Notas iniciais
E como prometido capítulo postado no fim de semana. Ok, no domingo a noite, mas ainda assim no fim de semana. Gostei de escrever esse capítulo, espero que vocês gostem de lê-lo. E obrigada pelos comentários do capítulo anterior minna ^^ eu ainda irei responder os que não respondi ainda.
Espero que o tamanho desse capítulo tenha ficado bom, enfim, boa leitura.

O garoto permaneceu ali, agachado em frente à cama de Lucy por tempo indeterminado. Não percebia o tempo passar, pois sua mente não estava ligada a realidade; ela viajava em hipóteses sobre o que poderia ter acontecido à Lucy no passado. Seus olhos inevitavelmente estavam grudados nos dela, no seu rosto delicado e na expressão serena que a loira possuía enquanto dormia. Ele a olhava como se tentasse descobrir o que lhe acontecera através das feições de seu rosto, como se o que elas viveram ainda estivesse marcado ali e apenas fosse necessário saber como decifra-las para descobrir pelo quê passaram.

Da hora que possuía para descansar gastara metade apenas observando Lucy. Somente quando se deu conta do tempo perdido é que decidiu deixar o quarto. Também estava cansado da viagem, que, especialmente para ele, não fora lá muito agradável; ansiava por um banho e uma boa soneca, e seria exatamente isso que faria na meia hora que ainda restava antes do jantar.

Olhou uma última vez para Lucy antes de deixar o quarto. Ela se moveu levemente. Apenas um sonho, não um sinal de que havia acordado. Natsu tentou pensar com o que ela sonhava, se por acaso era com seu passado, tal como acontecia com ele algumas vezes, quando sonhava com a garota que apareceu em sua vida três anos atrás.

Curioso o fato de que sonhos podem ser como filmes de coisas passadas, coisas vividas que nos marcam de alguma forma, sendo de maneira positiva ou negativa, sendo assim uma forma de relembrar o passado, mesmo que isso signifique reviver coisas ruins. Afinal mesmo o que é ruim não deve ser esquecido, deve apenas ser guardado em um canto afastado da mente, para que não atrapalhe a vida cotidiana.

Fechara a porta tomando cuidado para não acordar Lucy. Seu quarto, pelo que se lembrava de que o senhor Heartfilia havia dito, ficava na última porta do corredor. O corredor não era muito extenso, mas também não era pequeno, sendo assim foi fácil encontrar o quarto em que ficaria, mas precisou caminhar um pouco. O quarto era agradável e simples, possuía apenas uma cama e um armário embutido na parede esquerda, além de um banheiro. A mala de Natsu já estava ali. Inicialmente Lucy havia dito que iriam passar dois dias na cidade, porém pouco antes de viajarem ela decidiu estender em um dia a estadia dos dois, ficariam três dias em Nagoya.

Logo após tomar um banho se deitou na cama, ainda pensando em Lucy. Gastou quinze minutos no banho, o que lhe dava ainda quinze minutos para dormir e descansar antes do jantar. Se estivesse com seu celular poderia ativar o alarme, mas este não era o caso; por sorte havia um despertador ao lado da cama. Ajustou o despertador para que ele o acordasse e fechou os olhos, não tardando a adormecer.

Seus sonhos o levaram novamente ao passado, para aquela noite, porém antes que pudesse rever tudo o que acontecera novamente o despertador o acordou. Ainda sonolento se levantou, o pequeno cochilo não fora nem de longe suficiente para se sentir totalmente descansado. Antes de sair do quarto apenas lavou o rosto, tentando tirar um pouco do sono que sentia após ter acordado.

Não se lembrava exatamente onde ficava a sala de jantar, se lembrava do que Jude falara, sobre ela se localizar perto do escritório, o problema era que não recordava onde ficava o escritório. Sua memória nunca fora muito boa, se alguém lhe falava algo, ou lhe mostrava um lugar que não dava tanta importância cinco minutos depois já tinha esquecido e apagado da memória.

Andou por quase toda a mansão, não conseguia encontrar nenhum empregado que lhe auxiliasse em sua procura pela sala de jantar. Abria todas as portas para verificar se era o lugar que procurava. Em uma de suas tentativas o que continha atrás de uma das portas lhe chamou a atenção.

Era um quarto. Natsu entrou e encostou a porta, não sabia se iriam ficar zangados com ele por ter entrado ali, mas sua curiosidade praticamente gritou para que ele entrasse e olhasse. O quarto era pequeno, possuía paredes pintadas de azul, não um azul comum, mas um tom claro e calmo. A mobília não era a de um quarto comum, de um lado do quarto havia um berço branco, do outro lado um pequeno armário de mesma cor. Sob o armário haviam vários brinquedos.

Aquele era o quarto de um bebê, e pela aparência, nunca fora usado já que várias coisas ainda estavam envoltas por plásticos, portanto não poderia ter sido aquele um quarto usado por Lucy quando ela era uma criança.

A curiosidade de Natsu aumentava a cada segundo, a quem pertencia aquele quarto? Por que ele se encontrava daquela maneira, com as coisas embaladas? Eram perguntas que martelavam na mente do rosado. Ele pegou um dos ursos de pelúcia guardados em cima do armário, um urso azul como as paredes do quarto.

Olhava para o brinquedo enquanto sua mente formulava hipóteses. Estava tão concentrado em encontrar uma resposta que não notou a presença de alguém no quarto.

– Natsu? O que faz aqui? – O Sr. Heartfilia perguntou. O velho notara que a porta do quarto estava aberta, estranhou aquilo pelo fato de nenhum dos empregados, a não ser os que faziam a limpeza do local, terem permissão para entrar ali. A voz do homem estava diferente de quando conversara com Natsu mais cedo naquele dia, o tom de sua voz era.......indecifrável. Não era possível identificar através dele o que o Sr. Heartfilia estava pensando.

– Sr. Heartfilia? Desculpe-me, eu estava procurando pela sala de jantar e acabei me perdendo. – Natsu tentou explicar-se. Recolocou o bicho de pelúcia no local em que o encontrara e se virou para encarar o homem mais velho.

– Entendo, mas isso não responde a minha segunda pergunta, o que faz aqui? – Ele tornou a perguntar enquanto se aproximava de Natsu.

– Bem – Natsu não sabia o que responder – Como eu disse estava procurando pela sala de jantar.

– Sim, e então...?

– Então abri a porta desse quarto e fiquei curioso.

O rosado optou pela sinceridade. Não por não querer mentir, apenas por não ter pensado em nenhuma mentira boa o suficiente para que o velho homem acreditasse.

– Ah, entendo, então a curiosidade te trouxe até aqui?

– Sim – Respondeu hesitante.

– Sabe Natsu, não deveria deixar que a curiosidade te dominasse tão facilmente, já ouviu o ditado “a curiosidade matou o gato”?

Natsu começava a se assustar, primeiro o tom que o senhor Heartiflia usava, depois as coisas que falava, se perguntava se realmente fora um erro tão grande seguir sua curiosidade.

– Sim, já ouvi.

– Então, não seja tão curioso com certas coisas.

– Me desculpe, eu prometo que não acontecerá novamente – Natsu dizia.

– Está se desculpando pelo quê? – A pergunta do Sr. Heartfilia deixou Natsu ainda mais confuso.

– Por ter entrado no quarto, por ter sido movido pela minha curiosidade.

– Não se preocupe com isso – Jude disse sorrindo.

– Mas o Sr. estava dizendo......não está bravo por eu ter entrado aqui?

– Não, de forma alguma. Bem, é certo que não gosto muito desse quarto, mas não me incomoda que tenha entrado aqui.

– Então por que estava falando sobre a curiosidade? – A cada fala de Jude Natsu ficava mais confuso.

– Estava apenas comentando um fato.

– Entendo. – O garoto continuava confuso, mas decidiu não fazer mais perguntas sobre a atitude do homem, havia outra coisa que queria descobrir – Sr. Heartfilia, este quarto não pertencia à Lucy, pertencia?

– De fato não.

– Então a quem ele pertencia?

Jude riu levemente.

– Você faz muitas perguntas garoto, perguntas que eu não posso responder. Não é algo que interesse a mim, sendo assim não tenho o direito de te contar. Agora vamos, o jantar já deve estar esfriando.

O Sr. Heartfilia tinha razão em partes. Todos já estavam sentados a mesa, mas a comida ainda estava quente. O que não agradou muito ao rosado foi o fato de um certo garoto de cabelos castanhos e olhos verdes que há uma hora estava abraçando Lucy estar sentado a mesa junto com os três.

Lucy conversava animadamente com Jun, pelo que Natsu pode perceber os dois conversavam sobre o tempo em que eram crianças e brincavam juntos. Ele ouvia um pouco das histórias, pareciam totalmente nostálgicas para Lucy. Ele lembrava-a de certa vez em que brincavam em um balanço amarrado uma árvore quando uma tempestade se iniciou, nessa tempestade um raio havia atingido a árvore e quebrado o balanço que tanto gostavam.

– Natsu, já conhece o Jun não é? – Jude perguntou.

– Sim, fomos apresentados quando ele foi nos buscar no aeroporto.

– Ótimo. Bem, então vamos comer.

O rosado não se importava muito com a conversa ou com a comida, apenas se importava com Lucy. Durante a maior parte do tempo enquanto jantavam ele permaneceu olhando para ela. Em alguns momentos seus olhares se encontravam e ele o desviava, mas inevitavelmente ela percebeu a atitude estranha do rosado. No entanto não deu importância, estava feliz por estar com seu pai e Jun, o problema chamado Natsu, que ultimamente era um problema por seu lado irritante ao invés de ser um por tudo o que fazia, não a incomodava.

Assim que Jun e ela terminaram de comer o garoto lhe fez uma proposta que não agradou nem um pouco Natsu.

– Nee Lucy, gostaria de dar uma volta comigo pela cidade?

– Claro.

– Certo, então vamos.

Natsu queria protestar e pedir que Lucy ficasse ali, mas por que afinal faria isso sendo que nem ao menos possuía uma forte ligação com a garota? Optou por ficar calado, mesmo que dissesse algo ela provavelmente daria preferencia ao seu amigo de infância.

– Cuide bem da Lucy, Jun – Jude disse.

– Eu irei.

Os dois saíram, deixando apenas Jude e Natsu na sala. O rosado logo se levantou também, queria dormir e descansar. Ele ainda não sabia para o que os dois haviam viajado até Nagoya, bem, na verdade ele sabia o porquê dele ter ido, somente não sabia o motivo de Lucy.

– Com licença Sr. Heartfilia. – Disse antes de se retirar.

Assim como da outra vez o garoto mal se deitou na cama e o sono o invadiu, suas pálpebras pesaram e ele não conseguiu mantê-las abertas por muito tempo. Não sonhou novamente com o passado, na verdade não conseguia nem ao menos distinguir o que era seu sonho, tudo parecia muito confuso.

Ele estava em um quarto, as paredes, o teto e até mesmo o piso ardiam em chamas. Haviam um pessoa do outro lado da sala, porém Natsu não conseguia distinguir quem era aquele. A pessoa estava sentada agachada, com a cabeça entre as pernas. Quando o fogo atingia a pele de Natsu ele sentia uma ardência, coisa que nunca sentira com fogo antes. Tentava caminhar até a pessoa, mas toda vez que tentava as chamas aumentavam de intensidade e o impediam.

– Ei!

Tentou gritar para chamar a atenção da pessoa que estava ali, mas ela ou não lhe ouvia, ou não lhe dava atenção. A última coisa que aconteceu antes que acordasse foi ouvir a voz daquela pessoa sussurrando:

Me ajude.

Logo após Natsu acordou. Estava ofegante e com o ritmo cardíaco acelerado, também sentia uma ardência em seu braço direito. Olhou para o local que incomodava e notou uma marca vermelha, ao tocar o local sentiu uma leve dor. Aquilo parecia uma queimadura, mas não seria possível que ele tivesse se queimado em um sonho, ou seria? Nunca se queimava com fogo nem mesmo na vida real, como poderia ter se queimado em um mero sonho?

Olhou para o relógio ao lado da cama, sete horas da manhã. Queria esquecer o sonho que tivera e tinha uma ideia do que poderia ajuda-lo, porém era muito cedo para tal coisa. Pensou um pouco.....é, iria fazer aquilo, afinal uma pequena surpresa logo cedo não fazia mal a ninguém.

Saiu do quarto prestando atenção se havia algum empregado no corredor. Não notando nenhum continuou a andar até chegar à porta que queria. Abriu tomando cuidado para não acordar aquela pessoa.

Como sempre enquanto dormia Lucy possuía uma expressão calma. Natsu fechou a porta com o mesmo cuidado com que abriu e caminhou até a cama da loira. Lentamente se colocou sob a loira e aproximou seu rosto do dela, depositando um beijo em sua bochecha esquerda. Logo depois colocou sua boca perto do ouvido de Lucy.

– Bom dia, loirinha. – Sussurrou alto o suficiente para que Lucy acordasse.

– Bom dia – Ela respondeu ainda com os olhos fechados, sem nem ao menos perceber quem estava ali – Espere, Natsu?! – Ela exclamou abrindo rapidamente os olhos e tirando o rosado de cima de si. Ele se deitou ao seu lado, rindo da expressão de Lucy – O que está fazendo aqui às – Olhou para o relógio ao lado para conferir as horas – sete horas da manhã?

– Vim fazer uma surpresa. Para você começar bem o seu dia, afinal, quem não gostaria de acordar com um beijo meu?

– Eu. – Ela respondeu rapidamente.

– Não seja mentirosa loirinha, eu sei que você me ama.

– Não mesmo. Mas me conte o verdadeiro motivo de ter vindo aqui? Mesmo sendo você eu sei que não acordaria tão cedo apenas para me irritar.

– Não duvide do que posso fazer. – Ela estava certa, porém ele não queria contar a verdade.

– Responda, por que veio até aqui? – Lucy o olhava enquanto esperava uma resposta, foi quando notou a marca vermelha no braço do rosado – O que aconteceu com o seu braço? Isso está parecendo uma queimadura, você disse que não se queima com fogo, como isso aconteceu?

– Por que está tão interessada? – Ele perguntou enquanto a olhava, sem receber nenhuma resposta desistiu de espera-la – Não sei como isso aconteceu, quando acordei estava assim.

– Que coisa estranha.

Natsu concordava, com certeza aquilo era muito estranho. Desviou seu olhar para o criado-mudo ao lado da cama, onde havia um retrato de uma mulher.

– Essa é a sua mãe, Lucy? – O rosado perguntou.

– Sim, é ela.

– Você se parece muito com ela.

– Todos sempre me dizem isso.

– É porque é verdade. – Ele disse, voltando a olha-la. Se lembrou de um dos motivos para ter ido até o quarto da garota, não podia esquecer aquilo, o que mais gostava de fazer, provoca-la – Nee Lucy, você não acha que aquele garoto é muito abusado?

– Que garoto? – Ela perguntou.

– Aquele....como é mesmo seu nome? Jun?

– O que tem o Jun?

– Não gosto dele, porque sou meio egoísta, não gosto de dividir o que é meu. – ele disse enquanto colocava cada um de seus braços e pernas do lado do corpo de Lucy.

– Seu?

– Sim.

– E desde quando eu sou sua?

– Desde que eu decidi que seria.

Ele aproximava cada vez mais de Lucy. Ela já estava acostumada com Natsu fazendo coisas daquele tipo. O rosado somente fingia que ia beija-la, mas no fim nunca o fazia. Mesmo que já estivesse acostumado aquilo era desconfortável.

– Natsu, quer mesmo se arriscar a algo assim estando na casa do meu pai?

– Eu não tenho medo dele.

– Então porque o teatro de ontem?

– Estava apenas sendo amigável Lucy. Além do mais quais são as chances dele acordar as sete horas da manhã e vir ao seu quarto? Acho que você não tem saída, loirinha.

– Será mesmo?

– Tenho certeza – Ele disse enquanto se aproximava ainda mais de Lucy. A loira estava confiante demais, ele estranhava aquilo, porém deu pouca importância.

– Lucy, já está acordada? Lembre-se que precisa sair às oito horas. – O Sr. Heartfilia disse do outro lado da porta, fazendo Natsu sair da cama de Lucy o mais rápido possível.

– Sim, estou acordada, obrigada por me lembrar papai.

Natsu só voltou a falar quando os passos do Sr. Heartfilia já não podiam ser ouvidos.

– Como você sabia que ele estava acordado? – O rosado perguntou.

– Eu não sabia, apenas confiei na minha sorte. Ontem pedi para que ele me acordasse e por sorte veio exatamente quando eu precisava. Agora saia do meu quarto, preciso me arrumar.

Natsu obedeceu, não iria discutir, além do mais também precisava se arrumar, pois aonde quer que Lucy fosse às oito horas ele iria junto. Natsu não demorou a descer e se juntar a Jude, já Lucy se arrumou com mais calma, levando em torno de uma hora para se juntar aos dois.

– Vamos? – Lucy perguntou ao seu pai.

– Sinto muito Lucy, mas não poderei te acompanhar esse ano. Uma reunião de ultima hora foi agendada e como presidente da empresa preciso comparecer. Mas o Natsu irá te acompanhar, não irá sozinha.

Era uma ocasião importante para Lucy, e todos os anos ia na companhia do pai àquele lugar. Porém teria que se contentar com a companhia de Natsu aquele ano, já que não havia outra maneira.

Notas finais
Alguém aí assiste once upon a time? Quem assiste acho que vai saber de onde tirei a ideia desse sonho né. 17 comentários no capítulo anterior *_* fiquei muito feliz. Agora só falta os outros 116 comentarem né, então, vamos comentar pessoal! Vamos fantasminhas, apareçam! Vamos quebrar esse recorde de reviews da fic!