Notas iniciais
Não tenho nada a declarar a não ser pedir desculpas novamente pelo cancelamento de Cem Anos Depois, mas como esse não é um dia triste (assim espero), desejo a todos uma boa leitura :) Link da abertura do capítulo: https://www.youtube.com/watch?v=UMXPLmsG8Wk

~ ※ ~

Com seu vestido preto de cetim com alguns detalhes brancos, Regina, ou melhor, a Rainha Má, andava como se bailasse entre os corpos dos subordinados do Sr. Hyde juntamente com o dele. Finalmente sua vitória havia sido alcançada e ela poderia usufruir da mesma do seu melhor modo: sendo má.

Um sorriso cínico brilhava em seus lábios cuidadosamente pintados de vermelho como a casca de uma maçã. Os olhos, faiscando de poder, olhava ao redor procurando a expressão de derrota nos rostos de seus velhos inimigos.

Emma Swan exibia toda a dor e sofrimento que estaria a vir nos próximos dias, quando o governo da Rainha Má reiniciasse. A família Encantada – Branca de Neve e Príncipe Encantado – transbordavam repulsa dos seus olhares, deixando claro que não iam aturar mais nenhum plano que aquela tirana ousasse fazer.

Zelena trazia um certo orgulho no olhar assim como Rumplestiltskin, mas ao contrario do mesmo, esta estava com medo da nem tão recém chegada. Henry estava com a sua nova namoradinha às suas costas, fitando com um ódio indescritível a mulher a sua frente. Mas nada superava o olhar de Regina.

Ah, sua parte benigna. Faíscas de fogo cintilavam nas íris e uma leve névoa roxa brotava do chão onde os pés da ex-prefeita estavam fincados. Eletricidade estática parecia percorrer em volta de seu corpo, já que os cabelos de quem estava a sua volta se arrepiavam constantemente.

Uma leve risada escapou dos lábios da Rainha Má quando pisou na mão do cadáver de Hyde – Espero que queime no inferno – sussurrou próximo ao corpo desfalecido. A rua principal de Storybrooke havia se tornado sua passarela, e no final da mesma um trono de detritos negros e o que pareciam penas douradas brotava do chão. Ninguém podia e tão pouco queriam confronta-la de frente.

O som do salto ecoava por toda a cidade que parecia em silêncio ao ver uma possível nova prefeita. Haviam literalmente trocado seis por meia dúzia quando “escolhiam” os novos governantes. Chegou em frente ao trono e virou-se de frente para todos, com seu sorriso mais falso, começou a falar.

— Povo de Storybrooke! É com grande honra que lhes digo que eu, a verdadeira Rainha, voltei para lidera-los! – um sorriso para a Regina e voltou a falar – Uma nova era se inicia hoje, aqui na Cidade Amaldiçoada – enquanto falava, um muro de espinhos crescia ao redor da cidade assim como também “decorava” as paredes dos estabelecimentos e casas – Um tempo sombrio se aproxima para todos que forem contra meus princípios e regras, mas garanto que quem segui-las terá sim, um lugar nobre para guardar o seu coração no meu cofre.

O chão tremia por todo o território da cidade. Fissuras surgiam por todos os lados de onde brotavam mais e mais trepadeiras gigantes cheias de espinhos. O terremoto magico era tão forte que chegava a ser sentido até mesmo fora dos limites de Storybrooke, espalhando-se por todo o Maine. Várias coisas da Loja de Penhores ficou por um triz de cair no chão, até mesmo um mísero Globo de Neve estava com o tempo contado por causa dos tremores.

Uma das trepadeiras enroscou-se na Biblioteca Municipal, crescendo ao redor da torre e chegando ao relógio onde “abraçou” os ponteiros na marca de 23:47, não permitindo que os mesmo se movessem.

— Saúdem sua nova Prefeita, criaturas! Um novo Império nos aguarda! – abriu os braços em um falso gesto de aconchego.

— Não! – gritou Regina já de saco cheio de tanta hipocrisia e falsidade. Com uma bola de fogo em cada mão foi se aproximando do Trono, e consequentemente, de toda as suas Trevas – Você não vai governar essa cidade nem hoje, nem nunca! – a maligna ergueu uma das sobrancelhas em claro gesto de deboche – Seus reinados de horror e sofrimento ficaram na Floresta Encantada, e não saíram de lá nunca!

— É uma pena que esteja assim tão revoltada, querida— essa palavra foi usada como se fosse o pior dos xingamentos – Eu tinha um lugar magnifico para você ao meu lado, mas vejo que assim não terei como mantê-la junto ao meu reino – com um aceno de mãos, as bolas de fogo de Regina apagaram e espinhos cresceram ao seu redor, sufocando e machucando aos poucos.

— Mãe! – gritou Henry desesperado com o que estava acontecendo.

A Rainha Má, sentindo-se vitoriosa, gargalhou em alto e bom som, lançando mais um terremoto por Storybrooke. Uma aura roxa cobria o céu como um hematoma gigante, enquanto tudo ao redor do povo da cidade caía.

Na Loja de Penhores várias coisas – perigosas – forma ao chão. Dentre elas estavam fusos de rocas, poções e venenos. Mas o mais perigoso objeto estava por um centímetro de cair da estante onde se encontrava. Com um último abalo sísmico, o Globo de Neve foi ao chão, quebrando-se e várias partes.

De dentro dele, onde possivelmente deveria estar a neve falsa, uma neblina azul-acinzentada começou a rodopiar enquanto se elevava a altura de um garoto da idade de Henry. A névoa começou a tomar forma de humano, perdendo todo o seu aspecto gasoso e tornando-se sólido. Um feixe de luz desceu sobre o corpo recém-criado mostrando as características do visitante.

Cabelos platinados com uma única mexa negra, a pele alva meio acinzentada era coberta por um moletom azul e uma calça jeans marrom escura. Nas mãos traziam um cajado de madeira onde trevas e gelo pareciam dançar um ritmo perigoso que devia resultar em um poder dez vezes pior.

Assim que o garoto abriu os olhos, um floco de neve completamente negro cintilou no lugar da pupila, enquanto a íris era completamente azul gelada. Sublimação de gelo flutuava ao redor do corpo, que foi rapidamente virado ao escutar o som de uma risada.

Estreitando os olhos, o garoto voou para fora da Loja por uma das janelas, e quando virou a esquina da rua, viu um pouco a sua frente duas mulheres completamente idênticas brigando. Uma estava rindo como louca enquanto a outra se sufocava em espinhos.

— Esqueça tudo, Regina – disse a mulher com um longo vestido de época – Você não é mais forte que eu, seu lado Mal!

Ah sim, o menino reconhecia quem era, ou melhor, quem eram as duas figuras a sua frente. Voando sem se deixar ser percebido, Escondeu-se atrás de um trono esperando sua hora triunfal.

— Esqueça essa cidade, boazinha! – gritou a mulher novamente – Este é o meu reino ora, e todos que não me obedecerem irão morrer! Começando por você... – estendeu uma das mãos e começou a se abaixar para sentar na cadeira real.

— Na verdade, esse é o meu reino agora!

Antes que pudesse encostar seu “bumbum real” no estofado, uma camada de gelo cobriu todo o corpo da Rainha por dentro e por fora, deixando uma estátua de gelo azul com um sorriso falso em uma posição que parecia um tanto desagradável.

Assim que a Rainha Má foi congelada, Regina conseguiu se liberar da planta que lhe estava quase matando, olhando em volta a procura do seu possível salvador. Olhou então para frente e quão grande não foi seu susto ao se deparar com um garoto que ela não via há mais de trinta anos – Não... – murmurou.

— Sempre achei que ela falava demais. Sua risada então, os deuses que nos livrem dela – o garoto deu uma leve risadinha e virou-se para a mulher a sua frente – Não é mesmo, Gina?

— Gina? Mãe, quem é ele? – perguntou Henry um pouco preocupado.

— Ora, que falta de educação a minha. Nem me apresentei – disse dando um pulo e flutuando até o chão, caindo na pose de um cumprimento – Prazer, meu nome é...

— Jack Frost! – murmurou Regina, surpresa.

~ ※ ~

A Floresta Encantada nunca fora um lugar tão frio quanto neste inverno, e a Jovem Regina, mesmo nos aposentos do pequeno Palácio de seus pais, sentia a brisa gelada lhe arrepiando os pelos. Em todos os seus quinze anos de vida, era a primeira vez que vira as árvores ao redor do castelo cheias de estalagmites de gelo.

Não era possível haver vida em um lugar tão gelado como era o lado de fora, mas ao mesmo tempo, era como se algo estivesse acontecendo e as temperaturas despencassem em comemoração aquilo. Agora, quem seria o mago mais louco para comemorar qualquer evento dessa maneira?

Além dos muros do castelo, atravessando toda a floresta em direção à um pequeno lago que seria chamado de Nostus em um futuro nem tão distante, uma família estava em pé sobre a água congelada, chorando sobre o que parecia o corpo de alguém.

Conforme o Sol ia se pondo no horizonte levando consigo o calor e a luz, a pequena família constituída de homem, mulher e uma menina ia se afastando, em direção a sua moradia. O luto pesava sobre as costas de cada membro daquele grupo, principalmente da menininha que se sentia culpada pela morte de seu irmão.

Ela sempre questionada seus pais sobre o porque se não colocarem flores sobre o corpo do garoto congelado, e a resposta era sempre a mesma: não poderiam dar um destino tão doloroso como a morte lenta pelo frio as tão belas flores como acontecera ao menino.

Desapontada por nem mesmo um enterro digno poderem dar ao seu irmão, a garotinha olhou para o Leste, onde uma Lua Cheia nascia imponente com seu brilho prateado. Um desejo silencioso foi feito ao que conheciam como o Homem da Lua, uma força de poderes tão grandes que poderia até mesmo enfrentar o mais forte dos Senhores das Trevas já criados.

Por favor implorou em pensamento. Traga Jack de volta, por favor!

Nenhuma resposta foi dada sobre aquela súplica, mas do alto da torre onde era o quarto de Regina, ela jurou ter visto a Lua brilhar mais intensamente, mesmo que tenha sido por míseros momentos.

De volta ao lago agora quase mergulhado na escuridão pela ausência de luz, uma faixa de luar atravessou as densas nuvens de neve e os galhos de árvore, iluminando o corpo congelado. Uma transformação se iniciara ali.

O corpo do defunto, mesmo que em boa conservação, não poderia ficar com as mesmas características de antes assim como também não seria um corpo totalmente sólido. Era uma das regras primordiais colocada pelo Grande Mestre sobre todo o Universo: nada se cria, tudo se transforma.

A luz prateada envolveu os cabelos do jovem rapaz e, agindo junto a água extremamente fria, descoloriu as madeixas castanhas até um branco como a neve. A magia percorreu todo o tronco e membros do garoto, esfriando, clareando e “espectrando” o corpo ao nível dos fantasmas. Nem mesmo as íris do garoto escaparam dessa magia, mudando de castanho para azul safira.

A luminosidade da lua então o acolheu em um abraço, puxando-o para fora do lago congelado e o despertando.

O novo Jack então, olhou em volta atordoado, sem entender como ou o porque de estar ali já que as suas memórias haviam sido apagadas durante a sua transformação. Olhou então, para a Lua, e ouviu-a sussurrar:

Bem-vindo ao mundo, Jack Frost.

Ao longe então, Regina deitada em sua cama sentiu um arrepio percorrer-lhe toda a espinha, assustando a menina brevemente.

Percebeu então que havia deixado a janela do seu quarto aberta, por onde entrava um vento que parecia com agulhadas de gelo atingindo sua pele. Foi até ao janelão e o tratou de trancar, mas antes de fechar as cortinas, algo lhe surpreendeu.

Um menino da sua idade flutuava à frente da Lua refletindo a luz como um prisma, e logo depois, desapareceu.

~ ※ ~

A ex-prefeita de Storybrooke encarava o menino à sua frente. Depois de tantos anos, Jack Frost finalmente havia reaparecido para a velha conhecida, e incrivelmente, para todos os cidadãos da Cidade Amaldiçoada.

— Jack Frost? Ele não era um menino branco como a neve? – perguntou Henry espantado.

— Você esta descrevendo sua avó – riu David e logo parou graças a um olhar mortal de Snow White.

— Como é possível? – perguntou Regina, espantada – Você é um espírito preso à magia da Floresta Encantada, nunca poderia ter saído de lá!

— Ora, ora. Parece que esqueceu o nosso antigo acordo, não é, Gina? Esqueceu, ou quer esquecer? – perguntou Jack, praticamente cuspindo cada palavra – Aquele Globo de Neve pode ter sido forte o bastante para me conter, mas também me deu um trunfo: a possibilidade de ser transportado entre mundos.

— E agora, você quer se vingar por isso tomando Storybrooke para si – Emma intrometeu-se na conversa – É o que veremos.

A Salvadora ergueu uma das mãos invocando uma esfera de luz branca que logo foi “apagada” por um gesto de Regina – Isso não será necessário, Swan. Ele não tem poder suficiente para lutar contra nós, e tão pouco para conquistar essa cidade.

— É mesmo? – perguntou o garoto, irônico. Virou-se para a estátua de gelo e estendeu a mão para a mesma.

De momento, nada aconteceu. Após alguns segundos, uma veia escura apareceu onde seria o coração da Rainha Má, espalhando-se pelo corpo gelado como pernas de aranha. Em menos de meio minuto, a estátua parecia ter sofrido uma grande infiltração de petróleo e com uma única rajada de vento frio desabou no chão quebrando-se em cem partes negras e logo depois sumindo em sublimação.

Voltou-se para as pessoas a sua frente que o olhavam boquiabertas enquanto todo o povo da cidade corria para sua casa a fim de se esconder do poder tirano do garoto.

— Digamos que eu tenha aprendido um truque ou dois enquanto estive preso naquele vidro. – sorriu como se desafiasse alguém à contraria-lo – Por falar nisso, agradeçam ao Sr. Gold, por ter deixado tantos objetos mágicos à minha disposição.

— Como é, Rumple? – perguntou Belle se soltando do braço do “marido”.

— Vejo que a magia do Homem da Lua ainda percorre seus sangue, garoto. – disse Rumplestiltskin se aproximando – Mas há algo mais ai dentro. Algo sombrio percorre seu coração. O que seria isso?

— Chega de papo, Gold – ordenou Regina o olhando com fúria – Você sabia que ele estava preso lá dentro e mesmo assim deixou-o perto das coisas mágicas, por quê?

— A questão, Regina, é que esse seu antigo namorado não precisou sequer encostar nas coisas para aprimorar sua magia, mas sim sugou-a direto para o Globo de Neve onde seria mais fácil manuseá-la.

— Tanto poder ao meu redor acabou cancelando o feitiço que me prendia, que diga-se de passagem, não era nem um pouco forte – comentou Jack balançando o cajado em suas mãos.

— Você era energia pura, e com isso conseguiu absorver poder o suficiente para sair de lá — intrometeu-se Henry – Mas mesmo assim não conseguiu romper o vidro pois não tinha uma forma sólida, o que lhe forçou a esperar um milagre acontecer para que fosse libertado.

— Oras, parece que alguém andou lendo os livros de feitiçaria da mamãe – comentou o Senhor das Trevas fazendo Henry corar.

— Não sei do que esta falando.

— Henry! – disseram Emma e Regina em uníssono.

— Chega de conversa! – esbravejou Jack Frost ao ver que aquilo não acabaria tão cedo – Eu sou o Novo Rei da cidade, e nenhum de vocês pode me deter!

— Na verdade eu posso sim – disse Rumple com um falso sorriso.

— Na verdade, não – dessa vez o jovem espírito deu um sorriso tão frio que fez o de Rumple sumir – Ou você não se lembra que ainda me deve um favor?

— Como é? O que? – começaram todos a se perguntar, impressionados por Rumplestiltskin dever algo à alguém. Revirando os olhos, Jack Frost bateu o cajado no chão chamando a atenção de todos para si.

— Aqui vai a minha oferta, Sr. Gold: eu quero proteção dentro dessa cidade, alguém que me reconheça como um líder e que irá cumprir sem questionar qualquer decreto que eu fizer.

— E se eu me recusar a fazer isso? As leis de Storybrooke e da magia mudaram desde que trouxemos a tona os Contos Esquecidos, este acordo não vale mais. – disse vitorioso.

— Você pode alterar o Estatuto da Magia e dos Mundos o quanto quiser, Rumplestiltskin, mas há algo que nunca muda...

— Existe esse Estatuto? – perguntou Emma à Regina em meio a sussurros.

— Veremos isso mais tarde no meu escritório – respondeu baixinho.

— ... E isso é a validade de um contrato – com um gesto, uma folha apareceu nas mãos de Jack, fazendo Rumple engolir em seco – Consta aqui: Se um dos lados não cumprir a sua parte do acordo, o outro poderá tomar para si o que o primeiro considera de mais importante na sua vida.

Em meio as palavras do Espírito do Inverno, a perna ruim de Gold tremeu como se anunciasse a chegada de uma tempestade. Belle abraçava o seu filho a si temendo ao mesmo tempo ser ou não a “coisa” mais importante na vida de Rumple.

— Então? – questionou o garoto com um sorriso sinistro – O que me diz?

— Seu desgraçado – o Senhor das Trevas virou-se para todos que assistiam a cena e os empurrou para longe, incluindo Belle que deu a sorte de cair em cima de algo macio. Por azar, esse algo era Arch.

Regina logo tratou-se de ficar de pé junto a Emma e Zelena, que fizeram todos desaparecerem em uma nuvem de fumaça roxa e verde, levanto-os à um lugar seguro.

— Quem precisa de uma Adaga quando se tem um contrato, não é mesmo? – disse Jack, cético.

Rumple deu uma última olhada para ele é também sumiu em uma nuvem de fumaça, só que essa em cor de sangue.

Jack Frost sentia-se vitorioso, e seu plano de vingança não passara nem mesmo da sinopse, por assim dizer. Olhou para o trono e com um toque de seu cajado o congelou, preservando algumas partes negras aqui e ali. Sentou sobre a cadeira real e uma coroa de gelo e cristais cor de hematoma surgiu na sua cabeça.

Uma risada maligna ecoou por todo o território de Storybrooke, fazendo até mesmo a “cúpula” que protegia a cidade estremecer. Densas nuvens se formavam sobre o local e não demorou muito para o primeiro floco de neve cair, anunciando assim, o início do império do Rei de Gelo.

Porem, mal sabia Jack, que estava sendo observado.

~ ※ ~

Já se passará um ano desde a aparição do episódio que Regina chamou de o menino que veio da Lua, e mesmo após esse tempo, ela não conseguia tirar aquele garoto da cabeça. Lembrava-se também que tinha chegado a falar com sua mãe sobre aquilo, e a resposta que ouviu de volta não foi nem um pouco motivadora.

— Não existe poder maior no mundo que esse, minha querida – disse evocando uma bola de fogo em suas mãos – Até mesmo a Luz tem que se curvar as Trevas quando a outra deseja. Se esse homem é realmente tão poderoso, poderia reviver os mortos, o que ambas sabemos ser impossível.

— Mas algumas pessoas já voltaram dos mortos, mamãe – tentou argumentar a adolescente – Por exemplo, aquele casal de heróis gregos.

— Querida, ir ao submundo e trazer de lá a fruta de Ambrosia é tão difícil que chega a ser impossível, mesmo essa sendo de longe a alternativa mais fácil – respondeu Cora impaciente – Agora, resgatar alguém dos mortos diretamente daqui, o mundo dos vivos, isso sim, é impossível.

Dito isso, pegou o seu livro e uma caixa que continha uma varinha e deixou os aposentos da filha, que ficou sozinha fitando a luz do Sol refletir sobre a neve branca.

Uma ideia brotou na sua mente: sairia um pouco dos muros do castelo, algo que evitava fazer durante o inverno, apenas para dar uma passeada e respirar o ar puro da floresta. Catou então uma manta cinza para não chamar atenção, e pulou da janela, tendo a queda amaciada pela neve.

Levantou-se rapidamente temendo ser ouvida e foi caminhar.

Andou até o lago congelado onde seu pai costumava ensina-la a andar de patins no gelo quando sua mãe não percebia, e sentou sobre uma pedra para apreciar a paisagem ao redor enquanto descansava.

Fazia um certo tempo que um boato corria solto por conta daquele rio. Diziam que uma família havia perdido um de seus dois filhos que morrera congelado ao salvar a irmã de cair no lago. Isso acontecera a cerca de cinco ou seis anos atrás, mas a parte principal é mais recente.

O povo das aldeias próximas viviam comentando que o corpo do menino havia ficado perfeitamente conservado por ter ficado congelado nas águas do lago, e que desde que ele morrera, a água nunca descongelara, nem mesmo nos verões mais quentes ou com fogueiras acesas sobre seu gelo.

Mas há um ano atrás, durante o ápice do Inverno, a família foi visitar o garoto pois coincidentemente também seria o dia de seu aniversário, e até ali estava tudo normal. Só que na hora de ir para casa, a menina mais nova acabou deixando uma boneca sua sobre o gelo, ao lado do irmão.

No outro dia, quando voltou para buscar seu brinquedo, ele estava todo molhado e coberto de gelo e neve, e ao lado dele, onde deveria estar o seu irmão, não havia nada.

Após alguns segundos de choque, a garota voltou pra casa correndo e avisou os pais sobre o que acontecera com o corpo do irmão. Muitas pessoas se reuniram junto a família no local e constataram da melhor maneira que puderam que não havia nenhum sinal de ter sido um ato humano.

Era como se tivessem tirado o corpo de lá em um passe de mágica!

Muitos dizem que o menino havia ressuscitado ou até mesmo que fora chamado de corpo e alma para o pós vida, por isso sumiu, mas tudo o que se sabe mesmo, é que após aquele acontecimento no Inverno, a Primavera chegou trazendo o calor consigo, e incrivelmente, o lago descongelou por conta da temperatura.

Batizado então como Lago Nostus, em homenagem ao sobrenome da família, ele ficou conhecido como o lago das águas que trazem de volta algo que se perdeu, pois aquele caso trouxe a família um sentimento poderoso: Esperança de rever o garoto com vida.

Nesse momento Regina sentiu um vento gelado soprar sobre seu corpo e viu que estava quase anoitecendo, mas antes de ir embora, deixou sobre a pedra que estava sentada algo que levara para comer. Um tributo ao menino morto.

Uma maçã.

~ ※ ~

— Não acredito que deixamos aquele garoto se tornar o rei daqui! – praguejou Emma enquanto bebia um drink. David, Mary Margaret, Gancho, Regina, Henry, Violet e Zelena e ela haviam se reunido no Granny's junto à Vovó, Ruby e Dorothy para discutir o que fazer perante a nova ameaça.

— Um espírito do Inverno... Claro! Eu devia ter desconfiado! – falou Chapeuzinho que recebeu um maneio em concordância de sua avó.

— Porque diz isso, Ruby? – quis saber Branca.

— Desde que cheguei aqui em Storybrooke com Dorothy, senti a atmosfera mais fria e densa, como quando vai chover ou chegar uma frente fria, sabe? – explicou – Isso aconteceu todas as vezes em que eu atravessava de um mundo para outro e eu sempre achei que fosse coisa da minha cabeça. Mas agora com a chegada desse Jéquie Frost, tudo ficou claro!

— Jack Frost – corrigiu Regina que ficara a discussão inteira em silêncio.

— Espera aí – comentou David dando um passo à frente – Quando esse menino apareceu ele chamou você de Gina, seu apelido – falou olhando para a morena – Vocês se conhecem? Como?

— Prefiro não comentar – disse a mulher bebendo de seu whisky em seguida.

— Regina, me escuta – Emma se abaixou na frente da outra – Se vocês se conhecem e um sabe da história do outro, é possível que com uma análise consigam enxergar os pontos fracos de cada. Sabe quais são os dele?

— Sei, claro que sei – replicou – Jack Frost não era visto por nenhuma criança pois ninguém acreditava nele, e esse sempre foi seu calcanhar de Aquiles: não ser reconhecido, ser invisível para todos.

— Ótimo então – interviu Dorothy – Basta fazermos uma poção do esquecimento que ele sumirá daqui. Afinal, temos duas bruxas sobre esse teto, certo? – jogou a indireta no ar.

— Gostei dessa menina – comentou Vovó atrás do balcão.

— Quieta velhota. Regina pode não ter seu lado ruim, mas eu ainda tenho o meu – esbravejou Zelena trocando olhares de raiva com a senhora.

— Chega, vocês. – ordenou a ex-prefeita – Você pode conhecer muito sobre Oz ou qualquer outro mundo garota – voltou-se para Dorothy – Mas pelo visto não é muito boa de lógica. Se esse negócio de não acreditar tivesse funcionado, não teríamos visto ele desde o início.

Todos olharam para qualquer lugar se sentindo imponentes naquela missão que parecia fadada ao fracasso – O que você sugere? – perguntou Emma.

— Quando prendi Jack naquele Globo de neve, foi por conta de um pedido dele pois segundo o mesmo, havia feito uma escolha errada que não teria retorno – Regina resumiu a história pois estavam sem tempo – E bem, digamos que ele não voltou do jeito que era.

— Como assim? – Mary Margaret estava ficando confusa.

— Parece que foi enfeitiçado ou simplesmente mudou de personalidade. Ele não era assim, posso assegurar isso – explicou a mais velha – Minha sugestão é que procuremos a história dele nos acervos da Biblioteca ou que Henry tente reescreve-la.

— Acho que não será possível a última opção – disse o Garoto – Minha caneta quebrou depois daquela vez em que fugi de Storybrooke, lembra?

— Espera, Henry – disse Violet – A Biblioteca de Boston, lembra? Lá tinha muitos livros de “Era Uma Vez” com histórias que não existiam no seu, histórias esquecidas. Talvez de Jack Frost esteja lá.

— Muito bem, vamos nos separar em grupos de pesquisa, espionagem e proteção. Gancho, Henry, Violet e eu vamos procurar nos livros daqui e em Boston. – falou Emma.

— Ok. Então David, Ruby, Vovó e eu seremos os espiões para saber o que o espírito esta aprontando – disse Branca de Neve – O que deixa... Zelena, Regina e Dorothy como o grupo de proteção do povo.

— O que?! Não vou participar do mesmo grupo que essas bruxas! – esbravejou Dorothy.

— É preciso, linda – Chapeuzinho tentou acalma-la – Você é a melhor estrategista daqui, e junto com os poderes delas, vocês serão invencíveis! E outra, elas não irão te machucar, certo? – olhou para as duas irmãs.

— Nem um arranhãozinho? – perguntou Zelena recebendo um olhar de indignação. Suspirou desapontada – Sem graça.

— Tudo certo? Vamos começar agora para acabarmos com isso o mais rápido possível – disse Emma.

Quando todos foram se levantar, uma grande explosão ecoou pela cidade, e logo após isso, um grito de desespero.

~ ※ ~

Notas finais
E aí? Gostaram do formato da história? Quem acompanham Once Upon a Time devem estar acostumados com esse vai e volta no tempo, mas creio que lendo fica um pouco mais confuso. Qualquer dúvida deixe nos comentários que eu explicarei tudo :) Obrigado pela leitura :D