Once upon a dream
2 Sopa fedida e um Pug desavisado
Notas iniciais
Aquele restaurante era simplesmente maravilhoso e não era para mim. Eu vestia coisas muito simples. Assim que entramos, algumas pessoas sentadas perto da varanda começaram a olhar fixamente para nós. Achei um pouco estranho e por um momento pensei estar com alguma coisa grudada na testa ou com o nariz sujo, mas tratei de respirar fundo e me acalmar. Sentei-me ao lado de Jackson e Mark logo se sentou do meu lado direito. Junior e BamBam não paravam de falar, Jackson ria de tudo e o Mark continuava quieto.
— Então, qual será o seu pedido? – Jackson perguntou olhando para mim.
— Somente um suco. – Respondi querendo rir.
— O quê? – Jackson questionou fazendo uma careta.
— Quem almoça suco? – Brincou Junior.
— Vamos, escolha alguma coisa sólida do cardápio – Jackson insistiu abrindo o cardápio e colocando-o na minha frente.
Meu estômago estava cheio de chocolate e outras bobeiras do frigobar, mesmo assim o infeliz continuava a roncar feito um porco. Depois de encarar o Jackson e o cardápio, decidi escolher alguma coisa. Qual é? Eu não podia ser mão de vaca e estava com muita fome apesar de ter comido meio mundo de calorias daquele frigobar.
Indiquei qualquer coisa comestível com poucos dígitos antes da vírgula e Jackson sorriu.
— Sopa de brócolis com cogumelos? – Jackson disse olhando fixamente para mim.
Para ser sincera eu nem tinha lido qual era o tipo de sopa antes de apontar meu dedão podre para o prato mais nojento que eu tinha visto na minha vida. Fiz uma careta mentalmente, mas mantive a expressão alegre no rosto.
— Sim, brócolis, cogumelos e hortelã. – acrescentei ao ler direito aquela invenção do mal em forma de comida — É muito boa. Minha mãe costumava fazer para mim. Você nunca ouviu falar? – Menti mantendo a pose.
— Se você diz... – Jackson respondeu um pouco desconfiado.
Os pedidos não demoraram muito para chegar e eu pedia mentalmente para o meu não ser tão ruim quanto aparentava ser. Uma coisa estava decidida e decretada para o bem da minha saúde física e mental: Eu nunca mais iria ser tão mão de vaca com comida.
Estávamos conversando sobre qualquer coisa aleatória quando chegou a coisa mais bizarra que eu tinha visto pessoalmente. Um carrinho todo enfeitado com uma lagosta gigante parou perto da mesa. Fiquei boquiaberta.
— Meu pedido! – Junior exclamou animado e Mark finalmente achou graça de alguma coisa. Foi inevitável não sorrir depois de ouvir a risada de Mark.
— Isso é uma lagosta ou uma baleia disfarçada? – BamBam perguntou encarando Junior.
— Muito engraçado – Junior retrucou.
— É muita lagosta para uma pessoa só – Jackson comentou entre risos.
Não tive tempo de comentar nada, pois meu prato chegou logo em seguida e o cheiro não era nada bom. Quase preferi lamber o chão ao provar aquilo. Porém, eu tinha que engolir, afinal, eu pagara por aquele crime culinário.
— Essa lagosta está com um cheiro estranho – Jackson comentou franzino o nariz.
— Lagosta não tem cheiro de pasta de dente – Mark disse olhando fixamente para o meu prato.
— Ei, não diga que minha sopa cheira à pasta de dente – eu parti em defesa do meu prato peculiar.
— Parem de falar da minha lagosta – Junior disse em tom de brincadeira e BamBam não conseguia conter a risada ao vê-lo pegar um pedaço gigante.
Respirei fundo – não tão fundo assim – e contei até dez antes de levar a colher à boca e para minha surpresa a sopa era boa. Dei um sorrisinho triunfal ao pegar mais um pouco. Pensado bem, no final do almoço eu já teria escovado os dentes com o tanto de hortelã que tinha de decoração – ou iria terminar sorrindo com uma folha enorme entre os dentes.
No final do almoço e prestes a provar a sobremesa, três fãs muito simpáticas e com seus celulares em mãos se aproximaram da nossa mesa. Tentei disfarçar minha presença pegando o cardápio e colocando-o disfarçadamente na frente do meu rosto.
— Não acredito que encontramos vocês! Onde estão JB, Yugyeom e Youngjae? – A garota de cabelo curto perguntou depois de abraçar todos eles.
— Eles escolheram um lugar bem ensolarado – Jackson respondeu sem dar mais detalhes dando mais um abraço na garota.
— Quem é ela? – Outra garota perguntou apontando para mim com uma expressão um pouco confusa.
— Jessica – Mark respondeu abaixando o cardápio que cobria parte do meu rosto vermelho de vergonha.
Levantei-me indo em direção a elas, para cumprimenta-las melhor.
— Ela trabalha para vocês? – ela continuou fazendo perguntas.
— A Jessica é uma amiga nossa – Junior disse calmamente enquanto olhava rapidamente para os outros membros do grupo como se quisesse certificar-se que não tinha dito bobagem.
— Ah, legal – a garota de cabelo curto murmurou, abrindo um sorriso de lado.
Eu estava tão concentrada na conversa que levei um susto quando Mark pousou o braço em meus ombros. As garotas pediram alguns autógrafos e fotos para eles e se despediram minutos mais tarde.
Depois da sorte que tive com a sopa, preferi não arriscar e pedi uma sobremesa mais normal. Tudo dera certo no final. O Junior até dividiu a lagosta gigante e o meu velho amigo Mark ficou mais comunicativo.
No caminho de volta para o hotel o motorista ficou um pouco perdido então demoramos mais tempo que o necessário para chegarmos. Aquela aventura toda e o estresse da comida com cheiro ruim me deixaram um pouco exausta e aérea. Assim que paramos em frente ao elevador, eu estava pronta para entrar no apartamento e tirar uma soneca da tarde. Mas isso não foi possível.
— Oh, não! O elevador vai fechar – BamBam exclamou empurrando Mark e Junior para dentro deixando eu e Jackson com cara de bobos no corredor principal.
Quando voltei do mundo da lua – tinha ido até lá para tirar um cochilo mentalmente – percebi que Jackson olhava para mim com aquele olhar que as fãs devem achar a coisa mais hipnotizante. Sem querer bocejei e sorri logo em seguida, envergonhada.
— Quer perguntar alguma coisa? – Foi a única coisa que pensei em perguntar diante de todo aquele silencio.
— Podemos conversar? – Jackson perguntou. Como ele estava sério, eu não sorri ou fiz alguma pergunta típica idiota que sempre acabo fazendo quando estou nervosa.
— Tudo bem – respondi imitando sua expressão de que “coisa boa, não era”.
O segui em direção à piscina ao ar livre e paramos em um sofá chique, daqueles que os ricos colocam a céu aberto sem medo que a chuva danifique.
— Você realmente adora sopa de brócolis? – Jackson tentou quebrar o silencio.
— Claro que sim. Quem não gosta? – Respondi dando de ombros.
Ele sorriu.
— Era essa a sua pergunta? – Questionei entre risos, fazendo uma expressão de desentendida.
— Não. Para falar a verdade, não sei se devo perguntar – Jackson disse em um tom de voz mais baixo e se aproximou.
— Boo Boo! – Alguém desesperado gritou e eu me virei em direção ao som de algo caindo na piscina. – Salvem a minha cachorrinha! Ela não sabe nadar! Boo Boo! – A mulher continuava gritando.
Sem pensar duas vezes corri para a beira da piscina, tirei meus saltos no caminho e pulei na direção do lindo Pug um pouco acima do peso. Na hora que caí na água notei que não tinha pulado sozinha, Jackson logo me ultrapassou e em seguida apanhou o cachorrinho e o colocou em uma boia retangular empurrando-a para a dona que aguardava do outro lado.
— Ah, muito obrigada! – A mulher agradeceu toda sorridente acenando para nós dois.
Acenamos de volta.
— Você tirou a camisa, os sapatos e ainda conseguiu chegar primeiro? – Perguntei incrédula. Conclui que eu não era lenta, eu era uma lesma.
— Sim, e o celular também – ele disse e meu estômago gelou.
Meu celular novo deveria estar nadando. Procurei por ele desesperadamente e o encontrei todo encharcado.
— Não – Jackson comentou olhando para o aparelho em minhas mãos.
— Sim – retruquei chateada. – Pelo menos o Boo Boo está salvo. – Dei de ombros olhando para o Pug que estava correndo ao lado da piscina novamente.
Admito que quase quis chorar ao ver meu celular naquele estado, mas eu não podia fazer mais nada. Eu e Jackson tentamos ao máximo nos secar antes de subirmos para nossos respectivos quartos. Conversamos um pouco sobre acontecimentos trágicos com celulares e Pugs de estimação. Consegui dar boas risadas nos poucos minutos até o andar em que eu estava hospedada.
— Nos veremos mais uma vez ainda hoje? – Jackson perguntou segurando a porta do elevador sorrindo.
— Talvez – respondi dando um meio sorriso. Eu estava tão cansada.
— Sabe o que eu descobri? – Jackson disse sorrindo.
— O quê você descobriu? – Entrei no clima descontraído.
— Meus sapatos também fazem barulho quando estão molhados – ele respondeu apontando para os sapatos que haviam sido encharcados pela calça molhada.
Não consegui evitar o riso e em menos de dois segundos a porta do elevador se fechou e o Jackson sumiu.
— Eu quero dormir e um celular à prova d’água. – Eu repetia para mim mesma como um desabafo enquanto procurava uma roupa seca.
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