Once Upon a Time

10 O inicio de uma tempestade


- Deixa eu adivinhar, temos que conversar? – falei vendo tudo dentro de seus olhos. As coisas não estavam bem.

- Não precisamos entrar na aula hoje. – ele falou se levantando e depois me ajudando a levantar também. Olhei desconfiada para ele. – Vem. – ele pegou minha mão e caminhou para trás de um dos prédios da escola, nós entramos no meio de uma espécie de mato, havia árvores ao redor e a cidade parecia ter desaparecido.

- O que vamos fazer aqui? – perguntei olhando para todo aquele nada ao nosso redor.

- Vamos largar essa coisa que esta dentro de você. – ele falou largando sua mochila no chão.

- O que? – perguntei confusa, ele só podia estar louco.

- Pode largar suas coisas aí, ninguém vai pegar. – ele apontou para o chão. Larguei as coisas e olhei para ele.

- E...? – fiz sinal para que ele continuasse.

- Agora você vai fazer exatamente o que eu falar, certo? – ele se aproximou de mim, ficando apenas a cinco passos de distância.

- Tudo bem. – me endireitei para ficar na mesma posição que ele.

- Feche os olhos e me diga quem eu sou. – ele falou

- Você é... – fechei os olhos e no mesmo instante meu corpo foi transportado para outra dimensão.

JUSTIN

Não sei o que aconteceu, mas Jay conseguiu abrir suas asas. Em seu rosto a tatuagem apareceu cobrindo quase todo ele. Era preta e se entrelaçava como uma renda. Suas asas eram tão escuras quanto as tatuagens e nas pontas tinham um tom de turquesa.

- Eu tenho que acha-la. – ela abriu os olhos e me encarou assustada. – Justin eu tenho que acha-la!

- Quem? – perguntei me aproximando dela.

- A garota, eu tenho que acha-la! – ela repetiu. – Minha cabeça, doi! Justin... eu... – sua mão veio em minha direção, mas antes que eu pudesse ajuda-la ela despencou no chão.

Suas asas se fecharam atrás de suas costas e as tatuagens em seu rosto sumiram aos poucos. Coloquei um casaco em baixo de sua cabeça e sentei ao seu lado. Não demorou muito e ela acordou aos poucos.

- O que aconteceu? – ela perguntou sentando.

- Acho que você descobriu algumas coisas.

- Quem era ela? – Jay perguntou me olhando.

- Ela quem?

- A garota que estava falando comigo antes, quem era ela?

- Não tinha ninguém aqui antes, apenas eu e você. – falei achando aquilo uma estupidez.

- Mas... ai meu Deus! Eu to ficando louca! – ela colocou a cabeça entre as pernas.

- Não, você não deve estar ficando louca, apenas deve ter tido uma visão. – falei acariciando suas costas.

- Acho que faz sentido, mas mesmo assim. – ela levantou a cabeça e me olhou.

- Você conseguiu abrir suas asas e sinceramente? São as mais incríveis que eu já vi em toda a minha existência. – falei tentando mudar de assunto.

- Eu consegui? – ela se entusiasmou com a noticia.

- Uma parte sim, mas ainda temos que trabalhar bastante.

- Tudo bem, mas agora eu preciso comer. – ela pegou as coisas e se levantou.

- Tudo bem, podemos ir a uma lanchonete aqui próxima. – falei pegando minhas coisas.

JAY

Quando consegui chegar em casa e finalmente ficar sozinha, pude finalmente pensar. Corri para meu quarto e liguei o computador, desde que acordei uma palavra soava cada vez mais alto em minha mente. Abri o google e digitei “Capadócia”. As informações correram rápido diante dos meus olhos, era uma cidade localizada na Turquia. Muitas informações entravam em minha mente, mas nenhuma fazia sentido. Abri uma galeria de fotos e aos poucos comecei a ter uma estranha sensação, sem sentido.

Minha cabeça começou a doer. Desliguei o computador e deitei na cama. Meus olhos se fecharam enquanto o vento gelado vindo da janela refrescava meu corpo.

Aos poucos fui para outro lugar. Havia muitas pessoas por ali, eu estava correndo, correndo muito. Alguém estava me seguindo e eu fugia atrás de uma mulher. Nós corremos entre as pessoas por muito tempo, eu gritava alguma coisa, mas não conseguia nem me entender. Chegamos a uma caverna, eu não conseguia ver o rosto da mulher, mas ela estava me ajudando a fugir. Algumas palavras que ela falava faziam sentido, algo como fugir, voltar para casa e encontrar os outros ou tudo estaria perdido.

- Jay?! – a voz de Harry me tirou do meu sonho. Quando abri os olhos o vi na porta do meu quarto me olhando, a mochila ainda estava em seu ombro o que indicava que ele havia acabado de chegar em casa.

- Oi. – sentei na cama e forcei um sorriso.

- Porque não foi para a aula? – ele perguntou ainda ali na porta me encarando.

- Eu fui, mas não me senti bem e voltei para casa. – falei colocando a mão na testa como se estivesse sentindo alguma coisa errada.

- Tudo bem...hmmm... Nathy nos convidou para ir até a casa dela almoçar, você acha que pode ir? – ele perguntou um pouco preocupado.

- Que isso Hazz, eu só me senti mal, não estou morrendo ainda. – falei me levantando. – É claro que eu vou!

- Só vou largar minha mochila e já estou descendo. – ele falou indo para seu quarto.

Desci as escadas e encontrei Justin entrando pela porta. Olhei feio para ele e me preparei para largar um sermão em cima dele por estar na minha casa.

- O que faz aqui? – perguntei cuidando para que Harry não nos ouvisse. – Sabe que...

- Hey Justin! Que bom que chegou, já estávamos indo! – Harry desceu as escadas rapidamente e parou ao meu lado. – Tudo certo aqui?

- Sim, eu só estava explicando para Justin o que aconteceu comigo essa manhã. – sorri para Harry, mas ele não pareceu acreditar.

- Tudo bem, vamos? – Harry saiu pela porta e nós o seguimos.

Liam já estava na casa de Nathy quando chegamos, os dois estavam preparando alguma coisa secreta, pois não deixavam ninguém se aproximar da cozinha. Ficamos assistindo TV por mais de uma hora, então os dois apareceram na porta da cozinha.

- Temos algo para falar à vocês. – Nathy começou, os dois se entre olharam o que mostrou que não devia ser nada bom.

- Sobre o almoço... – Liam falou, mas Nathy o interrompeu.

- Estragamos tudo! – Nathy falou triste. – Somos um desastre.

- Eu já esperava por isso. – Harry falou rindo.

- Tão ruim assim? – perguntei e os dois assentiram.

- Ainda podemos pedir pizza! – Justin falou.

- Boa ideia! Liam pegue o telefone! – Nathy falou e liam correu pegar o telefone na cozinha.

O resto do dia passou rápido e normal enquanto jogávamos vídeo game. Quando chegamos em casa eu não sentia mais vontade de fazer nada, apenas tomar um banho e deitar em minha cama. E foi o que eu fiz ou o que eu tentei fazer.

Meu corpo não parecia querer se arrumar na cama, eu girava de um lado para o outro. Isso durou um longo tempo, até eu me irritar e resolver levantar. Coloquei uma calça jeans e uma jaqueta preta e desci as escadas correndo, talvez caminhar um pouco me ajudasse a relaxar.

Quando pus meus pés na rua fechei meus olhos e apenas deixei meu corpo me levar, minha cabeça estava em outro mundo enquanto meu corpo andava livremente por aí. Passei pela casa de Nathy, de Liam, de Justin e minhas pernas não pareciam querer parar.

Quando avistei a placa escrita “Ponte Wickery”, meu coração disparou lembrando dos dois acidentes que aconteceram ali. Mas algo dentro de mim fez uma coragem e um a vontade imensa de estar ali. De ver e estar naquela ponte mais uma vez.

Por algum motivo eu deitei no meio da rua, eu precisava pensar um pouco e meu corpo todo gritava que aquele era o melhor lugar para fazer isso. Lembranças dos meus pais começaram a passar diante de mim, tudo parecia tão longe. Parecia ter sido uma outra vida, a milhares de anos.

Eu tinha tudo perfeito, como qualquer garota sempre sonhou. Mas de uma hora para outra eu perdi meus pais, me transformei em um monstro e comecei a ter visões e outras coisas inexplicáveis. Minha vida acabou.

O barulho dos pneus cantando soaram alto e depois eu ouvi uma batida, meu coração disparou e um medo incontrolável se lançou por todo meu corpo. Ouvi uma porta se abrindo.

- Oi, você está bem? – a voz de uma mulher soou alto e depois pude ver seu rosto. Ela era loira, seus olhos eram azuis como água pura e sua pele tão branca que eu podia ver suas veias em baixo daquela pequena camada que deveria protege-la.

- Não, nada está bem. – quando comecei a falar eu percebi que eu estava chorando, minha voz era tremula. – Eu sou um monstro horrível, não deveria existir.

- Não fale assim querida, esta tudo bem. – a mulher falou, sua voz tinha um tom de preocupação. Mas porque ela estava aqui comigo e não com os outros do carro? Eu podia ouvir o coração deles batendo forte. Talvez ela saiu para ver se eu não estava morta ou algo assim.

- Não deveriam ficar aqui muito perto de mim. – falei sentindo minha garganta arder quando senti o cheiro do sangue do homem que acabara de acordar dentro do carro.

Fui rápida, derrubei a mulher no chão e olhei dentro dos seus olhos.

- Não grite, não fuja. Eu prometo que não vai doer. – depois de hipnotiza-la mordi seu pescoço. Seu sangue doce escorreu para dentro de minha garganta acabando com aquela sensação horrível.

Me levantei, deixando ela ali morta. Eu tinha mais três pessoas dentro do carro. Quando cheguei próximo ao carro uma explosão me jogou para o outro lado da rua. Bati contra uma árvore e cai no chão como um saco de batata.

ZAYN

Senti o medo dela antes que minha mente se conectasse a dela de verdade.

As imagens, vindas da mente dela, pousaram dentro de mim, arrancando-me do meu próprio sonho, onde eu estava em uma praia surfando ondas extremamente altas. Imagens – dela, não minhas – invadiram-me a mente: fogo, sangue, explosão, o cheiro de fumaça, a lataria retorcida de um carro. As imagens me circundavam, me embrulhavam, me sufocavam, até que alguma parte racional do meu cérebro me lembrou que aquele não era meu sonho.

Acordei embolado nos lençóis, meu corpo estava todo suado e grudento. A janela estava toda aberta e por ela passava um ar gelado eu me deixava mais calmo, minha garganta começou a arder de cede. Abri o freezer ao lado da minha cama. Ah que bom, apenas uma bolsa de sangue! Não acabou com minha cede, mas ajudou a diminuir um pouco.

Porque estou conectado a ela? Tudo bem que sou um anjo e ela um demônio, sempre me disseram que se um anjo se apaixona por um demônio e for correspondido, os dois se conectam de uma forma poderosa.

Inexplicável, será que isso esta acontecendo comigo? Se for realmente isso, não vai adiantar de nada eu fugir dela, tenho que encarar tudo isso e ir de encontro a ela e tentar entender tudo que esta acontecendo.

JAY

Quando acordei o carro ainda pegava fogo, acho que não perdi a consciência por muito tempo. Levantei e caminhei de volta pelo caminho que eu havia vindo. Em algum tempo eu estava em casa mais uma vez. Deitei na cama e desta vez dormi tranquilamente.

Quando o dia amanheceu meu corpo todo estava doendo, mal consegui levantar da cama. Lavei meu rosto na pia do banheiro e quando levantei para me olhar no espelho vi um corte em minha testa, ele estava escondido perto do cabelo. Passei a mão por ele e como um flesh as lembranças invadiram minha mente.

A minha visão! Ela havia se tornado realidade na noite passada. Eu havia previsto que iria matar aquelas pessoas e mesmo assim o fiz. O que eu estou me tornando? O que esta acontecendo comigo?

Minha cabeça começou a doer, sentei no chão e deixei que a visão viesse até mim. Era um lugar totalmente branco, uma mulher apareceu em minha frente, mais uma vez não pude ver seu rosto. EU ouvia sua voz me chamando, ela pedia ajuda e socorro. Quando eu perguntei onde encontra-la ela apenas repetiu aquele nome que eu já sabia “Capadócia”. Eu tinha que descobrir o que essa mulher queria comigo e porque eu a via.

Peguei uma mochila em cima do armário e coloquei algumas roupas para dentro dela. Olhei no relógio, era apenas seis horas, Harry não teria levantado ainda. Desci as escadas rapidamente e peguei o primeiro ônibus para o aeroporto.

Meu voo sairia apenas daqui a meia hora. Eu iria aproveitar esse tempo para ligar para Harry e avisa-lo que onde eu estava indo. O telefone caia apenas na caixa de mensagem.

- Oi Hazz, sou eu. Olha sei que você vai ficar bravo e provavelmente me odiar por isso, mas eu tive que sair sem avisar. Desculpa eu tenho que ir, te amo pra sempre.

A voz chamando meu voo me fez desligar o telefone rapidamente. Corri para o avião e sentei em minha poltrona, agora é só esperar por uma longa viagem até a Turquia.

JUSTIN

- Eu não sei onde ela foi! Pela milionésima vez! – Harry falou já estressado. – Ela apenas deixou esse recado e sumiu.

- Calma Harry, vamos acha-la. – Liam falou tentando acalma-lo.

- Ela não deve ter ido muito longe. – falei tentando melhorar a situação.

- Ela é louca! – Nathy falou.

- Acho que não vamos conseguir ir a lugar nenhum assim! Temos que nos acalmar e pensar para chegar em uma solução. – falei tentando acabar com aquele clima histérico que estava rondando o ambiente.

- Você está certo. – Harry sentou no sofá. – Vamos pensar juntos.

- Tudo bem, Harry posso ouvir a mensagem que ela deixou para você? – perguntei sentando na mesa de centro em sua frente.

- Claro. – ele pegou o celular no bolso e colocou a mensagem.

- Oi Hazz, sou eu. Olha sei que você vai ficar bravo e provavelmente me odiar por isso, mas eu tive que sair sem avisar. Desculpa eu tenho que ir, te amo pra sempre.

Um barulho no fundo da ligação chamou minha atenção. Ela como um barulho familiar, algo como uma chamada.

- Posso? – fiz sinal para pegar o celular dele. Subi para o quarto de Jay e liguei o computador, todos vieram atrás de mim.

- O que esta fazendo? – Liam perguntou.

- Escutem. – coloquei a mensagem mais uma vez. – Ouviram algo de diferente? Algo que não deveria estar nessa mensagem?

- Não, porque? Tem alguma coisa? – Nathy perguntou assustada.

- Talvez assim. – comecei a mexer no áudio da mensagem e isolei apenas o fundo da mensagem. O barulho da campainha de chamada fez todos soltarem barulhos surpresos.

- Parece uma campainha de chamada. – Liam falou.

- Como aquelas dos aeroportos. – Nathy continuou.

- É isso! Ela pegou um avião. – Harry falou. – Vamos para o aeroporto!

- Calma Harry, o que pretende fazer lá? Pedir para as vendedoras para qual lugar elas venderam as passagens hoje? Foram muitas elas nem devem se lembrar. – Nathy falou.

- Ela está certa, temos que pensar em algumas coisas. – falei. – Eu vou tentar isolar ainda mais esse áudio e ver se consigo alguma coisa a mais. Vocês devem ir para a escola, não queremos problemas.

- Tudo bem, você esta certo. – Harry falou. – Faça o máximo possível.

- Vou fazer. – falei assentindo.