Once Upon a Time - Frozen -

5 Capítulo 5 - Floresta Proibida -


Notas iniciais
Aqui eu fiz uma pequena alteração... Os vampiros da antiguidade tinham suas classificações denominadas pelas tonalidades oculares, ou seja, mestiços: Olhos brancos. Sangue-puro: Amarelo ou Caramelados. Sangue-raro: Vermelhos (Assim como Kirya e Elliot)

Edgar, Leônidas e Sebastian adentravam sorrateiros a Floresta Proibida, um campo coberto por uma densa geada, o solo negro lembrava fuligem, as únicas plantações — escassas — que apareciam eram as ervas daninhas que não tardariam a morrer. Corvos sobrevoavam os galhos secos das árvores mortas, sem dúvida nenhum humano ousaria entrar ali, naquele local hostil e sem vida, cuja única melodia eram os guinchos das corujas. Sebastian segurava o pequeno Michaelis andando pé ante pé com o pequeno adormecido e finalmente silenciado. O pequeno demorou deveras para pegar no sono, nunca ouviram um bebê ser tão alarmado. Alguns galhos eram pisados e estalados, se precisassem respirar aquele ar pesado violaria suas narinas como facas afiadas. Mas, seus pulmões estavam dentro de seus corpos apenas como um enfeite. A medida que aprofundavam mais na clareira da floresta, um imenso castelo com arquitetura gótica e suas torres pontiagudas se estendiam despretensiosamente diante de seus olhos caramelos. A brisa estava gélida fazia seu cabelo redemoinhar sobre seu rosto pálido afilado. O imenso portão de ferro talhado a bronze fora aberto de chofre. E apareceu uma vampira alta de cabelos loiros e vestes vermelho-sangue com uma capa ônix. Trazia os cabelos dourados presos num coque apertado. Tinha o rosto mais severo que já viram, era uma pessoa que ninguém ousaria aborrecer. Parecia decididamente irritada.

– Boa noite Edgar, Leônidas e Sebastian. — Ela os encarou na porta.

– Boa noite Valquíria. Este é o varão de Lilith, Michaelis. — Apresentou Sebastian a criança detida em seus braços embrulhado por uma manta azul.

– Já não era hora. — Disse impaciente. — Eu cuido dele daqui em diante. — Ela inclinou com a cabeça para ver o pequeno garoto.

– Acho melhor não. A missão fora entregue a meus companheiros e eu. Levaremos para a Presidente.

O rosto de Valquíria se fechou de forma sombria e um tanto azeda, fungou aborrecida, mas logo se suavizou dizendo um está bem com desdém. De esguelha, lançou um olhar atento para Sebastian.

Eles estavam caminhando a um extremo de um saguão muito longo e suntuoso, com um soalho de madeira escuro e extremamente polido. O teto projetava forma de abóboda com símbolos dourados, as paredes de cada lado eram forradas de painéis de madeira escura e lustrosa, e nelas havia, engastadas, muitos quadros dourados com várias pessoas de olhos amarelos e vermelho, pintadas. Na parede da direita, iam se formando diante de cada quadro pequenas filas de pessoas que observavam curiosos o pequeno bebê recém chegado. No meio do saguão havia uma fonte com três estátuas de mármore, maiores que o tamanho natural, estavam dispostas no centro de um espelho de água. A mais alta era de um vampiro de aparência da realeza, com seus braços cruzados na altura do peito. Agrupados a seu redor, haviam uma bela vampira, outro vampiro e talharam embaixo pequenos voadores, morcegos. Os dois últimos olhavam com adoração para o vampiro magnata, enquanto dos olhos dos morcegos, saíam jorros de água cintilante. O tilintar da água que caía se misturavam ao resto dentro da fonte. Sebastian e os outros dois dirigiram-se para os portões dourados no fundo do saguão. Um corredor muito longo com portas nas laterais, constava em sua parede mais quadros e esculturas, a tapeçaria royal longa seguia até a última porta francesa. Leônidas e Edgar seguraram de cada lado as maçanetas de ouro, abrindo a porta para Sebastian e a criança que entraram naquele salão principal. As paredes eram de pedra escura, fracamente iluminadas por archotes. Haviam três suntuosas cadeiras, a do meio estava ocupada por uma mulher de longa cabeleira branca que tamborilava impaciente seus dedos no braço da cadeira. Ela possuía intensos olhos vermelhos, pele pálida assim como os demais, e uma longa veste preta semelhante a uma toga. As outras duas cadeiras estavam vazias. Quando Edgar e Leônidas fecharam a pesada porta atrás de Sebastian, a voz feminina cortante ecoou pelo salão.

– Aproxime-se Sebastian. — Ordenou.

Sebastian fez como ordenado, ajoelhando-se perante aquela mulher e estendeu a criança como uma oferenda aos deuses. Ela pegou a criança examinando-a, como todo vampiro recém chegado é dever da ministra das sombras, Kirya, examinar minuciosamente cada criança. Se ele fosse pequeno demais, frágil demais, doente ou deformado teria um destino horrível, seria morto. Enquanto ela o examinava, Sebastian falou:

– Esse é o primogênito de sua irmã com Asgar.

– Não ouse falar o nome daquele mortal em minha presença. — Bradou a Presidente.

– Perdão Ministra.

– Você já viu os olhos do garoto? — indagou a mulher.

– Ainda não. Ele não ousou abrir nenhum momento sequer.

– Então descobrirei a que casta ele pertence a força. — Kirya abriu os olhos de seu sobrinho a força e observou surpresa aqueles olhos. Suas feições logo mudaram para raiva, ódio e uma pitada de decepção. O garoto começou a chorar e logo ela devolveu para Sebastian que tentou acalenta-lo.

– E então? — Ele falou com aquele timbre aveludado.

– É um mestiço. Pensei que com a linhagem da minha irmã iria fazer dele ao menos um sangue-puro. Mas o sangue daquele mortal corre nas veias dele. — Sentou-se na cadeira desolada levando uma das mãos a testa. — Faça-o parar de choramingar Sebastian! — movimentou a mão esquerda mandando-o parar. — Tire-o daqui, dê sangue para o garoto. Qualquer coisa que o faça ficar quieto.

– Irá descarta-lo? — Sebastian inquiriu se ela mataria ele ou ficaria.

– Não, ele ainda tem o sangue-raro correndo em suas veias. É um dos nossos. E há alguns mestiços fortes, vamos ver o que ele sabe fazer quando crescer. — Sebastian, Edgar e Leônidas saíram da sala alimentando o pequeno Michaelis com sangue de alguns humanos bisbilhoteiros que ousavam cruzar a Floresta Proibida e foram apanhados, eles estavam presos nas masmorras do Ministério das Sombras.

Assim que começou a andar foi levado por Edgar, Audor (vampiros treinados para o combate contra outras espécies encantadas e lobisomens) e responsável por dirigir o departamento de treinos vampíricos. Edgar forjaria Michaelis no calor do combate. O ensinou a nunca recuar, jamais deixar o inimigo vivo ou se render a ele. Ensinou o garoto a não temer a morte, ela era sua aliada e não sua inimiga. Os inimigos devem teme-lo e a maior gloria para um vampiro conquistar é derramar seu sangue para o Ministério das Sombras. Aos sete anos como era de costume, Michaelis foi transferido junto com outros jovens vampiros para ala dos tormentos. Era chamada assim, porque cada vampiro deveria vencer seus receios e temores. Os vampiros que saíssem vivos de lá, seriam os melhores comissários das sombras. A violência e selvageria seriam mostrados naquele campo dos tormentos, eles lutariam uns contra os outros, o menor sinal de piedade, era fraqueza. Michaelis fizera uma amiga nos treinos, seu nome era Callidora que significava "o dom da beleza" ela era a vampira mais linda que Michaelis já vira. Seus cabelos negros encaracolados desciam até o meio das costas como brasa e olhos brancos assim como os dele, ela era uma mestiça, filha de uma mãe humana com um pai vampiro assim como ele.

– Quantos você acha que restaram nesse campo? — questionava o jovem Michaelis com tonalidade capilar ruiva e curta.

– Eu não sei. Vieram muitos vampiros assim como nós, mestiços e os de sangue-puro. Eles querem ver quem são os mais fortes. Meu pai me contou que isso poupa o tempo deles de escolheres quem sai e quem fica. Ao invés deles nos matarem, nós matamos uns aos outros para sobreviver e para saber quem é o mais forte. — A jovem dizia ao terminar de sugar o sangue de um garoto que matou, era um sangue-puro pelos olhos amarelos.

– Isso é horrível. — Michaelis dizia.

– Você não pode dizer isso Elis! esqueceu do treinamento com senhor Edgar? Piedade é fraqueza! — ela disse ao arrancar brutamente a cabeça de seu jantar.

– Calli... — ele disse ao pausar.

– O que foi Elis?

– Seu pai é um vampiro, certo?

– Sim.

– Sua mãe uma humana... — ela apenas acenou de forma solene ao concordar, ele prosseguiu — o Ministério das Sombras tem a missão de esconder sua linhagem dos humanos e de nos proteger contra os lobisomens lá fora. Eles não querem perder tempo com lutas idiotas contra os humanos, se precisam de mais sangue eles inventam algum evento bobo e o povo mortal caem como um patinho para serem seus jantares. Vivem em paz, porém, se buscam esconder suas raízes, porque permitem vampiros e humanos de se casarem?

– Sabia que perguntaria isso. — Disse a jovem. — Tudo começou com Bertoldo, o fundador disso tudo aqui que hoje conhecemos por Ministério das Sombras. Ele se apaixonou por uma mortal, antigamente os humanos sabiam da existência de nós, seres da noite ou noturnos como eles costumavam chamar. Nunca vivíamos em paz com aqueles seres da luz, como costumávamos chamar, antes do nome "mortal" ter surgido. Bertoldo era um sangue-puro e Selene, que significa "lua" viu bondade naqueles olhos caramelos. Ao menos ao seu lado aqueles olhos ficavam mais amenos. Meu pai me contou que eles tiveram um filho, Tristan, mas quando os pais de Selene descobriram junto dos camponeses eles resolveram matar Bertoldo e o monstro que eles tiveram como filho. Porém, os únicos que morreram foram Selene e o filho recém nascido Tristan. Bertoldo conseguiu escapar e jurou que os vampiros não seriam mais vistos. Ele guardou nossos irmãos durante décadas, construindo essa fortaleza contra qualquer criatura que nos ameaçasse. Quando você ver um humano e uma vampira juntos ou o contrário isso se dar ao contrato que o humano se dispõe a assinar. Eles abdicam da família e do lar para viverem aqui e ali como nômades e devem SEMPRE proteger os segredos do seu parceiro vampiro. E se tiverem um filho, bom, a senhora Kirya é a responsável por decidir quem vive e quem morre. E nós estamos aqui para treinar e sermos os mais fortes, porque há criaturas poderosas lá fora e temos que proteger nosso legado. Elis ACORDA! — a jovem deu um pescotapa no garoto que estava exausto de tanto lutar. — Você não pode abrir a guarda, todos somos rivais, até mesmo eu e você;

– Mas eu sei que você não me faria mau! Somos amigos.

– Seu garoto bobo. Tome — estendeu para ele o resto de sangue do vampiro morto. — Você não bebe a alguns dias, será derrotado assim.

Michaelis e Callidora avançavam cada vez mais, matando quem fosse preciso para chegarem ao final daquela missão. Porém eram observados por Kirya e Sebastian que ambos eram como uma dupla. E por mais que fossem bastante fortes juntos eles precisavam conhecer a força particular de cada um. A Ministra reuniu os dois jovens e forçou um torneio até a morte, os dois amigos iriam se enfrentar e só um sairia vivo daquela arena. Elis observou ao redor as arquibancadas e conseguiu avistar mais de cinquenta pessoas com mantas negras ou vermelhas que olhavam para ele com ar de superioridade, algumas com expressões bem austeras, outras, francamente curiosas. Bem no meio da primeira fila sentava a Ministra, Kirya, presidente do Ministério das Sombras, ao seu lado o Subsecretário sênior da presidente, Sebastian e do lado esquerdo o chefe do departamento de execuções das leis das sombras, Leônidas. Enquanto, uma fileira atrás, o Audor, Edgar estava sentado observando seus dois alunos próximo da conselheira Valquíria .

– Não precisa ter medo Elis. — Dizia Callidora dois anos mais velha que o amigo. — No fundo sabíamos que essa hora iria chegar.

– Calli eu não posso lutar contra você.

– É claro que pode seu idiota. — Ela dizia tentando instigar o amigo, mas também sentia o mesmo beque que ele mostrara. — Só um de nós sairá vivo daqui! Então lute comigo!

– Eu sou mais fraco que você, você sempre me salva! não tenho chances! — eles ficaram se encarando. Apenas caminhando um ao redor do outro.

– Não seja bobo! Você é forte, agora vamos! Se não lutar nós dois morreremos! E será da forma mais desagradável. Eu também não quero lutar contra você, mas... É o que um vampiro deve fazer! SEM PIEDADE! — Callidora fez o primeiro movimento, ela era uma das melhores lutadoras se movimentava com rapidez que poucos conseguiam acompanhar sua deslocação. Era como fleches uma hora eles estavam na esquerda outro segundo na direita e fazendo o chão afundar com seus potenciais golpes. Quando Callidora finalmente se afastou de Elis ele sangrava por todas as partes do corpo. Ela disse baixo para só ele ouvir — Você pode me vencer, se não retrucar te matarei.

O rosto de Callidora se azedou, ela não relaxou sua posição rígida e defensiva, seus punhos estavam serrados, seus dentes selados e um rosnado alto era ouvido vindo dela. Enquanto Michaelis parecia esbaforido, por um momento sentia-se sufocado como afogando, precisava de ar pela primeira vez em sua vida, o peito arfou. Seus músculos relaxaram sua mandíbula fora contraída enquanto se concentrava. Fechou seus punhos e os brancos dos tendões eram notáveis naquele sangue. Ambos estavam se entreolhando violentamente, correram um em direção ao outro, fora um movimento único e extremamente rápido, nenhum mortal teria visto o que realmente acontecera naquela sala. Callidora estava ensanguentada e caída no chão se contorcendo de dor com uma agonia tremenda. Kirya finalmente do alto da arquibancada sorriu minimamente para o sobrinho. Agora era só matar Callidora. Mas ele não era capaz, ele se recusou, afastando-se dela o que rapidamente cortou aquela expressão calorosa de Kirya que fez um gesto com a mão para um de seus vassalos. Um homem alto e com uma manta negra adentrou o campo furioso.

– Deveria tê-la matado garoto! Você será punido. — Callidora tentava se levantar e quando postou-se de pé uma lamina rapidamente decepou sua cabeça, fazendo-a rolar pelo solo de areia. Seu corpo despencou ao chão e Michaelis ficou petrificado, sua amiga estava morta diante de seus olhos, a cabeça com seus fios negros rolou até próximo de seus pés com os olhos brancos abertos. Engoliu em seco ao presenciar a cena. — Queimem o corpo! — Dizia o homem. — E você será punido.

Os vampiros que se recusassem a matar, os que sentirem remorso, piedade, demonstrarem dor seriam punidos, eles vão para a ala das torturas, um cubículo redondo e estreito com paredes negras e no alto há três metros havia uma grade, semelhante a uma escotilha que eram abertas a luz do sol. Passam horas queimando ao sol, sentindo sua pele arder como larva quente e enegrecer como um carvão, são dores piores do que queimadura de terceiro grau para um humano. Porém quando estavam perto de desfalecer a escotilha era fechada para os ferimentos serem cicatrizados e a pele morta regenerada. Quando toda a pele voltava ao seu estado normal, mais uma vez a escotilha era aberta. Aquela era uma tortura para um vampiro. Michaelis perdeu as contas de quantas vezes já fora punido para aprender sua lição. Aos dezesseis anos ele não sentia mais remorso, não sentia piedade, não sentia dor. Ele fora jogado nas catacumbas do castelo onde ficavam presas as maiores feras capturadas e sua missão era lutar contra esses monstros. O local era escuro, não havia um feixe de luz, seus olhos conseguiam enxergar, não havia a palavra " adaptar ao escuro" não, ele conseguia ver como um humano consegue ver claramente de dia. Seus movimentos eram cautelosos, sentia o cheiro de lama de sua presa, a respiração ofegante e o pulsar do coração dela, suas cavidades auditivas estavam apuradas, sua garganta queimava como larva ao sentir o cheiro de sangue do animal. O enorme lobo de três metros de altura surgiu rosnando como uma besta selvagem, Michaelis sorriu naquela escuridão, deslocou-se rapidamente diante dos olhos da fera e afundou abruptamente sua mão na carne do animal arrancando seu coração que ainda pulsou por três vezes em sua mão. A besta desfaleceu rapidamente, desmoronando no chão. Quando completou seus dezoito anos como todo vampiro, sangue-puro, mestiço ou raro, eles passavam por uma transição, na qual separa-se bestas de homens, deveriam aprender a controlar sua sede ou ela o dominaria, transformando-o em uma fera sanguinária sem racionalidade. Ele passou, e aprendeu a controlar sua sede e transformou-se em um comissário das sombras.

O que poucos sabiam é que Kirya estava investigando um reino chamado Arendelle e lá havia um sangue-raro ao qual ela tanto desejava. Aquele sangue raro era precioso, mesmo sem os devidos treinos de um vampiro ela sentia que aquele sangue era forte demais, poderia realizar todos os seus planos, aniquilar de vez os lobisomens. Ela precisava encontrar aquele sangue custe o que custar.

Notas finais
Esqueci de citar que os olhos da ranzinza Valquíria eram amarelos, puxando para um caramelo queimado.