Once Upon A Time In Wild West...

17 "Worse person of the year" goes to...


Notas iniciais
Meninaaaaas o/ Nossa faz séculos que eu não posto -.- Eu tenho mais dois cap dessa fic num bloquinho que eu escrevo a mão, mas o tempo pra digitar é que não estou tendo kkk Desculpem a demora, está realmente bem corrido.. =S Aqui vai mais um pra vocês! Já tem mais e assim que der pra passar tudo aqui, sai mais o/ Boa leitura...

Emma descia a colina, imersa em um turbilhão de pensamentos. A festa da colheita aconteceria esta noite, no Granny’s. Não que tivessem muita colheita para comemorar, mas qualquer pretexto para uma reunião envolvendo bebidas era válido. Chutou uma pedrinha no caminho, refletindo sobre sua estratégia para mais tarde. Vários pensamentos distintos rondavam sua mente. Refletia sobre como colocar seu plano em ação, o que fazer em seguida caso ele realmente funcionasse, Henry, a preocupação com Jim e que atitude tomaria em relação ao banqueiro, o piano... “Hey! – ela repreendeu-se mentalmente, chacoalhando a cabeça – Foco Emma!”

Por mais que tentasse evitar, distraiu-se com aquele pensamento por mais algum tempo. Quando deu-se por si, já havia atingido o final da descida e uma voz lhe chamava:

— Emma! – a mulher acenou alegremente.

— Mary... – a loira retribuiu o sorriso.

A professorinha correu até ela, abraçando-a de surpresa. Primeiramente, Emma não esboçou reação. Aquele tipo de afeto não lhe era muito familiar. Mas após os primeiros segundos iniciais, passou um braço sobre as costas da mulher, permitindo que lhe abraçasse propriamente.

— Você está bem! – a morena afastou-se, sorrindo – Ficamos preocupados...

Apesar de seu contato com a família Nolan não ser intenso, a Ranger sentiu-se confortada com a atenção. Aquela cidade reservava muito mais do que ela havia esperado encontrar. Sensações que lhe traziam paz e um sentimento de “lar”. Sabia que não duraria para sempre, tinha deveres a cumprir. Mas a vontade de aproveitar cada minuto daquela fase de sua vida manifestava-se em seu coração. Quem sabe com a nova investida seu tempo ali não se prolongasse ainda mais... Como uma boa Ranger, Emma gostava de ter todos os passos previstos e calculados, mas Storybrooke tinha a surpreendente capacidade de lhe trazer o inesperado. E isso era melhor do que ela poderia ter imaginado um dia.

— Obrigada... – agradeceu, timidamente.

Mary voltou a sorrir. Foi ai que a loira notou a movimentação por detrás dela. Várias crianças corriam pelo campo da escolinha, brincando e atirando coisas uns nos outros.

— Oh! – Mary virou-se também, para encarar os garotos – Eu já quase ia me esquecendo deles... Deus do céu..!

Emma riu da situação. Quando o gato sai, os ratos realmente fazem a festa.

— Hey.. – a professorinha, que tentava colocar uma das crianças que estava em cima de uma árvore de volta ao chão, dirigiu-se à loira – Henry está por aqui, não quer.__

— Sim! – o rosto de Emma iluminou-se ao lembrar-se do garoto – Eu adoraria.

Mary sorriu, ainda tentando acalmar o bando de crianças, e a Ranger sentiu as maçãs do rosto corarem ao perceber seu desespero em interromper a outra.

— Ahn... Você pode... — ela tirou uma pedra da mão de uma das crianças antes que algum estrago fosse feito – Procurar por ele?

A loira percebeu que a tarefa de supervisionar os pestinhas realmente precisava ser feita, ou talvez não sobrasse Storybrooke para a comemoração da noite.

— Eles brincam aqui pelo gramado até os pais virem pega-los. Deve estar por ai...

— Claro! – Emma se prontificou – Ahn.. Tem certeza de que não precisa de..

— Não, tudo bem! – a mulher deu-lhe um sorriso torto – Já estou acostumada... Eles ficam hiperativos na parte da tarde.

As duas riram e Emma saiu à procura do garoto. Teve que desviar de vários esbarrões a já estava começando a acreditar que Henry não estava no meio de toda aquela anarquia, até que... No fundo do quintal da escola, perto do paredão de pedra que subia colina acima, ela avistou o menino. Henry escalava o tronco de uma árvore, segurando algo.

Emma aproximou-se.

— Hey, kid! – acenou.

— Emma!! – ele sorriu imediatamente.

— O que faz ai em cima? – ela tapou o sol com a palma da mão ao erguer o olhar.

— Estou devolvendo... – ele esticou o braço para que a loira pudesse ver. Henry segurava um pequeno filhote de pássaro nas mãos – Deve ter caído do ninho com o vento...

"Ataque de fofura" teria sido um termo apropriado, porém negado pela personalidade durona da loira, para o que o gesto do garoto causou-lhe. Guardou o “show” que se desenrolava em sua mente apenas para si, mas permitiu-se sorrir como uma boba.

— Você parece tanto a sua mãe... – soltou involuntariamente.

O garoto cruzou o olhar com o seu e abriu aquele sorriso. A loira ficou sem graça ao perceber que havia se manifestado em voz alta. E ainda mais por ter feito tal comparação. De onde havia tirado aquilo? A prefeita? Fofa? Balançou a cabeça mais uma vez, tentando manter a compostura. Mas um segundo depois e o sorriso bobo estava de volta a seu rosto. As imagens de Regina na mansão invadiram seus pensamentos e foi ai que ela percebeu que de fato não conseguiria conter aquele gesto. Quando voltou à realidade, Henry já estava ao seu lado. O garoto fitava Emma com uma cara engraçada, ao contrário da mãe, o garoto parecia sempre conseguir decifrar seus pensamentos.

— Hram... – ela limpou a garganta, tentando desconversar – Então... Por que está tão afastado aqui? Por que não brinca com os outros garotos?

Henry de ombros e apontou um arbusto.

— Eu estava seguindo aquele bichinho... Mas ai encontrei aquele outro. – e sorriu.

Emma sentiu seu rosto alargando-se no maior sorriso do dia. Agora ele se parecia muito com outro alguém... Ela mesma. Lembrou-se da infância e de como adorava perseguir e rastrear coisas. Brincava de detetive o tempo todo, e foi por isso que o destino a havia levado para o curso atual de sua vida.

— Sabe... – passou a mão pelas costas do garoto – Quando eu tinha a sua idade adorava brincar de detetive...

O rosto da criança iluminou-se.

— Brinca comigo um dia??

— Ah... Aposto que você tem um montão de amigos... Acho que eu já estou muito velha pra isso... – escondeu um sorriso.

— Poooor favoooor...! – implorou com aquela voz chorosa – E você tem um distintivo de verdade! – ergueu as mãos.

Certo. Naquele momento Emma percebeu que não sabia dizer não ao menino. A vida toda se fazendo de durona e afastando as pessoas, e agora se via refém de um pedacinho de gente. Mas era o seu pedacinho de gente. Quer dizer, o de Regina— corrigiu-se apressadamente.

Eles caminharam de volta ao tumulto. Mary Margaret tentava da melhor forma possível conter as crianças, mas algo lhes dizia que aquela cena não levaria o prêmio de comportamento do ano.

— Aposto que você é o mais bagunceiro... – Emma brincou, rindo da cena que desenrolava-se a frente.

Henry deu de ombros, rindo também.

— Nah, terra e esfoliações não fazem bem o meu estilo...

A gargalhada da loira expressou de forma evidente o seu divertimento. Claro... Filho de quem era? O garoto não poderia ter saído muito diferente... E a mulher ainda tocava piano, Jesus! Não... Definitivamente Henry não seguia os padrões das outras crianças. Também, ter a ilustre prefeita auxiliando seus primeiros passos não era pra qualquer um. Emma observou o garoto, em silêncio. Tantos traços evidentes da prefeita... Mas muito também a lembrava de si própria. A esperteza, os instintos e a vivacidade do menino. Ajeitou o chapéu na cabeça e outra coisa lhe veio à mente.

— Ahh! Já estava quase me esquecendo! – ela parou e Henry também o fez.

O garoto estudou a loira por alguns segundos até se dar conta do que ela tinha em mãos.

— Meu chapéu!!! – ele agarrou o objeto.

O sorriso da mulher não poderia ser maior. Aquilo valeu cada gota de suor derramada no desfiladeiro.

— Obrigado, Emma! – o garoto abraçou a loira pela cintura.

O baque inicial veio novamente. Ela não havia previsto aquilo. Mas acabou percebendo que se queria mesmo passar mais algum tempo naquela cidade, teria de acostumar-se a abraços. Passou os braços pelo corpo do menino, retribuindo o ato. Eles se separaram depois de alguns segundos, um sorriso imenso no rosto da criança.

— Eu fiz uma promessa, não fiz? – a Ranger brincou – Sempre cumpro minhas promessas... – deu um tapinha na aba do chapéu, que o menino já exibia alegremente em sua cabeça.

Henry deixou o sorriso estampado no rosto pelo restante do tempo ali e lembrou-se de uma outra promessa que a loira havia feito a ele, alguns dias atrás. Sentiu-se seguro e acolhido ao lado da mulher. Abraçou sua cintura enquanto caminhavam e desta vez, Emma não se opôs ao gesto.

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Missão cumprida com o menino, Emma agora tinha outra visita a fazer. Cortou a cidade até o banco, adentrou o recinto como se invadisse uma prisão. Cabeça erguida, passos determinados, e um ar inconfundível de autoridade dispensavam qualquer arma que pudesse carregar na cintura.

Encontrou o homem sentado em sua mesa usual, analisando alguns papéis. Gold ergueu os olhos e deu de encontro com os seus. Pareceu surpreso em vê-la, mas não muito.

— Miss Swan... – dirigiu-se a ela – A que devo a honra?

Emma sentiu todos os seus músculos gritando por um gesto não muito cordial. Ou conveniente.

— Banqueiro... – controlou-se – Só vim lhe devolver uma coisa... – ela retirou o distintivo do bolso de sua camisa. Colocou-o sobre a mesa, com um pouco mais de força do que o necessário – Acho que isso é seu.

Gold analisou o objeto. De fato. A inscrição no metal lhe pertencia, mas a Ranger percebeu em seus olhos certa confusão.

— Onde encontrou isso? – perguntou, franzindo a testa.

— Num local não muito apropriado, eu lhe garanto. – ela quase cuspia as palavras, mas se esforçava para não exagerar – Seus homens deviam ter mais cuidado, Mr Gold.

O homem recostou-se na cadeira, analisando a loira. Girou o emblema nas mãos, pensativo.

— Isso é algum tipo de ameaça, Miss Swan?

— Não. – Emma tomou o cuidado de não meter os pés pelas mãos. Pelo menos por enquanto – É um aviso. E se eu fosse você... Pensaria sobre isso.

A loira então deu-lhe as costas e saiu a passos largos. Gold não sabia em que momento aquilo havia acontecido. Encarou o emblema mais uma vez. Sorriu com a audácia da mulher, mas seus pensamentos também iam além disso. Sentia uma tempestade aproximando-se.

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Emma voltou ao Granny’s. Ruby organizava algumas mesas no andar de baixo.

— Hey! – acenou.

— Heeey! – a garçonete virou-se para a loira – Que bom ver que ainda está inteira!

Emma cruzou os braços e exibiu um de seus olhares sarcásticos.

— Ei! Não é como se eu fosse me matar a cada esquina!

A morena sorriu.

— De qualquer forma, estou feliz em te ver de novo. E que bom que não foi atrás do Gold...

— Bom... – Emma coçou a cabeça – Na verdade... Acabei de sair do banco.

— Emma... – Ruby cruzou os braços na frente do peito, seus olhos fuzilando a Ranger – Você disse que não tinha ido atrás dele!

— E eu não fui... – defendeu-se – Eu só.. Passei pra dar um oi.

A essa altura a Ranger havia se sentado numa das cadeiras espalhadas ali e brincava com alguns copos em cima da mesa.

— Aham. Sei. – Ruby havia aprendido a conhecer o temperamento da loira e sentia que algo ainda estava por vir – Bom, pelo menos não ouvi nenhum tiro, então... Presumo que você não fez nenhuma bobagem... Fez?

— Não.. – Emma abriu um sorriso torto. Ainda..., pensou.

— E posso saber quem você foi ver afinal?

A Ranger ainda não tinha se dado conta do momento em que o nível de entrosamento entre ela e a morena havia atingido tal proporção, mas sabia que não havia mais volta. Elas estavam conectadas. Esse era um tipo de amizade que Emma só tinha experimentado uma vez. E sinceramente, gostava desse novo contato. Sentia-se segura e aberta com aquela moça. Respirou fundo e finalmente voltou a falar.

— Fui ver a Regina...

Ruby ergueu uma sobrancelha. O que quer que estivesse fazendo perdeu em prioridade para a declaração feita pela loira, e ela virou-se para encarar a amiga de frente.

— Ahn.. Quer dizer.. – Emma sentiu o rosto corar – A prefeita.

A garçonete aproximou-se, sentando em uma cadeira a seu lado.

— Emma.. – cruzou os braços em cima da mesa – Quer conversar sobre alguma coisa?

Santo Deus! O faro da mulher era mesmo potente! Parecia impossível esconder algo dela.

— Sabe que pode se abrir comigo, não sabe? – Ruby segurou sua mão.

Um sentimento de tranquilidade e conforto invadiu a Ranger. A vontade de se expressar, colocar tudo o que vagava em sua mente para fora atingiu-a sem rodeios. Quem sabe, talvez, a amiga pudesse ajuda-la a entender o significado de tais pensamentos?

— É ela, não é? – a voz da morena a trouxe de volta à realidade.

— Ahn? O quê..? Não, é.. – a loira engasgava nas palavras.

—Emma... Tudo bem. Pode se abrir. – o olhar de Ruby acabou por ruir as barreiras restantes que a Ranger fazia questão de sustentar – E eu vejo como você olha para ela.

Vê?? Caramba, Emma!— sua voz soou mentalmente. Não sabia que estava tão evidente assim, até porque não sabia analisar seus sentimentos com clareza e racionalidade. Suspirou.

— É complicado... – foi tudo o que lhe veio à mente.

— Eu imaginava... A prefeita é uma pessoa com fortes energias. Para o bem ou para o mal, ela sempre tem efeitos intensos sobre as pessoas. O que você deve se perguntar é... Que efeito ela causa em você?

Taquicardia? Palpitação? Problemas respiratórios? Curiosidade... Interesse?

— Se eu soubesse... – a verdadeira frase seria “se eu entendesse”, mas preferiu colocar daquela forma.

— Ela tem influência sobre você... Isso da pra ver...

A expressão de Emma encontrava-se dividida entre apreensão e dúvida.

— Calma..! – Ruby apressou-se em corrigir a frase – Não ta assim na cara. Eu é que tenho os sentidos mais aguçados. – piscou para ela.

Emma riu.

— Ou apenas devo te conhecer um pouquinho mais... – continuou.

— Nah.. Você é uma loba mesmo! – ambas riram desta vez. Aquele momento descontraído e a forma natural como a garçonete encarava a situação fizeram a loira relaxar.

Ruby sorriu. Emma deixou seus olhos vagarem pelo saloon e seus pensamentos tomarem forma concreta.

— Desde que cheguei... – continuou – percebi grandes sentimentos vindos dela... Regina parecia... – pensou num termo apropriado – desconfortável. Com a minha presença. Ela tentava.._

— Te repelir. – Ruby completou o pensamento da amiga.

— Exato. – a sincronia entre as duas era impressionante – No começo, achei que ela pudesse ter algo a ver com os mistérios da cidade... E que por isso pudesse estar apreensiva. Mas hoje eu entendo o verdadeiro motivo...

Ruby endireitou-se na cadeira, curiosa. Emma colocou-a a par da situação, permitindo que a morena se atualizasse dos fatos que regiam sua vida nos dias presentes. A garçonete ouvia atentamente.

— Eu não podia ficar com ele Ruby... O que eu faço, o meu dever com o país... Eu só queria dar a ele.._

— A melhor chance. – ela completou novamente.

Emma observou a mulher, agradecendo aquele momento e a amizade que havia surgido entre elas.

— Exatamente. E agora vejo que o entreguei em boas mãos...

— Quanto a isso você pode ter certeza... – ela tranquilizou a loira – Regina pode ter condutas questionáveis em vários aspectos da sua vida, mas como mãe não.

Emma contou tudo desde o começo. Do pai do garoto até aquela manhã na mansão. É claro que tudo foi explicado de forma genérica. Ela não se aprofundou nos sentimentos, mas nem precisava. Ruby era, de fato, uma loba. E tinha um faro como ela só.

— Ela simplesmente confirmou... Do nada. – a loira concluiu.

— É... – Ruby observou – Parece que conseguiu conquistar a confiança de mais alguém na cidade.

Emma estava pensativa. Várias imagens percorriam sua mente.

— Por que acha que ela fez isso? – perguntou.

A morena também refletiu por um tempo.

— Não sei, Emma... Regina não é do tipo que entrega o osso e eu entendo o comportamento anterior dela... Mas esse... Realmente me pegou de surpresa. Talvez o que passaram na ponte... Tenha criado uma relação entre vocês.

Aquele termo fez o corpo de Emma estremecer. “Relação”. O fato de sentir que algo desse tipo, qualquer ligação que fosse, pudesse ser criada entre ela e aquela mulher a deixava intrigada. Seus pensamentos vagaram colina acima.

— (...) não acha? – a voz da morena trouxe a Ranger de volta.

Só ai Emma percebeu que havia deixado Ruby jogando palavras ao vento.

— Ahn..? Me desculpe, eu.._

— Estava divagando no mundo encantado novamente? – brincou – Ou devo dizer... No mundo mágico do “além das colinas”?

Emma deu-lhe um tapinha no braço. A garçonete apenas riu.

— Acho que não vamos conseguir concluir esse assunto no momento... E aparentemente você mesma ainda tem muito o que pensar nessa sua cabecinha. – Ruby levantou-se e brincou com o chapéu da amiga, atrapalhando seus cabelos.

Emma riu também.

— Vem... – continuou – Me ajude a arrumar as coisas pra hoje a noite. – ela ergueu Emma da cadeira – E aproveita pra me contar seu plano brilhante no processo! – sorriu – Aposto o meu emprego que você tem um!

A Ranger retribuiu o sorriso e começou a desempenhar a nova tarefa. “Um plano brilhante..” – as palavras ecoaram em seus pensamentos. Bom, de fato ela tinha um plano. Se seria algo brilhante... Isso ela teria que pagar pra ver.

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Emma saiu do banho e vestiu-se para a festa. Trajava o usual jeans, camisa branca, botas cano longo e a peça final que não poderia faltar: o colete de couro vermelho. Aquela peça era praticamente sua identidade, usava desde que havia entrado para a Academia de Rangers do Texas. Um lenço em seu pescoço, o cinto com as armas e o chapéu completavam o visual. Terminou de ajeitar as peças e caminhou até a janela para tomar um ar. O breu da noite era desafiado pelas lamparinas que iluminavam a rua principal de Storybrooke. O brilho que emanava delas preenchia a cidade com uma aura colorida. Várias mesinhas haviam sido dispostas em frente ao Saloon, muitas delas organizadas pela própria Ranger. Uma grande fogueira ardia no centro do local e o Granny's exibia agora uma decoração alegre.

Atentando-se ao objeto ao seu lado lado, sorriu. Quase havia se esquecido dele. Tentou resistir à tentação, mas ela acabou sendo maior que seu controle. Puxou o telescópio mais para o centro da janela, arrumando-o na posição desejada. Uma última onda de senso de responsabilidade invadiu-a, mas ela fez questão de ignorá-la.

Através do telescópio ela pôde visualizar as colinas ao longe. Ajustou o foco no local de interesse. A mansão logo ficou ao seu alcance e ela sorriu involuntariamente. Suas luzes ainda estavam todas acesas, um verdadeiro espetáculo no alto da elevação escura. Mas Emma sabia que não duraria muito. Logo todos os cidadãos de Storybrooke se reuniriam para a festa... Inclusive Regina. Seu sorriso alargou-se e Emma ainda ficou surpresa com o nível de ajuste e detalhamento da imagem proporcionado pela invenção. Já estava para guarda-lo, quando... Na janela mais alta do lado leste da construção, visualizou algum movimento. A cena que se desenrolou a frente de seus olhos pareceu consumir todo o ar disponível naquele quarto. Emma engasgou, afastando-se do objeto.

Três segundos e muitos “mas que porra você está fazendo Swan??!!” depois... A loira voltou à posição anterior, focando o mesmo ponto específico. Aparentemente a Ranger havia descoberto qual das milhares de janelas daquela mansão guardava o quarto da prefeita. Mas o melhor de tudo nem era saber que aquele cômodo lhe era visível dali. O melhor era ter descoberto isso no exato momento e com aquela exata cena de tirar o fôlego. O nível de foco da lente também era algo merecedor de agradecimentos. Emma daria um abraço em Archie quando o encontrasse.

A prefeita ocupava-se da mesma tarefa da Ranger: arrumar-se. As finas cortinas da janela dançavam de acordo com o vento, mas isso não era um problema. O bom gosto e a preferência por seda que a morena tinha foram abençoados pela loira naquela noite. Tudo estava tão... Transparente. De uma forma literal. Emma podia contemplar o contorno do corpo da prefeita com clareza.

“Meu Deus! Será que essa mulher não sabe que da pra ver tudo daqui??” A resposta óbvia veio um segundo depois, formulada em sua própria mente. “Claro Swan... Porque bisbilhotar a vida alheia com um telescópio é comportamento padrão do pessoal dessa cidade...” E além disso, a mansão Mills encontrava-se a centenas de metros colina acima. Obviamente o povo de Storybrooke mal enxergaria as luzes da propriedade. O que fez Emma sentir-se ainda pior em relação a sua atitude. O mais frustrante, porém, era o fato de não conseguir desgrudar os olhos dali. “Belo exemplo de oficial da lei hein, Emma?!” Mas foda-se. Era tarde demais. Ela já tinha visto e sabia muito bem que seria inútil tentar desistir a essa altura do campeonato.

Regina andava de um lado para o outro, trajando nada mais que suas roupas íntimas. Emma sentiu a boca secar. “Então é isso que você esconde debaixo daqueles quilômetros de vestidos..?!” Parecia-lhe quase um sacrilégio, e um sorriso malicioso formou-se sem permissão em seu rosto. Foi em dado momento que ela ganhou o prêmio de “pior pessoa do ano” em sua mente. Decidiu preocupar-se com dignidade mais tarde e voltou a encarar a obra de arte. Como alguém conseguia ser tão sensual e ainda por cima, de forma não intencional? O que mais a espantou mesmo foi o fato de sua atração estar sendo exercida por uma mulher. E aquela mulher em especial. A prefeita ergueu dois vestidos, admirando-se no espelho.

— O da esquerda, o da esquerda.. – a loira torceu.

E como que induzida pelas energias psíquicas da mulher, Regina acabou ficando com o respectivo vestido.

— Isso!! – Emma comemorou.

— Que você ta fazendo? – uma voz conhecida soou próxima dela. Bem mais próxima do que sua atitude irresponsável gostaria.

— AHHHH!! – o susto da loira foi tamanho que Ruby teve de ajudar a segurar o telescópio para que ele não viesse ao chão – TA QUERENDO ME MATAR, MULHER??!! – Emma sentiu o peito palpitar.

A garçonete segurou o riso quando notou o estado da amiga. “Vermelha como um tomate” seria pouco para descrever Emma.

— Olha aí... Essa cara te entrega! – sorriu largo.

A Ranger estava tão sem reação que mal processava as frases.

— O que você tava olhando? – curiosidade fala mais alto que tudo nessa morena.

— Nada! – Emma animou-se por descobrir que ainda era capaz de pronunciar palavras com algum sentido.

Swan tentava guardar o telescópio num canto, mas a loba agiu primeiro. Tomou o objeto de sua mão e olhou através da lente.

— Haha, sabia! – Ruby riu ao conseguir focar a mansão.

— Ow!!! Da isso aqui, mulher! – Emma tomou o brinquedo de volta.

Não adiantou. Impedir o riso da moça já era impossível e a Ranger estava em dúvida se queria bater mais nela ou em si mesma.

— Vamos logo! – empurrou a amiga em direção à porta – Não tinha que estar ajudando sua avó lá em baixo??

— Tá, tá.. Tanto faz, Swan... – Ruby começou a caminhar, o sorriso engraçado ainda estampado no rosto – Você não vem?

— Só vou... Acabar de ajeitar uma coisa.

— A-ham – riu – Cuidado pra não se demorar demais e estragar o espetáculo.

Emma deu-lhe um tapa no braço, mas acabou por rir junto dela.

— Preparada? – a morena voltou a falar.

— Tenho que estar...

Ruby confortou a loira com um toque no ombro.

— Vai se sair bem, Swan... Você é a melhor pistoleira que já pisou por essas bandas...

Emma sorriu.

— Te espero lá embaixo. – continuou.

A loira fez um aceno positivo com a cabeça e a outra retirou-se. Emma rodou pelo quarto por alguns segundos, refletindo sobre o rumo que aquela noite tomaria e em todas as consequências decorrentes de sua futura escolha. Deteve-se de frente ao espelho e encarou-se. Apesar de toda a tensão e acontecimentos atuais, percebeu que não se recordava-se de um reflexo pessoal em que seu rosto lhe transmitisse tanta felicidade interior. Ajeitou o chapéu, firmou o revólver na cintura, suspirou fundo e caminhou para fora do quarto. Aquela noite prometia...

Notas finais
Essa festa agora promete :3 Vejo vocês em breve! Espero que estejam gostando o//