Notas iniciais
Hey, guys! o/ Bom... Boa leitura! ; )

Doces sonhos viajaram por sua mente naquela noite. Não se lembrava de ter um período de sono tão calmo há muito tempo, ou como era dormir e acordar sentindo uma tranquilidade invejável. Afinal, tudo estava bem outra vez. Não importava por quanto tempo, pois sabia que eventualmente novos problemas surgiriam, mas, naquele momento, no instante em que realmente importava, estava tudo bem.

Como já dizia Fernando Sabino: “No fim tudo dá certo, e se não deu certo é porque ainda não chegou a fim”. Aquela frase tornara-se praticamente seu mantra ao longo de sua vida. E quando ele a acordou com um suave beijo em suas costas, soube que não havia com o que se preocupar mesmo após acordar. Um sorriso se abriu antes mesmo de seus olhos. Sua amável voz soou próxima de seu ouvido. Seu corpo quente em contato com o dela mantinha-a aquecida naquele dia gelado. Sua mão, contornando sua cintura, trouxe-a para mais perto de si.

— Bom dia, senhorita Heartfilia.

— Ótimo dia, Dragneel — respondeu, deixando-se repousar confortavelmente colada ao peito do garoto. Ótima noite também, diga-se de passagem, pensou consigo mesma.

— Estou pensando muito seriamente em ligar para o meu gerente e dizer que não posso ir trabalhar por estar doente — comentou, beijando suavemente o pescoço de Lucy.

— Doente demais para trabalhar, mas bem o suficiente para outras coisas, é?

— Que coisas?

— Você sabe muito bem que coisas, Natsu — a loira disse, com um sorriso contido no rosto.

— Não é todo dia que você descobre que não vai ser pai e não vai perder o amor da sua vida, Lucy. Precisava comemorar. E eu estou mesmo doente.

— Sei — respondeu, abrindo ainda mais o sorriso.

— Você vai ter que cuidar de mim.

— É, vai sonhando.

— Lucy! — protestou.

— O que foi? — perguntou, rindo. Como amava aquelas pequenas birras de Natsu que o faziam parecer criança. Deixavam-no com um tom de inocência, e de inocente Dragneel não tinha nada. — Você está bem o suficiente.

— Não estou não. Depois se eu morrer você vai ficar se remoendo de remorso.

— Você não vai morrer por uma gripe, Natsu.

— Como você pode ter tanta certeza?

— Pela noite de ontem posso afirmar com certeza que você está bem saudável.

— Falando nisso — comentou, ajeitando-se na cama —, sobre aquela coisa que você fez ontem, poderia fazer isso mais vezes, não acha?

— Não — respondeu, rindo ao constatar novamente a face aborrecida de Natsu. — Você ficaria mal acostumado. É melhor guardar para ocasiões especiais.

— Você é muito chata, Lucy.

— Olha quem fala. Não sei como eu te suporto, sabia? — disse, apoiando os cotovelos no colchão para mirar o rosto de Natsu de cima.

— Sou extremamente amável — Dragneel respondeu, invertendo suas posições. — Deveríamos brigar mais vezes. Adoro nossas reconciliações.

— Acabamos de sair de uma confusão que valeria por uma vida inteira e você quer mais? Não, obrigada, tá tudo muito bem assim.

— Não disse imediatamente. Mas, sabe, contanto que a gente sempre volte, uma briga às vezes é boa — o sorriso no rosto do garoto murchou repentinamente.

— O que foi?

— Ainda não consigo acreditar que quase pus tudo a perder por uma mentira. Deveria ter sido mais esperto, ter desconfiado antes — respondeu, deitando-se novamente ao lado de Lucy.

— Não foi só culpa sua. Eu também deveria ter desconfiado. Lisanna não é exatamente um exemplo de pessoa confiável. Mas não importa mais. Não quero mais ouvir esse nome ou sobre o que aconteceu. Vamos só esquecer.

— Acho essa uma ótima ideia — comentou, sorrindo maliciosamente antes de abraçá-la e beijar seu pescoço outra vez. Estava determinado a deixar aquele assunto dali em diante fora de suas conversas e suas mentes. Era passado e não teria mais influência em seu futuro.

No criado-mudo seu celular vibrou. O pegou para verificar do que se tratava.

— Quem é? — a loira perguntou.

— Chris, querendo saber se estou melhor.

— Quanta preocupação... — comentou. Natsu sorriu ao perceber o tom de voz que Lucy usara.

— Está com ciúmes?

— Não enche.

— Não precisa. Sou todo seu, Heartfilia.

Tentou beijá-la novamente, e Lucy teria se rendido à investida se não tivesse se lembrado de seus compromissos.

— Natsu, que horas são? — perguntou, checando o relógio no criado-mudo. Levantou em um salto quando viu que marcava 9h54min, agarrando suas roupas espalhadas no chão e vestindo-se com pressa. — Droga!

— O que foi? — Dragneel perguntou, confuso.

— Tinha uma reunião marcada para as dez. Não acredito que perdi a noção do tempo.

— Me desculpe, eu tento evitar, mas causo esse efeito nas pessoas — o garoto riu ao ver o olhar de quem não estava no clima para piadas de Lucy.

— Tenho que me apressar.

— Lucy — ele a chamou, sem sucesso. Então a chamou de novo, sendo ignorado outra vez. — Lucy!

— Não tenho tempo para conversar agora, Natsu.

— Ok, então não vou dizer que esse relógio está uma hora adiantado.

— Como é? — perguntou, parando repentinamente, sua respiração acelerada devido à correria. Depois de buscar em sua memória, se lembrou de que vivia pedindo para Natsu ajeitar as horas daquele relógio, mas ele nunca o fazia.

— Você esqueceu, não é?

A loira suspirou aliviada, jogando-se na cama, a cabeça sobre o peito de Natsu.

— Sim, esqueci. Bom, pelo menos isso me dá um pouco mais de tempo.

— E já que você tem mais tempo... — disse, inclinando-se para beijá-la. Porém, Lucy se levantou antes que seus lábios pudessem se tocar.

— Não tanto tempo assim. Vou aproveitar para tomar um banho — respondeu, pegando as roupas sociais que sempre usava em reuniões.

— Ok — o garoto falou, se levantando.

— Onde está indo? — Heartfilia perguntou.

— Tomar banho com você.

— Natsu, você vai fazer com que eu me atrase.

— Por que você acha isso? — retrucou, fingindo-se de inocente. — Só estou pensando no meio-ambiente. Pra quê gastar o dobro de água tomando banho separados? Sou um cara ecológico, Lucy, que pensa nas gerações futuras.

Ela arqueou a sobrancelha, encarando-o.

— Eu acreditaria nessa história se não te conhecesse, Dragneel. Mas acontece que conheço muito bem.

Aquele sorriso malicioso no rosto de Natsu deixava ainda mais difícil acreditar em suas ditas intenções, mas, no fim, acabou cedendo. Era uma ocasião especial, afinal.

***

Sentado no sofá, espiando com metade da cabeça encoberta pelo encosto, observava a reunião via skype de Lucy. Era engraçado observá-la falando daquele modo tão sério e compenetrado, conhecendo-a como conhecia. Ela permitiu que ele assistisse se ficasse em silêncio e quieto, o que, para ele, soava muito como um castigo. Era uma criança hiperativa, não queria ficar parado. Tentou se distrair ouvindo a conversa, e tinha que admitir que conseguiu prestar atenção em algumas coisas. Sua brincadeira consistia em tentar decifrar todos aqueles termos técnicos que Lucy utilizava, até descobrir que observar seu rosto concentrado era mais divertido. Algumas vezes seus olhares se encontravam e acabava por distraí-la. Não queria prejudicá-la, mas não podia negar que era divertido vê-la irritada com a observação.

Quando a longa reunião aparentemente terminou, suspirou aliviado. Estava já quase enlouquecendo sem poder fazer barulhos. Levantou-se e caminhou até Lucy, que anotava algo em um caderno de anotações. Com o sorriso que trazia em seu rosto, a loira sabia que estava prestes a aprontar algo. Ele aproximou sua boca do ouvido de Lucy e comentou.

— Sabe, eu não ia me importar se você um dia quisesse utilizar esses termos técnicos comigo na cama.

O rosto da loira corou. Antes que pudesse dizer qualquer coisa, outra voz respondeu por ela.

— Oi para você também, Natsu.

O garoto olhou para a tela do computador, visualizando Jun com uma expressão um tanto constrangida.

— Hey, Jun. Pensei que a reunião já tinha acabado — Natsu respondeu, sentindo-se também embaraçado pela situação. Bom, pelo menos era apenas Jun. Se todos os outros sócios ainda estivessem presentes provavelmente Lucy iria querer matá-lo lenta e dolorosamente.

— Acabou — Lucy respondeu. — Jun disse que queria conversar comigo.

— Ah, ok — Natsu murmurou, sentando-se na cadeira em frente à loira.

— Bom — Jun começou. — Um dos maiores jornais do país entrou em contato comigo. Querem uma entrevista com você, Lucy. Acho que pode ser uma boa ideia. Perdemos muitos clientes quando seu pai morreu. Pessoas conservadoras que não aceitaram uma pessoa tão jovem no poder da empresa. Talvez através da entrevista possamos conquistá-los de volta.

— Interessante. Namoro uma celebridade... — Natsu comentou baixo, brincando com a loira.

— Tem certeza que é uma boa ideia?

— É uma boa oportunidade — o garoto respondeu.

— Quando?

— No próximo sábado, pela manhã.

A loira fitou Dragneel. Não tinha certeza quanto a aceitar aquilo. Não se daria bem em uma entrevista, tinha certeza. Apenas pensar na hipótese a deixava nervosa, contudo, Jun estava certo. Era uma boa chance. Talvez se tivesse alguém consigo as coisas ficassem mais fáceis.

— Natsu...

Ele sabia o que aquele olhar significava, e sabia que não era bom para o seu lado.

— Não, sem chance. Não tenho boas recordações daquela cidade.

— Por favor, você sabe que eu também não. Não quero ir sozinha.

— Prometi a mim mesmo que só iria em caso de vida ou morte.

— Natsu, se você me acompanhar eu... — e então pegou um papel, escrevendo sem deixar que Jun conseguisse ler o que estava escrito. Depois, o passou para Natsu, percebendo sua expressão mudar ao ler.

— Promete? — ele perguntou.

— Prometo.

— Vou guardar esse papel como prova, senhorita Heartfilia.

— Então posso entender isso como um sim?

— É, pode... — ele se levantou, desconfiando, indo guardar sua preciosa prova num lugar seguro.

— O que disse para ele? — Jun perguntou, curioso.

— Você não quer saber, acredite.

***

A semana se passou mais rápido do que Lucy poderia querer. Estava nervosa, obviamente. Muito, diga-se de passagem. Tinha alguma ideia do que seria perguntado e esperava não gaguejar quando respondesse, mas o peso da importância que aquela matéria possuiria a deixava inquieta. Se algo saísse errado, poderia custar caro para a empresa. Ao menos tinha Natsu por perto, para mantê-la um pouco mais tranquila.

Olhava-se no espelho enquanto esperava pela jornalista. Queria ter certeza de que estava passando a imagem de uma promissora empresária, que poderia levar uma grande empresa a um sucesso ainda maior.

— Logo sua imagem vai ficar gravada nesse espelho de tanto que você está olhando para ele — Natsu comentou, deitado na cama, jogando uma pequena bola que encontrara para o alto, claramente entediado.

— Só estou nervosa.

— Percebi. Relaxa, você vai se dar bem.

— Espero que sim. Vai ficar por perto, não é? — ele a olhou, com a cabeça pendendo do colchão.

— Claro — respondeu, com aquele seu típico sorriso encorajador que acalmou os sentimentos conturbados da loira.

Pouco depois, a porta se abriu. Jun avisou que a jornalista esperava por Lucy na sala de estar, perguntou se estava pronta e lhe desejou boa sorte. A moça olhou suplicante para Natsu, que gentilmente segurou sua mão e a seguiu até o cômodo, deixando-a próxima à jornalista, por quem, sem saber o motivo, sentiu uma imediata antipatia. Sentou-se um pouco afastado das duas, para dar-lhes espaço.

Ouvia com atenção as perguntas feitas e sentiu um íntimo orgulho de Lucy vendo-a não deixar o nervosismo transparecer. A entrevista ia bem, muito melhor do que ela poderia desejar. Nenhuma das perguntas a pegou de surpresa e soube respondê-las muito bem. Até uma das últimas. A jornalista lhe perguntou sobre algo íntimo demais, sobre o qual Natsu sabia que Lucy não conseguiria responder, por se tratar de um assunto quase proibido para ela. Perguntou-lhe sobre seus pais.

Como imaginava, vira Lucy perder a voz. Tentou responder, mas parecia estar à beira de um colapso. Simplesmente não conseguia falar sobre, porque caso o fizesse, ainda mais estando na casa em que crescera, sabia que não conseguiria conter as lágrimas. Era um assunto delicado e que Natsu não considerava ter tanta importância naquela matéria, portanto, decidiu intervir. Não conseguiria ficar vendo-a daquela maneira sem fazer nada.

— Acho que você já tem o suficiente — disse, levantando-se e sentando-se ao lado de Lucy. Segurou discretamente sua mão, apertando-a contra a sua.

— Acho que saberei quando tiver material suficiente — a jornalista respondeu, de modo grosseiro.

— Acredite, você tem — Dragneel insistiu. A jornalista não tornou a discutir, visto que seria inútil, apenas sorriu de canto, despediu-se brevemente de Lucy e saiu.

A loira suspirou. Deixou que sua cabeça caísse no ombro de Natsu, frustrada. Olhou para Jun, que também observara a entrevista de perto, e disse:

— Estraguei tudo.

— Não, não estragou não. Não faz diferença não ter respondido a uma pergunta, foi bem em todo o resto.

— Espero que esteja certo.

— Ela agiu de modo invasivo — Natsu se intrometeu. — Pra mim pareceu que fez de propósito, como se soubesse que a Lucy não conseguiria responder.

— Talvez, mas se estiver certo parte disso foi culpa minha — Jun respondeu. — Se o objetivo era prejudicar a Lucy, eu não deveria ter incentivado a entrevista.

— Só nos resta esperar.

— Acho que sim. Bem, se me dão licença, preciso cuidar de alguns assuntos — e assim, Jun se despediu, deixando-os a sós.

Natsu se levantou, levando Lucy consigo.

— Não fique com essa cara, Lucy. Esquece isso. Temos tido uma semana ótima, livre de problemas, vamos continuar assim, ok?

A garota permaneceu em silêncio por alguns segundos, dispersa. Natsu tinha razão, havia sido uma semana tranquila, livre de conflitos, não queria estragá-la com algo que poderia sequer acontecer como pensava.

— Quero ir visitá-los — disse, repentinamente.

— Hum? — Dragneel perguntou, sem ver de imediato muito sentido naquela sentença.

— Meus pais. Já que estamos aqui, quero visitá-los.

— Tem certeza?

— É, tenho — respondeu.

— Ok, vou chamar um táxi então.

A loira assentiu. Não se lembrava de ter soltado a mão de Natsu desde o momento em que ele a segurara durante a entrevista até quando chegaram à floricultura em frente ao cemitério. Queria, como sempre, comprar algumas flores para deixar em frente aos túmulos antes de visitá-los.

— Se lembra de que quando viemos aqui pela primeira vez e a filha da florista teve uma queda por mim? — Natsu perguntou.

— Sim, e daí?

— Quer apostar que ela ainda se lembra de mim?

— Faz muito tempo, Natsu.

— Eu não sou uma pessoa esquecível — o garoto arqueou uma sobrancelha quando Lucy riu. — Está com medo de perder, Heartfilia?

— Parece que você acaba de entrar em uma aposta, Dragneel.

Ele sorriu em resposta. Lucy teve certeza de ter ouvido um “apenas observe” antes dele seguir à frente. Tendo em sua mente a certeza de que ganharia aquela aposta, o seguiu. Mieko, a senhora que cuidava da floricultura, podava algumas plantas no balcão quando viu a jovem. Sorriu em cumprimento. Lucy sempre gostara dela, desde quando era criança a tratava muito bem.

— Bom dia, senhorita Lucy. Não esperava te ver por aqui nessa época do ano.

Costumava visitar seus pais sempre próximo ao aniversário de óbito, não era comum que aparecesse por ali em outros dias.

— Bom dia. É, eu sei. Senti vontade de vê-los.

— Vai querer o mesmo de sempre? — perguntou gentilmente.

— Sim, por favor — ao seu lado, Natsu murmurou algo. Lucy suspirou. Achava aquela aposta algo sem sentido, mas, já que Dragneel fazia tanta questão. — Onde está a sua filha?

— Ah, deve estar nos fundos da loja. Vou chamá-la.

A senhora desapareceu por entre as muitas flores do local. No período em que esperavam por Samiko, Natsu cochichou:

— Apenas observe.

A moça não demorou a aparecer, sorrindo para Lucy, mas sem esboçar reação nenhuma frente à Natsu. O garoto logo começou a puxar assunto e jogar seu charme para cima da menina. Talvez Lucy tivesse se sentido incomodada se não soubesse que fazia parte do gosto por vencer de Natsu, afinal, não gostaria que ele usasse aquele sorriso com outras pessoas além dela. Estava usando todas suas artimanhas disponíveis para fazê-la se lembrar, contudo, não obteve sucesso, fazendo com que Lucy saísse da loja com um ar vitorioso.

— Eu te disse.

— Foi culpa sua — o garoto resmungou.

— Como culpa minha?

— Você sugou meu charme, absorveu-o pra você e aí não sobrou o suficiente para conseguir fazê-la se lembrar de mim.

A loira riu com a conclusão absurda.

— É claro, Natsu.

A atmosfera de brincadeira esvaeceu-se quando entraram no terreno de ar pesado. Quase podia sentir a pressão sobre seu corpo, e sentiu-se aliviada quando Natsu segurou sua mão livre. Caminhando a passos lentos, dirigiu-se até o túmulo dos pais. Colocou metade das flores sobre cada um deles, e seu corpo congelou, sem saber o que fazer ou dizer. Sentiu Natsu abraçando sua cintura, deixando-a próxima dele, apoiando a cabeça sobre seu ombro.

— Sinto falta deles. Independente dos problemas que tivemos no passado — comentou, colocando sua mão sobre a do garoto.

— Eu sei.

— Não faço ideia do que dizer, Natsu.

— Não precisa dizer nada.

— Sinto que eu deveria, mas não consigo.

— Então me deixe dizer por você — ele a apertou mais contra si, sentindo-a segurar sua mão com mais força. Tentou pensar em qualquer coisa que pudesse falar, então disse o que primeiro lhe veio à mente. — Ei, sogro, sogra — Lucy sorriu, ao mesmo tempo em que enrubesceu, pensando no quão estranho era Natsu chamar seus pais daquela maneira —, juro que eu estou cuidando o melhor que posso do pequeno tesouro de vocês. Admito que às vezes nós brigamos, e às vezes brigamos muito, mas prometo que assim como vocês só quero ver ela sorrindo. Não conheci a senhora, porém me lembro do senhor Jude me pedindo para cuidar da Lucy, e é o que tenho feito, e pretendo fazer pelo resto da minha vida, se me permitirem. Não me esqueci da promessa que fiz ao senhor. Vocês podem não estar aqui para protegê-la e a impedir de fazer algumas besteiras, mas não precisam se preocupar, porque eu estou, e fico feliz em cumprir esse papel. Eu amo essa loirinha que vocês criaram com todo o meu coração.

Lucy não sabia muito bem que reação esboçar, apenas o deixou segurá-la em seus braços e sorriu ao sentir o suave e demorado toque dos seus lábios em sua bochecha, com seus olhos marejados. Era por coisas como aquela que quando a possibilidade de perdê-lo batia em sua porta, entrava em desespero. Ele a fazia sorrir e a fazia chorar, ele a protegia e falava por ela quando as palavras pareciam fugir de sua mente. Quando sentia estar desmoronando, pedaço por pedaço, ele a levantava, não permitindo que ela se despedaçasse. Ele a mostrou que um homem pode ser gentil, sem pedir nada além de seu coração. Ele era uma parte de si sem a qual não funcionava como deveria. Sem ele, sentia-se quebrada.

Natsu — o chamou, sua voz levemente embargada.

— Hum?

— Nunca mais me deixe — pediu, deixando transparecer a urgência daquele pedido em sua voz.

— Nunca. Eu prometo.

Notas finais
Tenho que admitir que esse capítulo meio que me pegou de surpresa. Esse não era o final que eu tinha planejado pra esse cap., mas as palavras simplesmente começaram a sair e eu percebi que era o final que deveria ficar, talvez o final que a história queria. Enfim, foi bem inusitado, kkkkkk. Me digam o que acharam, okay? Lembrem-se que isso é importante ;) Até o/