Once Upon a Time - Frozen -
6 Parte II - Desvendar -
Notas iniciais
Capítulo 6 — Bem-Vindo a Storybrook -
A noite trazia consigo uma brisa gélida, não conseguia distinguir se era a noite que estava fria ou se era ela a causadora daquele vento frio, pé ante pé Elsa caminhava em uma estrada pavimentada que foi rapidamente estranhada pela loira. Mas que raios de mundo ela havia se metido? pensamentos como esse passeavam por sua cabeça. Mas saber que mundo, época ou lugar estava, era sua menor preocupação. Sua principal missão era encontrar Elliot e Anna que haviam desaparecido. Caminhou mais e mais por aquela estrada sinuosa, a calda do seu vestido azul celeste deixava uma rastro de gelo cristalizado no asfalto, estava desesperada sem suas irmãs. Não conseguia controlar suas emoções, ou seja, não conseguia controlar direito seus poderes. Parou a caminhada ao encontrar uma placa metálica verde com os seguintes dizeres BEM-VINDO A STORYBROOK escrita em branco, olhou aquela placa que fora rapidamente congelada por seus poderes, alguns filetes de gelo caíram da placa.
– Storybrook. — ela repetiu ao suspirar.
No centro da cidade de Storybrook a alguns quilômetros dali, precisamente no restaurante da vovó, um estabelecimento de madeira com janelas de vidro, cadeiras e mesas estavam postas ao ar livre. Storybrook era como qualquer outra cidade dos Estados Unidos, com lojas e casas, algumas novas e polidas, outras velhas e empoeiradas. Saindo do interior do restaurante a prefeita de Storybrook, Regina Mills, com uma expressão nada amigável como de costume. Ela tinha seus curtos cabelos escuros, muito bonita e claro, sempre bem-vestida, conduzia sua mãos na altura da cabeça. Parecia que algo ou alguém havia lhe roubado a paciência.
– Regina... — uma mulher de voz forte chamara seu nome de modo acolhedor. O que a fez permanecer imóvel, suspirar e não a encará-la. Não queria falar com ninguém, não desejava isso. Apenas disse um "Agora não Swan." curto e grosso.
Em seu encalço Emma Swan, loira e xerife da cidade, tentava conversar com ela e suavizar o temperamento explosivo da morena que não estava à fim de papo. Emma tentou se explicar, mostrando o motivo de ter trazido a esposa de Robin Hood de volta, a jovem Marian. A cada palavra dita pela xerife, Regina retrucava da forma mais espinhosa possível. Não queria entender o ato heroico da loira.
– Eu não sabia quem a Marian era. — Explicou Emma. — Não pretendia fazer você sofrer.
– Suas intenções não importam, — retrucou. — porque novamente eu senti a pontada do heroísmo. Sempre a vilã! — revirou os olhos ao dizer isso. — Até quando não sou?
– E o que eu deveria ter feito? — inquiriu Emma olhando para a prefeita. — Deixado ela morrer?
– Talvez devesse! — sugeriu.
– Você saberia salvei ela de você. — Retrucou Emma.
– A mulher que fez aquilo foi a pessoa que eu era, não a que sou agora. Trabalhei para construir um futuro, um futuro que se foi. — Sua voz saiu embargada e um tanto amarga ao pronunciar as últimas frases.
Regina sabia que com a presença de Marian significava somente uma coisa, ficar sem Robin, perde-lo. E será que ela estava pronta para abrir mão de seu final feliz? Enquanto as duas mulheres debatiam Robin trazia a esposa para que conhecesse a "nova" Regina. Aquela Regina era diferente da Rainha Má que Marian conheceu a muitos anos atrás, a que mandou mata-la.
– Regina eu quero que conheça a Marian. — Dizia com dificuldade um homem alto e magro com uma barba rala, evidentemente Robin, estava de pé ao lado de uma mulher mais baixa e de pele morena, Marian. Ela logo entendeu que havia mais do que amizade exalando pelos poros dos dois adultos a sua frente. Logo o questionou se eles estavam juntos e jogou uma rajada forte contra o esposo, uma rajada espinhosa referente a Regina e suas atitudes. Sua voz aumentou alguns decibéis que poderiam ser ouvido de dentro do restaurante da vovó. A porta novamente se abriu fazendo o pequeno sino dourado tilintar. De lá saíram David e Mary Margaret com seu bebê nos braços, Neil. Mary Margaret Blanchard continuava sendo aquela mulher doce e gentil com um suave brilho nos olhos negros de quem tem um potencial um pouco mal-humorado, com o cabelo escuro cortado rente ao crânio. Ficava ainda mais baixa e bonita ao lado do esposo David Nolan que não ficava atrás com sua beleza encantadora. O Príncipe Encantado fazia jus ao nome, com seu suave cabelo louro curto e os olhos azuis mais profundos e intensos que Mary Margaret já vira.
Mary tentou saber como Regina estava o que fez Marian franzir o cenho insultando ainda mais a prefeita que tentava com todas as forças se controlar para não explodir a recém salva de Emma. Como eles poderiam se preocupar com um monstro desses ou melhor com o próprio diabo? Era isso que Marian pensava e fez questão de falar. Henry e Gancho juntaram-se aos outros observando aquele dialogo nada cortês. Gancho continuava a vestir seus velhos trajes de pirata da era medieval com um sobretudo negro, o que o deixava diabolicamente charmoso. O pirata tinha aquele sorriso torto mais brilhante e malicioso — talvez fosse herança de pirata — Emma pensou uma vez. Henry tinha aquele cabelo castanho um tanto desgrenhado e a maior parte do tempo usava uma mochila cheia nas costas
Regina olhou nos olhos do filho e suspirou saindo daquela calçada. Emma tentou segui-la chamando seu nome mais uma vez e fora segurada por Gancho que aconselhou não pressionar a prefeita e que fazer isso nunca daria bons resultados, Emma deveria deixa-la pensar. Todos observaram a partida um tanto graciosa de Regina. Henry estava preocupado com a mãe, se iria regressar a ser malvada.
"Eu espero que não garoto" pensou Emma. Afinal a relação das duas, a amizade — talvez possa ser chamada assim — Havia evoluído um pouco. Regina não mandara mais alguém bisbilhotar sua vida ou a mandava embora de Storybrook, isso era um avanço pensava ela.
Longe dali, na estrada, os baixinhos Leroy e Walter dirigiam uma van, eles conversavam enquanto a estação de rádio começava a falhar e chiar fazendo Leroy ficar "zangado" e seu colega que dirigia acabou tirando uma "soneca" ao volante. A alguns metrôs dali, Elsa continuava sua caminhada e avistou aquela besta desenfreada sobre rodas com olhos brilhantes enormes vindo em sua direção, a rajada de gelo saiu abruptamente de suas mãos que congelou rapidamente o automóvel. Ela observou e estranhou aquele meio de transporte, "Onde estavam os cavalos e carruagens? Era uma época estranha, definitivamente " pensou. Retomou o seu caminho e chegou ao centro de Storybrook pela manhã, a cada passo que dava continha o rastro de gelo derretido atrás de si. Seu coração pulsava vertiginosamente, seus pulmões inspiravam grande quantidade de oxigênio e expiravam, suas mãos expeliam suaves linhas de fumaça como um gelo seco. Tentou em vão se concentrar, sua mandíbula fora pressionada um ato que era desempenhado sempre por Elliot quando estava nervosa e que habituou-se a fazer.
Em outra parte da cidade Emma, Henry, David, Sra. Blanchard e o pequeno Neil que dormia no carrinho para bebês, caminhavam. Henry estava preocupado com sua outra mãe, Regina. Desde a discussão com Marian no restaurante da vovó ele não mais a vira, além de receber um bilhete através de um corvo que dizia para ele passar a noite na casa dos avôs enquanto ela pensava. Ele queria saber seu estado, como a mãe estava suportando tudo isso e temia que ela tivesse uma recaída para o lado sombrio. O mal possui várias faces e não é difícil fazer um ex-vilão sucumbir a sedução sombria. Emma tentava consola-lo de que ela não fazia nada de ruim, apenas queria um tempo sozinha para pensar o que era totalmente plausível. Henry resolveu ligar para ela enquanto David ficava ao seu lado e Emma continuava a caminhada com sua mãe Mary Margaret falando sobre os problemas que o garoto enfrentava com suas duas mães e seus relacionamentos amorosos. Gancho avistou ambas ao longe e correu em sua direção fornecendo as informações sobre Regina, que não estava em sua cripta ou em sua mansão na rua Mifflin. Antes que pudessem conversar sobre eles pediu que Mary a deixasse a sós com o capitão Gancho e mais uma vez foram interrompidos só que dessa vez pelos baixinhos Leroy e Walter que estavam assustados e afobados. Pareciam ter visto um fantasma ou o próprio demônio, seus rostos estavam vermelhos, sim, porém, estavam daquele jeito pela longa corrida que enfrentaram. Vestígios fragmentados passaram pelas mentes dos anões " estamos fora de forma."
– Calma Leroy, respira e depois fala o que está acontecendo. — Disse Emma encarando o baixinho de gorro. Ele fez o que ela disse e prosseguiu.
– Estávamos voltando para casa e fomos surpreendidos. Alguma coisa nos atingiu, alguma coisa como magia! A van inteira congelou, parecia que estávamos em um frigorifico. Quem faz esse tipo de magia? — indagou o anão.
– Talvez a mesma pessoa que fez isso. — Emma avistou os rastros de gelo que cintilavam ao brilho do sol e aos poucos começava a derreter. — Vamos! — Seguiu aquele rastro tendo Gancho em seu encalço. Aquela trilha de gelo os conduziram por estacionamentos, lojas até chegarem aos fundos de algum departamento. Elsa correu para os fundos daquela loja escondendo-se atrás de caixas e objetos velhos. Emma retirou sua pistola do coldre em sua cintura e caminhou minuciosa por aquele espaço com Gancho em sua retaguarda. Elsa estava com medo o que a fez criar naquele pátio um enorme boneco de neve.
– Mas, que coisa é essa? — Swan levantou o olhar para o enorme boneco de neve que berrou fazendo seu cabelo balançar.
– Essa é nova — disse Gancho de boca aberta.
– Olha grandalhão, nós não queremos brigar.
– VÃO EMBORA! — a fera berrou mais alto fazendo Swan cair em cima de Gancho e sua arma disparou em direção ao boneco que rugiu. Eles saíram correndo e avistou o boneco enorme de neve caminhar em direção a floresta. As pessoas da cidade ao ver aquele monstro saíram correndo e gritando apavorados. Elsa continuava escondida quando uma rajada de vento trouxe um folheto até seus pés, um jornal, que mais tarde ela viria a saber o nome. Inclinou-se para apanha-lo.
– Senhor Gold se casa com Bella French — ela analisou aquela imagem preto e branco de um homem e uma mulher felizes e sorrindo. Lembrou-se do momento em que Elliot havia a pedido em casamento, fora um dos momentos mais felizes da sua vida. Ao olhar no roda pé da foto visualizou mais duas imagens, o colar de Anna e o anel de Elliot, um broto de sorriso nasceu em seu rosto alvo.
Flashbacks de anos atrás
Quando Elliot e Anna conseguiram encontrar Elsa e salvaram Arendelle das mãos do príncipe Hans das ilhas do Sul. A vampira pediu em casamento sua irmã Elsa que fez algumas brincadeiras e aceitou logo em seguida. Ambas deram a notícia para Anna no vestíbulo do castelo onde a Rainha havia criado uma enorme pista de gelo para o povo do reino e para seu amigo Olaf. Um dia depois Elsa e Elliot estavam reunidas no grande gabinete de reuniões perante alguns vassalos informando sobre o casamento que teria com a irmã. Alguns conselheiros discutiram entre si sentados naquela enorme mesa e o mais velho, aparentando ser mais sábio falou:
– Majestade, compreendemos o seu desejo de matrimonio. Mas como falará esta notícia diante do povo? Ela ainda é sua irmã e uma dama. Arendelle nunca presenciou um evento como este. — O senhor de grisalhas, com óculos de lentes ovais e aros de ouro repousados na ponta de seu enorme nariz falava de forma arrastada e pausada. Parecia fazer um grande esforço para completar uma palavra, seu bigode farto estava sentado sobre seus lábios finos e rachados que apresentava alguns dentes amarelados devido a quantidade exacerbada de uísques com tabaco nos jantares reais.
– Arendelle nunca presenciou, Mas agora irá presenciar. Eu sou a Rainha e tenho direito de casar com quem eu desejar, não?
– Sim, Mas... — ele fora interrompido.
– Conselheiro Wallskinball não estamos indo contra nenhuma tradição ou ferindo-a como preferir entender. A Rainha e eu queremos tornar o nosso amor oficializado com a realização do casamento. É um evento nupérrimo para o reino, nós sabemos e estamos dispostas a arriscar. Estamos apaixonadas conselheiro e ir contra o amor não é ir contra nosso coração? — O conselheiro permaneceu calado o que fez Elliot prosseguir — Ensinamos ao povo que devemos lutar por nossos sonhos, ideologias. Está enraizado esse apetite de conquista e realizações de sonhos. O que o povo irá ver ou dirá se seus líderes não lutam pelo que mais defendem? O amor também é uma batalha, um sonho, uma ideologia. Eles perderão a fé que possuem em nós! Nosso pai e nossa mãe fez de tudo para o reino de Arendelle, Elsa e eu queremos fazer muito mais do que eles fizeram.
– É um discurso formidável jovem Elliot. Mas o problema é a aceitação. — Outro senhor tomou a palavra este era mais jovem, porém rechonchudo com bochechas rosadas e olhos verdes. A cabeleira ainda estava castanha, mas perdia aos poucos sua tonalidade intensa. — O povo iria aceitar a união conjugal de duas damas?
– O povo iria contra a felicidade de alguém? — Retrucou a rainha.
– Eu sugiro uma votação. — O conselheiro Wallskinball tomou a fala. — Os que forem a favor do casamento da Rainha e sua irmã Elliot digam Sim. — A sala continha mais de quinze pessoas que participavam da reunião sem contar com Elsa e Elliot. As duas mulheres estavam nervosas, Elliot podia sentir a angustia que Elsa expressara, apesar de imperceptível para os outros. A vampira segurou a mão da Rainha por debaixo da mesa tentando consola-la e deu um sorriso de acolhedor. Elsa olhou aqueles olhos rubis os quais sempre olhou para ela com ternura e amor. Retribuiu aquele consolo com um sorriso doce. Um dos homens votou contra, o segundo "não", o terceiro, o quarto e o quinto continuaram a negar. Elliot pressionara a mandíbula com tamanha força, Elsa podia ver nos seus olhos a fúria da irmã. As mãos continuavam entrelaçadas embaixo da mesa sobre o colo de Elsa e ambas corriam o risco de não realizar o casamento que tanto desejavam, seu final feliz sofria uma grave ameaça. Até que o sexto conselheiro votou a favor, ouvir um "sim" foi como ouvir o coral dos anjos dizendo "aleluia", mas só um, não era o bastante. O sétimo e o oitavo negaram. O nono, décimo, décimo primeiro, décimo segundo, décimo terceiro, décimo quarto concordaram. Haviam sete votos contra e sete a favor, ocorreu um impasse que não estava previsto nem para as jovens e muito menos para os conselheiros. A decisão final estava nas mãos do conselheiro Wallskinball que sugeriu tudo isso. A última palavra seria dele afinal.
– Conselheiro, antes de votar queria dizer que a felicidade de duas pessoas está nas suas mãos. — Elliot falou.
– E eu sei minha jovem. Antes de votar queria saber... — pausou o velho e depois continuou — Jovem Elliot, estaria disposta a fazer qualquer coisa em prol da Rainha?
– Claro! — Elliot respondeu rapidamente.
– Abdicaria de sua linhagem real para casar com ela?
– Sim, mas não entendi a sua pergunta conselheiro.
– Deve escolher entre ser irmã e esposa.
– No caso, quer que eu saia dos registros reais como irmã delas?
– Sim. Veja, vocês possuem um laço fraternal, são irmãs a vista do povo. Casando vocês feririam as escrituras consumando o incesto. E como nossa jovem Elliot não é humana, deixara de ocupar os registros que a constam como uma dama.
– Que ideia o senhor está sugerindo conselheiro? — Elsa interviu.
– Eu estou sugerindo que nossa jovem passe de mulher para outra classificação. Uma mais adequada.
– Está querendo que ela vá para os registros reais como um monstro? — a Rainha falou um tanto aborrecida. — Isso eu não posso aceitar. Ela não é uma aberração.
– Calma amor. Eu concordo com as situações, faria e faço qualquer coisa para casarmos.
– Rainha Elsa, eu não estou chamando a jovem Elliot de aberração, só quero deixa-la em outra classificação que podemos criar depois, vossa Majestade pode pensar em algo. Sem ser homem ou mulher. Assim, vocês poderão se casar livre de quaisquer argumentações que sejam contrarias a sua união conjugal. E mais uma coisa...
– Sim conselheiro. — Disse Elliot.
– Os trajes da jovem... — ele suspirou ao falar — Tenho o prazer de informar que será a primeira mulher a usar calças.
– Que grande notícia. — Disse Elliot com desdém. — Então está incluso uma troca de vestimentas? Bom, estou de acordo, agora será que o senhor pode nos dar a sua resposta? Eu tenho uma esposa ou não?
– A Rainha e senhorita podem se casar. — As duas sorriram aliviadas, abraçando-se. — Comunicaremos ao povo com as instruções que debatemos aqui.
– Finalmente esse velho concordou. — Elliot sussurrou no ouvido da irmã que riu da brincadeira.
– Mas conselheiro, uma pergunta. Então ela deixará de ser minha irmã? — questionou Elsa.
– Em papelada, sim. Só para não correr o risco de alguém argumentar para invalidar o casamento. São medidas assecuratórias, não se preocupem. Continuam a mesma coisa, afinal o laço vale mais que qualquer registro.
A reunião finalmente havia terminado e Anna que estava com o ouvido atrás da porta entrou quando todos aqueles homens saíram.
– Então? Me contem. Ah! não me contem, deixe-me adivinhar, eles concordaram? — ela sorriu alegremente.
– Sim trancinhas! — Elliot sorriu. — Vamos nos casar. — As três irmãs abraçaram-se felizes.
Elsa explicou toda a conversa com os conselheiros sobre romper dos registros que são irmãs e a caçula franziu o cenho.
– Não entendo porque com vocês precisaram dessa formalidade. Estão apaixonadas e querem se casar isso deveria bastar para o reino. Com a mamãe e o papai foram assim?
– É como pedir a "benção" como você pediu para Elsa "abençoar" o casamento com aquele encrenqueiro do Hans.
– Nem me lembre desse evento. Deveria tê-lo socado mais vezes.
– Eu concordo com isso, eu te ensinei vários golpes e você só usou o básico.
– Vocês duas podem parar, ninguém vai mais socar ninguém, pelo menos não no casamento, eu espero. O que vamos fazer agora é... Planejar a cerimonia. — Elsa sorriu junto com o as duas irmãs.
Mas duas semanas se passaram e o reino de Arendelle estava em período comemorativo, a Rainha iria se casar com Elliot. Era uma festa aberta ao público, alguns negaram-se a ir por serem duas mulheres, outros foram por curiosidade, outros pela comida de graça, mas alguns foram porque realmente desejavam estar lá e queriam ver a felicidade da Rainha. Pensavam da seguinte forma: " A rainha feliz era igual a reino feliz." A cerimonia seria na igreja onde Elsa havia sido coroada, a orquestra tocava uma suave melodia, os bancos de madeira estavam todos ocupados, ao lado de Elliot estava Kristoff, Sven e Olaf totalmente alinhados.
– Não precisa ficar nervosa Elliot. — Sussurrou Kristoff para a noiva que já estava no altar a espera de sua noiva.
– Quem disse que eu estou nervosa garoto do gelo?
– Achei que suar não era comum para você. Nem quando corre, voa ou caça você não fica suada.
– O nome formal é "transpirar", agora fica quieto. Eu não estou nervosa... É só a roupa que é um tanto... Abafada. — Elliot tentou disfarçar.
– Sim, eu acredito. — Disse Kristoff ao perturbar a vampira.
O garoto do gelo estava certo, nunca havia transpirado na sua vida e agora sentia um frio na barriga, sentia-se mais humana do que nunca, uma queimação em todo o corpo, parecia que o sol estava tocando sua pele, mas era impossível aquele local era fechado, não havia um feixe de luz solar. Seria esse os primeiros sintomas do nervosismo pré-casamento? Elsa sentia-se da mesma forma, sua respiração estava ofegante, pela primeira vez estava sentindo-se literalmente um bloco de gelo humano. O vestido branco cintilante com detalhes de cristais de gelo possuía uma calda longa que ela mesma havia criado, seu cabelo estava do mesmo jeito, com a trança transversal caída no seu lado esquerdo. Os sapatos de vidro de cristal. Anna estava do seu lado, ela entraria com ela, além de ser sua madrinha, entraria com a noiva. Quando as portas se abriram e Elsa pode avistar no final daquele tapete royal em pé depois de três degraus a jovem vampira, seu coração entrou em estágio de brandura. Parecia que todos aqueles sintomas ou "estresse" pré-casamento haviam desaparecido como num passo de mágica. Ela caminhou pé ante pé com Anna ali de seu lado, estava sorrindo sem parar, começara a pensar que sentiria dores no maxilar por sorrir demasiadamente, mas não ligava, estava feliz! Estava a menos de vinte passos do amor da sua vida. E essa distância diminuía cada vez mais com o aproximar dela do altar. Elliot estava encantadora, seu sorriso iluminava aquele salão. O traje de cima do Rei — seu pai — fora usado, as costureiras ajustaram-no para se encaixar no corpo esbelto da vampira, sem dúvida fizeram um belo trabalho pensou a Rainha. Os brasões e medalhas colocados em seu peito esquerdo, as luvas nas mãos, a calça caqui justa e as botas pretas. Estava deslumbrante. Quando Elsa enfim subiu ao altar e as duas estenderam as mãos para diminuir aquela distancia de dez centímetros o bispo do casamento começara a falar.
– Você está deslumbrante, perfeita. — Elliot dizia sussurrando sem interromper a fala do idoso com chapéu papal dourado na frente das jovens. Anna estava ao lado de Elsa, porém, afastada.
– Você também. Gostei do corte de cabelo. — Retribuiu o sussurro.
– Faz parte do acordo. — Ao ouvir o que a futura esposa dizia Elsa sorriu o que fez o orador pigarrear e Elliot abriu um sorriso se retratando logo em seguida pela interrupção. Quando ambas finalmente aceitaram. Elliot colocou a aliança no dedo anelar da mão esquerda de Elsa que em seguida repetiu o mesmo movimento da vampira. Estavam oficialmente casadas. O público que ali estavam ficaram calados sem aplaudir um momento se quer, aquele silêncio incomodava qualquer um, até mesmo aqueles que eram fãs de uma boa tranquilidade se incomodariam. Até que um aplaudir fora ouvido e depois ganhara mais intensidade, vários aplausos e gritos de alegria foram ouvidos ecoando no salão.
– Viva a Rainha Elsa, Vida longa as duas! — Falaram em coro jogando pétalas de rosas sobre o novo casal, rainhas de Arendelle.
A festa fora longa, Anna dançava com Kristoff, alguns convidados dançavam, outros degustavam o vinho, a comida. Faziam o que queriam. Elliot e Elsa estavam recebendo as gratificações de cada convidado.
– Mal vejo a hora de fugir daqui com você. — Sussurrou a vampira ao retribuir o cumprimento de algum duque.
– Você não muda mesmo. É a nossa festa de casamento, precisamos ficar aqui para receber os convidados. — Dizia Elsa.
– Bom, eu não vejo a hora de por o nós em prática. — Ao receber todos e notarem todos se divertindo e descontraídos o suficiente Elliot retomou a fala. — Vamos é a nossa chance.
– De que? — Indagou Elsa ao olhar para Elliot.
– De ter uma festa privada. — Elliot segurou a mão da esposa e saiu disfarçadamente sendo vista apenas por Anna que sorriu ao notarem o que estavam fazendo.
– Acho que tiveram a mesma ideia que tivemos. — Disse Kristoff ao olhar na mesma direção que Anna.
– Vamos deixa-las com o jardim por um momento. — A princesa sorriu e retomou a dança.
Elliot a levou até o jardim do castelo onde o plenilúnio estava alto e iluminava aquele local. Caminharam por um tempo em silêncio aproveitando a presença uma da outra. Estavam longe daquele barulho, estavam transformando o momento só delas. Ao chegarem perto da fonte que havia atrás do castelo resolveram parar a caminhada. Elsa levantou o rosto admirando o brilho do luar, após alguns segundos notou que um par de olhos rubis a observava atentamente. Desviou o olhar do luar para aqueles par de olhos.
– Se lembra do nosso primeiro beijo? — indagou a vampira.
Ela congelou no lugar, sentindo um arrepio passar por suas costas e percorrer sua nuca. Sua mente vagou automaticamente para o passado, se lembrando do beijo tímido de anos atrás. Elas eram tão jovens quando tudo aconteceu.
– Sim, como eu iria esquecer? Por quê lembrou disso agora?
– Porque desde que nos casamos eu só penso nisso. — Elsa tentou em vão esconder o ardor de suas bochechas. Elliot passou a mão pelo seu rosto macio e alvo, depois se aproximou lentamente, até que pousou seus lábios macios nos da loira. Ela a envolveu pela cintura e quebrou a distancia que separavam seus corpos, aumentando o ritmo do beijo que ela correspondia deliciosamente bem. Após se afastarem para a loira recuperar o ar, Elliot a abraçou, depositando um beijo no alto da cabeça da amada. — Eu amo você.
– Eu também te amo. "
Os pensamentos de Elsa se detiveram quando notou o silencio da cidade e fugiu daquele estabelecimento. Precisava encontrar suas irmãs.
Emma, Gancho e agora reunidos a David seguiram o boneco de neve até a floresta, correram por quilômetros atrás do grandalhão até esbarrarem com o acampamento de Robin Hood e seus antigos fora da lei.
– O que está havendo? — indagou Robin.
– Surgiu um boneco de... neve na cidade e seguiu para a floresta. — David falou um pouco afobado.
– Nenhum boneco de neve irá passar por aqui, nós vamos ajudar. — Continuou o antigo rei dos ladrões.
– Robin o que houve? — Marian saiu de uma das barracas com seu pequeno filho segurando a barra de seu vestido. Robin olhou para ela quando todos sentiram vibrações no solo e o movimentar das árvores.
Gancho foi para o lado de Emma e falou: — Está se aproximando, está vindo do norte!
Um homem do bando de Robin o avistou e atirou uma flecha no grandalhão que ficou extremamente irritado e berrou para os pequenos humanos. Ganchou tentou alertar que o boneco só atacava quando sentia-se ameaçado. David aconselhou Emma a usar a magia dela, a xerife se concentrou e suas mãos brilharam saindo duas bolas cintilantes em direção ao boneco que faiscaram no seu corpo de gelo.
– Toma essa geladinho — O boneco enfureceu-se como um ouriço do mar e cresceu nas suas costas espinhos de gelo como de um porco-espinho. Socou o rosto de Emma que desmaiou e soprou os outros para longe deixando-os inconscientes. Marian que estava distante se aproximou do boneco com um arco e flecha e o mesmo a desarmou. Todos estavam fora de combate, apagados. Marian engoliu em seco como poderia se salvar dessa? Ela ouviu um barulho atrás de uma árvore e de lá saiu Regina encarando o enorme boneco, ela estava exatamente entre o boneco e esposa de Robin. Olhou aquela situação e poderia deixar ela morrer ali... Ninguém suspeitaria que ela esteve ali e Marian teria sido morta pela Era do Gelo ali atrás — Era um plano perfeito -. Marian suplicou que ela ajudasse e uma fumaça de nuvem roxo escuro cobriu o corpo de Regina fazendo-a desaparecer diante dos olhos da mulher caída no chão. O boneco de neve estava prestes a pisar na esposa de Robin quando sentiu seu peito aquecer e seu corpo derreter, transformando-se em um monte de neve. Regina havia a salvo e a encarava seriamente. Todos começaram a acordar e se levantar notando que aquele bloco de gelo havia sumido, Marian estava petrificada, não acreditava que a Rainha Má havia a salvo.
– Talvez não seja um monstro. — Marian disse.
– É Talvez não. — Disse austera. — Bem-Vinda a Storybrook Marian. — Retrucou a prefeita. Emma chamou seu nome e tentou se aproximar de Regina que estalou os dedos fazendo voltar aquela fumaça roxa que cobria todo o seu corpo e desapareceu. "Que ótimo, ela adora desaparecer" pensou. Em seu intimo a loira se sentia culpada por Regina perder alguém por sua causa.
Escondida em alguma caverna os olhos vermelhos estavam fechados, mas sua audição podia ouvir aquela conversa a quilômetros. Aquele barulho dos infernos havia a despertado de seu sono. Isso a deixava furiosa, como aqueles seres ousavam tira-la de seu transe, do seu descanso. Os braços estavam cruzados sobre seu peito em formato de X, tentou concentrar-se para dormir novamente e despertar ao anoitecer.
Emma seguiu para a prefeitura e tentou dialogar com Regina que estava trancada no seu gabinete. Chamou seu nome diversas vezes. A xerife sabia que ela estava ali, mas a morena não abriu a porta e nem respondeu aos diálogos da loira.
– Parece ser difícil, mas não é! Sei que pode ter o seu final feliz, você só precisa lutar. O Henry me trouxe a Storybrook para recuperar os finais feliz de todos e isso inclui o seu. Meu trabalho não estará terminado até isso acontecer.
Emma queria ajuda-la e estava do seu lado para a busca do seu final feliz. Falou para a morena que não disse nada e foi embora, deixando a prefeita sozinha em seu escritório. Após a saída de Emma, ela chamou o seu fiel vassalo, Sidney. Que encontrava-se preso as escondidas em Storybrooke e Regina o libertou prendendo-o dentro de um espelho mágico. Ela consultou ele conversando com o mesmo que precisava encontrar o autor e que Marian era apenas um estorvo insignificante. Os vilões iriam ter seus finais felizes.
Com o cair da noite, Elsa seguiu até o antiquário do Sr. Gold e congelou a maçaneta da porta, abrindo-a. Olhou para os lados observando a rua principal deserta. Entrou naquele estabelecimento com objetos antigos. O soalho de madeira estava bem polido, todas as luzes estavam apagadas, mas os pequenos feixes de luz que vinham de fora fornecia um pouco de iluminação. Vasculhou todo aquele lugar com os olhos, avistou relógios velhos, objetos que não sabia identificar, objetos metálicos e um brilho azul chamou-lhe atenção. Na última bancada de madeira em cima do tampo de vidro estavam eles: o anel e o colar. Ela caminhou na direção deles e os pegou, colocou o anel em seu dedo anelar na mão direita onde não havia a aliança de casamento e continuou segurando o colar de Anna.
– Elliot, Anna... Eu prometo que vou encontrar vocês! — ela disse ao sair da loja do senhor Gold antes que alguém daquela cidade estranha a vissem. Observou os carros passando de um lado para o outro naquela autoestrada. — Enquanto não estivermos juntas ninguém sai dessa cidade. — Elsa cerrou seus punhos construindo um enorme bloco de gelo que cercava toda a cidade o que fez cortar acidentalmente a força elétrica de Storybrook. Deixando seus habitantes sem energia. — Elliot, Anna... eu vou descobrir o que aconteceu com vocês.
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