Gema e Bernardo entram no quarto em que Emília está. Ela ao ver sua amiga naquele estado chora, mas sente-se aliviada e grata por o pior não ter acontecido. Ela conversa com Emília como se a mesma estivesse a ouvindo. A pedindo que seja forte, e se recupere logo desse susto. Bernardo as observa com tamanha ternura, um carinho que jamais pensou presenciar entre duas pessoas, nem mesmo com o seu amigo Raul, talvez pelo enorme estado emocional em que Gema se encontra. Bernardo senta em um pequeno estofado ao lado, esperando Gema falar de uma certa forma com sua amiga. Inúmeras vezes Gema dizia a Emília que a amava, e que não imaginaria viver sua vida sem ela, sem o calor amigo da sua amizade. Gema termina a "conversa" e fala a Bernardo.

— Bernardo, vou ligar para a, Rosa, você fica? — Pergunta Gema com um sorriso enxugando as lágrimas.

— Sim! Vou ficar mais um pouco. Tudo bem se eu, se eu ficar, né? — Pergunta Bernardo envergonhado.

— Claro! Sem problemas. Qualquer coisa estou lá fora! — Disse Gema ao sair do quarto.

— Urrum... — Respondeu Bernardo ao aproximar-se da cama de Emília.

Não hesitou tocar-lhe a mão, beijá-la e sentir o doce perfume que exalava de seu corpo, sua pele que mesmo com poucos arranhões, aveludada. Chega o mais perto para vê-la, analisa o belo contorno que tem os seus lábios, a leveza do seu olhar mesmo que fechados, o amor que seu rosto transmitia mesmo sem consciência alguma disso. Se aproxima ainda mais com afagos, com um desejo imenso de mais uma vez beijar-lhe e sentir o doce suave e gostoso de seus lábios. Como queria que fosse sua Emília, somente sua e demais ninguém. Como queria ter a conhecido anos atrás. Como queria que as coisas fossem bem diferentes, que ela fosse uma mulher livre para viver e não para sofrer, tomando de conta das rédias da sua vida e pudesse se entregar a esse amor. Que o amasse com a mesma intensidade, que agora ele a ama. Como ele queria roubá-la desse "mundo" para bem longe.

Bernardo está com os olhos marejados, sofrendo. Sofrendo por mais uma vez em sua vida ter quase perdido alguém. Mesmo que esse alguém não tenha ideia da dor e do sofrimento que no passado corromperam o seu coração. Sofre por o destino ter a colocado em sua vida como uma mulher casada, uma mulher presa a um homem que não a dá valor — de fato não a deixaria sozinha — seu coração clama. Bate descompassado por Emília, se pergunta Bernardo se ela o corresponde. Jamais imaginou apaixonar-se por uma mulher em tão pouco tempo, depois do que lhe aconteceu então, jurou negar e sentir amor outra vez. Poderia até sentir uma atração, ter apenas um simples caso, mas a beleza, a doçura mesmo ofuscada, a elegância, o olhar, o brilho intenso no olhar, o sorriso que foi o mais lindo que seus olhos já viram, a voz que com o eco o fazia delirar, o andar, a forma como fala as pessoas, os gestos das mãos, a maneira como se interpreta, a gentileza, o carinho entre os amigos, fez em seu coração renascer um novo amor, amor esse que por amar só apenas sentirá. Talvez. Não sabe se faz uma boa escolha em lutar por esse amor, mas ele é tão forte, por que não lutar? Por que se entristecer quando se pode conquistá-lo? Por que no derradeiro sempre que vence, não é o amor? Ele só quer amá-la. Sentir o prazer de tê-la somente para si. De se sentir enciumado por um olhado qualquer. De se sentir inebriado só por tê-la imaginada em seus braços na maravilha de seus pensamentos. Só amar, porque deve amar, sem se preocupar em sentir esse amor.

"Emília, você para mim é como um passarinho em sua gaiola, preso, sozinho, almejando um dia ter a liberdade de voar e amar um mundo a fora outra vez. Você é a única certeza de que jamais vou amar outra mulher. E mesmo que não reconheça esse amor, a amarei até o fim. E viverei todos os meus dias para vê-la feliz." Dizia Bernardo no ouvido de Emília. E alguns segundos depois, Gema chega e o encontra acariciando os belos fios dourados de Emília. Ela se surpreende sem falar nada e sem fazer muito barulho, e quando ele percebe sua presença se recompõe da maneira em que está.

— Não precisa sair! Ela precisa de muito carinho... — Disse Gema carinhosamente.

— Gema, vou pedir que não comente nada com Emília sobre o que eu fiz, enfim, que de certa forma a salvei, os carinhos nos quais acabou de observar. Não quero que ela pense que estou me aproveitando da situação. — Disse Bernardo para a Gema em tom baixo.

— Se você quer assim, tudo bem. Mas não vejo problema algum, você tem sido um bom amigo, Bernardo. É lindo o carinho que tem por ela, mesmo em tão pouco tempo! Bom, já falei com a Rosa, e Lívia estar mais tranquila, está ainda se recuperando da notícia. Se você quiser pode ir Bernardo, daqui por diante eu fico com ela. — Disse Gema ao olhar Emília e acariciar-lhe os cabelos.

— Gema, outra coisa que quero pedir! Posso ficar mais um pouco? Prometo que quando perceber ela acordar, ligo para você imediatamente e vou embora. Você aproveita e busca Lívia na casa da Rosa. Eu passo a noite aqui, sinto que preciso ficar. Por favor, Gema! — Disse, Bernardo.

— Eu não sei Bernardo... Eu não sei se Emília irá gostar! Você sabe que a relação de vocês parece não ser muito agradável, e se ela souber então! — Gema.

— Ela não precisa saber! Eu só quero ficar mais um pouco. Por favor, Gema! Sinto que preciso estar aqui. — Diz Bernardo a implorando para ficar.

— Está bem! Mas olhe lá, hein? Emília não pode saber! — Responde Gema o sorrindo.

— Não saberá! Eu vou para o hotel tomar um banho, enquanto isso você fica com ela. Depois eu volto e você fica com Lívia, o que acha? E pela manhã bem cedo, ligo para você e depois vou para casa como se nada tivesse acontecido, e todos ficamos felizes, an?! — Diz Bernardo entusiasmado.

— Eita, se Emília souber! Tem certeza que não será nenhum incômodo? — Pergunta Gema preocupada.

— Acredite, será um prazer! — Bernardo.

Se é assim! Obrigada, Bernardo. Pode ir que eu espero! — Responde Gema.

Eu que agradeço. Vou e não demoro! — Diz ao sair do quarto.

Notas finais
Comentem! Gostaria muito de saber se estão gostando... É sempre bom saber o que os nossos leitores acham da nossa estória, assim podemos aprimorar mais. Beijos!