Once Upon a Time - Lua de Sangue
6 Oh, Belle, querida!
Notas iniciais
Belle estava sentada numa cadeira, dentro da Loja de Artefatos do Senhor Gold.
Seu coração pesava em seu peito. A luta entre Regina e a Bruxa Má havia acabado de acontecer, e Belle havia presenciado um Rumplestilskin violento e assustador ajudando a Bruxa Má.
Ela sabia que Zelena tinha a adaga do Senhor das Trevas, portanto controlar Rumple era uma consequência. Ela sabia que, no fundo, Rumple ainda estava no lado do bem. Mas ela sabia que seria praticamente impossível algum dia Rumplestilskin voltar para ela.
As lágrimas escorriam por seu rosto. Por mais que não quisesse admitir, Belle havia perdido as esperanças. Rumplestilskin não voltaria para ela, nunca mais. Zelena o mataria depois de usar cada centésimo de magia dentro dele.
A garota levantou-se da cadeira, indo até uma estante e tirando um livro de lá. Aquele objeto em particular havia sido dela há anos. Belle já tinha achado ele há alguns dias, mas tinha medo de pegar e ler ele.
Era um diário do tempo em que ficara com o Senhor das Trevas.
Belle respirou fundo quando pegou o livro. A capa de couro, as páginas velhas… Tudo fazia ela se lembrar dele.
Antes que pudesse resistir, o livro já estava aberto e Belle já estava emersa em suas lembranças do passado.
“Hoje faz doze semanas que fui trazida para o Palácio do Senhor das Trevas.
Sinto um pouco de saudades de minha família, mas acho que estou me acostumando à esse lugar. Tenho várias coisas para fazer, e Rumplestilskin… Ele não é tão mau quanto parece. No fundo, sei que ele é uma boa pessoa.
Aliás, eu ten…”
Belle parou a leitura e começou a folhear as páginas. Queria relembrar seus bons momentos com Rumple, não seus momentos iniciais (que nem foram tão bons e interessantes assim).
A garota achou então um trecho que lhe chamou atenção:
“Uma mesa longa se estendia à minha frente, e o Senhor das Trevas estava sentado próximo a ela, esperando o jantar.
—Você me servirá as refeições e limpará o castelo. – Disse Rumplestilskin, com um sorriso malicioso.
—Eu entendi. – Respondi. Aquele homem me assustou (aliás, me assusta). Todas as primeiras sensações que tive dele ser bondoso pareceram se fragmentar em pedaços naquele momento.
—Espanará minha coleção e lavará minhas roupas. – Disse ele. Argh, que homem repugnante.
—Sim, claro. – Respondi, séria.
—Buscará palha fresca enquanto eu estiver fiando.
—Entendi. – Respondi novamente.
—E você irá tirar a pele das crianças que eu caço. – Nesse momento, eu deixei cair uma das xícaras que eu trazia na bandeja. Aquilo me deixou espantada.
—Brincadeirinha. Nada sério, realmente. – Riu ele, balançando os dedos. Eu me agachei rapidamente e peguei a xícara. Eu posso odiar ele, mas ainda o temo. Ele é poderoso demais.
Peguei a xícara e vi estar lascada. Meu coração disparou imediatamente. Será que ele se importaria com a xícara lascada? Por muito menos, meu pai me trancaria no quarto como castigo. O que o Senhor das Trevas em pessoa seria capaz de fazer?
—Desculpe, mas... Está lascada. – Disse eu, com receio. Rumplestilskin franziu a testa, me olhando de cima a baixo.
—Mal dá para ver. – Acrescentei, com medo. A testa dele continuava franzida, como se estivesse estranhando algo em mim. Eu me pergunto até agora o que seria.
—É só uma xícara – Disse ele, ainda com a testa franzida. Ele pareceu estranhar meu medo, como se uma xícara lascada não fosse importante. Eu suspirei aliviada, recolhi a xícara, e voltei ao trabalho.
Belle sorriu perante àquela lembrança. De todos os seus momentos com Rumplestilskin, aquele havia sido… Bem hilário. Emocionante. Bonito.
Ela folheou mais uma vez as páginas, procurando algo que lhe fizesse sorrir. Que lhe fizesse esquecer a mágoa e a dor de ter perdido Rumple para… Aquele projeto de verdura sem sal (também conhecida como Zelena, a Bruxa Má do Oeste).
“Hoje foi um dia estranho.
Eu ajudei um ladrão a fugir de Rumplestilskin… E o Senhor das Trevas demonstrou piedade com ele. Não quando soube da fuga do ladrão.
Não, não. Ele me colocou numa carroça e disse que teria o prazer de me mostrar o ladrão morrendo em suas mãos, para demonstrar sua impiedade e seu poder.
Eu quase acreditei que presenciaria a morte daquele ladrão. Quase.
Quando Rumple percebeu que o ladrão tinha uma mulher que estava grávida, ele se apiedou imediatamente e deixou o homem viver. Ele pode negar quantas vezes quiser, mas eu sei…
Eu sinto…
Rumplestilskin é uma boa pessoa. Rumplestilskin é…”
As lágrimas inundavam o rosto de Belle, e seu corpo tremia de raiva e de dor. As lembranças daqueles tempos não estavam lhe fazendo tão bem.
A garota respirou fundo. Estava determinada a ser forte. Estava determinada a ler pelo menos mais um trecho daquelas lembranças.
E mais uma vez Belle submergiu nas páginas daquele livro.
“Tive um momento ruim com Rumplestilskin hoje.
Eu estava no jardim, limpando algumas das folhas que haviam caído no chão. Estava absorta em meus pensamentos, até ele chegar.
—Belle… O quê você pensa estar fazendo?
Me assustei. Rumplestilskin estava atrás de mim, me olhando com um olhar sério.
—Limpando o jardim???
—E quem disse para você… Limpar o jardim? — Ele parecia estar com raiva. Eu dei de ombros.
—Ninguém precisou me dizer. Eu sou a garota da limpeza, não sou? Que eu saiba…
—Você não tem que saber de nada!! — Disse ele baixinho, me olhando com algo parecido com ódio. Eu me encolhi.
—Agora… Saia… Daqui… IMEDIATAMENTE! — Gritou ele, seus olhos parecendo sair de órbita. Algumas lágrimas começaram a rolar pelo meu rosto.
Quando eu estava saindo e dando as costas para ele, me virei e disse:
—Você é um grosso, Rumplestilskin. Um grosso, frio, mal-educado…
E sai. Terminei de limpar outros lugares e agora estou aqui, na minha cela, chorando.
Eu não posso estar amando esse homem.
Não posso estar amando Rumplestilskin”
Belle sorriu. Depois da maldição de Regina, de se esquecer de Rumple e pensar ser uma garota chamada Lacey, de ver Rumplestilskin indo para Neverland numa missão de qual ele pensava não voltar nunca mais, de ver seu homem morrer na sua frente para salvar todos em Storybrooke, de ver ele voltando e sacrificando sua liberdade para salvar seu filho… Depois de ver ele sendo controlado por Zelena e ameaçando matar pessoas inocentes…
Depois de tudo o quê ela havia presenciado e enfrentado para ficar ao lado do Senhor das Trevas, sua primeira briga com Rumple parecia boba.
O sino da loja então tocou. Alguém havia chegado.
A garota fechou o livro, limpou algumas lágrimas restantes e se preparou para atender a porta.
***
—Belle?
—Ariel?
Belle abraçou a amiga. Ela e Gancho haviam chegado na Loja há pouco tempo, e pareciam estar procurando algo.
Ariel estava bem preocupada, Belle pôde perceber.
—Entrem… Vou ver o quê posso fazer por vocês!
***
Era noite, e Belle estava cansada.
Muito cansada.
Havia feito de tudo para ajudar Ariel encontrar o Príncipe Eric, seu grande amor. Mas grande parte do cansaço vinha da falta que Rumple fazia em sua vida.
Ela pegou mais uma vez seu diário. Queria continuar lendo, continuar revisando mentalmente seus melhores momentos com Rumple…
Mal havia aberto o livro que o telefone começou a tocar
A garota respirou fundo, levantou-se, guardou o livro e preparou-se para atender o telefone.
“Alô?”, disse Belle. O telefone parecia estar mudo, até uma voz fria responder:
“A Lua de Sangue está chegando… E o fim de sua vida também!!!! Aguarde, Belle… Em breve, seus segredos mais sombrios serão revelados… E a vingança será finalmente feita…”. A pessoa então gargalhou e desligou o telefone. Belle franziu o cenho.
Quem estava ligando para ela?
Então o sino da Loja tocou, e uma pessoa entrou desesperada na Loja.
—Belle? Belle? — Gritou a pessoa. Belle reconheceu a voz. Era Archie, o “Grilo Falante”.
—Hey, Archie… O quê você…?
—MEU CACHORRO, BELLE. — Disse ele, exaltado. Seu rosto estava todo vermelho, e seu corpo tremia. Archie parecia estar à beira de um colapso.
—Pongo sumiu…
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