Once upon a December
16 Epilogue
Notas iniciais
A turbulência que se fazia sentir dentro do avião só terminou após uma complicada aterragem, à qual a minha pequena menina se manifestou entusiasticamente. O piloto fez os anúncios casuais, aos quais eu já não prestava muita atenção, por já os saber de cor e salteado. Retirei o cinto à Regina, tarefa dificultada pelos braços de 3 anos que batalhavam para o fazer sozinhos.
Depois de mais uma hora a tratar das burocracias habituais do aeroporto pude finalmente respirar novamente os ares nova iorquinos… As violentas brisas de dezembro sopravam os meus curtos cabelos, desarrumando-os de uma maneira habitual; um sol de inverno que parecia querer derreter a neve; a brancura dos flocos que insistiam em cair cumprimentava a minha pequenina alegremente. Aquele cenário era-me familiar! Olhei em volta e continuei a andar, sempre de mão dada com a Regina, querendo evitar possíveis déjà-vus que aconteceram comigo da primeira vez que visitei a cidade, devido ao intenso tráfego de carros. O objetivo era chegar ao hotel Ritz, que acabara de abrir perto do estúdio onde eu iria trabalhar por três longos meses.
Mas enfim, eu sei o que vocês devem estar a pensar: uma filha? Trabalho em estúdio? Bem, deixem-me esclarecer-vos a situação rapidamente, ou melhor, apresentar-me decentemente, porque depois de tantos anos já não sei se sou a mesma pessoa…
O meu nome é Anastasia Castle; tenho 27 anos; sou formada em literatura inglesa e artes performativas; sou mãe de uma maravilhosa menina de 3 anos, à qual decidi chamar Regina (por razões que vocês devem entender), fruto de um erro que acabou por se tornar a melhor coisa da minha vida; escrevi 2 livros policiais; tenho a minha própria série, e vou começar a gravar a 2ª temporada; estou solteira há mais de 5 anos; escrevo mensalmente um artigo para o Pottermore; resumidamente, sou feliz!
Esclarecidos? Ainda bem… Bom, voltemos ao presente, porque é isso que importa! Levei cerca de uma hora a encontrar o hotel! Há coisas que nunca mudam, e o meu sentido de orientação infelizmente é uma delas. Assim que chegamos ao quarto a minha menina atirou-se para cima na enorme king size que seria a nossa cama durante os próximos três meses. Eu insisti para que ela ficasse com os meus pais, que a amaram desde o primeiro momento em que a viram, mas ela puxara à teimosia da avó e eu vi-me quase que obrigada a trazê-la (o que não me desagradou de maneira nenhuma). Arrumamos as roupas no gigantesco closet e almoçamos. O estúdio não ficava a mais de 10 minutos a pé, portanto tínhamos mais que tempo para chegar ao destino pretendido à hora marcada. O meu papel era o de Lucie James, advogada de defesa e melhor amiga da protagonista, quase como que a sua consciência! Era extremamente divertido gravar com o elenco, já meu conhecido, e o estúdio (o mesmo em que OUAT havia sido gravado) continuava em ótimas condições.
—Mommy, achas que os atores vão ser simpáticos comigo? – perguntou a Regina inocentemente.
—Eu já conheço a maioria deles, e podes crer que sim! Eles estão ansiosos por te conhecer, especialmente a Emma Watson.
Era fantástico trabalhar com a Emma. Para além de ela ser uma grande atriz era incrivelmente divertida, assim como a Lana Parrila… ai como eu tinha saudades dela!
—E o novo elenco? Já sabes quem são?
—Nem por isso. Os produtores quiseram guardar segredo…
—Hahaha…
O riso da Regina era tão contagiante que me conseguia por feliz em momentos de indecisão e aflição, o que não era o caso, mas pronto. Mesmo assim caímos juntas nas gargalhadas… até que chegou a hora de sair. Abandonamos juntas o hotel e caminhamos pelas ruas nevadas nova iorquinas até ao estúdio meu conhecido. A minha filha olhava à volta e as suas pequenas amêndoas transformavam-se em pérolas encantadas! O entusiasmo fez-me acelerar os passos, ao que ela tentou esforçadamente acompanhar-me.
Assim que passei as enormes portas de cimento fui rodeada de um enorme abraço que me soube pela vida. A minha menina tentava puxar-me para fora da multidão, mas a Emma teve a brilhante ideia de a por às suas cavalitas, deixando-a estupefacta.
—Olá! Tu deves ser a Regina… eu sou a Emma.
—O… olá – as bochechas da Regina (herdadas por mim) roborizaram no momento – Também sou Gryffindor sabias?
Perante a sua afirmação todos rimos! O elenco já estava completamente apaixonado pela minha menina.
—Desculpa o atraso Anastasia! – uns braços conhecidos rodearam-me por trás, aos quais eu ofereci imediatamente um sorriso.
—De maneira nenhuma Olivia!
Sim, eu sei o que vocês estão a pensar, e sim, é a Olivia Steele Falconer! Bom, o tempo cura quase todas as feridas, e desde que ela me foi apresentada como protagonista da série ambas procuramos transformar o ódio mutuo em amizade. Entre abraços, cumprimentos e beijos intermináveis uma adolescente loirinha interrompeu-me com um grande sorriso: a Mia Talerico!
—Anastasia, que bom ver-te – ela deu-me um grande abraço – Vai ter com os produtores à sala 2 para conheceres o novo elenco…
—Fantástico! Anda Regina!
—Já! – queixou-se ela amuando.
—Depois podemos voltar.
—Ok, assim está bem…
Ela saltou para o meu colo e fomos andando até à sala indicada pela Mia, enquanto lhe fazia uma tour completa pelo enorme espaço. Com 3 anos a minha filha era uma amante do desporto! Adorava tudo o que fosse ao ar livre, especialmente ciclismo. Isso incentivou-me a sair mais de casa e a ter outra perspetiva das coisas. Minutos depois entrei na sala e deparei-me com algumas pessoas com papeis na mão e sorrisos convidativos. Fui apresentada a todos, alguns deles já meus conhecidos.
—Pensei que eram 6 pessoas… — sussurrei ao produtor, enquanto observava a minha menina que oferecia abraços calorosos aos meus novos colegas.
—E são, só falta um que deve estar quase a chegar.
O som das portas a ranger indicou a chegada do último.
—Desculpem estou atrasado!
Aquela frase, aquela voz… devagar, dei meia volta e encarei-o. Nem podia acreditar no que estava a ver! Dez anos depois ele continuava igual, como se o tempo não tivesse passado por ele. A minha menina pediu colo, e eu, sem tirar os olhos dele trouxe-a até aos meus braços com todas as forças que me restavam depois daquele encontro de 1º grau.
—Ei… eu conheço-te! Tu és o Henry do Once upon a time! – observou a Regina entusiasmada, já que era a sua série favorita.
—Hahaha, mas isso já não é do teu tempo – disse ele aproximando-se, e encarando ora a minha filha, ora a minha face avermelhada.
—A minha mamã mostrou-me a série toda! Eu adoro!
—Ainda bem, ela também gostava muito sabes... – corei ainda mais – E como é que te chamas?
—Regina Castle! Muito prazer em conhecer-te…
—Jared! O meu nome é Jared, mas se preferires podes continuar a chamar-me Henry – disse ele docemente.
A minha filha assentiu e encostou-se mais a mim. O meu olhar e o dele cruzaram-se intensamente, como faíscas em choque.
—Olá Anastasia…
Ele aproximou-se mais e deu-me dois beijos, um de cada lado da face, enquanto me tocava no ombro. E de repente foi como se aquele toque que há tantos anos eu deixara de sentir voltasse a inundar o meu corpo de calor e me rejuvenescesse. Eu sorri-lhe e disse algo que não dizia à muito tempo:
—Olá Jared!
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