Onde a Mente Descansa
3 Doutora Hallowei
Miria Hallowei andava lentamente pelos corredores do sanatório, ainda não conseguia acreditar que tinha conseguido entrar nesse lugar.
Era horrível, os internos pareciam que estavam a beira da morte, mas não tinha tempo para compaixão. Ela tinha que acha-lo.
A garota finalmente achou a “sala dos estudos” onde os internos ficavam em uma espécie de intervalo, lendo, jogando xadrez e comendo. Ela olhou em volta, e viu todas aquelas pessoas, algumas conversando sozinhas, outras se debatendo ou rindo do nada, até que avistou um garoto loiro com olhos verdes brilhantes sentado em uma pequena poltrona com um livros nas mãos. Miria sabia que ele não estava lendo de verdade, seus olhos não se mexiam.
Tentou parecer que não estava de olho nele, andando de um lado para o outro, conversando com algum interno do qual julgava ser o mais normal e menos perigoso o possível, mas ainda sim dando leves olhadas para ele. Foi quando percebeu que uma criança saiu de trás da poltrona e se sentou no chão longe dele. Era uma garotinha, com longos cabelos negros, pele negra e olhos vermelhos como sangue, os olhos das duas se cruzaram por alguns segundos, foi tempo o suficiente para Miria sentir um enorme calafrio.
Um enfermeiro berrou no meio da sala pra que todos retornassem para seus quartos, ela seguiu lentamente o garoto loiro pelos corredores, não podia ser vista. O menino parou do nada e em uma voz que parecia cansada falou:
— Quem é você? — ele não havia se virado para encara-la — o que quer comigo? Por que me segue?
— Miria sentiu um calafrio na barriga, mas tinha que ser corajosa, afinal, aquele menino havia matado sua mãe.
Sabia quem ele era, queria mata-lo, por isso havia entrado naquele lugar horroroso, se ele se aproximasse demais dela naquela hora, poderia mata-la
— S-sou a doutora Diana. Diana Hallowei, tenho que acompanhar seu tratamento — ela tentou soar o mais firme o possível. Estava usando o nome da tia
.
garoto se virou pra ela com um rosto neutro.
— Hallowei é? Sou Elliot, conheci uma outra Hallowei, ela era uma enfermeira que trabalhava aqui — ele falou pausadamente e a olhava de cima a baixo.
“Merda” ela pensou para si mesma, ele se lembrava da sua mãe.
— Ah sim, minha irmã caçula.
—Quantos anos tem? — ele parecia relaxado, mas seus olhos não se desgrudavam dos dela.
— Vinte e nove! Ao responder isso, ele não parecia nem um pouco convencido
— se puder retornar ao seu quarto, Eliott, eu agradeceria, começaremos amanhã.
— Claro, doutora. Boa noite — ele se virou e foi andando, Miria quase morreu do coração, mas ficou muito grata ao ver Eliott indo embora. Assim ela se virou e foi embora também.
O loiro estava perto de seu quarto quando sentiu alguém do seu lado, sabia exatamente quem era.
— Olá irmã.
— Por que deixou aquela menina chegar perto de você?
—Era a minha nova medica, que vai acompanhar o meu tratamento.
Alawa ficou quieta por um segundo, Eliott continuou.
— Acontece que eu nunca tive acompanhamento medico, ela estava mentindo, aqui, ninguém se importa com nada, somos tratados com porradas e drogas, seja lá quem ela for, ela mente muito mal.
— O nome dela é Miria, ela tem 16 anos de idade, filha de uma enfermeira que trabalhava aqui, ela veio até aqui para tratar de algo com você e não é nada bom — Alawa falou parecendo cansada.
— Hum, esse lugar esta mais precario do que nunca — Eliott falou pegando a garota sonolenta nos braços e a colocando na cintura enquanto entrava no quarto — deixaram uma garota de 16 anos entrar aqui. Realmente não dão a minima para nada por aqui — ele se deitou e ajeitou Alawa no peito — bom trabalho, ao me informar quem ela realmente era. Traga ela até mim amanhã — ele falou, seco.
— Boa noite irmão — uma vozinha fraca veio até os ouvidos dele.
—Durma.
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