One Love Beyond Time
22 Capítulo 22
— Hunm… Não, não queira saber minha opinião, Rosa. E também não tenho nada a ver com eles. Desculpe, é que estou meio... meio... Enfim, espero que as coisas deem certo! — A respondeu envergonhada.
O jantar segue perfeitamente. Incrível como as horas passam tão de repente e pouco dá para se notar em um jantar. Emília observava Bernardo de longe, mas sua atenção sendo tirada por Enrico, que vez outra a falara pedido a mesma atenção. Ela não pôde deixar de analisar de modo sorrateiro, o semblante do Bernardo alterado, triste, talvez desencadeado pelo o que havia ocorrido horas atrás. Sabe o que o sentimento dele por ela representa, mas não imaginava ficar tão envolvida rapidamente. Sente que o beijo do Enrico para provocá-lo tem algo a ver com sua postura fria diante de todos. Raul que conhece bem o amigo, o olha e percebe que algo de errado aconteceu. Bernardo não costuma ser tão melancólico, ainda mais em jantares como esse, se bem que o fato de Emília está acompanhada pelo esposo bem próximos à mesa deveria ser o suficiente para o incomodar e também para concluir o porquê de seu querido amigo está tão angustiado. Conhece sobre a verdade que sente Bernardo, mas jamais pensaria em chegar ver o dia de vê-lo desmotivado, ainda mais por uma mulher.
— Rosa, como sempre minha querida prima, o jantar está uma delícia. Que saudades senti! — Exaltou uma querida prima.
— Obrigada por terem vindo! Vocês todos são muito gentis. Um prato tão simples como esse. — Modesta.
— Minha querida Rosa, não seja tão modesta assim! Um prato como esse tão simples e que eu não me atreveria em fazer. Está divino! — Exaltou Emília ao seu lado sorrindo. Bernardo a ouvia quieto. A voz dela ecoava e era música para os seus ouvidos, mesmo diante de tantos diálogos e conversas, ele percebia a voz dela em meio as ondas diversas de sons.
— É, não posso negar, esse molho, hunm... — Enrico dizia ao querer se servir novamente.
— Ah! — Sorriu sem graça. — Assim eu fico sem jeito! — Todos riram.
Desde então, o jantar passou celeremente. Gema, Rosa e Emília, falavam com algumas primas de Queiroz sobre a delícia que foi o jantar, enquanto Queiroz tentava falar com Enrico sobre alguns negócios que nada lhe diziam respeito. Queiroz quer se enturmar com o esposo da Beraldini por ser rico e ter uma grande empresa, empresa essa que o mesmo acha que ordena. Depois de uma agradável conversa, Emília resolve então chamar Lívia para ir embora. Enrico já havia terminado de discutir um determinado assunto com o Queiroz sobre a forma como trabalha na Beraldini e o modo como veio à crescer consideravelmente, logicamente que ele exacerbou. Foi então que ele decidiu ir onde estava sua esposa. Chegando lá, a certificou que a hora já havia passado rápido demais e que agora poderiam ir. Enrico seguiu rumo ao carro. Emília foi chamar a filha que brincava com os novos amigos. Dorotéia a observava de longe indo em direção a Lívia e supondo que era para chamá-la a fim de ir embora, sendo assim, então resolve pará-la para uma conversa antes de partir. Bernardo a acompanhava. Emília achou muito estranho, o que Dorotéia poderia querer com ela? Pedir algumas dicas de moda? Ainda mais com o Bernardo acompanhando-a, não pode ser boa coisa. Foi então que educadamente decidiu ir até ela para saber o que a mesma queria, mas se houvesse outra alternativa sairia da presença deles. Bernardo também achou estranho a atitude de Dorotéia, mas a acompanhou para ver até onde isso iria.
— Emília! — Exclamou Dorotéia acenando as mãos, como se fosse impossível de vê-la com aquele vestido chamativo e brega. Emília andou alguns passos adiante e dentre segundos estão em sua frente Dorotéia parada ao lado de Bernardo e Bernardo estagnado ao lado de Dorotéia. Emília tentava desviar o olhar, mas ele a seguia. Discretamente em seus pensamentos implorava que ele não lhe dirigisse se quer uma palavra, ele nem imagina a sensação que sua voz fazia ao ouvir Emília. Suas pernas tremiam, os batimentos do seu coração aceleravam, e perdia completamente o equilíbrio. Sua sanidade não existia mais...
— Olá, Dorotéia! Peço desculpas, mas não vou poder dar-lhe atenção. Tenho que chamar a minha filha e... — A dizia levando os olhares a filha que avistava de longe dando uma gargalhada com os amigos. Emília sorriu. E celeremente voltou os seus olhos para as duas imagens em sua frente. Seus olhos foram de encontro aos do Bernardo. Ele a seguia. E encantado, sorriu de canto pelo sorriso que à pouco Emília dera.
— Prometo que será rápido! — Sorriu. Um sorriso completamente satisfatório ao que poderia vir acontecer. Emília estranhou, mas continuou a dar-lhe à pouca atenção.
— Tudo bem! — Sorriu sem graça. Não via a hora de finalizar a conversa. Bernardo a fitava e cada vez mais desconfortável ficava.
— Como está Emília? — Indagou Bernardo impressionado. Ainda mais por prometer não dirigir a ela sequer uma palavra. Mas de nada adiantaria, elas [palavras] saltaram-se literalmente da sua boca, e quando percebeu, já era tarde demais. Sua voz saiu mais "gélida" do que imaginava, fora do tom e automática. Ensaiou um sorriso, ainda está magoado. Queria assistir tudo, menos vê-la aos beijos com um homem que certamente não amara.
— É... Estou muito bem, obrigada! O que gostaria mesmo Dorotéia? — Desconversou. Olhou para Dorotéia na esperança que ele não dirigisse novamente à palavra.
— Queria muito que marcássemos um encontro! — Foi direta e Emília se assustou. — Eu e você, Bernardo e Enrico. O que acha? Só nós, mas não fale a Gema, poderia se sentir excluída e eu jamais ia querer isso. — Como quem se importasse.
— Dorotéia, eu sou muito amiga da Gema e… — Dorotéia a cortou.
— Eu sei, mas prefiro que seja somente nós! — Com um tom de soberania.
— Você prefere? — Emília sorriu e olhou para Lívia distante. — Mas com que finalidade? Com que pretensão?
— Nos conhecermos! Será uma boa oportunidade para... — Dessa vez, Emília foi incisiva.
— Não, Dorotéia, eu… Quem sabe um outro dia, sim? Convidamos a Gema com o Raul, a Rosa com o esposo, o que acha? — Questionou incomodada. Afinal para quê Dorotéia queria que fossem apenas eles. Para criar a mesma tensão no início do jantar? Impossível que ela não percebera.
— Ah, Emília! Não seja tão… tão! — Emília olhou com desdém. — Como é que eu posso dizer... Enfim, vamos! Vai ser divertido. — Bernardo as observava e calado permanecia.
— Eu agradeço muitíssimo pelo convite, Dorotéia! Sinto-me lisonjeada, mas não sei se será uma boa ideia esse “encontro”. Eu vou falar com o Enrico e combinamos todos juntos, está bem assim? Agora eu realmente preciso ir! Enrico deve está preocupado e minha filha se eu não chamar agora é capaz de não vir! — Ensaiou um sorriso. Estava cada vez mais constrangedor permanecer diante deles.
— Ah! Não vai Emília, conversamos tão pouco. — Insistiu.
— Me deem licença! — Emília dando às costas para sair de perto deles. É possível notar seu rosto metamorfoseado pelo descontentamento. Já estava incomodada com a falta de senso de Dorotéia.
— Calma, querida! Você não sabia? — A chamou mais uma vez e se aproximou a Bernardo. Ele não entendia, mas também nada dizia. Olhava perplexo para Emília.
— O quê? Eu não sei tantas coisas... — Virou-se e olhou seguidamente para o Bernardo. Apesar da estranha pergunta, Emília poderia imaginar o que haveria de ser.
— Que eu e o Bernardo estamos juntos! Ele me pediu em namoro, não é amor? — Sorriu massageando o peito de Bernardo. Ele a olhou tão atônito quanto Emília. Não quer acreditar.
— Dorotéia, o que está dizendo? — A desvencilhou de seu peito. — Emília, não é nada disso! Não estamos… — Exaltou Bernardo indignado com Dorotéia. Ao olhar para Emília, que mesmo não querendo seus olhos se encheram de água. 'Marejados" também pela dor de os ver tão intimamente juntos, pelo menos agora era o que acreditava. Ela o sorriu dolorosamente. Na certeza de não deixar qualquer dúvida da irrelevância que se fazia do namoro deles. Foi umas das coisas mais árduas que ousou fazer. Negar o que estava sentindo dentro do seu coração.
— Preciso ir! Fico… É... Eu... Eu tenho que ir, até mais! — Emília os falou com o coração triste, mas sem que eles os visse maltratado.
Dorotéia a fez esperar. Quando Emília os dizia, a chamou novamente e não perdeu a oportunidade de provocá-la mais uma vez. Então beijou Bernardo. Sabia que os dois tinham um olhar diferente, como mulher era impossível não enxergar a forma como ele a tratava e a olhava. Desde que viu Emília Beraldini pela primeira vez, não se resignou por ela ser uma mulher bem sucedida, ainda por cima linda e mais poderosa, seria demais para ela. Percebeu o quanto os olhares deles diziam alguma coisa. Havia alguma coisa de errado entre eles ou era paixão. Bernardo assiduamente comentava sobre Emília, o quanto ela demonstra ser uma mulher forte e que sempre a imagem da pequena Lívia vinha acompanhado por ela em sua cabeça. Cansava de ouvi-lo dizer na casa de Rosa, “Tola! Não suporto àquela voz meiga!” como a mesma sozinha se referia a Rosa no quarto. Por mais que não fizesse sentido Dorotéia fazer isso, ter o Bernardo é como conquistar o primeiro lugar no pódio. Lindo, charmoso, bem sucedido, leva uma vida tranquila viajando, conhecendo os lugares, tudo o que mais queria e ainda enófilo, não poderia ter homem melhor.
Emília em seu peito se sentiu golpeada, inconformada pelas coisas estarem indo em um rumo que deveras não queria que fossem. Doeu. Como pôde apaixonar-se tão celeremente? Foi uma boba? Sentiu-se voltar aos tempos de sua adolescência, quando aos prantos ficava por quem tanto gostava. Ao vê-los, só foi mais um passe, enorme, para sentir arder em seu peito à paixão. Uma raiva que se pudesse jogaria ali mesmo sem se importar com quem a visse, seria automático e natural.
Seus olhos marejados, os lábios secos necessitando do beijo que ele a dera, seu corpo almejando o aperto que sentiu quando ele a abraçava e que insistia, o seu cheiro, Ah! o seu cheiro, os lábios, como beija bem, não deveria beijar estes que proferem maldade, egoísmo e mentira. Mas o que poderia fazer, brigar por este homem? Antes que as lágrimas insistentemente pudessem cair e que a falta de amor e carinho lhe pudessem acusar, Emília os deixou pasma, e foi chamar por Lívia, essa não tinha culpa de nada. Pela mão segurava a menina que tão de repente não entendia a tamanha pressa que sua mãe a esperava, mas sem reclamar deixou-a conduzir pelos seus passos.
Bernado soltou-se do beijo de Dorotéia, ela ria desborrando o batom que ficara. Ele furiosamente disse que nunca mais ela o verá novamente, pois entendeu a tentativa de provocar Emília. Na intenção de esquecer Emília, Bernardo apenas quis conhecer um pouco outra mulher para tirá-la de seus pensamentos, mas mesmo se quisesse não poderia. Foi então que aceitou o convite de Dorotéia, mas jamais a pediria em namoro, seria uma tolice! Dorotéia saiu de perto do Bernardo bufando de raiva feito uma vaca, jurando a Bernardo e a si mesma que não ficaria assim, e quem pagaria essa afronta seria Emília Beraldini.
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