Onde Tem Ódio Tem Amor

77 If love is what you need, a soldier I will be


Notas iniciais
Hey! Boa leitura, gente!

— Então, vocês são um casal outra vez?

— Yep. E espero que por um bom tempo dessa vez.

— Então as coisas estão indo bem? Isso é ótimo, não aguentava mais as brigas entre vocês, sinceramente.

— Sim, estão bem. E já te disse isso várias vezes, Levy.

— Eu sei, só quero ter certeza — a pequena sorriu, bebericando um gole do chá que segurava em mãos. Claro que estava muito feliz por seus amigos, apenas queria saber que estavam realmente bem antes de comemorar. O histórico de Natsu e Lucy a obrigava a isso. Contudo, a expressão inquieta de Lucy fazia-a supor de que havia algo mais naquela história. — Se está tudo bem por que essa cara?

— Está tudo bem. É só que...

— Só que... ?

Lucy suspirou, apertando a almofada que abraçava contra seu rosto.

— É constrangedor.

— Pode me contar.

— Não tenho certeza...

— Lu-chan — falou, em tom autoritário, não dando escolhas a Lucy. Então, a loira decidiu abrir o jogo, com seu rosto queimando de vergonha.

— Ultimamente, na maior parte do tempo em que estamos juntos... coisas acontecem.

— Que coisas? — Levy perguntou, confusa.

— Você sabe que tipo de coisas, Levy — a loira respondeu, inflando as bochechas. Esperava que Natsu demorasse procurando a blusa que ela pedira para procurar no quarto de hóspedes da casa de Levy em que ficara quando haviam se separado, pois se ele chegasse no meio daquela conversa não seria muito agradável.

— Oh, aquelas coisas... Mas o que tem de errado nisso? Natsu não é bom?

— Não tem nada de errado. Ele é ótimo, sério, ele é muito bom, mas... — a loira afundou mais no sofá, claramente constrangida. — Acontece o tempo todo. Acho que estou me tornando uma daquelas pessoas viciadas nisso — Levy não conteve o riso, quase derramando o chá contido dentro da xícara sobre si. — Não ria, é sério.

— Tenho certeza de que não está se tornando uma viciada, Lucy. Não tem com o que se preocupar.

— Não é o momento em si, mas o pré e pós. Sabe, o jeito como ele me olha e conduz as coisas antes. E depois, bom — Lucy sorriu timidamente —, geralmente ele adormece e fica sorrindo enquanto dorme, e eu fico acordada observando. É tão fofo.

— Você não é viciada, é só uma pessoa apaixonada. Mas sério, tem certeza de que ele é bom?

— Levy! — a loira exclamou, fazendo a pequena rir outra vez. — Sim, ele é.

— Como ele é?

— Por que está tão interessada nos detalhes da minha vida íntima com meu namorado?

Levy deu de ombros.

— Sou uma jornalista, sou curiosa por natureza. Só quero saber como ele é na cama, nada de mais. Sabe, conheço o Natsu há muito tempo, é difícil imaginar. Pura curiosidade apenas.

Repentinamente, Lucy sentiu um peso sobre seus ombros e uma respiração quente perto de seu ouvido. Seu corpo congelou, torcendo para que ele não tivesse ouvido a conversa.

— Como quem é na cama? — Natsu perguntou, de trás do sofá, abraçando a loira.

— Você.

— Levy!

— Lucy estava me contando como você é.

— Levy! — a jovem exclamou outra vez. Mesmo sem ver, sabia que havia um sorriso cínico no rosto de Natsu.

— Mesmo, é? Gostaria de ouvir sobre isso — o garoto comentou, contornando o sofá e sentando-se ao lado de Lucy. Ele a abraçou pela cintura, puxando-a para mais perto, deitando a cabeça da loira em seu peito. Era confortável, como um travesseiro quente e macio. — O que estava falando sobre mim?

— Não estava falando nada — Lucy respondeu. As bochechas novamente infladas.

— Segundo a Lucy, você não é ruim.

— Você é uma traidora, Levy McGarden — a pequena respondeu à fala da Heartfilia com um sorriso brincalhão. — Você encontrou a blusa, Natsu?

— Não mude de assunto, Heartfilia. O que mais ela falou, Levy?

— Que vocês dois tem estado muito ativos nos últimos tempos.

— Realmente.

— E que você fica com um sorriso pós-coito fofo.

— Eu odeio vocês — a loira murmurou, encolhendo-se no peito de Natsu.

— Eu imagino. Você também fica fofa com essas bochechas coradas de vergonha — o rapaz comentou, apertando a pele do rosto já muito vermelho de Lucy. — Dá vontade de guardar num potinho, não acha, Levy?

— Cala a boca.

— Eu concordo — McGarden respondeu.

— O que mais ela disse?

— Estava prestes a continuar quando você chegou.

— Não estava não — a loira interferiu.

— Tudo bem em dizer agora, Lucy. Era sobre mim mesmo.

— A intenção é você não estar junto para poder conversar com a minha melhor amiga sobre você. Além do mais, Levy ia me contar uma coisa.

— Ah, não me importo de contar com o Natsu aqui.

— Viu, ela não se importa. Ela é mais legal que você, Lucy — comentou, apertando-a ainda mais contra si. — O que é, Levy?

A pequena se ajeitou, rindo ao perceber o olhar emburrado na cara de Lucy. Aqueles dois combinavam até mesmo quando decidiam fazer birra. A expressão era a mesma.

— Bom, vocês não são os únicos tendo noites quentes ultimamente.

— Sério? Quem é o cara? — Natsu perguntou.

— Gajeel.

— Isso é inesperado — a loira comentou, ajeitando-se no sofá. — Pensei que você estivesse saindo com o cara francês do seu trabalho.

— Nós só saímos algumas vezes. E foi apenas uma noite com o Gajeel, mas foi A noite.

— Qual o tamanho do instrumento do Gajeel? — Natsu perguntou, repentinamente, atraindo o olhar de Lucy.

— Por que quer saber isso, Natsu? — o questionou, arqueando as sobrancelhas.

— O cara é do tamanho de uma muralha — Natsu justificou. — Só fiquei curioso.

— Tem um tamanho normal — Levy respondeu. Logo depois, um sorriso malicioso surgiu em sua face, provavelmente relembrando momentos de sua noite — Mas tamanho não é documento.

— Concordo. O que conta é a habilidade, o que, não sei quanto ao Gajeel, mas eu tenho de sobra.

Lucy voltou a querer se esconder.

— Meu namorado e minha melhor amiga são dois pervertidos. O que eu fiz para merecer isso? O que fiz para merecer meu namorado e minha melhor amiga conversando sobre coisas íntimas demais.

— E você está falando o que? — Natsu comentou. — Também não é nenhuma santa quando estamos só nós dois.

As bochechas de Lucy coraram novamente. Esperava que Natsu não continuasse naquele assunto, pois logo suas bochechas ficariam tão vermelhas que jamais voltariam ao normal.

— Por isso eu não esperava — Levy disse. — Conte-me mais, Natsu.

— Sério. Teve uma vez que-

Sua fala, porém, fora interrompida por uma ágil mão que moveu-se rápido o suficiente para tapar sua boca e impedi-lo de continuar.

— Nem pense — e, como forma de vingança, Natsu a mordeu. — Ai! O que foi isso?

— Só estava querendo saber se você é gostosa em todos os sentidos — ele respondeu, sorrindo cinicamente. A loira o encarou por um segundo, incrédula, antes de poder dizer qualquer coisa.

— Essa piada foi horrível. Tão ruim que me deixou sem reação.

— Eu sei — ele comentou, ainda mantendo o sorriso.

— Enfim — a loira disse, mudando de assunto —, acho que você deveria dar uma chance ao cara francês, Levy. Gajeel é muito instável, não se decide nunca. Além do mais, franceses são bonitos.

— Ei, seu namorado está bem atrás de você, sabia?

— Não se preocupe, eu não te trocaria por um francês — Natsu sorriu, murmurando algo. — Talvez por um italiano.

— Ei! — ele exclamou, indignado, fazendo ambas as garotas rirem.

— É brincadeira, Natsu. Você sabe que eu não trocaria meu flamingo por ninguém. Mesmo você sendo insuportável.

— Não, tudo bem, pode ir se divertir com seus franceses e italianos.

— Seu chato — a loira falou, rindo.

— Sua insensível.

— Já comentei que vocês são meu casal favorito? — Levy disse. — Estou tão feliz por não estarem mais brigando. É bom que me chamem para ser madrinha do casamento, ou vou ficar muito brava.

— É, eu também — Lucy respondeu, sorrindo, ajeitando-se sobre o peito de Natsu.

— Quer se casar comigo, Lucy? — ele perguntou, inesperadamente. Heartfilia não soube o que responder de imediato.

— É uma pergunta séria ou só um “quer se casar comigo algum dia desses...?”?

— Algum dia. É óbvio que não é uma pergunta séria. Quando eu perguntar isso de forma séria será em um momento que você jamais irá esquecer.

Lucy sorriu de modo desajeitado.

— E como seria isso?

— Se eu contasse deixaria de ser surpresa.

Em meio à conversa, McGarden se levantou, deixando a xícara de chá sobre a mesa de centro.

— Bem, você não se importa se eu roubar sua namorada de você por algumas horas, não é, Natsu?

— O que vão fazer? — o garoto questionou, curioso.

— Estava pensando em ir ao cinema, assistir a uma comédia romântica, quer ir também? — Levy perguntou.

— Não, obrigado, dispenso.

— Ok. Vamos, Lu-chan?

— Vamos — a loira respondeu, levantando do sofá, acompanhada por Natsu, que quase imediatamente a puxou para um inesperado e profundo beijo. Logo após separar seus lábios dos dele, ela sorriu, com seu coração batendo tão rápido quanto quando seus lábios se encontraram pela primeira vez. Num sussurro baixo, falou: — Te amo.

— Divirta-se — enquanto falava, tirou sua jaqueta e a colocou sobre os ombros de Lucy, ajeitando-a para que não caísse. Como de costume, fazia muito frio, e Heartfilia insistira em sair de casa sem vestir-se apropriadamente, contando que conseguiria encontrar a blusa que deixara na casa de Levy. — Não tanto quanto se divertiria se estivesse comigo, mas, ainda assim...

— Idiota — ela sorriu e o abraçou, sentindo os lábios dele encostarem no topo de sua cabeça. Separou-se apenas quando ouviu Levy pigarrear.

— Vocês são lindos juntos, mas tenho que admitir que às vezes são grudentos demais.

— Não faz nem um mês que nós reatamos, Levy. É perdoável — a loira comentou, ainda próxima de Natsu.

— Ok, ok, mas vamos logo, senão iremos acabar perdendo o filme.

— Estou indo.

— Te vejo mais tarde — o garoto disse, antes de despedir-se em definitivo com um último e rápido beijo.

***

Chegando ao shopping, as garotas decidiram comer algo antes de assistir ao filme. Quer dizer, Levy insistiu que comessem. Argumentou que a comida do cinema estava muito cara e o dinheiro andava curto, portanto preferia comprar algo mais barato. Lucy não compreendeu, afinal o preço final ficaria praticamente o mesmo, e ela mesma poderia pagar a conta para a amiga se a situação estava tão ruim assim. Dinheiro não era problema para Heartfilia. De qualquer forma, tinham tempo suficiente para matar comendo algo. A sessão que escolheram começaria apenas às cinco horas e não passava das três quando chegaram. Havia horários mais cedo, contudo Levy insistiu naquele horário específico. Disse que a sala estaria mais vazia. Lucy não discutiu, para ela o horário não importava muito.

Passeando pelos corredores do shopping, uma loja em específico chamou a atenção da pequena McGarden. Mais especificamente ainda um cartaz colado à vidraça. Um estranho sorriso surgiu no rosto de Levy, deixando Lucy curiosa. A loira se aproximou para descobrir do que se tratava aquilo. A loja era na verdade um estúdio fotográfico, e o cartaz anunciava o que pareciam ser books sensuais, com a frase “presenteie de forma inesquecível aquele que te faz ter noites inesquecíveis”.

— Está pensando em comprar um desses para o Gajeel, Levy-chan? — a loira perguntou.

— Não, estava pensando que você poderia comprar um para o Natsu. Quem sabe assim você acalma o fogo daquele homem um pouco.

As bochechas de Lucy coraram mais uma vez naquele dia. Perdera a conta de quantas vezes a cor natural do seu rosto deu lugar ao tom rubro.

— Sabe o que eu acho? Que você tem passado muito tempo com ele. Está se tornando uma baixinha maliciosa, Levy.

— É sério, Lu-chan! Você disse que mal puderam comemorar o aniversário de namoro porque estava em Nagoya na época. Poderia dar esse book de presente para ele para compensar aquela época.

— Já faz muito tempo, Levy. Além do mais, eu não teria coragem para fazer algo assim.

— Seja mais audaciosa, Lu-chan.

— Não. Definitivamente não — repentinamente, a loira sentiu um peso em seus ombros. Sorriu sem nem pensar, pois sempre que isso acontecia sabia que era Natsu tentando assustá-la chegando sem avisar. Logo, devido ao costume, imaginou que era seu namorado, não fazendo nenhum esforço para conter a expressão de alegria por ele estar por perto. — Mudou de ideia quanto ao filme?

— O destino parece sempre unir nós dois, não é, Lucy?

Definitivamente aquela voz não pertencia a Natsu. Definitivamente aquela voz pertencia a alguém que tinha esquecido tanto quanto Lisanna nos últimos dias. Definitivamente aquela voz pertencia a uma das últimas pessoas que desejaria encontrar. E, por fim, definitivamente se aquilo era coisa do destino, tinha certeza, ele a odiava e queria vê-la sofrer.

— Ou você é um stalker e eu deveria comunicar a polícia que está me seguindo — respondeu, com o sorriso morrendo em sua face. Levy apenas observava a conversa com olhos atentos.

— Você não faria isso, Lucy. Você é amável demais. E eu já disse que não faço esforço nenhum para te encontrar.

— Acho isso bem improvável.

— Não seja tão má. Ambos sabemos que você não odeia me encontrar tanto quanto fala. Então, está pensando em montar um desses books? — Ryan perguntou, apontando com a cabeça o cartaz. Seu jeito a irritava. As mãos no bolso da calça jeans, contornando o casaco, o olhar penetrante que um dia fizera-a se derreter. Tudo nele lhe causava desconforto, ainda mais após o último encontro, com o beijo. — Eu aceitaria um seu. Afinal, você sabe, fiz várias noites suas serem inesquecíveis.

— Talvez não foram tão inesquecíveis assim, já que eu mal me lembro delas — Lucy rebateu.

— Você sabe que se lembra, e a prova é aquele nosso último beijo. Não faz tanto tempo assim para que não se lembre.

— Aquele beijo foi um acidente.

— Ninguém retribui o beijo de alguém por acidente, Lucy — ele sorriu com o canto dos lábios. — Você queria me beijar, admita. Precisa pensar em novas desculpas, porque está começando a ficar ruim nisso. “Acidente”, sei.

— É a verdade.

— Tudo bem, já entendi. Não quer admitir na frente da sua amiga. Bom, só vim aqui para dizer oi, já que estava passando e vi você — Ryan se pôs a andar. Porém, sem que Lucy esperasse, sem lhe dar qualquer chance de reação antes de perceber o que estava por acontecer, ele a beijou, e rapidamente se afastou, sorrindo sedutoramente. — Só uma coisinha para se lembrar de mim até a próxima vez que o destino nos juntar de novo.

Atônita. Sem dúvida a melhor palavra que descrevia Lucy naquele momento. Tudo o que se passava por sua mente era Natsu e o quanto queria correr para os braços dele e “purificar” sua boca na dele. Sentia-se extremamente desconfortável com o beijo de Ryan. Culpada até. Devia ter tido alguma reação. Devia ter feito algo para impedir o beijo, ao invés de ficar parada. Mas sua mente não foi rápida o bastante. Assim como não fora da outra vez para distinguir Ryan de Natsu, o que acabou gerando toda a confusão.

— O que acabou de acontecer? — Levy perguntou, tão sem saber o que fazer quanto Lucy.

— Eu não sei... Preciso me sentar — falou, pois sentia que o chão iria desabar a qualquer momento. Levy a guiou até o banco no meio do corredor, onde a loira com o rosto escondido entre as mãos. Talvez não fosse preciso tanto pânico, mas, considerando a recente situação instável que vivenciara em seu relacionamento, qualquer tipo de ameaça à sua felicidade a deixava daquele jeito. — Um cara acabou de me beijar. Eu tenho um namorado. Um namorado imperfeito perfeito que eu amo. E meu ex acabou de me beijar. E eu deixei.

— Você não teve muita escolha. Eu também não esperava por isso.

— Preciso contar para ele, Levy. Preciso contar isso ao Natsu. Sem mais segredos, foi o que prometemos quando voltamos.

— Tem certeza?

— Tenho. Mas não quero sequer pensar na reação dele — a loira recostou a cabeça no banco, suspirando. — Estava tudo tão perfeito, não quero estragar. Não quero ver o olhar dele de magoado ou decepcionado.

— Não foi sua culpa. Natsu vai entender.

— Como posso contar que deixei um cara me beijar e esperar que ele entenda?

— Deixando-o confiar em você.

Lucy suspirou novamente.

— Levy-chan, quero ir para casa. Desculpe, mas não estou num bom humor para assistir filmes.

A pequena se desesperou por algum motivo que Lucy desconhecia.

— Você não pode ir — disse, de forma exasperada.

— Por que não? — a loira perguntou, franzindo a testa. Levy bufou, respondendo apenas depois de alguns segundos.

— Eu não deveria te contar isso, mas Natsu me fez prometer que te manteria ocupada até no mínimo sete horas porque ele estava preparando um tipo de surpresa.

— Ah, que ótimo! O cara dos meus sonhos está me preparando uma surpresa enquanto um ex-namorado me beija. Isso é perfeito — falou sarcasticamente, erguendo os braços. Como se as coisas ainda pudessem piorar. — Estou me referindo ao Natsu como o “cara dos meus sonhos”... Em pensar que eu costumava odiar esse mesmo cara.

McGarden sorriu.

— É, eu sei. Viu? Você não pode tentar prever como as coisas serão. Tudo o que lhe resta fazer é esperar e aproveitar esse tempo com sua amiga, sem se preocupar com a conversa que vai ter com ele. Deixe o futuro para quando ele se tornar o presente, antes que o presente de agora se torne passado.

Em meio àquele conflito interior, Lucy lembrou-se que vestia a jaqueta de Natsu. Instintivamente pressionou o tecido contra seu rosto. Carregava o cheiro do perfume dele. Aquele cheiro a acalmava, fazia-a pensar com mais clareza. Tinha certo efeito mágico.

— Ok, tudo bem.

***

Estava inquieta, ansiosa, nervosa, impaciente e com medo quando colocou sua mão sobre a maçaneta da porta do apartamento. Deu um longo suspiro antes de tomar coragem suficiente para girar o trinco e tirar aquele pedaço de madeira que a separava dele do caminho. E quando finalmente o fez, a primeira coisa que viu foi a mesa da sala que nunca usavam coberta por uma bela toalha. Sobre ela as velas que nunca usavam, e em frente um Natsu colocando pratos na mesa com um pano sobre os ombros.

Quando a viu, ele sorriu, quase a fazendo desistir do plano de contar a verdade. Não queria tirar aquele sorriso de sua face.

— Oi! Você chegou mais cedo do que eu esperava — falou, caminhando até ela.

— Você preparou um jantar à luz de velas?

— Eu tentei, mas, você sabe, eu não sou exatamente um exemplo de cozinheiro — Natsu respondeu, bagunçando o cabelo como fazia quando estava nervoso. Tão adorável.

Lucy sentiu um aperto em seu coração, além de uma extrema necessidade de beijá-lo, e foi o que fez, envolvendo seus braços no pescoço dele e puxando-o para si, sentindo as mãos quentes de Natsu percorrerem sua cintura, trazendo-a ainda mais perto. Foi ele quem os separou, pouco depois, porque para Lucy poderiam nunca se separar.

— Eu sei que sou uma delícia, mas não sou o prato principal do jantar, sabe? — falou brincando.

— Eu te amo — a loira disse, repetindo enquanto observava cada detalhe do rosto de Natsu — Eu te amo. Eu te amo.

— O que aconteceu? — perguntou, o sorriso começando a sumir de seu rosto, notando algo de errado na expressão de Lucy. A Heartfilia se afastou, sentando-se na beirada do sofá.

— Sem mais segredos, não é?

— Claro.

— Se lembra do Ryan? — Natsu assentiu — Eu e Levy o encontramos no shopping hoje.

— E... ?

— E ele me beijou.

— Ele o que? — Natsu perguntou, franzindo a testa e cruzando os braços. O sorriso já sumido por completo.

— Eu não queria, foi inesperado. Fiquei sem reação.

— O que mais? — ele questionou, sentindo que a história não terminava por ali. Lucy suspirou, sentindo seus olhos começarem a ficar marejados. Já que havia começado iria até o fim.

— Não foi a primeira vez. Quando estávamos separados houve uma vez em que ele me beijou, e eu retribuí o beijo. Mas você não pode ficar bravo comigo quanto a isso, Natsu, porque você também beijou a Lisanna quando nos separamos na outra vez.

— Por que retribuiu? — perguntou, movendo-se, sentindo-se inconfortável.

— Eu não sei — a loira respondeu, cobrindo o rosto com as mãos. — Fiquei confusa.

Dentre tantas palavras, fez a pior escolha possível. Percebeu isso pouco depois.

— Confusa com relação aos seus sentimentos? — Natsu supôs, sentindo como se uma faca penetrasse lentamente seu coração.

— Não, de jeito nenhum. Confusa porque por um segundo eu senti que estava beijando você. Eu não sei o que aconteceu naquele momento, Natsu — o garoto permaneceu em silêncio, e para Lucy a ausência de palavras era pior que qualquer outra coisa. — Fale alguma coisa. Grite comigo, diga que eu não podia ter feito isso, mas fale algo, Natsu.

— Eu não estou bravo — ele respondeu. — Só confuso, porque você diz que tem certeza sobre os seus sentimentos, mas guarda o colar que ele te deu de presente e aceita beijos dele. Faz parecer muito que ainda sente algo por ele. E pode me chamar de egoísta, mas não quero dividir seu coração com outro cara.

De repente mudou de ideia, preferiu o silêncio, pois ter Natsu duvidando do amor que ela sentia por ele era extremamente doloroso.

— Como sabe sobre o colar? — não se lembrava de ter contado a ele que fora Ryan quem lhe dera.

— Não importa. O que importa é que você ainda o guarda. O que eu deveria pensar, Lucy? — ele perguntou, dirigindo-se até a porta.

— Natsu, aonde você vai? — questionou, sentindo o desespero crescer em seu peito. Não queria que ele saísse. Queria que ficasse, a abraçasse e dissesse que estava tudo bem.

— Preciso resolver algumas coisas.

— Por favor, não vai. Você prometeu. Prometeu que não me deixaria só outra vez. Não pode quebrar sua promessa — implorou, sentindo as lágrimas querendo escapar.

— Não vou quebrar minha promessa. Não vou te deixar.

— Você vai voltar? — perguntou, quase em desespero. O olhar que ele carregava, um olhar de tristeza... era aquele olhar que tanto quisera evitar.

— Eu sempre volto, não é? Só... preciso mesmo resolver isso — falou, antes de fechar a porta.

Aquele anseio era real, o medo de Lucy ainda sentir algo pelo ex, mas ele jamais a deixaria por isso. Jamais a deixaria voltar para os braços daquele que só a magoou. Não se permitiria dar brechas para que isso acontecesse. Além do mais, confiava em Lucy. Confiava em suas palavras. Não confiava era em Ryan. Havia algo de errado com aquele cara, sabia disso desde o primeiro momento em que o encontrara. E iria descobrir o que era, independente do que custasse.

If love's a fight, then I shall die
With my heart on a trigger

Notas finais
Então, voltamos ao ritmo normal, com altos dramas :) hehe. Geeeeeeeeente, se as coisas saírem como eu planejo, o próximo capítulo vai ser um dos melhores. Portanto, comentem para a tia Green se animar e escrever e postar mais rápido, seus lindjos. Prometo no mínimo uma revelação e um evento bombásticos ;) Comeeeeeeeeentem Bjs, até o próximo o/