Onde Tem Ódio Tem Amor
17 Dois lados do mesmo rosado
Notas iniciais
Sentiram falta da fanfic? Não? Ok...
Eu demorei um pouco né, pessoal, me desculpem. Estou tendo uma falta de inspiração ultimamente que me impede de escrever, além da escola complicar as coisas um pouco mais.
E a fanfic chegou a 100 favoritos no AnimeSpirit, por causa disso eu vou escrever um cap. especial, só que esse especial vai ser um pouco diferente, falo mais sobre isso nas notas finais.
Boa leitura!
― Posso ir sem companhia. Não há problema algum nisso. – Tentou argumentar contra o pai. Dentre as duas únicas opções que tinha, aceitar a companhia de Natsu ou não ter companhia alguma, a segunda parecia muito mais atraente.
Não importava o modo como o rosado agia em alguns momentos, quando ele se assemelhava a um amigo. Aqueles raros momentos em que ele chegava a ser “amigável” e suportável. Continuava sendo Natsu Dragneel, de qualquer maneira sua companhia não era agradável à Lucy.
Por outro lado uma companhia a faria bem. O lugar aonde pretendia ir não lhe trazia, de forma alguma, boas recordações. A saudade e a culpa lhe marcavam todos os anos quando ia até lá, naquela data que há tempos atormentava-lhe. Mas havia feito uma promessa, e não pretendia descumpri-la.
Aceitar a companhia de Natsu, ou ir sozinha? Nenhuma das duas alternativas era boa. Talvez pudesse existir uma terceira...
― Não, não quero que vá sozinha, Lucy. Sem chance de eu permitir isso.
Alternativa número dois: Descartada!
Restava ainda mais uma antes de Lucy por fim ceder à companhia de Dragneel. A garota esperava que, pelo menos aquela, fosse autorizada pelo pai.
― Bem, então, se não quer que eu vá sozinha Jun poderia me acompanhar. Não poderia? ― Lucy expôs uma sua ideia, uma sugestão que não agradou nem um pouco certo rosado, pelo contrário, deixou-o bem irritado, coisa que estava evidente em seu olhar. Olhava para a loira com as sobrancelhas franzidas, sem acreditar que ela realmente preferia a companhia daquele garoto à dele.
― Claro, eu adoraria te fazer companhia Lucy. ― O garoto respondeu, enquanto ajeitava o terno que usava em dias de trabalho, como aquele.
― Não, o Jun não pode te acompanhar. Ele precisa me levar à reunião.
― Tem razão, eu havia me esquecido disso. Me desculpe, Lucy. – Desculpou-se, desconfortável pelo erro que cometeu ao esquecer-se do compromisso com o patrão.
Alternativa número três: Descartada!
Alternativa vencedora: Aceitar a companhia de Natsu.
Lucy suspirou derrotada. Não havia escolha, teria que aceitar a companhia de Natsu. O rosado sorriu ao ver a expressão de Lucy. Com certeza aquilo lhe renderia ótimas provocações. Como a loira podia simplesmente descarta-lo daquela maneira? Não, isso não iria ficar assim, de forma alguma ele iria deixar-se ser colocado como última opção e sair contente com isso.
― Já esteve em Nagoya alguma vez, Natsu? – Jude perguntou, recebendo uma resposta negativa do rosado – Pois então, aproveite para mostrar um pouco da cidade a ele, Lucy. O dia está agradável, apesar de um pouco frio.
O Sr. Heartfilia estava sendo muito razoável ao dizer que o dia estava apenas um pouco frio. Aquele sem dúvida era um dos dias mais frios do ano na região. Mesmo dentro de casa e vestindo uma blusa aberta de moletom Natsu sentia frio, sendo que ele raramente se incomodava com temperaturas baixas.
Jude consultou as horas em seu relógio de pulso, constatando que já estava consideravelmente atrasado para a reunião. Precisava se apressar, caso contrário teria que lidar com os sermões de seus sócios, o que não era nada agradável.
― Olhe a hora, tenho que ir – Se aproximou da filha, dando-lhe um beijo na testa -. Eu sei o quanto hoje é importante para você querida, e sabe que eu realmente queria estar ao seu lado, mas isso não é possível. Tente entender, ok? — Lucy assentiu, mesmo que de braços cruzados e com uma expressão de desgosto. – Vamos, Jun.
Os dois homens saíram, deixando apenas Natsu, que ainda se encontrava sentado no sofá, e Lucy, que os acompanhou com o olhar até a saída. Estava magoada com o pai, impossível não admitir isso. Queria passar algum tempo ao lado dele, e aquele dia em especial era perfeito para isso. Mas no dia seguinte ao menos ele iria lhe fazer companhia.
Passaram-se cinco minutos e Lucy continuava parada, olhando para o chão, sem nem ao menos ter dirigido a palavra a Natsu.
― Ei, loirinha, está aí? – Natsu perguntou, satirizando o estado pensativo de Lucy, enquanto se levantava e acompanhava a garota até o exterior da casa.
― Não enche, pantera-cor-de-rosa. Vamos também, se não demoraremos muito.
― Pantera-cor-de-rosa? Sinceramente, está me decepcionando com esses apelidos, Lucy. Você poderia ser mais criativa.
― Loirinha também não é nem um pouco criativo, sabia?
Lucy poderia ter razão, mas Natsu nunca daria o braço a torcer.
― Posso criar vários outros. Deixe-me pensar... Que tal Luce?
― Luce? Isso é apenas uma pequena modificação no meu nome. – Lucy disse. Os dois acabavam de sair do território pertencente aos Heartfilia.
― Luigi? Afinal você se parece mesmo com o Luigi dos videogames – O rosado disse, enquanto ria. Não falava realmente sério. Lucy não se parecia nem um pouco com o irmão mais novo do Mário, mas era divertido irritá-la.
― Luigi? Em que mundo eu me pareço com o Luigi, Penélope charmosa?
― Penélope charmosa? Qual é, eu não me pareço nem um pouco com ela – Disse o rosado, ainda rindo.
Pararam com a guerra de apelidos em Luigi e Penélope charmosa. A criatividade não permitiu que continuassem, além do que Lucy não estava de muito bom humor naquele dia.
― Lucy, nós vamos a pé até esse tal lugar? – Natsu perguntou.
― Sim. Se fossemos em um carro você nem estaria aqui, porque isso significaria que o Jun não está ocupado.
Lucy acabou por lembrar Natsu da conversa que a loira tivera com o pai momentos antes, lembrando-lhe também do que pretendia fazer a respeito disso. O rosado se aproximou sorrateiramente da garota, até estar muito próximo de Lucy. Aproximou mais sua boca do ouvido da garota e sussurrou, de maneira provocadora:
― Sabe, Lucy, eu não fiquei contente em saber que você preferia a companhia daquele cara à minha.
Sentir a respiração do rosado tão próxima de sua pele fez com que Lucy se arrepiasse, mas não podia deixar que Natsu percebesse sua fraqueza com relação a ele.
― Não é problema meu se você não gostou.
― Então está dizendo que prefere mesmo a companhia dele? – O rosado perguntou, ainda sussurrando e usando seu tom sedutor.
― Sim, é exatamente isso que estou dizendo. – Afirmou a loira.
― Bem, pelo que eu sei, ele não consegue te causar arrepios somente por falar perto do seu ouvido.
Ele havia percebido, oque para Lucy significava um rosado irritante a importunando por um bom tempo.
― Eu não sei do que está falando – Tentou desmentir, mesmo sabendo que ele não acreditaria.
― Não minta Lucy. Eu posso ver como você fica quando eu estou perto. Mas não te culpo, eu geralmente causo isso nas garotas.
― Convencido – Lucy resmungou. Aquele era o lado de Natsu que ela odiava.
― Afinal Lucy, para onde estamos indo? – Natsu perguntou. Estava curioso, até aquele momento não sabia para onde iriam. Esperou alguns minutos por uma resposta, mas Lucy não disse nada, apenas continuou andando – Ei, Lucy, eu perguntei para onde estamos indo. – Insistiu, porém novamente a resposta não veio. Suspirou e desistiu da pergunta, de qualquer forma saberia dali alguns minutos.
Já fazia meia hora que andavam. Não trocaram nenhuma palavra a mais desde a pergunta do rosado. Não porque Lucy havia se irritado ou embravecido com as falas de Natsu, mas porque simplesmente não tinham nenhum assunto.
Ele continuava curioso, prestava atenção em tudo a sua volta a fim de tentar conseguir uma dica de para onde estavam indo. Porém, o rosado só conseguiu uma verdadeira pista do lugar quando os dois entraram em uma floricultura.
― Bom dia, em que posso ajudá-los? – Perguntou a atendente. Parecia ser a dona da floricultura.
― Bom dia, Mieko-san. – Lucy respondeu sorrindo. A loira já conhecia aquela mulher, e logo depois Mieko pareceu também reconhecer Lucy.
― Lucy-sama, claro, como pude não te reconhecer – Disse, correndo abraçar Lucy –. Estou ficando velha, nem me lembrava sobre hoje. Veja como você cresceu em apenas um ano, ainda me lembro de quando era apenas uma criancinha e vinha até aqui com a sua mãe, olhando tudo com um brilho nos olhos.
― Sim, eram bons tempos.
― E como eram. Onde está o Sr. Jude?
― Ele não pode vir, ocupado com o trabalho. – Lucy explicou.
― Claro, ele sempre trabalhou muito. E esse belo rapaz, quem é? – Mieko perguntou, desviando seu olhar para Natsu.
― Natsu, um amigo.
― Ah, sim – A mulher analisou Natsu por alguns segundos, antes de voltar a falar com Lucy – Vai querer as mesmas flores de sempre?
― Sim, eram as preferidas dela. – Respondeu tristemente.
― Samiko, venha cá, preciso de sua ajuda para organizar as flores.
― Estou indo, mamãe. – Respondeu uma garota, dos fundos da floricultura.
Logo a dona da voz apareceu, segurando um vaso cheio de água. Caminhava de forma apressada e desajeitada, tanto que nem percebeu a presença de Natsu e acabou por dar de cara com o garoto, encharcando a camiseta que ele usava.
― Samiko! Como você é descuidada!
― Meu Deus! Desculpe-me – Samiko disse, após perceber o que fizera.
― Está tudo bem. – Natsu disse. A situação não estava tão ruim, apesar da camiseta molhada, sua blusa continuava seca, e a água não atingiu o gesso do braço esquerdo.
― E-Eu vou pegar algo para tentar enxugar um pouco a água. – Disse, antes de sair apressadamente.
― Desculpem, Lucy-sama, Natsu-dono. Vou preparar as flores para a senhorita. – Mieko desculpou-se também, apesar de não haver motivo para isso. Não era necessário se desculpar, fora apenas um acidente.
Logo Samiko voltou, trazendo com si um pano. Começou a enxugar a camiseta de Natsu com o pano. Suas mãos tremiam e ela não conseguia olhar o rosado nos olhos. Ele estranhava a situação, afinal ela não parecia estar muito bem.
― Você está bem? – Perguntou.
― S-Sim.
Lucy sabia muito bem o que a garota tinha. Samiko, a garota tímida que estudara com ela há alguns anos. Sempre ficava daquela maneira no colégio quando estava próxima de um garoto que julgava como bonito, atraente.
Por algum motivo, a loira se sentia desconfortável com aquilo. Ciúmes? Talvez, mas preferia acreditar que era outra coisa.
― Pronto, acho que está um pouco melhor assim. – Samiko disse, se afastando.
― Está bem melhor, obrigado – Natsu agradeceu, usando seu típico sorriso, capaz de fazer a maior parte das garotas derreterem. Com Samiko não foi diferente, seu rosto adquiriu uma coloração tão vermelha quanto o cabelo de Erza.
Lucy desviou o olhar e cruzou os braços. “Ele tinha mesmo que usar esse sorriso?” A loira pensou.
― D-De nada. – Samiko disse, colocando uma mecha solta do seu cabelo, que estava preso em um coque, para trás da orelha.
― Aqui, Lucy-sama – Mieko voltou, para alegria de Lucy – Tulipas rosa, como sua mãe gostava.
― Obrigada, Mieko-san. – Agradeceu, pegando as flores — Vamos Natsu.
― Ah, sim. Tchau, Samiko-san. – Natsu se despediu, novamente sorrindo, fazendo Samiko corar e Lucy bufar.
Estava ventando mais do que antes. Natsu sentia mais frio, já que sua camiseta estava molhada. A blusa também não ajudava muito a aquecê-lo.
― Vamos a mais algum lugar, Lucy? – Ele perguntou.
― Sim. – Lucy respondeu simplesmente, deixando evidente sua irritação.
― Você está brava? Por que? – Ele perguntou, sem entender.
― Não estou brava, Natsu.
O rosado não insistiu, afinal se ela estava dizendo que não estava brava, então não deveria mesmo estar.
― Nee, Lucy, então eu sou seu amigo? – Natsu perguntou, passando seu braço direito em volta do pescoço de Lucy
― Não, eu só disse aquilo porque demoraria muito para explicar toda a história.
― Sei... – O rosado disse, ainda não convencido de que Lucy falava a verdade. Percebeu que a loira estava tremendo por causa do frio. Não era para menos, ela não havia vestido nem ao menos uma blusa para sair de casa, somente a camisa. O rosado tirou sua própria blusa e entregou para a garota. – Toma. Você está com frio, não está?
― Mas e você?
― Essa blusa não está fazendo diferença para mim, no estado em que estou.
― Obrigada – Agradeceu, antes de vestir a blusa do rosado.
Caminharam em silêncio até chegarem a um cemitério. Natsu torcia para que Lucy não entrasse ali, a aparência sombria de cemitérios lhe causava calafrios. Para o seu azar, era exatamente aquele lugar que Lucy queria visitar.
O barulho do vento soprando dava ao lugar um clima ainda mais assustador. O dia estava nublado, então o Sol se fazia ausente, piorando ainda mais a situação.
Lucy parou de andar, parando em frente a um túmulo. Na lápide estava a seguinte inscrição:
“Layla Heartfilia
07-07-1971
13-04-2001”
A garota se agachou em frente ao túmulo, enquanto Natsu permaneceu em pé, apenas observando Lucy.
― Oi, mamãe, como está? Tomara que esteja bem. O papai não pode vir esse ano, o trabalho novamente. – Fez uma pausa, suspirando e tomando coragem para continuar. Colocou as tulipas sobre o túmulo e voltou a falar – Tulipas rosa, as suas preferidas. Prometi que voltaria todos os anos, com tulipas, e aqui estou. Não aconteceram muitas coisas desde o ano passado, mas eu consegui entrar para a Fairy Tail, se bem que só tive dois dias de aula até agora. Eu... Eu ainda sinto a sua falta, mamãe. Ás vezes preciso de conselhos que só você saberia dar, mas me lembro de que você não está lá, e então me sinto tão mal. O pior é que eu sei que isso é minha culpa. Eu queria te pedir perdão novamente. – Àquela altura Lucy não conseguia mais impedir que as lágrimas rolassem pelo seu rosto. Mesmo depois de todos os anos, ir até aquele lugar provocava a mesma dor, como se estivesse lá pela primeira vez. – O papai tem sido melhor, mas ainda não é a mesma coisa, não é como quando você ainda estava aqui. Eu queria que estivesse aqui. Sinto muito a sua falta.
Lucy se levantou, enxugando as lágrimas.
― Sabe – Disse, falando com Natsu, mas ainda olhando para o túmulo da mãe — mesmo depois de todos esses anos, eu ainda me sinto culpada pelo que aconteceu. Eu peço perdão a ela todos os anos, e sei que ela já me perdoou, mas eu não consigo me perdoar. Eu sou fraca, não consigo me desprender do passado.
Lucy terminou o que dizia sendo surpreendida por um abraço de Natsu. O rosado acariciava os fios loiros do cabelo de Lucy com a mão, tentando lhe acalmar. Ela retribuiu o abraço, escondendo o rosto no peito do garoto, chorando ainda mais.
― Você não é fraca. É muito mais forte do que eu. Pelo menos tem coragem para vir até aqui todos os anos e se desculpar. Desde a morte dos meus pais, nem mesmo um dia eu fui visitá-los, nunca fui capaz disso. Sempre penso que sou uma vergonha para eles, tenho medo de que, onde quer que estão, eles não me perdoarão. Eu sou o verdadeiro fraco, tenho medo de não receber o perdão deles.
― Então mude isso – Lucy disse, afastando um pouco a cabeça — Você não se torna forte por não ter medo, se torna forte por enfrentar esse medo. Enfrente.
― Eu não sei...
― Quando voltarmos a Magnólia, vamos juntos visitar o túmulo dos seus pais. O que acha?
O rosado pensou por alguns segundos, antes de dar uma resposta.
― Está bem. – Respondeu, novamente trazendo Lucy para perto de si.
Naquele momento ela não se importava se ele era na maior parte do tempo um idiota, porque ali estava sendo um verdadeiro amigo. A companhia dele não fora tão ruim quanto pensava que seria, afinal, na verdade, foi até melhor do que quando ia com o seu pai. Por aquela parte de Natsu, seu coração começava a bater mais depressa. Por aquela parte do rosado, começava a se apaixonar lentamente.
Notas finais
E sobre o extra, eu já tenho toda a ideia de como vai ser, mas quero fazer algo diferente, e esse diferente seria a participação de vocês, que seria isso: O extra se passa em um parque de diversões, digam nos comentários o que vocês gostariam que acontecesse nesse parque, só não vale hentai e beijo. Vou tentar colocar todas as sugestões. Não sei quando vou postar esse extra, mas vou tentar escrever logo.
E novamente, pessoal, deixem reviews, ok? Com a sugestão (se quiserem deixar) e com o que acharam do capítulo.
Até o próximo o/
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