Once upon a December
15 Love ghosts contact
Notas iniciais
Juntei-me na sala com os meus pais e sentamo-nos no sofá expectantes. A minha mãe ligou a enorme televisão que imediatamente deu lugar a um anúncio que ditava o começo de mais um episódio de Once upon a time em 2 minutos. Mas não era um episódio qualquer, era o 1º em que eu iria aparecer! Os meus pais não conseguiam parar de sorrir, claramente ainda mais entusiasmados do que eu. Fazia três meses desde o meu regresso a Londres… eu e o Jared continuávamos a falar por telemóvel, Skype e Messenger, mas estes não conseguiam alimentar a longa distância que nos separava, ou construir uma ponte onde nos pudéssemos cruzar e abraçar.
—Vai começar! – exclamou o meu pai, dando-me um grande abanão e tirando-me dos meus pensamentos.
Assistimos ao episódio encantados, e eu não resisti em verter discretamente uma lágrima assim que o Jared entrou em cena. O seu personagem observava o livro, cujo título era semelhante ao da série, para ajudar a Anastasia Romanov a descobrir a localização do inimigo Rasputin. Era incrível como o seu olhar se mantinha profundo mesmo encarnando alguém diferente, mostrava que era sem dúvida um ator brilhante! Eu esperava um dia chegar aos seus calcanhares, embora as minhas ambições não incluíssem o pequeno ecrã. Desde que voltei inscrevi-me num grupo de teatro londrino, e estava a evoluir muito, tanto em termos artísticos como pessoais; sentia-me mais solta, livre, com vontade de sorrir para tudo à minha volta. Mas, como nem tudo pode ser um mar de rosas, cada vez que encarava uma plateia lembrava-me do Jared, e por segundos a minha face congelava e as palavras tornavam-se impronunciáveis. Era difícil controlar-me, mas as aulas de representação ajudavam nisso.
Quando o episódio acabou, e após inúmeros elogios e sugestões de audições futuras por parte dos meus pais, refugiei-me no quarto com o barulho ensurdecedor dos tilintares de mensagens no telemóvel. Quando estava prestes a silenciar o dispositivo recebi uma mensagem que era realmente do meu interesse…
Jared: “ficou incrível linda duquesa! Eu disse-te, foste feita para isto…” – desde que acabamos o namoro (cordialmente) eu passei a ser apenas linda duquesa, em vez de sua duquesa, com muita pena minha.
Não hesitei, e com um sorriso amoroso respondi:
“Obrigada! E é bom que te lembres que foi tudo graças a ti”
J: “Hahaha eu sei, mas o mérito é todo teu. A Lana e a Ginny mandaram os parabéns pelo teu trabalho e beijinhos. Como estão a correr as coisas por aí?
“Manda-lhes beijos meus também. Por aqui está tudo bem…"
Rapidamente adicionei:
“Mas sinto a tua falta”
Seguiram-se minutos de silêncio e depois ele continuou:
J: “Operação Jaguar?”
O meu rosto saudoso voltou a dar lugar a uma expressão alegre e revigorada.
“Claro que sim!”
Desci da minha cama alta, e andei pela casa nas meias rosadas oferecidas pela minha avó; cheguei à cozinha, tirei a última lata de coca-cola do frigorifico (no dia seguinte teria de ir comprar mais) e peguei num grande balde de pipocas, às quais juntei uma tablete de chocolate milka com sabor a oreu e chocolate derretido; voltei para o quarto e preparei tanto o tablet como o computador em cima da cama. Finalmente, pus-me a jeito e esperei que o tablet horizontalmente endireitado tocasse. Assim que isso aconteceu atendi a chamada de Skype, e sorri emocionada ao ver a sua doce expressão, os seus cabelos algo mais longos e o plano de fundo desconhecido.
—Onde estás? – questionei eu, curiosa como sempre.
—Na casa dos meus pais… vim cá passar as férias!
“Diz olá à por mim à minha nora filho!” gritou uma voz igualmente incógnita.
—Mãe! – clamou ele apreensivo, e voltou-se para mim – Desculpa Anastasia…
—Hahaha não há problema! – apesar de eu saber que a nossa relação amorosa era agora inexistente, o facto da mãe dele me chamar de “nora” aquecia intensamente o meu peito, enchendo o meu coração de felicidade – e então, tens alguma sugestão para hoje?
—Hum… deixa-me pensar um pouco.
Enquanto ele deliberava sobre a série ou filme que iriamos assistir eu refletia sobre o nome da nossa íntima operação. Ao início não concordei muito, mas depois de ouvir atentamente os seus argumentos, e especialmente o último, não resistir a aceitar numa valente gargalhada.
1º — O nome da operação teria obrigatoriamente de começar pela sílaba JA, por serem as iniciais dos nossos nomes;
2º — Jamanta, javali e jacaré estavam completamente fora de questão, sendo que teria de soar algo bonito de se ouvir;
3º — O nosso carro de sonho é um Jaguar vermelho;
4º — Segundo a descrição dele, quando fazíamos amor era como se nos tornássemos dois formosos jaguares, selvagens e indomáveis.
Não contive uma gargalhada ao pensar nisto, a que ele, apesar de não saber o motivo da risota acompanhou.
—Já sei! Vamos rever a 1ª temporada do Glee! Para todos os efeitos essa foi a razão de teres ido a Nova Iorque, o que provocou o nosso encontro… — explicou ele animado, e fazia sentido!
—É bem visto, até porque nunca assistimos à série juntos. Vamos lá então! – hesitei um pouco, mas tive de o dizer, encarando-o corajosamente – Adoro-te muito!
—E eu a ti Anastasia – respondeu ele automaticamente – Muito mesmo… — completou com um sorriso amoroso.
Só então liguei a Netflix no computador, coloquei o tablet numa posição enquadrada ao meu lado e as guloseimas entre nós dois. Enquanto o 1º episódio carregava foi como se sentisse um braço acolhedor rodear-me os ombros, embora soubesse que era uma simples ilusão. Apesar desse triste facto sorri ao gesto e deixei-me acolher pela minha imaginação, à espera do dia em que esse contacto voltasse a ser real.
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