Onde a Mente Descansa

2 O Diabo é o Anjo mais Belo de Todos



Aquele garoto era estranho, Alawa pensou enquanto andava atrás de Eliott em direção a sala principal.
Quando ela explicou a ele sobre o que conseguia fazer, ele não se assustou e nem a chamou de louca, simplesmente a encarou, somente se moveu para trocar de roupa e se limpar daquele sangue todo.

Nunca havia sentido tanto medo, só de olhar naqueles olhos verdes e frios dele, quando começou a fazer perguntas sobre a criança. Sentiu o corpo tremer, tinha medo de mentir, estava sozinha naquele quarto junto a ele, sem escapatória. Contou a historia dela em meio de soluços, estava sozinha, não tinha mais a mãe ao lado dela, nem ninguém.
E então ele fez uma especie de trato com ela, iria cuidar dela, disse que seria seu irmão a partir daquele dia.


“Você salvou a minha vida, o mínimo que posso fazer é retribuir. Posso cuidar de você” ela ainda podia ouvir a voz dele ecoando em sua mente. Era seu irmão daqui para frente, tudo que ela tinha que fazer em troca, era contar sempre a verdade a ele.
Alawa foi tirada abruptamente de seus pensamentos quando viu um louco passando por eles, o homem era muito grande, dava passos pesados pelos corredores, seus olhos tinham uma cor acizentada e seus labios eram vermelhos como sangue, ele chegou perto deles, e deu uma risada assustadora.

— Que garotinha linda, por que não brincamos juntos? Ele se abaixou na altura dela enquanto lambia os labios — Eliott, com a perna colocou Alawa atrás de si e com um sorriso de lado encarou o homem
.

— Eu acho que não — foi tudo o que ele disse, os dois ficaram um tempo parados se encarando, quando o louco deu um passo para o lado e continuou seu caminho.


A menina pensou que ia ter um ataque do coração, só se tocou agora que estava segurando uma das mãos de Eliott, ela estava esperando pelo tapa, mas ele não se mexeu, apenas deu um leve aperto de volta e seguiu em frente, ainda segurando na mão dela.


— H-Hun, esse homem se chama Diego Manuel Torres, tem 23 anos e esta aqui por estrupo de menores e ataques psicóticos... Haaann... eu acho que ele quer algo com um de nós — Alawa falou baixinho, ela estava falando a verdade, era o que ela deveria fazer, o irmão a encarou.


— “Estupro” você diz? — ele pareceu pensativo por um segundo, havia parado de andar, mas não soltou a mão dela.

— O que isso significa? — ela perguntou, confusa.

Havia esquecido de que ela era uma criança, poderia saber tudo sobre os outros, mas não significa que entendia .


— vamos fazer um jogo. Toda a vez que ver esse homem, venha até mim se estiver sozinha, é uma especie de pega-pega. Ele é o pegador.

— E se ele me pegar? — Eliott não respondeu nada, começou a andar novamente.

— Não seja pega. Ele queria algo de um de nós e eu já sei com quem —
os dois chegaram até o salão. Tinha pessoas de todos os tipos, gritando, batendo a cabeça em paredes, se balançando.

Alawa se agarrou com força na mão do irmão, que parecia não se importar nem um pouco com isso. Eliott se sentou em uma poltrona, cruzando as pernas e afundou dentro dela.


Alawa estava na frente dele sem saber direito o que fazer, era como se ela fosse um brinquedo, sem seu mestre, não sabia o que deveria fazer.
Eliott pareceu notar o nervosismo da criança, descruzando lentamente as pernas ele fez um gesto para que ela se aproximasse, ele a sentou em seu colo. A segurava pela cintura e aproximou o rosto perto da orelha dela.


— O que você aqui? — foi uma pergunta estranha de se fazer, ela achou.


— Tem aqueles enfermeiros — ela disse apontando para dois homens que estava do outro lado da sala — são assassinos, querem machucar você. Não sei direito o porquê — ela cochichou de volta, ela listou todas as pessoas que ali presentes estavam, não viu o tempo passar, estava bom ficar ali, se sentia protegida, ele fazia carinhos ocasionais em seus longos cabelos.
Um dos enfermeiros foi ate o centro da sala e gritou: TODOS DE VOLTA A SEUS QUARTOS!


Eliott se levantou quase a derrubando de seu colo, eles voltaram em silêncio para o quarto dele, quando chegaram lá, Alawa temeu ver os corpos daqueles dois homens, mas ao olhar para dentro do quarto, não estavam mais lá. O quarto estava limpo. Ela queria questionar, mas ficou com medo de irritar o irmão com perguntas tolas.


A garota viu Eliott entrar no quarto sem dizer nada, ela foi seguir ele quando ele colocou a perna na frente da porta, bloqueando a entrada dela.


— O que pensa que esta fazendo? — o tom dele era seco.


— Não quero ficar sozinha, tenho medo desse lugar! Por favor não me deixe sozinha — ela sentiu a voz quebrar, ia começar a chorar de novo, estava começando a se exaltar.

O garoto fez um gesto para que ela ficasse em silêncio, se começasse a gritar e chorar, poderia atrair problemas para os dois.
O homem mais velho a olhou diretamente nos olhos e depois a deixou entrar. Eliott se jogou na cama enquanto Alawa ficou de pé na frente dele.


—Anda logo. Venha! — falou1 dando um tapa na cama, a garota andou com passos rápidos até o mesmo e subiu na cama.

Ela ficou sem jeito e sem saber como se mover, não tinha tanto espaço para os dois, apesar dela ser bem pequena.


—Eu-Eu posso? Ela apontou para o peito dele, sentiu um puxão no braço e quando se deu por si, estava deitada no peito dele e entre suas pernas.

— Durma — ele disse.


Alawa fechou os olhos, ouvido os batimentos cardíacos de Eliott, o corpo dele era quente, ele era assustador, mas ao mesmo tempo tão reconfortante. Em toda sua vida nunca achou que se sentira mais segura nos braços do diabo de que em qualquer outro lugar.