Me deem licença, preciso cumprimentar alguns primos que chegaram de viagem. Se não se importam… — Olhou para Bernardo, mas ele não fez menção de ir e então foi. Se sentiu sem graça, a conversa estava se estendendo e não espaço para ela, não tinha vez, sempre era Emília.
— Tudo bem… — A deixou ir. Depois de vê-la distante. — Não posso negar que a beleza da sua mulher é... é incomparável! Enrico, você é um homem de sorte. — Bernardo disse sem graça. Mas seu olhos não paravam de admirar Emília. Sua aparência não parecia muito agradável, percebia nela um desconforto.
— Sim, eu sou! Emília é minha... E eu sou mais sortudo ainda por todos os dias ouvi-la dizer que me ama. Não é, meu amor? — O provocou. Bernardo o olhou incomodado. E Emília mais ainda, Enrico estava passando dos limites.
— Não, eu não costumo dizer que o amo. Ultimamente tem sido mais difícil! — Foi gentil. — Vamos, devem estar nos esperando. — Impaciente. O que Enrico está pensando em fazer com esse teatro todo? Atrair algum público? Emília se recusou a fazer parte.
— Como assim, Emília? Isso é jeito de falar comigo? — Enraivecido. Se ele passasse do ponto poderia imaginar Bernardo avançando em cima dele. De qualquer forma, está atento.
— Enrico, eu não sou dada a esse tipo de conversa. E não é porque é meu marido que devo aceitar. Me respeite! Se quiserem continuar, pois bem, me deem licença! — Ao fazer menção de ir. E Bernardo a olhava com tamanha admiração. Qualquer mulher em seu lugar falaria exatamente o que Enrico queria ouvir. E só o encanta ainda mais.
— Emília, espere! — Pediu Enrico e Bernardo os observava.
— Enrico, por favor! Temos que ir! — Ainda mais impaciente.
Enrico foi até Emília. E quando o mais perto chegou a agarrou pela cintura e deu-lhe um beijo intenso nos lábios. Ela demorou segundos a aceitar. Bernardo ao vê-los não pôde negar raiva que o consumia por dentro. "Emília está "condenada" a isso? A esse homem asqueroso?" Sentia-se mais incomodada por Bernardo está ali, não queria que ele os visse. Sente está mais envolvida com ele do que imagina. Então, por ora, decide aceitar a provocação que ele fazia a Bernardo, afinal não poderia fazer mais do que isso. Mas o que ela queria mesmo era dá um tapa em Enrico, como ele pôde usá-la para satisfazer o seu ciúme bobo? Como ele pôde usá-la para mostrar a Bernardo quem é que manda? Bernardo vendo-a aos beijos com Enrico, não suportou e sai da presença deles se negando a fazer o que mais queria, tirá-la dos braços daquele homem e levá-la consigo embora com o seu cabalo branco.
— Enrico, nunca mais faça isso! — Arfou. Olhou para onde estava Bernardo, não o viu mais.
— O quê Emília? Foi só um beijo. Eu disse que o faria entender quem é o seu marido. Eu não sou um idiota, ele com certeza aproveitou da situação no hospital naquele dia! Acha mesmo que não percebi os olhares e elogios dele para você? — Disse Enrico se recompondo do beijo que dera em Emília. Ofegante ainda está.
— Enrico, chega! — Vociferou passando o dorso da mão nos lábios tirando o resto que ficou de batom. — Ele foi apenas gentil.
— Gentil? Até a mulher que estava ao lado dele percebeu e inventou uma desculpa para sair. Eu vou ser o mais claro Emília, eu não quero esse escritorzinho perto de você! Não quero! Se contente com o beijo, o que eu pretendia fazer seria bem pior se acha que o beijo que te dei foi um insulto! — A olhou enraivecido.
— Enrico, agora ouça bem o que vou lhe dizer. Tente me usar mais uma vez para o seu ciúme, para essa sua tentativa insensata de achar que sou para você uma propriedade, que você será um homem divorciado! Isso se antes fazia tanta questão de ser meu esposo! E eu converso com quem eu bem entender. Quer você queira ou quer você não queira! E não vai ser você que vai mudar isso! E não pense que vou aceitar você me usando com tamanho opróbrio, que não vou permitir! — O falou ao sair da sua presença.
Emília o deixou falando sozinho. Vai até o toalete para passar nos lábios novamente o seu batom e se ver perdida com os pensamentos envoltos por Bernardo. Em seguida volta se dirigindo aos convidados e amigos sentados à mesa. Pediu sinceras desculpas pelo atraso. Enrico a olhava com uma expressão enraivecida, pelo menos ela compreendia o porquê. Sentou-s ao seu lado, mas ele parecia distante pela a atenção que ela não o dava. Bernardo já estava à mesa bem próximo a Dorotéia, Gema também ao lado de Raul. Rosa estar ao lado de Emília. Então todos decidem brindar à saúde, muito mais agora de Emília, após Rosa ter relatado sobre o acidente.
— Rosa, não sabia que viria tanta gente! — A falou impressionada.
— Sim, são alguns parentes do meu marido. Já pensava nesse jantar há dias, mas esperei que melhorasse para convidá-la. — Sorriu.
— Humm… — Sorriu lisonjeada. — E eu agradeço pelo convite!
— Dorotéia veio acompanhada do Bernardo parece que os dois estão se conhecendo. — Falou inocente. — Não acha que eles combinam?
Hunm… É? — A olhou perplexa. Ousou olhar para eles e ver se ''concordava", mas nada lhe agradou vê-los juntos. Seus olhos se encontraram com os de Bernardo, que por nada parava de fitá-la. Triste, mas esperançoso. — Não sei! — Olhou para Rosa. — Eles parecem ser tão diferentes. Não sei se combinam! Gosto é gosto, vai entender! — Levou a boca a taça o vinho e seguidamente olhou para o Bernardo.
— Sim, mas você se refere a Bernardo ou a Dorotéia? — Perguntou receosa olhando para Dorotéia.
— Ah! Rosa, sei que a Dorotéia faz parte da sua família, mas a acho um pouco... Um pouco... Eu não sei o que dizer, não consigo encontrar uma palavra que a defina, é... Longe de mim criticá-la, é que comigo ela parece ter um olhar diferente, não sei o que é! — A confidenciou.
— Todos acham a Dorotéia meio estranha, mas ela é uma pessoa legal. Quer dizer, comigo parece que sim! Estão até acostumados com o jeitinho dela. E eu torço por eles. E você? — A perguntou gostando da conversa. Não percebia o desconforto de Emília.
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