Notas iniciais
Pessoal, desculpa o atraso XD Feriado né... Sabem como é... Bom,de qualquer maneira, aqui vai o próximo cap =) Boa leitura ! E obrigada pelos comentários que tenho recebido *_*

“Ele é seu filho...”

As palavras ecoavam na mente de Emma sem cessar um instante sequer. A prefeita havia deixado o quarto, e o crepitar da lareira era tudo o que preenchia aquele silêncio mortal que se instalara na mansão. A atitude de Regina havia surpreendido a Ranger, isso com certeza. Aquela declaração era a última coisa que ela esperava, vinda de quem vinha. Distraiu-se tanto com a situação que nem notou o garoto se esgueirando porta adentro.

— Emma! – ele disse entusiasmado, pulando na cama ao lado da loira.

— Kid...?! – Emma foi surpreendida uma segunda vez – Você não deveria estar.. Ahn.. Dormindo?

A mulher checou a escuridão do lado de fora da vidraça. Já devia ser tarde da noite.

— Eu estava.. – Henry brincou com os cachos da loira – Mas acordei com a mamãe mexendo na cozinha... Sabe, ela é meio atrapalhada as vezes. – ele riu e foi seguido por Emma – Vim ver se você já tinha acordado... Como se sente?

A loira refletiu por certo tempo antes de retomar a palavra. Regina parecia estar sofrendo da mesma reação inicial que ela. Algum tipo de choque de realidade. Henry encarou-a fazendo a Ranger voltar à realidade.

— Ahn.. Eu... – ela gaguejou. Virou-se então para olhar o menino de frente – Estou melhor do que nunca.

Henry sorriu. Emma imediatamente foi levada a fazer o mesmo.

Seu olhar perdeu-se no garoto, visualizando cada detalhe daquele pequeno rosto com a maior atenção, e pela primeira vez, com a certeza de ter encontrado seu filho.

— Vou voltar pra cama então... – ele piscou para ela – Se mamãe souber que eu estou acordado vamos ter problemas..— cochichou de forma engraçada, fazendo Emma rir. E concordar.

O garoto dirigiu-se à porta, caminhando com cautela para não criar alarde. Emma o seguiu com os olhos.

— Boa noite, kid... – sussurrou para ele antes de Henry deixar o quarto.

O menino virou-se para ela e sorriu. Aquele lindo sorriso inocente e carinhoso que ele sempre levava consigo. Emma pegou-se fitando os olhos verdes da criança. Tão parecidos com os seus próprios, e agora com a confirmação de carregarem de fato um pouco de si. Visualizou também ali a pureza do sorriso de Regina. Henry tinha mais dela do que a prefeita talvez pudesse imaginar.

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Regina chegou até a cozinha, ainda abalada e surpresa com o que havia acabado de revelar. Por quê? Por que aquelas palavras haviam deixado seus lábios? Não era o que ela vinha temendo? O que tentava esconder desde a chegada de Emma? Sim... De fato. Mas o que havia mudado tanto? Porque, apesar daquele sentimento novo de descrença, ela não se sentia mal por isso. Não se sentia insegura, nem ameaçada como havia imaginado que aconteceria.

Regina balançou a cabeça tentando espairecer aqueles pensamentos de sua mente. Chegou até o balcão e abriu uma das gavetas ali. O que tinha ido procurar mesmo? Esforçou-se, tentando lembrar. Estava tão abalada com sua capacidade de revelar aquele segredo que ficou completamente perdida. Ah sim... O chá.

Lembrou-se da loira enferma deitada em sua cama e procurou por algumas folhas e condimentos que tinha guardados ali. E agora? Hortelã ou gengibre? Será possível que nem para isso sua mente parecia funcionar com precisão? Nunca havia ouvido falar daquele efeito colateral da “revelação da verdade”. Recolheu então um pouco dos dois. Bom, mal não ia fazer. Abriu o armário e procurou algo para ferver a água. Acabou se atrapalhando e derrubando algumas panelas.

Droga!! – amaldiçoou mentalmente. Torceu para que o barulho não tivesse acordado o filho. A última coisa que ela precisava agora era de um interrogatório. Henry sabia ler sua mente com maestria. Nisso até se parecia em demasiado com a loira. Emma aparentava possuir a mesma capacidade e isso fazia com que a prefeita desviasse o olhar certas vezes. Não se sentia confortável com aquela abertura. Era como se... Tivesse medo que a Ranger decifrasse em seus olhos algo que ela não queria revelar.

Antes daquela noite, resumia esse medo ao segredo que pretendia esconder. Mas apesar de ter colocado as coisas em panos limpos, aquela sensação não parecia ter-lhe abandonado por completo. E agora sim, ela não compreendia inteiramente o motivo que de tal sentimento.

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Emma ainda ficou sozinha no cômodo por algum tempo. Ela não soube definir ao certo o quanto. Sua mente girava e a Ranger perguntou-se se seria o mal estar entorpecendo seus sentidos ou apenas a nova situação fazendo-se presente em seus pensamentos. Talvez os dois. A outra mãe de seu filho estava, de qualquer forma, demorando mais do que ela esperava. Será que estava tudo bem? É claro que estava. Emma forçou-se a pensar dessa maneira. O que poderia acontecer de mais ali dentro?

“A outra mãe de seu filho..” Até conseguiu rir da construção de sua própria frase. Não... A verdadeira mãe de seu filho. Emma sabia que não tinha direito algum sobre Henry, e que também não poderia reivindicá-lo. Regina empurrou a porta e o ranger da madeira quebrou a linha de pensamento da loira, trazendo-a de volta à realidade.

— Eu.... Trouxe o chá pra você. – Regina cortou o silêncio.

Emma apenas deixou seus olhos encontrarem os castanhos. Não sabia o que dizer. Como agir. Não sabia o que Regina esperava dela agora. Será que iria querer se afastar? Será que a mandaria embora?

— Swan..? – Regina já estava próxima a ela.

— Ahn.. – a Ranger tratou de se recompor – Eu... – Emma pausou a frase no ar, sem conseguir conclui-la.

A prefeita notou sua indecisão e ofereceu a xícara a ela.

— Aqui.

Emma aceitou e esboçou um agradecimento. Levou a porcelana à boca e deixou seus lábios consumirem o conteúdo líquido. Regina sentou-se na beirada da cama.

— Humm... – ela fez uma careta – Quente.

Regina riu. Estava tão apreensiva, mas a espontaneidade da loira ainda tinha esse efeito sobre ela. Por mais que tentasse ocultar.

— Não é pra menos né, Swan... Você é que está queimando. Deixa eu ver isso...

A prefeita inclinou-se, levando a mão à testa da loira. Emma estremeceu imediatamente com o toque da morena, como da primeira vez. Não conseguiu se segurar e quase derrubou o chá. Regina notou e também sentiu uma energia percorrer seu braço com aquele contato. Afastou-se. O que diabos estava acontecendo com ela?

Quando voltou a endireitar-se, encontrou aqueles profundos olhos esmeralda fitando-a intensamente. Como se um efeito magnético se manifestasse ali, a prefeita não conseguiu desviar o olhar daquela vez. Era quase como se uma força maior estivesse sendo exercida sobre ela. Uma força da qual não conseguia se desvencilhar.

— Ahn... – ela tentou quebrar aquela situação embaraçosa – Tome seu chá... Vai ajudar. Creio que amanhã já deva estar se sentindo melhor. E vai poder voltar para a estalagem...

Regina notou algo no olhar de Emma. Decepção talvez? Não... Não devia ser nada de mais. De qualquer maneira, ela tentou amenizar sua frase para não soar como se quisesse se livrar da loira. O que a fez refletir sobre aquilo. De fato, ela não queria. O motivo? Ainda não era claro. E não estava em condições para ponderar sobre esse fato no momento.

— Ruby... Ruby perguntou de você. – ela tentou consertar – Acho que devem estar preocupadas.

— Ah, sim.. Sim... – Emma também se recompôs. O que estava esperando afinal? Que Regina fosse hospeda-la ali para sempre? Não. Claro que não... – Tudo bem... Obrigada pelo chá.

A prefeita se pôs de pé e começou a caminhar em direção à saída.

— E por todo o resto... – Emma completou, fazendo a prefeita deter-se no caminho.

Ainda de costas, Regina fitou o vazio. Sem entender, sentiu uma vontade imensa de correr de volta e pedir que ela ficasse por mais algum tempo. Mas não o fez. Já teria coisas o suficiente para se preocupar pelos próximos dias, não poderia lidar com mais aquela situação. Portanto, virou-se para a loira, e limitou-se a um leve aceno com a cabeça.

— Vou estar no quarto ao lado, se precisar... Boa noite, Miss Swan... – aquelas últimas palavras saíram de uma forma inesperada. Com uma doçura bem maior que o de costume.

A prefeita tratou logo de virar-se e deixar o quarto, antes que Emma tivesse muito tempo para processar as informações. A Ranger tentou responder, mas os movimentos da morena foram mais rápidos que sua reação. Sozinha no aposento, ela fitou a lareira e as últimas brasas que queimavam ali. E mesmo que a mulher não fosse mais capaz de ouvi-la, sussurrou para si mesma, com o mesmo afeto com que havia recebido.

— Boa noite, Madam Mayor...

Notas finais
Até quarta gente o// O que vai rolar com essas duas?+_+