Once Upon a Time - Lua de Sangue
5 Coisas do Passado
Notas iniciais
Michael estava lendo para João e Maria. Estavam os três em sua casa, sentados numa poltrona, sendo esquentados pelo calor da lareira.
O pai contava uma história a seus filhos. Um dos momentos em família que João mais apreciava. Afinal, depois da maldição, foram 28 anos sem ver o pai. Era tão bom estar ali, sentado naquela cadeira, ouvindo as palavras flutuarem da boca de Michael e encher os seus ouvidos.
— E então a Bruxa ficou parada, olhando para aquelas pessoas que a encaravam com medo. Ela não era Má. Pelo menos não queria ser. Tudo o quê ela queria era salvar seu filho. Tudo o quê ela queria era um pouco de amor.
"Por favor... Me entendam! Ter magia não faz de alguém mau. Não se pode definir uma pessoa má por suas habilidades. Deve-se definir uma pessoa má..."
"CALE A BOCA, BRUXA!!!", exclamou alguém no meio da multidão. Então as pessoas começaram a gritar, assentindo em conjunto e gritando sem parar BRUXA MÁ, BRUXA MÁ, BRUXA MÁ. Uma lágrima escorreu do rosto da Bruxa quando uma esfera de fogo surgiu em suas mãos.
"Se eles queriam uma bruxa... Eles a teriam!", disse Michael por fim.
—Agora é hora de vocês irem para a cama, crianças... Disse ele, fechando o livro e levantando-se de sua poltrona.
—Mas, pai...
—Não, João. Você irão dormir. Agora.
—Mas ainda é cedo.
—Maria, você já é grande o suficiente para saber Dos perigos dessa cidade. Quero ver você e o João na cama agora!
E Maria sabia. Apenas em partes, mas a garota sabia sobre a Bruxa Má, sobre sua batalha com a Prefeita (ou seria mais fácil chamá-la de Rainha Má?), e até mesmo um ou outro detalhe sobre a morte de alguém. Neal... Beal... Bael... Alguma coisa assim. Maria lembrava-se de que era algum parente do Senhor das Trevas. O filho dele, talvez.
Também ouvira falar, na escola, sobre pessoas que se tranformavam em macacos. Era meio estranho, mas Maria tinha medo daquilo. Se transformar em macaco parecia ser realmente assustador.
João já tinha se despedido do pai e caminhava cabisbaixo para seu quarto.
Quando, de repente, um ruído pequeno se fez.
O ruído de unhas arranhando a madeira.
O ruído de saltos raspando no chão.
—Maria... Sussurrou Michael, com os olhos arregalados. Então, de repente, as luzes apagaram. Maria sentiu um arrepio na nuca. A energia parecia ter acabado.
—PAPAI!! Gritou João, saindo correndo de seu quarto para a sala. O quê está acontecendo ???
Michael não respondeu. Estava com o olhar fixo no corredor, de onde os ruídos tinham saído. Depois pegou uma faca de cozinha e avançou.
— Quem está aí?
O vento começou a sibilar, assustando João. Michael olhou para os lados, também parecendo bem assustado. Estava tudo escuro, e o vento não parava de fazer aqueles barulhos estranhos.
Michael abraçou os filhos num gesto de proteção.
— Que amor... Isso é realmente lindo, o amor de pais e filhos — Sussurrou uma voz. Maria se arrepiou ao reconhecê-la. Aquela voz... Não podia ser. De todas as pessoas que poderiam ter vindo para Storybrooke, ela parecia ser a menos provável...
Uma sombra então pareceu sair do corredor. João percebeu, com uma mescla de raiva e medo, quem era a sombra.
A Bruxa Cega que uma vez haviam derrotado estava naquela sala, encarando-os e sorrindo feito uma louca.
— É realmente prazeroso, depois de t-tanto t-tempo... Reeeencontrarrrr vocêsssss... Queerrridossss... — Disse ela. De repente, Michael foi jogado brutalmente para o lado. João apertou a mão de Maria, que tremia.
A Bruxa sorriu. Podia farejar o medo dos irmãos de longe.
— Muuuito bemm, queeridossss... Hora da diverssssão...!!!!
***
Ruby tremia. Estava sentada numa cadeira, numa das mesas do Grannys. Há alguns minutos atrás, ela havia recebido uma surpresa desagradável de alguém um tanto quanto hostil.
Tecnicamente, ele dizia ser um parente distante de Peter, o ex-namorado de Ruby (que, aliás, ela havia matado). Ele dizia algumas coisas sem sentido algum, como o fato de tudo estar mudando e que ele estava vindo.
Ruby não entendeu nada. Ela tentou conversar de uma maneira mais humana com aquele homem, mas ele não escutou. Simplesmente fez um escândalo, xingou ela e sua avó na frente de todos, destruiu uma ou duas mesas e saiu.
A garota sabia que havia errado. Sabia que havia matado alguém que ela amava mais que tudo. Mas sabia também que aquilo havia acontecido há anos. Já fazia tempo que ela não pensava em Peter.
Ruby então olhou pela janela. Suas mãos tremiam, e ela suava frio. Estava com medo do quê poderia acontecer e tinha medo do quê estava acontecendo.
Mas ela não fazia noção do quê estava por vir. Se ela soubesse da verdade que Peter nunca havia contado...
Se ela soubesse que aquele homem nunca foi um parente distante de Peter, e era, na verdade, era apenas um mendigo de rua pago por uma misteriosa mulher para jogar tudo aquilo na cara de Ruby...
Se ela soubesse que o verdadeiro parente de Peter estava vivendo muito longe dali... Se ela soubesse que, muito em breve, seus destinos iriam se cruzar de uma maneira inesperada...
Se ela soubesse da metade das coisas que estavam para acontecer em Storybrooke, ela não teria dormido.
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