Once Upon a Zombie
5 Not so strange
Notas iniciais
_Onde vocês estão? – Questionou Regina ainda perdida. _Do lado de fora? Conseguem me ver? – Procurou por algum sinal de vida percorrendo o lado exterior da outra janela.
_Sim, estamos vendo. – Respondeu a voz masculina ainda não identificada.
_Estamos na cobertura do supermercado. – Comentou a soada feminina.
_Você esta cercado por mortos e nos também, precisa nos ajudar. – Enfatizou a mulher que aparentava ser a líder do trio.
_Merda! – Percebeu o incomodo pelo retrovisor. _Eu estou ajudando muitas pessoas hoje. – Comentou sarcástica. _Quem quer que sejam, preciso dizer que estou um pouco preocupada aqui dentro também.
_Cara, devia ver daqui de cima. Você ia enlouquecer de vez.
_Tem algum conselho? – Engoliu em seco após ouvir tal comparação, porém manteve sua voz firme. _Vocês têm olhos ai fora.
_Tenho, eu correria para um lugar seguro. – Os ruídos se reservavam entre a voz de um homem e uma mulher que pareciam interagir em certas risadas, logo após um zunido acompanhado de suspiros, como se o walk talk tivesse mudado de dono agora.
_Só isso? Correr para um lugar seguro? – Soou meio óbvia diante da situação.
_Olha. – tomou partida à ‘’comandante’’. _A rua do outro lado do tanque está mais vazia. Uma parte está distraída querendo fazer banquete do cavalo. Se conseguir distrair o resto, terá uma chance. Você tem munição? O que tem com você?
_Espere. – Checou sua 38 e o restante de suas armas. _Uma faca, umas flechas e acho que uns 10 disparos. Como posso chegar ai?
_No estacionamento, tem umas grades de ferro, que pode usar como acesso. Uma escada que pode te ajudar a chegar aqui no telhado do mercado. _Espere, você ta indo embora? Qual seu nome? – Preocupou-se após ver o veículo aumentando sua velocidade.
_Eu tenho um plano, fiquem onde estão.
Apesar do pouco tempo que conversaram, Regina analisou a situação, e de fato planejou um esquema em mente. Com os braços bem soltos, levantou os ombros para cima, depois para trás, acomodando-se no banco. Inclinou a cabeça lentamente para o lado esquerdo aproximando da orelha do ombro e após fazer o mesmo do lado direito, largou o aparelho no banco no passageiro.
Inspirou o ar e soltou pesadamente e pisou fundo no pedal do acelerador. Sua mão esquerda largou o volante e estacionou na buzina, o barulho tremendo logo soou pelas vias públicas. Partiu com o carro e cruzou o beco da rua acima, atraindo uma multidão de zumbis atrás. Seguiram o veiculo que não parava com a poluição sonora, Mills parecia estar se divertindo com aquilo, atropelava os zumbis pelo caminho, com um sorriso no rosto.
Trouxe grande parte de seguidores para o bairro próximo. A Brasília guiava-se mais devagar e silenciosa, estacionou em um quintal de uma das casas próximo ao supermercado e partiu a pé seguindo as informações que tinha recebido. Próximo, um duplo portão de cerca fechava uma viela, levando em seguida a escada de ferro fixada na parede. Correu desviando de alguns cadáveres no caminho, e começou a escalar com pressa. Subiu até chegar a uma das sacadas.
_Oh não! – Olhou pra cima e viu que tinha mais grades para assolar, descansou suas mãos da cintura, recuperou seu fôlego e continuou.
Lado bom: essas pessoas poderiam ajudar a salvar Emma. Lado ruim: poderia morrer na queda. Começava a se sentir otimista, ou talvez com vestígios de esperança. Mirava na altura vista de cima, e procurava não pensar o quanto ela estava ferrada caso o plano desse errado.
Segurando-se firme nos ferretes, surgiu exausta a cobertura da laje. Seus cotovelos desancavam no amparo, e rastejava com dificuldade. Transpirava devido ao sol quente exposto a sua pele, seus cabelos amarrados em um rabo de cavalo estavam oleosos, seu semblante transmitia seu cansaço, seus olhos cerrados percorriam o lugar, a imensidão de metros quadrados.
Colocou-se de pé e se segurou nas barras, mais afastada pôde ver as pessoas que estavam acocoradas mais a frente, de costas para ela. Atentas a observaram a frente do local, não perceberam quando Regina se fez presente. Duas mulheres e um homem, com uma das mãos, pos sob sua testa e forçou sua visão em meio aos raios solares, não os reconhecia não daquela distância. Teria que tomar vantagem, portanto foi se aproximando devagar, abaixando-se algumas vezes. Apontou sua arma para a cabeça do rapaz e enrijeceu seu tom de palavras.
_Quem são vocês?
_OH MEU DEUS! O que aconteceu com você? – O trio virou-se para encarar-la alarmados com os braços erguidos, enquanto uma das moças surpresas mencionava o fato de reconhecer-la, mesmo suja e com as roupas cobertas por sangue.
_O que aconteceu com vocês? – Enfatizou _Eu quase não os reconheci. Suspirou aliviada, baixando sua arma. _Sinto muito... Eu não sabia o que me esperava aqui em cima. Então... – Deu de ombros. _Que visual é esse? – Permitiu-se a sorrir.
_Esta maldição modificou todos nós. – Rebateu a mulher incrédula fitando seus trajes e depois os de Regina.
_Estou vendo. – Sentou em um dos batentes de cimento fitando os habitantes de Arendelle. Anna mantinha suas duas tranças, porém usava um gorro de tricô caído avermelhado, vestia uma calça larga roxa, blusa preta frente única com bojo e sapatos fechados. Elsa mantinha também a única trança, contudo seu visual diferenciava-se em uma calça jeans justa; azul marinho, camisa com nó e sem mangas da mesma tonalidade e botas longas. Já o Kristoff cobria-se com uma camiseta marrom e um colete jeans por cima acompanhado de calças e botas que não estava habituado a usar, e nas suas costas estava um arco de aço moderno com algumas flechas orientais.
_Vocês sabem o que são essas coisas ou preciso explicar? – Indagou a morena.
_Mortos que andam... Zumbis se não me engano. – Disse Anna confusa.
_As mordidas te matam. A febre acaba com você... Mas depois de um tempo você retorna. Como sabemos disso? – Mencionou Elsa. _Conhecemos um senhor assim que acordamos aqui, o veículo era dele, foi mordido, tentamos ajudar, porém ele não deixou. Avisou que retornaria um deles. Sabemos que são mortos que voltam. Decidimos não nos separar desde então, pensarmos estar sozinhos neste mundo. Foi ai que virmos você levando nosso carro.
_Hm, também pensei. – Mills a analisou por breves minutos e deduziu que Elsa era a líder do grupo, a voz de comando do walk talk. _Precisamos ir. Estou ajudando vocês, agora me devem um favor.
_Você é o Rumpelstiltskin nesse mundo? – Brincou Anna.
_Você acordou aqui sozinha? – Perguntou Kristoff.
_Sim. Depois Emma me encontrou. Justamente por isso que precisamos nos apressar. Vocês têm que me ajudar a salvar-la.
_O que houve com ela? Ela foi mordida? – Elsa fez as perguntas assustada.
_Não. – Disse de mediato. Nem queria pensar na possibilidade, se Emma fosse mordida, não teria coragem de matar-la. Só de pensar nisso, o frio em sua espinha retornava. Desfez de seus pensamentos. _Alguém a atingiu com uma flecha... Estávamos em uma floresta. Ela... Está machucada. Eu a deixei em uma das mansões que encontramos e vir à cidade à procura de alguma farmácia, algo que viesse a...
_Ajudar. – Concluiu Elsa. _É claro que vamos... Só nos diga como. Agora você é a líder do nosso grupo. – Sorriu e deu umas tapinhas no ombro de Regina, um sinal para irem andando.
Kristoff moveu a tampa de concreto que dava acesso ao galpão do supermercado. Desceram pela escada fixada a parede interior. Deixou que as mulheres fossem primeiro, depois o mesmo e fechou a passagem. Ultrapassaram por uma porta de alumínio, descendo algumas sacadas para invadirem o local.
Estavam de mãos atadas, logo o plano seria pegar mantimentos e partir. No fundo; o escritório do gerente, o local se encontrava todo revirado, papeis por todo lado. Alguns mortos se aproximavam, não eram muitos. Regina queria observar se eles sabiam lidar com a situação, contudo os mesmo estavam intactos na sombra de seus movimentos.
_Ok, prestem atenção! Tem que atingir os cérebros. – Segurou a gola de um dos cadáveres, tirou a faca em sua cintura e fez jus as suas palavras. _Viram? Tomem cuidados para não serem mordidos ou dominados, sei que é o obvio, porém é importante ressaltar isso.
_Você parece muito preparada para alguém que veio de um mundo semelhante ao nosso. – Comentou novamente Elsa.
_Digamos que tive uma boa professora. – Sorriu.
Atravessaram a saída e chegaram ao açougue que ficava no fundo do mercado. Pelos corredores havia muitos deles dispersos pelo local. Pararam intactos, os três voltaram a fitar Regina como se fosse sua mãe.
_E agora? São muitos. – Sussurrou Kristoff recuando seus passos.
_São muitos, mas estão espalhados. Podemos usar isto a nosso favor, não é Regina? – Questionou Elsa. Seus olhos azuis procuravam alguma segurança nos negros. É claro que estava apavorada, no entanto queria transmitir alguma expectativa para sua irmã.
_Sim. – Saiu do seu transe, assentiu para os demais e lhe lançou um olhar que daria um jeito. _Faremos o seguinte.... Cada um entrará em um corredor abastecido, peguem o que for útil o mais rápido possível, não façam barulho, não deixem nada cair, isto pode atrair eles. Desviem do que puder, e o que forem empecilhos... ‘’Mate-os’’. Se partirem em grupos pra cima de algum de vocês, não resistam, dispare sem olhar pra trás. Anna ficará com o meu arco e flecha, Kristoff use o seu, Elsa você ficará com minha faca. Eu tenho uma arma aqui, mas não posso usar-la pois fará muito barulho e isto não nos favorecerá. Então pegarei outra faca ali no açougue antes de ir para o corredor do canto, fiquem por estes primeiros. Ok? Peguem cestas na passagem, isto pode ajudar a carregar os alimentos. O caixa será nosso ponto de encontro, e também podemos usar as sacolas de lá. Porém se verem alguma mochila ou bolsa pela travessia apanhem. E por ultimo, não menos importante: Corram, corram mais ainda e depois corremos juntos e sairemos daqui. A gente consegue.
Todos assentiram e em seguida se separam. O plano foi posto em prática, o primeiro corredor foi habitado por Anna, avistou logo uma cesta, a pegou e começou a encher-la de enlatados e mais alimentos em conserva. Prendeu sua respiração e a passos ágeis desviou dos zumbis.
O segundo por Kristoff, o seu corredor não tinha muito a lhe oferecer para ocasião, porém ainda sim levou uns salgadinhos, bolachas e barras de cereais. Achou uma mochila infantil azul jogada por ali, esvaziou tudo dentro, colocando o que tinha pego, pos as suas costas, retirando seu arco e flecha. Disparou no meio do crânio de um morto-vivo que estava mais próximo de si, pegou sua flecha de volta e ignorou os mais distantes.
Ao chegar no terceiro, Elsa já deu de cara com um zumbi de primeira, afastou-se com o susto, mas não fugiu, então fez o que Regina havia lhe ensinado, cravou sua faca no meio da sua face e o empurrou com uma das pernas. Suspirou aliava ao ver que ele caiu sobre o piso, e não nas prateleiras. Retirou algumas águas minerais, sucos industrializados dentre outras garrafas contendo líquidos no suporte.
Após passar pelo açougue tudo que Regina encontrou por ali foi um facão. Partiu em direção ao corredor combinado, e começou a vasculhar o que era aproveitável. Deparou-se com uma sacola de feira e encheu a mesma de algumas frutas. Tudo muito ágil partiria de mediato para o local de encontro, se não fosse um corredor de roupas na parte da lateral.
Não foram os vestidos que enfeitava os cabides que chamaram sua atenção e sim um traje em especial, uma jaqueta vermelha a frente de outras de cor escura. Não pensou duas vezes em desviar do caminho e ir até lá. O que não esperava era que havia mais deles nesta parte, mais ainda do que no ambiente que os outros estavam. Seus olhos ficaram marejados, ao mirar naquela peça de roupa. Não veio outra idéia em sua cabeça, se não presentear Swan com ela, queria que achasse seu mundo naquele. Livrou-se do cabide e da nota fiscal, colocando em seguida na sua mochila. Quando fechou o zíper, ouviu rosnados próximos a si, os zumbis já fechavam a passagem do corredor, agora teria que rodear pela ala de limpeza.
_Regina, o que esta fazendo? – Ouviu a voz quase como murmúrio de Kristoff. _Esse local não estava no plano. – O fato de o mesmo estar lá era por conta que ele, Elsa e Anna já os aguardava no caixa, como a morena não apareceu no tempo certo, acharam que poderia ter acontecido algo e Kristoff resolveu sair para procurá-la enquanto as duas irmãs continuavam lá.
_Eu... Precisava de algo que vi por aqui. – Murmurou de volta.
_Vamos depressa. – Pegou a sacola das mãos de Regina e a puxou pelo braço. _Poderia ter morrido. – Falou apreensivo.
_Valeu a pena. – Recolheu sua mochila, e começaram a correr desviando dos zumbis no caminho, alguns ela teve que arrancar suas cabeças com o facão para não acompanharam eles no escape.
_Por aqui.
Corriam o mais depressa que podiam, chegando ao caixa, não pararam e sim fizeram sinal na retaguarda para Elsa e Anna que olharam pra trás e miraram na horda de zumbis que se aproximava. Juntaram-se aos mesmos na busca pela sobrevivência, recolheram seus pertences e saíram dali, rumo ao estacionamento.
Com as respirações ofegantes, se situaram no lado de fora, sorriram ao ver a luz do sol. Mills ainda continuou a passos largos, guiando o caminho de volta a Brasília preta que escondeu na esquina mais próxima. Por sorte o carro não tinha sido tomado por mortos, ainda estava lá, com um ou dois cadáveres perambulando, mas logo foram eliminados. Regina abriu a porta e destrancaram as demais, Kristoff e Anna adentraram no banco traseiro logo após pôr os mantimentos no porta malas. Elsa se juntou ao banco da frente, ficando ao lado da motorista que já havia dado partida sem perder tempo.
_Uau! Você é guerreira Regina. Tenho que dizer que me surpreendeu. – Comentou Anna ainda recuperando seu fôlego.
_Tenho que concordar. – Afirmou Kristoff.
_Preciso voltar a enfatizar que tive uma boa professora? – Sorriu, mas logo mudou o semblante ao lembrar que não trouxe nada mesmo da sua real intenção. _Pena que não consegui o bastante.
_Esta se referindo a isso? – Indagou Elsa, retirando do bolso algumas aspirinas dentre outros medicamentos que poderia servir. _Achei em uma das prateleiras de remédios perto do balcão do caixa.
_Obrigada. – Sorriu aliviada. _Então... Contem mais de como chegaram aqui. – Propôs sem tirar os olhos da direção.
_Bem. A gente tava voltando para Arendelle quando a fumaça verde veio em nossa direção, nos abraçarmos e aguardamos pelo pior. – Contou Anna. _Acordamos próximo aonde nos encontrou, acho que a real intenção era essa... Separar cada um em um canto.
Já era final da tarde quando voltou, Regina havia demorado mais do que o planejado. No entanto estava ansiosa para reencontrar Emma, queria que se sentisse orgulhosa por poder salvar-la. Cumpriu sua primeira missão, e além de trazer os remédios, trouxe também alimentos e reforços, encontrou amigos, ambas não estavam mais sozinhas diante dos caos. Parou o carro em frente à mansão, se livrou do cinto depressa e correu para a entrada. Saltou as latas, e paralisou ao ver o rastro de sangue, a porta estava encostada. Empurrou devagar, seu coração batia acelerado diante daquilo.
Seu colapso era fácil ver, lembrava bem de ter trancado a entrada antes de sair. Ou a salvadora havia acordado ou alguém a encontrou. Torcia para que a primeira opção fosse à correta. Ao adentrar, seguiu a passos lentos, achavam-se trilhos de seivas pelo assoalho. Sem mais, disparou para o cômodo onde a deixou, ficou estática ao ver que não tinha ninguém ali. Correu desesperada por todos os cômodos, desceu o portão, revirou cada canto da casa. Voltou para fora aflita e com os olhos marejados pôde ver Kristoff esvaziando o porta malas, Anna parada ao lado de Elsa, esta que a encarava esperando por alguma resposta. – Não vai nos convidar para entrar?
_Ela não está aqui.
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