Once Upon a Time - Frozen -
7 Capítulo 7 - A Floresta Encantada -
Notas iniciais
Quando o navio ancorou na Floresta Encantada, Elliot e Anna tiveram que seguir todo o percurso a pé. Floresta Encantada, para ser encantada não havia nada de mais pensou Elliot, apenas floresta. Onde já ouvira aquele nome? Parecia fazer parte de seu passado remoto. A vampira até que gostaria de voar e levar a irmã em seus braços, porém havia um problema. Estava começando a ficar com fome e desperdiçar suas energias não seria uma boa ideia. As campinas estavam verdejantes e o céu estava com o seu azul de sempre, Elliot adoraria que ele estivesse preto, seu arque inimigo solar não iria embora tão cedo. Mas agradecia a Pabbie por ter feito esse anel mágico para ela. Poderia fazer suas buscas a qualquer hora, não se limitando a viajar somente à noite.
– Conseguiu farejar alguma coisa? — Anna a questionou. Elliot respirou mais uma vez e sorriu.
– Quando você fala "farejar" me sinto seu animalzinho de estimação. Porque não "rastrear"? — Sugeriu a vampira.
– Tudo bem, tudo bem. Conseguiu rastrear alguma coisa?
– Sim. O amigo de Kristoff está a dez metros ao norte. Vamos continuar.
As damas retornaram a caminhada e logo avistaram um simples casebre de pedra com algumas ovelhas presas no aprisco. Elliot engoliu em seco estava morta de fome e aquelas ovelhinhas estavam tão gordinhos. Precisava tomar o sangue deles pensou. Anna bateu em seu braço falando para ela se controlar. A vampira apenas revirou os olhos e respondeu com tom debochado — Para você é fácil falar. — A caçula sorriu para a irmã que retribuiu gentilmente. Ambas estavam com fome, só que de alimentos diferentes. O casebre tinha uma alta chaminé de pedras cinzas e a fumaça subia alta no céu, algo estava no fogo Anna pensou. A caçula bateu três vezes na morta, enquanto Elliot observava o local.
– Acho que teremos sopa para o jantar. — Disse a vampira.
– Ah eu gosto sopa.
– Não se preocupe, haverá biscoitos também.
– É bom poder saber o que comer antes mesmo de entrarmos. Por isso eu acho, não, não. Eu tenho certeza de que você é uma ótima farejadora!
– Rastreadora! — implicou a vampira que voltou a sua postura austera quando um homem de cabelos louros acastanhados desciam retos até os ombros abriu a porta. Ele era alvo, forte, olhos azuis com um sorriso branco encantador.
– Pois não? Eu posso ajudar? — disse ele com sua voz prestativa.
– Eu espero que sim. Você é o David? — Anna questionou ao rapaz. Nas viagens ela sempre tomava as "rédeas dos cavalos." Às vezes sua irmã poderia ser um pouco... Assustadora.
– Sim. Sou eu sim.
– Eu disse que o encontraria, esse cheiro é difícil de esquecer. — Elliot disse ao coçar suavemente o nariz.
– Como? — David olhou para a outra mulher de olhos vermelhos que levantou uma de suas desenhadas sobrancelhas.
– Ah! não ligue para ela, ela é um pouco ranzinza pela manhã. Viemos de longe e ela ficou enjoada com o navio. Você sabe, o chacoalhar não fez bem para o humor dela. — Anna tentou desconversa o que a irmã tinha dito. Suas identidades precisavam permanecer secretas, tanto para segurança dele como para a delas. — Não é Laila? — Elliot franziu o cenho, quem raios era Laila? pensou, estava estupefata. Que diabos de nome era esse que Anna havia inventado para ela? A única saída era seguir a melodia da valsa.
– É... É isso mesmo Joan! — sorriu Anna aliviada pela irmã não ter desconversado sua omissão de identidades.
– Bom... De qualquer forma eu arranjei seu nome de um amigo seu de Arendelle. — Prosseguiu a "Joan".
– Arendelle, claro. Vocês conhecem Kristoff. — David disse encarando as jovens ainda sorrindo.
– Ele é rápido. — Disse Elliot.
– O que faz você pensar que foi Kristoff ? — indagou Anna.
– Ele é a única pessoa de Arendelle que eu conheço.
– Faz sentido. — Disse Elliot ao sentir o mesmo cheiro exalar de David, aquele cheiro de estábulos, porém, não possuía o suave toque de rena como Kristoff. Seu "perfume" era concluído com suaves gotas de cheiro de cordeiro.
– Ela está bem? — David perguntou.
– Está sim, não se preocupe. — Informou Anna ao prosseguir. — Ele disse que podemos confiar em você. Estamos numa missão secreta.
– Qual missão? — o rapaz questionou.
– Eu não posso contar... Ela é secreta. — Concluiu Anna.
– Tudo bem... Joan e Laila, correto?
– Correto garoto. — Disse Elliot.
– Eu aposto que o nome de vocês não são Joan e Laila.
– Eu não tenho cara de Laila por acaso? — Elliot questionou, porém, a pergunta que era para sair como uma ameaça saíra com tom confuso.
– Vamos dizer que não condizem com vocês, com suas personalidades.
– Bom você é inteligente e isso é bom! Mas precisamos usar esses nomes falsos para a sua segurança. — Disse Anna.
– Então são procuradas?
– Fica complicado falar sobre isso. Mas, eu vou direto ao ponto. Eu sou... — Elliot pausou tentando lembrar do nome estranho que Anna a havia dado. David sorrio e inclinou a cabeça esperando a resposta dela e concluiu que estavam mesmo mentindo os nomes. — Eu sou Laila e essa é minha irmã Joan, podemos dormir no seu celeiro?
David sorriu ao ver finalmente uma pitada de simpatia vindo da "Laila" — Tudo bem, tudo bem. Tudo pela noiva do Kristoff e sua cunhada.
– O QUÊ?! Como assim cunhada? É assim que aquele garoto do gelo diz? Como você sabe disso?
– O anel no dedo da sua irmã. Parabéns. — Elas se entreolharam. David iria convida-las para entrar quando um relinchar despertou sua atenção. — É melhor vocês entrarem, esse não é um bom momento.
– Quem é a velha de bengala? — Elliot questionou silenciosamente para David que estava do seu lado. E ele simplesmente disse que era alguém que elas não deveriam mexer, ele revelou que seu nome era Betty, ao menos as pessoas a chamavam assim. Anna e Elliot observaram aquela mulher, Betty, aproximando-se na carruagem com seus jagunços em seus cavalos. A mãe de David uma senhora de grisalhas curtas apareceu postando-se ao lado do filho. As garotas ficaram observando, enquanto aquela mulher com seu longo vestido, chapéu e cajado cinza curvado na ponta descia da carruagem caminhando e dialogando até perto de David. Ela se oferecia para tomar chá com biscoitos o que David logo retrucou dizendo que ela não estava ali para sentar e tomar o chá com biscoitos que tanto falara. Ela azedou em uma expressão e fitou as duas garotas perguntando quem elas eram. David iria responder, mas fora interrompido por Anna que apresentou-se como Joan e a irmã Elliot como Laila. Betty apenas falou um "adorável" ironicamente. A vampira fitava aquela mulher de madeixas castanhas presas, Elliot começava a rosnar baixinho, algo naquela mulher fazia a vampira ter raiva, nojo. Anna segurou sua mão tentando acalmar a irmã que além de já estar com fome odiava pessoas como Betty.
– Fica calma maninha. — Disse Anna sussurrando para Elliot.
– Que olhos estranhos você tem garota é alguma deformidade? — Betty inquiriu.
– Não, eles já saíram assim. — Elliot disse de forma ríspida, o que fez Betty ter uma pontada de raiva.
– Garota insolente. Mas não estou aqui para ensinar bons modos. — Parou e abriu um sorriso ao se dirigir a mãe de David cujo nome era Ruth. Betty falou que estava ali para o pagamento dela. David falou baixo dizendo que aquilo era uma "extorsão" e ela não ligou para o rapaz falando que ele poderia chamar do que quisesse. Ela queria o pagamento e David dialogou que o mês fora fraco, a mulher se aproximou do jovem acariciando os braços firmes e fortes, fazendo-o trincar a mandíbula em repulsa. Ela olhou para ele e disse que eles tinham até o meio dia para quitar a divida. Porém, o garoto implorou por mais tempo que fora logo negado. Betty olhou para os lados e avistou o cavalo, alazão, de David o querendo como garantia e forneceria o prazo de mais um dia, o que fora negado também pelo garoto. Ela continuou a dizer que deveriam pagar amanhã ou toda a fazenda seria dela. David ficara indignado e propôs a mãe para sair daquelas terras e irem para um lugar melhor. Betty ergueu e bateu o cajado na campina que ressoou uma vibração como ondas seguindo em direção aos corpos do jovem e de sua mãe, fazendo-os cair ao chão. Ela explicou que agora estavam marcados e que se ousassem sair dali, ela os encontrariam. Aquela cena era totalmente observada por Anna e Elliot que permaneciam caladas. Anna não largou a mão de Elliot nenhum momento sequer, a vampira contraía a mandíbula frenéticas vezes, estava furiosa com a atitude daquela mulher. Quando finalmente Betty fora embora com suas ameaças, Elliot ajudou David a se levantar, enquanto Anna ajudava a mãe dele.
David voltou ao trabalho conduzindo um carro de mão de madeira com algumas ferramentas e alimentos para os animais. As garotas surgiram logo atrás para falar com ele. Anna foi a primeira a perguntar se ele pretendia continuar trabalhando para aquela "Valentona" como apelidou Betty. David disse que ela era a mais poderosa da região. Anna olhou para ele indignado e perguntou se deixariam ser escravos dela e ele apenas disse que era o único jeito, não possuía escolhas.
– Eu não acredito nisso David. Não possuem escolhas? Há sempre dois caminhos a se seguir. Você não deve trilhar a mesma estrada porque alguém o ORDENOU seguir por ali. Há sempre caminhos novos para se percorrer garoto. — Elliot disse o fitando.
– Exatamente! A minha irmã está certa. Vocês podem lutar! — Sugeriu Anna que fora logo retrucada por David dizendo que a valentona tinha um exército e porque ele iria começar uma luta se não iria vencer? Anna disse que eram essas lutas que deveriam ser travadas. Ele continuava a alimentar as ovelhas, enquanto Anna continuava a tentar convence-lo de que batalhas possíveis você já sabe que irá conseguir vencer, as impossíveis merecem ser lutadas.
– David, Pode não querer nos ouvir, afinal somos estranhas. Mas você não chegará a lugar nenhum sem lutar. Em cada momento de nossa vida haverá sempre uma batalha para ser vencida. — Elliot disse ao encara-lo. Ele continuou a dizer que eram garotas ingênuas e que possuíam outra perspectiva de mundo. Anna falou que era ingênua sim e que estava adiando seu casamento para uma missão secreta, travando uma luta. — Sabe garoto, se eu não tivesse lutado por isso aqui — Elliot apontou para a aliança de casamento — Talvez, eu não teria conquistado o que tenho hoje, cabe a você querer saber se vai lutar ou se irá desistir. — Ele olhou para as garotas e disse que era apenas um pastor, disse que se alguém o enfrentasse em uma taverna ele encararia, mas contra uma exército? Como iria lutar contra eles?
– Talvez com uma espada. — Disse Anna sorrindo.
Ele sorriu e continuou a dialogar que não sabia como eram as coisas lá em Arendelle, mas que na Floresta Encantada eram bem diferentes. Não sabia manejar uma espada, Anna logo se ofereceu para ensina-lo e ele sorriu, perguntando se havia aprendido a manejar com Kristoff.
– Não, ela não aprendeu com Kristoff. Aprendeu comigo. — Elliot mostrou a espada que estava coberta por seu casaco negro. — Podemos realmente te ensinar, se quiser ou...
– Pode desistir. — Anna completou. O que fez David suspirar e pensar.
David resolveu aprender com as garotas o manejo de uma espada. Eles ficaram no campo aberto e Elliot estava sentada com um copo contendo um líquido vermelho, apenas Anna sabia o que realmente era. Ele conseguiu encontrar mais duas espadas para ele e Anna, enquanto Elliot começou com a parte teórica ao bebericar sua bebida.
– Em primeiro lugar deve-se corrigir a postura. O lado para se posicionar, a espada é seu escudo. Deixe a sua espada cair e você verá o mundo lá de cima. Ajeite as mãos! — bronqueou para David. — Você não quer ter seus dedos cortados no primeiro ataque, quer? A luta exige postura, agilidade, equilíbrio e flexibilidade além de um agudo senso de tempo de reação. Anna, mostre os movimentos — A caçula pisou três passo para o lado e atacou, David defendeu com um pouco de dificuldade. — Bom. Mas não o suficiente, tem que ser mais rápido e preciso. De novo! — Anna e David continuaram aquele ataque e contra ataque, enquanto a vampira continuava a beber um copo atrás do outro, a cada copo terminado ela mandava David repetir os movimentos, sempre falando " De novo". A vampira já estava no décimo copo de sangue de alguns animais que reuniu e fez uma "jarra de bebida." quando ele a interrogou.
– O que você tanto bebe? — David estava suado e arfando.
– É o meu... Fortificante. — Disse a vampira com a cara mais deslavada. Anna franziu os lábios para não rir da resposta da irmã.
– Talvez eu devesse experimentar também. Posso me sentir mais forte.
– Não. Isso é muito forte para garotos. Você deve continuar a luta. DE NOVO! — disse Elliot e mais três vezes David caía no chão sendo derrotado por Anna.
– Eu não consigo.
– Se pensar que não consegue, então seu corpo irá reagir da mesma forma.
– Eu não consigo nem vencer a Joan, quanto mais os soldados da Betty.
– Você gosta mesmo de desistir. — Disse Anna. David estava sentado na campina encostado na porta do celeiro. Dialogando que conhecia batalhas que não poderiam ser vencidas.
– Então quais batalhas você conhece que não podem ser vencidas? — Elliot continuava a bebericar.
– Olha, o melhor para mim e para a minha mãe, é sobreviver! — ele disse se levantando.
– Isso não é viver. — Rapidamente Anna respondeu.
– Essa é a definição de viver. — Ele disse.
– Somente os tolos iriam inventar uma definição como essa. — Elliot o encarou com uma expressão tediosa.
– Você se acha muito esperta, mas é assim que as coisas funcionam por aqui. — David retrucou.
Anna caminhou na direção dele e disse que estava sendo ingênuo. Ela resolveu contar a dificuldade que ela e Elliot enfrentaram quando eram crianças referente a Elsa, porque ela se escondia, assim como ele estava fazendo.
– Se esconder dos problemas não funciona. Quando erámos mais jovens sempre tentamos fazer ela entender isso. Principalmente essa caçulinha aqui. — Elliot se levantou abraçando a irmã. — Você não pode se esconder para sempre David.- Anna explicou para ele que Elsa precisava de um empurrãozinho para entender.
– E vocês deram esse empurrão?
– Eu quase morri por isso. — Disse Anna.
– Arriscamos nossa vida por ela David e faríamos isso quantas vezes fosse preciso! — A vampira encarou Anna dando um sorriso de lado ao recordar do passado aventureiro.
Fale com o autor