Once Upon a Zombie
4 Save You
Notas iniciais
O som nada incômodo das folhas secas que amorteciam o corpo de Emma após tombar chamou a atenção de quase uma dezena de zumbis que mudaram o percurso e vieram em direção a ambas. Regina ainda estava em choque, não se sentia preparada para enfrentar tudo aquilo sozinha, todavia precisava salvar Emma, tentar ao menos retribuir o que a salvadora tinha feito para a mesma ao longo de toda sua estadia em Storybrooke. Pois bem, chegou sua hora, primeiramente teria que afastar Emma que permanecia desacordada, não podia deixar que se tornasse uma presa fácil. Segurou pela sua camisa por baixo dos seus ombros e se curvou para puxá-la. Apoiou sua cabeça colocando seus braços ao redor dela, fixou seu corpo que descansou sobre o tronco interior da grande arvore. Colocou também suas pernas dobradas para dentro, numa tentativa de escondê-la.
Retirou o casaco de algodão que vestia desde o entardecer, e com cuidado amarrou na cintura de Emma, pressionando firme para extorquir o sangramento da região abdominal. Colocou uma das mãos sobre suas narinas, e sentiu uma respiração fraca, porém o que precisava para se acalmar um pouco. Em seguida revistou seus bolsos e pegou sua arma. Alongou seus ombros já de pé e esperou o ataque, fazendo uma barreira de proteção em volta. Suspirando pesadamente, deu leves tapinhas do rosto na esperança de aquilo ser um pesadelo, no entanto não era e precisava agir.
_Você consegue Regina. – Disse para si mesma.
O primeiro zumbi veio da lateral, pegou sua arma e colocou em ponto ataque, enquanto o aguardava chegar mais perto, lhe veio à mente o que Swan disse; eram atraídos pelo som. Com suas mãos tremulas, travou e a colocou em sua cintura, contou até três e partiu em sua direção, pressionando em uma das árvores e cravando sua faca na cabeça.
Mais dois de uma vez, sem pensar direito, entrou em posição de combate, fechou seu punho e acabou socando o rosto deteriorado de um deles, deixando sua mandíbula pendurada, mas não o matando de vez. Arrependeu-se em seguida, e virou para o outro, suas mãos estavam cobertas por sangue coalhado, no outro ela deu golpe no estomago, danificando seus órgãos já desnecessários, ato este que usou para tomar tempo enquanto se afastava e acabava com o outro, não bastasse dois, agora eram mais três.
_ Dro-ga. – Sua voz saia partida devido a sua respiração incontrolável.
Continuou a enfrentar eles, mesmo que não adiantasse muito empurrou um cadáver enquanto tentava lutar o mais rápido possível, ainda na superfície um zumbi com as costas coladas no chão agarrou um dos pés da morena que se juntou ao mesmo na terra, na queda, sua faca foi lançada para longe. Entrou em pânico, estava escuro e quase não se via nada, tentou sentir algo pelo lugar que estava, porém apenas pedras.
O zumbi permanecia tentando lhe tirar suas botas estava ficando cansada de se debater, tinham mais uma dupla de oponentes em sua direção. Porém o que lhe fez ficar tensa, e com o emocional abalado, foi ver entre as brechas daqueles corpos cambaleando em sua direção, mais deles vindo em direção ao esconderijo de Swan.
A raiva tomou conta de si, juntamente com uma força que a fez recompor sua postura. Deu um chute voraz na cabeça, o fazendo se desapegar de sua perna, seguidamente outro mais forte, logo depois umas pisadas, até deixar uma face estraçalhada a amostra. Agarrou com suas duas mãos o zumbi que caiu do seu lado, levantou-se e o começou a pisotear. Um último próximo a si, a pegou de surpresa, ouviu o rosnado atrás de seus cabelos negros. Era ela a presa fácil agora.
_Que se dane. – Resmungou entre os dentes.
Sem demora retirou o revolver em sua cintura, cerrou seus olhos possuídos pela raiva e disparou em direção ao cérebro do zumbi, fez o mesmo com os que estavam se aproximando da loira inconsciente, os tiros nem sempre acertavam o lugar certo, pegavam nos ombros, nos joelhos, os fazendo manter certa distância até caírem sobre o solo.
Uma pilha de corpos já se formava ao redor delas, os outros chegariam pelo barulho que aquela munição causou, por isso teria que aproveitar aquele meio tempo para fugirem, retomou sua faca e a colocou na cintura, recolhendo suas armas, junto com seu arco e flechas que havia deixado cair em meio ao ataque. Carregou também a flecha que atingiu Emma, pois prometeu a si mesmo que quando encontrasse quem fez aquilo se vingaria de forma bruta e cruel. Correu em direção ao enorme arvoredo que abrigava Swan e tentou mais uma vez acordá-la, mas sem sucesso, passou um de seus braços ao redor das costas de Emma e outro debaixo dos joelhos para carregá-la. Estava exausta, mas mantinham-se firmes em passos longos e apressados.
Seguiu a trilha de volta até chegar à mansão. Ainda não sabia de onde tinha tirado tantas forças para trazer-la de volta. Com muita dificuldade conseguiu abrir a maçaneta e fechar a porta com o pé. Percorreu o lugar com seus olhos aflitos, procurando um lugar para deitá-la. Era o jeito, não havia alternativa, se não estira-la em um dos caixões.
Dirigiu-se para um dos cômodos, e a deitou com cuidado sobre o confortável forro. Emma permanecia imóvel e vê-la deitada naquilo, não era uma imagem muito agradável, só de pensar daquela possibilidade, um arrepio subia pela sua espinha. A luz tremia no ambiente, enquanto o ar frio percorria todo o local. Desceu pelo porão a procura de algo que pudesse fazer com o tal ferimento. Não encontrou nada mais que esparadrapos e fitas, seu casaco permanecia em volta da cintura da loira, e parecia funcionar, pois não sangrava mais como antes.
Puxou um dos estofados e o posicionou ao lado do caixão. Arrumou os fios loiros que estava por toda sua face, limpando seu rosto com um dos esparadrapos. Acariciou seus pulsos com as pontas de seus dedos, e puxou um dos seus braços trazendo para seu rosto, fazendo movimentos circulares nas conchas de suas mãos.
Encolhida no estofado, abraçou suas pernas e esperou que os primeiros pássaros cantassem para ir à busca de ajuda. Quando o primeiro sonido foi ouvido, levantou-se de mediato, ficando estática em frente à Emma que não apresentava nenhum sinal de melhora. Foi até a cozinha e trouxe consigo um copo d‘água molhou seus dedos e passou nos lábios de Swan. Beijou sua testa ternamente demorando alguns segundos ali, alisou sua maçã do rosto e disse;
_Emma.... Você é a razão pela qual estou viva, você me salvou de tantas formas. Você nunca desiste.... Quando eu estou caindo aos pedaços. Eu fujo e você sai correndo atrás de mim. É o que você faz Swan. Eu não mereço seu afeto, mas você o dá pra mim de qualquer maneira, eu não mereço. Você é a luz dentro de meus olhos, me dá motivos para continuar tentando, você me dá mais do que eu poderia sonhar, me traz de volta a realidade. Seu coração é de ouro, eu não posso acreditar que você está ao meu lado, depois de tudo que eu fiz. Não quero lhe desapontar, é por isso que estou fazendo isto. Eu não sei o que me espera lá fora, mas eu sei que tentarei salvar você.
Enxugou algumas lágrimas que escorriam por todo seu rosto ainda com marcas de sangue, e aproximou-se para dar um beijo em sua bochecha. Por mais que a fome estivesse ausente, optou por comer algo para manter-se firme em seu trajeto. Queria a manter segura enquanto permaneceria fora. Então trancou a passagem na entrada com um dos sofás antigos, abrindo o vidro de uma das janelas ao lado da casa para escapar. Esperou a noite toda e ninguém apareceu, deduziu que quem quer que fosse, abandonou o lugar.
Apanhou uma das mochilas e deixou a outra ao lado de onde Swan se manteve, trouxe consigo seu material de arqueria e algumas garrafas de água. Ergueu o vidro da janela e fez a travessia, já do lado de fora travou e deu a volta, seguindo em estrada reta. Caminhou visando casas da rua, presenciou zumbis presos a outros lados de cercas, mas ficou inerte, só atacaria se fossem alguma ameaça. Avistou mais na frente alguns veículos, contudo não tinha chave dentro. Não saberia realizar algum tipo de ligação para o carro andar, então o que podia fazer era bufar de raiva e seguir em frente.
_Tem que ter alguma farmácia por aqui, não é possível!
Pensou em adentrar algumas residências dessas, e fazer uma busca por algum anti-inflamatório que pudesse ajudar. Porém não sabia o que lhe esperava lá dentro, optou por achar um local que não tivesse muitos problemas para sair. Resolveu descansar um pouco, sentando-se em um banco de cimento que enfeitavam a frente do casarão amarelo. Ao lado de cata-ventos construídos por latas já enferrujadas. Suspenso sobre um grosso galho um pneu amarrado a uma corda, um balanço para crianças que já não se faziam presentes. Fechou seus olhos sentindo a brisa percorrer por todo seu rosto, balançando seus cabelos. Ao abrir, piscou algumas vezes e esfregou sua visão, sorriu sarcasticamente ao rever o alazão se alimentando de arbustos mais a frente.
_Só pode estar de brincadeira comigo.
Cerrou seus punhos; decidida, o pegaria por bem ou por mal. Cortou a corda do balanço e preparou um laço, abaixada foi pra perto, dando leves passos. De um ato mediato, lançou a corda e o capturou, o cavalo relutou um pouco, mas foi domado. Sorriu vitoriosa e montou no animal, agradeceu aos céus, pois já não aguentava mais andar. A rodovia para o centro da cidade estava deserta, na travessia pela ponte podia ver o caos em baixo cercado por arame farpado. Os trilhos vazios faziam jus a um cenário de terror. Por fim chegou aos grandes prédios, o asfalto coberto por jornais, puxou o cavalo e deu a volta para explorar um caminho mais estreito.
Um helicóptero pousado sob a superfície junto de carros carbonizados, fitas de isolamento e mais veículos parados. Passou pelo lado de um ônibus, os passageiros morto-vivos logo se levantaram ao ouvir o cavalgar do cavalo. O animal queria recuar com os dois importunos que se aproximavam, porém Regina deu sinal para ele correr o mais depressa que pudesse. Voltou ao ritmo lento após atravessar a viela, um morto descansava sob uma Brasília preta em frente ao um grande supermercado. Os corvos que estavam bicando suas costas pareciam cantar de alguma forma a alertando da horda de zumbis que estava prestes a alcançar-la.
_Droga! – Engoliu em seco.
Ainda em cima do cavalo deu a volta analisando o veiculo, pôde ver pelo vidro que a chave estava presente. Quando se deu conta estava cercada por uma quantidade imensa de cadáveres que fechava o outro lado da rua, todos cambaleavam em sua direção. Com certeza eles chegariam mais perto, o cavalo seria o primeiro alvo e morreria de forma trágica. Saltou dele e o puxou em direção inversa, cortou a corda para que pudesse ter sua liberdade.
_Vamos, fuja! – Deu leves tapas na sua barriga, o pressionando para partir. _Vá embora. – Gritou mais alto, e chicoteou o poste, o espantando com o barulho.
Apressada, abriu a porta do carro, puxou o banco da frente e mirou no interior, revistando os bancos traseiros, mais adiante o porta malas. Ligou os limpadores de pára-brisa, e puxou pelo braço do cadáver que permanecia intacto sob o capô do carro. Assim que o derrubou, entrou no carro, colocou o cinto e bateu a porta. Deu partida, passando por cima do zumbi e esquartejando todo seu corpo podre, deixando uma trilha de sangue pelo caminho. O barulho do veículo aumentando a velocidade, não foi o único ouvido por Regina, um som vindo de cima do porta malas, um walk talk, ao ver o aparelho franziu o cenho, diminuindo a velocidade da Brasília. Em meio aos chiados foi se eclodindo vozes que chamaram a atenção de Mills.
_Você ai dentro... Esta confortável? – Um ruído de uma voz masculina foi se ecoando. _No carro que roubou da gente. – Enfatizou.
_Ei, não seja tão... Espere... Meio que é verdade. – Falou outra voz partida, só que dessa vez mais suave e feminina.
_Me dêem isto aqui, deixem que eu tome as rédeas da situação. – Outra voz feminina, porém mais firme foi ouvida após um longo suspiro. O que fez finalmente Regina tirar os olhos da direção. Retirou uma das mãos do volante e pegou o aparelho, apertou o botão e o pos frente a sua boca.
_Quem são vocês?
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