Once Upon a Time: O Arcano X

1 ★ As três maldições


Notas iniciais
Yay, eu sempre quis escrever sobre OUAT, mas finalmente chegou a hora que eu tanto esperei. Eu espero que gostem disso, porque eu realmente estou me derramando para tentar ser tão condutor de conexões quanto os escritores da série. Sem mais delongas, confiram como tudo começa.

Storybrooke, Dias atuais

A bruxa segurou o bebê em seus braços, os passos eram apressados e barulhentos. Não tinha ninguém a temer, muito menos naquela parte entre as árvores mais densas e naquela hora da noite. Uma pequena clareira se projetou à frente da sua boa visão, era iluminada pelo célebre astro lunar, que em sua totalidade se exibia. A lua cheia era uma imagem mais do que em contraste com os demais aspectos sombrios da paisagem. Os pedregulhos chocavam-se contra a camada grossa do seu salto, enquanto gostaria de praguejar.

Sua tonalidade verde na derme poderia assustar qualquer desafortunado, que por coincidência cruzasse o seu caminho. Preferia que isso não acontecesse, do contrário, teria de ficar feliz por saber que havia menos um no mundo. Ela não se importava com ninguém, não mesmo. O negro das vestes passava pelos galhos pontudos e sua atenção não se voltava a isso, mas sim, no lugar mais à diante. A criança em seus braços era tão calma, estaria chorando se fosse outra.

O bebezinho em sua inocência e doçura, apenas a olhava com serenidade, ou quem sabe fosse curiosidade? Ela não saberia, nem ele poderia dizer. Como poderia, sendo ele tão pequeno e sem ainda o dom primordial dos dizeres? Achou que seria difícil tirá-lo de seus pais, mas foi fácil, nada que Malévola não conseguisse. Mesmo que o escritor pudesse dar finais felizes, jamais sairia da sua natureza a permissão de deixar aqueles ditos “Heróis” terem boas coisas. Nenhum deles sobraria para cantar uma feliz canção sobre amor verdadeiro, ou qualquer outro sentimento puro.

Zelena colocou o menino mais forte contra seu corpo e deu os últimos passos até atingir o local no qual a luz clareava mais forte. A melodia da escuridão tocava sua sinfonia orquestrada pelo farfalhar das árvores, do vento que entrecortava o espaço. Uma verdadeira musicalidade natural se pronunciava, antes mesmo do gesto que a bruxa fez. A mulher colocou a criança no chão, onde o maior feixe de luz atingia. Os momentos seguintes foram de pura observação, pois diferentemente de antes, ele agora chorava assustado.

– Por que está chorando, criança? Nós vamos resolver isso tão rápido. – A expressão tranquila em seu rosto a fazia parecer como uma pessoa que não fazia nada além de colher um ramalhete de flores.

Zelena analisou o céu em sua magnitude, estampava o mesmo de antes, e apesar da vilania, maravilhava-se com o grandioso espetáculo no céu naquela noite.

– O céu está maravilhoso para o grande espetáculo que teremos esta noite, não acha, pequeno encantado? – Junto as mãos como se aquilo fosse formidável – Não deveria chorar, pois eu vim te trazer presentes. Qual criança não gosta de presentes, meu pequeno?

Ele continuou a chorar, Zelena o encarou com seriedade.

– No fundo eu talvez seja parecida com a minha irmã, a diferença é que não dar a possibilidade ao menos de alguém ter uma história, é bem pior do que tirar o seu final feliz. E eu vou te dar presentes, isto não vai ser tão ruim.

A bruxa tinha certeza de que os pais ainda não haviam acordado do feitiço do sono, tardariam a fazer isto, seria o tempo suficiente para completar o que pretendia fazer. Branca de Neve e Encantado, assim como todos eles, precisavam ter motivos para ver a vida ruir, por isso os dois mais célebres heróis foram escolhidos primeiro. Na verdade, o seu pequeno foi. Eles haviam perdido toda a vida de Emma, o que para eles foi a pior coisa do mundo, apesar de terem-na salvado da maldição da Rainha má. Retornando como a salvadora, mesmo que anos depois, Emma foi capaz de cobrir uma parte do que foi perdido, tudo porquê sua irmã teve o coração mole o suficiente para trazer uma parte da loira para lá. Poderia ter feito algo à Henry, sabia o quanto afetaria a cada parte daquele grupo, no entanto, trazer o mais novo significava dar à Branca de neve a chance de sentir mais uma vez, e mais dolorosamente, como é perder um filho. Aquilo iria destruir ela e Encantado, e nada mais importava do que isso. Como a criança não parava de chorar, Zelena giro a mão num movimento e ela calou-se. Não dormiu, mas foi impossibilitado de exprimir qualquer ruído.

– Seus pais foram pessoas tão bondosas, não deveria seguir esse exemplo, meu caro. O mundo humano é tão egoísta, que não vai ter outra saída a não ser corromper-se e tornar uma pessoa ruim, principalmente porque é isso que se aprende neste meio, em seu maio, talvez mais do que na terra encantada. Isso te daria motivos para ser um vilão, mas nem ao menos vai entender a profundidade disso, vai ser apenas um rapaz comum, com uma vida e morte comuns. Vamos ao primeiro presente?

A bruxa verde passou a mão acima da criança, que se debatia no chão. O movimento foi delicado, sutil, de efeito. A fumaça verde cobri o pequeno embrulho e conforme foi afastando-se dele, uma espessura maior foi surgindo em seu lugar. Era como se quando ela se afastava, ao mesmo tempo ficava maior. E no lugar daquele pequeno e inofensivo bebê, eis que surgiu um corpo duas vezes maior. Cabelos pretos, pele alva como a neve, este abraçava os joelhos e cobria suas partes nuas, que sem roupa poderiam ser vistas. Quando os olhos se abriram e as janelas azuis de suas órbitas puderam ser vistas, Zelena esticou os lábios satisfatoriamente. Neal Nollan não era mais uma criança, todavia transformara-se num belo jovem.

Seu olhar foi confuso, não saiu da posição, porém rodopiou a vista por onde alcançava. Parecia ele não entender nada daquela situação, também pudera, em sua mente ele ainda era o que foi até poucos segundos, um bebê. A face assustada o assolou pelos traços novamente, seu olhar encarou Zelena.

– Que rapaz bonito. Sabe o seu nome? Pode me dizer?

Os lábios tremendo, mexeram-se, nenhum som saiu. Ele gaguejou e nada proferiu. A bruxa riu brevemente, fez um movimento manual e roupas surgiram no corpo de Neal. Uma calça jeans e uma camisa branca normal. Agora ele poderia levantar, mas com oo fazer se nem sabia andar? O máximo que conseguiu foi sentar no chão e ainda olhar incompreensivo para a situação.

– Que belo primeiro presente, ao menos tem beleza. Vamos ao segundo, garoto.

De um bolso escondido nas vestes, a mulher puxou um determinado frasco de vidro. Adornado na tampa pela simbólica imagem de um selo qualquer, o mesmo estava cheio de um pó de coloração vermelha. Tentava imaginar o quanto de acontecimentos haviam ali, da mesma forma como o esquecimento estaria fazendo um contraste com os mesmos. Quando Rumpelstiltskin a dera o pó, explicou suas propriedades e a força que exerceria em sobre quem atingisse. Nada mais do que ela desejava para aquele momento.

Ela destampou o frasco e em contraposta aos devaneios desentendidos do rapaz, colocou o pó na palma da mão e num sopro fugaz e ao mesmo tempo delicado, Zelena fez atingir ele imediatamente.

– Para você, agora deixo novas memórias, toda uma vida. Fica para trás tudo aquilo que ouviu, e que mesmo infante conseguia guardar. Se vai “mamã”, “papá”, “Emma”. Tudo que vai ficar é a sua nova vida de dezoito anos naquela família adotiva. O bebê se vai, nasce o rapaz, um outro rapaz, meu caro. – Zelena cruzou os braços admirando as expressões de Neal alterar-se entre o não saber e o que veio depois.

O menino se levantou do chão, em minutos aprendeu os movimentos próprios do corpo. Distinta da primeira reação ao encantamento, questionou-se:

– O que está acontecendo? O que faço aqui?

– Perdeu-se, você foi assaltado na estrada e tentando perseguir os ladrões, eis que perdeu-se neste bosque. – Zelena explicou bondosa.

– É, eu lembro. Eu estava dirigindo o Audi da minha mãe, peguei emprestado. – Ele dizia como se o fato fluísse naturalmente. Eu me lembro.

Após isso ele passou a analisar cuidadosamente as roupas que a outra trajava, finalmente notando algo diferente. Por que aquele chapéu? Por que os trajes medievais e tão antiquados para aquele momento? Ela aprecia até uma bruxa. Ela realmente era, mas em sua realidade aquilo era apenas um aspecto de histórias infantis. Afinal, Neal era um rapaz mundano.

– Por que essa roupa? Está indo para alguma festa? – Perguntou tão inocente, até riu.

– É algo que nunca entenderia, meu lindo. E não se preocupe, a única pessoa que está indo a algum lugar aqui é você. Terceiro presente.

O som que aproximou-se em questão de segundos era horrível, não se assemelhava com nada que já tivesse ouvido na vida. Olho de um lado para o outro, mas foi do alto que veio aquilo, sentiu algo agarrar em seus ombros e prender como garras. Ficou horrorizado ao ver a face de um macaco negro que possuía asas. Gritou, mas aquela mulher riu, até que sua naturalidade anterior voltou:

– Crescer, esquecer, separar. – Soletrou audivelmente, mas parecia que o fazia para si mesma – Boa viagem, Neal. Seja feliz na sua vida.

Aquilo foi tão rápido que ele mal pôde gritar no solo novamente, pois o voo iniciou-se de um furtivo movimento das asas do ser estranho. Não tão alto, Zelena ainda fez um último gesto com a mão e a fumaça verde os atingiu em cheio. Em meio à um grito abafado, os olhos pesaram e o menino dormiu. Era como estava pouco tempo atrás, em sua casa, com seus pais, aqueles a quem nem reconheceria se visse fronte a ele.

(...)

Deslizou a pena mágica pela superfície do papel em branco, que outrora passou a ter um conteúdo. O autor não cansava de modificar aquilo por tantas vezes, a perfeição havia se tornado a sua maior obsessão, mesmo que para o lado das trevas. Com os pés esticados no sofá da propriedade, Isaac vislumbrou a chegada do seu companheiro de seu companheiro de empreitada:

– Deu a ela o que ela tanto quis? – Perguntou.

– Sim, alguns preferem resolver o que é necessário sem esperar pela ponta da sua pena. – Gold disse ironicamente.

– A verde é realmente determinada, não é à toa que ela é um dos meus personagens favoritos do livro. Se branca sofreu uma vez, duvido muito que vai ser capaz de aguentar pela segunda. Já os datei com tantas cosias ruins que mais essa veio de brinde, caro Rumpel. – Isaac foi tão irônico quanto Rumpel, continuo concentrado na manipulação das folhas.

Ao servir-se de uma dose de rum da bancada de drinks, Gold encarou o homem a trabalhar em sua obra. Não se importava com o que branca iria sentir, mas a sensação de saber o que era perder um filho o atingiu em cheio, e na verdade, gostava de saber que ela passaria por aquilo de novo, pois seria a pior dor para a heroína com falhas que ela e o marido eram. Eles tinham o mesmo nome, ou melhor, ele tinha o nome que o deram naquele mundo desgraçado. Sorveu a bebida e o líquido quente o cortou ao descer pela garganta.

– Embora eu a odeie, Zelena está completamente coberta dos meus melhores pontos quanto a vingar-se de heróis.

– Então quer dizer que o menino está fora da jogada?

– Sim, ele foi levado para longe. Ele agora conhece outra realidade, não como se fosse um de nós. – Gold disse ao terminar sua bebida.

Olhando o trabalho mais a fundo, Rumpel percebeu que algumas folhas soltas ficavam ao lado de Isaac. Algumas continham ilustrações, em sua maioria era o que apresentavam. Não as viu de primeira, porém, sua curiosidade o requisitou que chegasse mais perto para vê-las:

– O que são?

– Algumas páginas que escrevi, mas que preferi arrancar do livro. Destruir algumas coisas te faz sentir melhor, principalmente determinadas coisas. Eu estou reescrevendo a última que arranquei, bem diferente.

Rumpelstiltskin contemplou uma figura conhecida, aliás, duas. Chocou-se com o que viu, mas o riso de satisfação foi bem maior que qualquer outro. O casal que segurava um bebê recém-nascido, um momento fraterno marcante. Jamais acreditou que poderia ver aquela pessoa num estado tão deplorável, tão “bom”. Eles sorriam ao segurar a criança, sorriam felizes e apaixonados um para o outro.

– Mesmo que vilões possam ter bons finais, farei uma breve exceção. A melhor delas, meu caro. – Ele sorriu para Rumpel.

Mais uma vez o Senhor das trevas vislumbrou a cena diante dos olhos, posta naquele papel. Regina e Robin seguravam seu primeiro filho, e sobre o amor que acreditou ver, era verdade. Regina havia encontrado seu final feliz, mas seria uma pena que não por tanto tempo. Branca não seria a única que teria sua felicidade negada aquela noite.

Notas finais
De todo o meu coração(Um tanto negro, igual a Snow), espero que tenham gostado. Por favor, deixem reviews, isso vai me inspirar a saber como estou indo e o que estão achando. Até o capítulo 2.