Once upon a dream
1 Chinelos barulhentos e encontro inesperado
Notas iniciais
Nessa história estarei escrevendo junto com a Honeybee_
Espero que vocês gostem ^-^
JESSICA
Eram as férias mais planejadas da minha vida. Passei dois anos inteiros juntando boa parte do meu pequeno salário e mais alguns trocados para passar três dias em um hotel cinco estrelas na Europa e depois voar para a casa dos meus pais na China. Morar em Nova York sempre foi meu objetivo, mas àquela altura eu não aguentava mais ficar em um lugar que me lembrava de trabalho e correria.
Meus pais são chineses e vieram morar em LA logo depois de se casarem, então eu nasci nos Estados Unidos. Ficamos em LA por sete anos e o próximo passo foi Washington e, por fim, Nova York. Papai e mamãe acabaram voltando para a China quando completei dezenove anos e já estava bem instalada na faculdade. Minha tia se ofereceu para sempre estar por perto quando eu precisasse, afinal, foi bem complicado convencer meus pais que eu não queria me mudar para a China, pois minha vida inteira estava nos EUA. Com um pouquinho de paciência e insistência eles acabaram deixando.
Aquele era meu segundo dia no hotel, e, eu tinha visitado todos os lugares turísticos da cidade, então resolvi dar um mergulho na piscina aquecida. Todos naquele lugar pareciam ricos demais e chiques demais. Depois de meia hora decidi que voltaria para o apartamento, pois fiquei um pouco entediada. Não tinha ninguém para conversar. As pessoas estavam muito distraídas com seus celulares e outros aparelhos eletrônicos para que eu puxasse assunto. Escolhi o caminho mais longo para chegar ao elevador porque tive muita vergonha de atravessar o corredor principal do hotel de traje de banho. Eu não usava somente o biquíni, coloquei um vestido leve cor violeta e meus chinelos cor de laranja. Meu cabelo estava um caos e minhas mãos ficaram bem “enrugadinhas”.
O lugar era um luxo, eu não pude negar, mas alguém precisava dar um jeito na esteira da academia porque uma pobre alma ainda ia acabar caindo. Eu mesma quase fui ao chão no primeiro dia em que a usei, por sorte somente meu celular caiu no chão. Por que celulares novos amam cair?
Entrei no corredor comum entre a academia e um caminho mais discreto para o elevador como eu tinha planejado, mas acabei me deparando com um rapaz muito – muito mesmo – bonito indo usar a porcaria da esteira quebrada. Neguei mentalmente a ideia de querer sair dali correndo para que ninguém me visse. Tive que avisar aquela pessoinha desavisada.
— Ei, não liga esse negócio! Está quebrado – eu disse alto demais para chamar a atenção dele. Na hora fiquei tão insegura que acabei por alguma razão falando em chinês. Eu estava pronta para repetir em inglês quando ele devolveu a pergunta também em chinês.
— Como você sabe? – Ele perguntou fazendo uma careta engraçada de espertalhão.
— Se não quer acreditar, vai em frente. Aperte o botão. Essa será uma das piores escolhas da sua vida. – Assegurei um pouco dramática entrando na brincadeira. – Esse negócio é maligno.
— Vou acreditar em você – ele respondeu sorrindo sem mostrar os dentes. Seus olhos ficaram ainda mais puxadinhos.
— Boa escolha. – Respondi dando uma piscadela e um passo em direção à saída da academia.
— Espere, por que está com tanta pressa? – Ele perguntou me fazendo parar.
— Acabei de sair da piscina e meus chinelos fazem barulho por causa da água. – Eu disse dando alguns passos seguidos pelos barulhinhos esquisitos dos chinelos.
O rapaz que até então eu não sabia o nome – mas que parecia um modelo de revista de esportes -, deu uma gargalhada e se aproximou fazendo mais uma pergunta:
— Qual é o seu nome?
— Por quê? – Eu disse sem querer.
— Para que eu possa reclamar do barulho dos seus chinelos na recepção – ele brincou.
— Jessica Zhang – acabei respondendo entre risos. Minhas bochechas coraram. – E você?
“Por que eu sempre faço piadas comigo mesma?” Pensei.
— Sou mais conhecido como Jackson Wang – ele respondeu parecendo pensativo.
— Mais conhecido? – Não consegui evitar a pergunta.
— Faço parte de uma Boy Band coreana. Somos sete integrantes no total – Jackson comentou se aproximando um pouco mais de mim.
Naquele exato segundo tentei passar a mão no cabelo como de costume, mas meus dedos encontraram certa dificuldade nos fios ressecados pelo cloro da piscina.
— Mas você é chinês, não é? – Falei um pouco confusa. — Sete? Cadê os outros seis?
— Nasci na China – disse Jackson com um meio sorriso. – Estamos de férias. Mas estou acompanhado de mais três dos meus amigos. Os outros preferiram um lugar mais ensolarado. – ele completou descontraído.
— Legal – eu disse. – Estou de férias também e consegui visitar todos os melhores lugares da cidade em um só dia. Não tenho muita coisa para fazer desde então.
Por um longo minuto ficamos em silencio, um encarando o outro sem mais nada a falar. Pensei seriamente em contar um pouco mais sobre mim ou qualquer outro assunto, mas de repente surgiram três rapazes com estilos bem diferentes e legais. Foi aí que meu coração quase saiu pela boca quando avistei um deles que me parecia bem familiar. Para ser exata, eu tinha quase certeza de que ele era o meu colega – e primeiro amor platônico — do jardim de infância que eu nunca tive coragem de procurar nas redes sociais desde que elas foram inventadas.
Atrapalhando os meus pensamentos, o garoto que aparentava ser o mais novo entre eles exclamou algo em coreano para o rapaz que eu desconfiava se chamar Mark. Acho que ele estava bravo por estar em desvantagem em uma brincadeira de luta. Garotos sendo garotos.
— Ei, pessoal. Essa é a Jessica. Ela não fazia ideia que Got7 existia – Jackson me apresentou todo contente em inglês. – Jessica – ele disse olhando para mim e depois apontando para cada um dos presentes. – Esses são: Junior, BamBam e Mark.
— Eu – disse Junior levantando a mão.
— Mark Tuan? Você é Mark Tuan? – Eu precisei perguntar.
Mark fez uma expressão como se não se lembrasse de mim e eu fosse uma super fã ou outra pessoa. Fiquei um pouco chateada, mas...
— Podemos tirar uma foto se você quiser – ele comentou no automático um pouco sem reação.
— Não se lembra de mim? Jessica Zhang. Do jardim de infância – Falei me sentindo um tanto boba.
— Do jardim de infância? – BamBam questionou e o silencio constrangedor vindo de Mark comprovou minhas suspeitas de que ele não fazia ideia de quem eu era. Eu não o culpei, afinal, só tínhamos cinco anos.
— Escuta, eu juro que estou tentando lembrar. Para ser sincero – Mark disse sem jeito.
— Não faz mal – comentei entre risos para quebrar o clima pesado.
— BamBam, você acredita que a Jessica já visitou todos os melhores lugares da cidade em um dia só? – Jackson tirou uma com a minha cara para mudarmos de assunto.
BamBam fez uma cara de espanto e logo em seguida sorriu.
— Não dá para visitar todos os melhores lugares em um dia – BamBam comentou pousando o braço em meus ombros.
— Os pontos turísticos sim – eu disse em minha defesa.
— Gente, vamos parar de falar em andar por aí e irmos direto para aquele restaurante – Mark disse com uma expressão engraçada.
— A Jessica pode ir com a gente. – Sugeriu BamBam do nada.
— Oh, não. Nem estou arrumada e acabamos de nos conhecer – eu disse sem jeito. A essa altura meu cabelo estava mais embaraçado que uma corda.
— Não tem problema – BamBam respondeu sorrindo. – É o meu dever te mostrar algum lugar incrível nessa cidade que não seja uma estátua ou uma pintura.
— Esperamos você – Jackson disse animado.
— Tudo bem, mas aviso que vou demorar. – Acabei cedendo.
— Dez minutos? – Mark perguntou fazendo uma careta de fome.
— Sou uma mulher. Com dez minutos, não escolho nem o sapato que vou usar – retruquei brincando.
Todos sorriram.
— Bom, vou subir – falei me despedindo temporariamente.
— Vamos estar te esperando na entrada do hotel – Jackson avisou.
— Vou morrer de fome até lá – Mark comentou entre risos sendo dramático.
— Come essa maçã – Junior disse para Mark lhe entregando a fruta quase no final.
— Mas você já comeu quase tudo – Mark respondeu.
— Quase – Junior reforçou. – Não reclama. É um presente – ele disse sorrindo.
***
Realmente fora muito esquisito aquele encontro. Quem poderia imaginar um dia encontrar uma Boy Band em uma academia de hotel. Demorei alguns minutos para processar a ideia.
Eu jamais poderia imaginar que meu amigo de jardim de infância se tornasse um ídolo do K-pop.
— Espera. Eles devem ir a um restaurante caríssimo. E agora? – Perguntei para mim mesma enquanto escovava o cabelo. – Não vou pedir nada – comentei rindo de mim mesma e do pouco dinheiro para emergência que eu tinha no banco.
Para garantir que eu não desmaiasse de fome, resolvi comer algumas coisas do frigobar.
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