Notas iniciais
Volteeeeei ^^ Queria agradecer imensamente a Patricia que deixou uma recomendação bem legal aqui pra fic *---* Vlwww mesmo! *_* Fiquei muito feliz, tomara que goste da fic até o final! Boa leitura o/

O raiar do sol despertou Emma de seu sono. Ela abriu os olhos lentamente e tentou focar a visão. Sua cabeça já não doía como antes e isso devia ser um bom sinal. Conseguiu sentar-se na cama sozinha e arrumou uma mecha de cabelo atrás da orelha. Ao que parecia, sua exaustão não havia se esgotado por completo na noite passada e ela tentou esforçar-se para recordar algo dos momentos anteriores a seu sono. Um grande borrão parecia tomar conta de sua memória, novamente.

A Ranger então vasculhou o aposento com o olhar, tentando identificar algo que fosse familiar. Foi então que encontrou a xícara de chá no criado ao lado. Como se um gatilho tivesse sido acionado, as imagens da noite passada invadiram-lhe. As revelações de Regina... A conversa com Henry... Regina. Por mais que a situação com a nova descoberta fosse de extrema importância a ela, a prefeita era a imagem mais frequente em seus pensamentos. Por quê?

O fato de Regina ter cedido em certo momento e revelado a verdade a ela era algo que vinha lhe intrigando. Mais do que a verdade em si.

Emma sacudiu a cabeça tentando afastar os pensamentos, por hora. Espreguiçou-se e sentiu seus músculos agradecerem o alongamento. É... Realmente o esforço havia consumido suas energias de uma forma assustadora. Pelo menos Henry estava bem e isso era o que importava. Nesse momento lembrou-se também dos gêmeos. A noite passada tinha sido tão corrida que se esquecera de perguntar a Regina sobre eles. Será que Jim estava bem? Será que tinha sobrevivido? Anotou esse fato mentalmente para perguntar depois.

A porta do quarto rangeu e ela viu Regina esgueirar-se para dentro, com uma bandeja em mãos.

— Bom dia... — ela cumprimentou, tímida.

Tímida? Será que era isso mesmo que a loira estava lendo naqueles profundos olhos castanhos? Parecia. Mas era meio difícil de aceitar. A prefeita que conhecia sempre ostentava uma pose forte e agressiva. Era no mínimo inesperado aquele tipo de sentimento vindo dela.

— Bom dia... — respondeu.

— Como se sente?

Emma movimentou alguns membros mais uma vez.

— Bem... Acho. — sorriu.

— Que bom... — Regina apoiou a bandeja de prata na cômoda e retirou a xícara da noite passada.

A Ranger percebeu algo mais no tom da prefeita. Ela estava mais distante. Evitando-a talvez?

— Ahn... — ela começou sem jeito — Está tudo bem..?

— Ahn? — Regina pareceu ser despertada de algum pensamento.

— Está tudo bem?

— Sim... Sim. — ela ajeitou o cabelo — Está sim...

A morena arrumou alguns itens na bandeja e estendeu o objeto a Emma, que o encarou por algum tempo. Regina então percebeu que ela não devia ter muito jeito com aquele tipo de coisa. Riu discretamente. Lidar com cavalos, armas e todo o tipo de desastre ela sabia. Agora virar-se com uma simples bandeja já não lhe parecia tão simples.

— Ahn.. Eu... — Emma balbuciou.

— Tudo bem... — Regina sentou-se na beirada da cama — Eu te ajudo.

A loira sorriu e Regina desviou o olhar. Para sua sorte Emma estava ocupada demais tentando raciocinar sobre as várias opções na bandeja e não notou o gesto. A prefeita balançou a cabeça de leve tentando retomar sua personalidade usual. Desde quando a presença da Ranger havia se tornado tão difícil à ela? Regina sempre vangloriava-se por seu controle sobre as pessoas e sobre ela mesma ao lidar com os outros. Manipular. Coagir. Amedrontar. Intimidar. Eram alguns dos vários dons que ela julgava possuir. Mas agora, perto daquela mulher, era como se tudo o que tinha treinado por tanto tempo para dominar, fugisse à sua memória.

Ela sentia-se desamparada e suas barreiras vacilavam. Não era assim antes. Não era normal, de fato. A presença da loira sempre havia provocado nela fortes sentimentos. Proteção. Receio. Aversão. Até medo. Mas agora... Algo estava diferente. E Regina não sabia lidar com aquela situação.

A prefeita recompôs-se da melhor forma possível e decidiu que pensaria sobre o caso mais tarde. Voltando sua atenção ao momento presente ela pegou Emma em uma atitude engraçada.

— Swan.. — disse, baixando o braço da mulher — Isso é um pires, não um prato. É pra se usar em baixo da xícara mesmo...

— Ah. — Emma devolveu o objeto para o seu devido lugar.

Regina teve que rir. A Ranger fitou a mulher ao lado e aquele seu ar descontraído também a fez rir. Aliás... Que belo som aquele. A risada da prefeita soou como música aos ouvidos da loira. Era uma sensação totalmente nova aqueles momentos que estavam compartilhando ultimamente. De alguma forma, Emma percebeu que não queria perdê-los.

— É que eu... – ela sorriu – Não sou muito boa com essas coisas.

Regina, inconscientemente, retribuiu o afeto.

— Tudo bem...

Ao receber o efeito que o sorriso de Emma provocou em seu corpo, a morena percebeu que devia ter corado.

— Hram... – continuou – Eu.. Vou... Resolver umas coisas.

— Ahn.. Ta bom.

A Ranger viu a prefeita levantar-se e caminhar até a porta, deixando-a sozinha novamente. Sem muitas opções, ela terminou de consumir o café da manhã. Que estava delicioso, por sinal. Emma imaginou se tinha sido Regina a prepará-lo. Riu sozinha ao pegar-se pensando na mulher outra vez. Emma, Emma, Emma... Vamos nos concentrar em uma coisa de cada vez... – pensou. O restante da manhã foi tranquilo e a Ranger arrumou-se para partir de volta à cidade. Henry estava na escola, portanto, ela teve de se despedir apenas da anfitriã da mansão.

— Obrigada... – ela olhou Regina nos olhos — Por tudo.

Aquele contato deixou a morena sem resposta por alguns segundos, mas logo recobrou os sentidos.

— Era o mínimo que eu podia fazer... Tem certeza de que está bem?

Emma assentiu e sorriu discretamente. Nenhuma delas mencionou Henry. Ou pelo menos não abordando a situação delicada que havia acabado de se revelar noite passada. A troca de olhares durou mais do que as duas gostariam de admitir, mas menos do que elas realmente desejavam.

Emma por fim, agradeceu uma vez mais e começou a caminhada em direção aos limites da propriedade. A prefeita observou seus passos de onde estava. Esperou a loira se distanciar bem ao longe para voltar ao interior da mansão e tentar tirar aqueles olhos verdes de seus pensamentos.

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A loira caminhou sozinha pela estrada que descia de volta à cidadezinha. Com tempo livre e a mente vagando sobre vários momentos daqueles dias ela lembrou-se de algo. Havia se esquecido de perguntar sobre os gêmeos e não tinha encontrado nenhum deles por lá. Droga..— pensou. Ela descobriu então mais um efeito colateral que a presença da prefeita vinha lhe causando: amnésia.

Emma simplesmente não conseguia lembrar-se, atentar-se ou dar qualquer importância a outra coisa que não ela, quando a morena estava ao seu redor. Sacudiu a cabeça, já rindo. É... Parecia que a prefeita vinha ganhando um papel de destaque em sua mente. O motivo ao certo ela não sabia, ou não queria admitir.

Caminhou por mais algum tempo. Ainda era de manhã, mas o sol já queimava forte sobre a pequena Storybrooke. Na metade do trajeto até a cidade ela avistou alguém. Forçou a vista tentando distinguir a figura com toda aquela luminosidade.

— Jack..? JACK!! – ela correu na direção do homem.

— Swan?? – ele também se adiantou até ela – Como está se sentindo? – disse, abrindo um largo sorriso.

— Bem melhor depois desse descanso... – ela também sorriu – E Jim?? O que aconteceu com ele?

Emma ficou com medo da resposta e de sua abordagem direta sobre o assunto, mas ela não sabia ser muito discreta com coisas pessoais. Por sua sorte o sorriso no rosto do homem não sumiu, o que lhe deu uma boa ideia de sua resposta.

— Por incrível que pareça... Aquele vaso ruim não quebra tão fácil. Está se recuperando no rancho de nossa família...

A loira suspirou aliviada. O primeiro contato que teve com os gêmeos não tinha sido um conto de fadas e eles nem eram do tipo que causavam essa impressão. Mas depois de todos os acontecimentos e momentos intensos vividos juntos, um profundo respeito mútuo e até certa amizade tinha surgido entre os homens e a Ranger.

— Fico muito feliz em saber disso, Jack. Diga que mandei um abraço, quando encontrá-lo. Aquele ali não junta mais as botas tão cedo.

Jack riu.

— Pode apostar o seu chapéu...

Chapéu... Isso fez Emma se recordar de mais uma coisa.

— Bom.. Preciso ir andando agora... Mas a gente se topa por ai.

O homem assentiu e acenou para ela, retomando o caminho para a mansão.

— E Jack! – ela gritou antes de se distanciar. O homem virou-se, para encara-la – Cuide dela.

Jack sorriu ao entender a quem ela se referia.

— É o meu trabalho, Miss Swan... Faço isso com minha vida.

A loira sentiu o peso verdadeiro que tinha as palavras do homem e seu coração se acalmou. Regina estava em boas mãos.

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Emma chegou à estalagem por volta das onze e acabou descobrindo que ela estava fechada. Provavelmente, com a sua ausência, Vovó devia estar ajudando Ruby no Saloon. Atravessou a rua empoeirada e adentrou o Granny’s. O velho aroma de madeira invadiu seus pulmões e ela sentiu aquela agradável sensação de “volta ao lar”. Sorriu sozinha e subiu os degraus em direção ao salão do andar de cima. E não foi só o aroma amadeirado que ela sentiu. O cheiro da comida da Vovó abriu o apetite da loira e ela mal podia esperar pelo reencontro com as duas mulheres.

Assim que venceu as escadas, deparou-se com a morena de cabelos longos do outro lado do balcão, anotando algum pedido em um pedaço de papel. Sem nem precisar erguer os olhos, a garçonete abriu um sorriso largo e jogou o lápis de lado.

— Emma!!! – ela correu em sua direção.

Como ela fazia aquilo? A loira pegou-se rindo. Ruby e seu faro aguçado...

— Ruby! – ela aparou a mulher, que jogou-se em seus braços.

Elas trocaram um abraço longo e carinhoso. Tudo ali naquela cidade parecia ter um efeito inusitado sobre a Ranger. Emma nunca tinha sido do tipo de muitos amigos. Mas durante sua estadia em Storybrooke, várias coisas alteraram peculiarmente sua perspectiva sobre a vida. E de alguma forma, a amizade com aquela criatura a sua frente havia se tornado algo muito importante para ela. Ruby tornara-se quase uma irmã. O abraço então foi interrompido pelo tapinha que a morena deu-lhe no braço.

— Au! – Emma riu – Por que isso?

— Ta querendo sair por ai se matando e nem se despede de mim adequadamente? – ela colocou as mãos na cintura – Só um “ah, vou ali e já volto” e daí você me chega toda arrebentada e em coma!

A Ranger gargalhou. Aquela cena com a morena foi engraçada e no mínimo fofa. Emma não estava acostumada a ter muitas pessoas preocupadas com ela. Aquele sentimento novo era... Confortante.

— Seu desejo é uma ordem, senhorita – ela bateu continência, ironizando a frase – Da próxima vez deixo uma carta de despedida.

Ruby deu-lhe um tapa mais forte, fazendo a loira rir ainda mais.

— Vem... Vovó vai ficar feliz em te ver!

As três almoçaram juntas e Emma narrou toda a “aventura” a elas. Granny ficou visivelmente feliz e aliviada ao constatar que cada pedaço da loira ainda encontrava-se no seu devido lugar. Com a ajuda extra da Ranger, a senhora pôde retornar à estalagem. Ruby e Emma tocaram o Saloon, sempre conversando entre as tarefas.

— Ela não vem almoçar hoje?— Emma sussurrou, apontando a mesa dos fundos com a cabeça.

Ruby olhou por cima do ombro para ver ao que ela se referia. Abriu um sorrisinho discreto quando entendeu.

— Desde que você ficou.. Você sabe, enferma – ela riu – a prefeita tem almoçado em casa... Henry volta da escola direto para a mansão.

— Hum...

Emma sentiu-se ligeiramente... Desapontada. Apesar de não fazer nem cinco horas desde que havia deixado a mansão Mills, realmente esperava vê-la uma vez mais naquele dia. E a Henry também. Bom, talvez fosse melhor dar um tempo às coisas. Deixá-las esfriarem. Regina deveria precisar de uma pausa para recolocar as ideias no lugar, depois da revelação feita. É... Talvez fosse melhor assim.

— Precisa de mim pra mais alguma coisa? – ela perguntou à garçonete.

— Acho que não... Planos pra hoje? – perguntou – Por favor... Que nada inclua morte e desmembramentos... – ela ergueu as mãos.

A risada de Emma preencheu o vazio do salão.

— Não... Pode ficar tranquila. Só preciso checar umas coisinhas... E por falar nisso – Emma envergonhou-se de não ter se recordado antes – Sabe do meu cavalo?

— Ta vendo?? Você gasta tanto tempo tentando se matar que esquece dos amigos. – ela fez um bico, mas riu depois da própria frase – Ele está bem...

Emma suspirou aliviada. Nem sabia dizer o que sentiria se perdesse seu amigo.

— David?

— Na mosca. – a garçonete confirmou.

— Que bom... Vou passar lá pra dar uma checada nele.

— Volta para o jantar?

— E perder a comida da vovó? Pode apostar que estarei na estalagem antes do sininho tocar.

Ruby riu. Era bom ter a amiga de volta.

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Emma passou pelos estábulos e conversou com David por um bom tempo. Foram apenas três dias, mas parecia que sua ausência tinha sido notada por todos. Aquilo era bom de sentir. Rever Argo foi um alívio imenso ao coração da loira e logo ela saiu cavalgando o garanhão cor de palha.

— E como vai indo a vida, amigo? – ela deu um tapinha no pescoço do animal.

A resposta de Argo veio com um relinchar inconformado. Algo que a loira interpretou como “não vamos fazer aquilo de novo”.

Emma cavalgou até os limites do Canyon, de volta ao local de sua quase morte. O lugar estava um caos. Resquícios de madeira e capsulas de balas por todos os lados. As únicas coisas que haviam sobrevivido da ponte eram os arcos de madeira que sustentavam a estrutura na pedra bruta. O restante tinha desmoronado rio abaixo, junto com partes da diligência usada pela prefeita alguns dias antes. A Ranger desceu do cavalo e inspecionou o local. Não encontrou o que procurava por ali.

Bom, talvez você devesse começar a ser mais realista Swan...— pensou – Talvez fosse querer demais... Só por garantia a loira caminhou até a borda do abismo e deu uma olhada lá em baixo. Tal foi sua surpresa quando seus olhos se depararam com o objeto preso entre algumas pedras irregulares na parede do Canyon.

— Kid... – ela murmurou para si mesma, pensando alto – Acho que realmente esse é um chapéu de sorte...

Assobiou e o cavalo veio ao seu encontro. Emma retirou da sela uma corda e procurou um lugar estável para amarrá-la. Imediatamente a imagem da prefeita veio mais uma vez à sua mente naquele dia. A loira riu sozinha ao pensar o que Regina acharia daquela atitude arriscada — e um tanto imprudente. Com certeza a prefeita lhe daria uns tapas, mas ela tinha feito uma promessa a Henry. Não importava a dificuldade, ela pegaria aquele chapéu de volta. Além do mais, aquilo daria uma boa desculpa para retornar à mansão.

Notas finais
Eu sei que todo mundo gosta de "ação" e de cenas hot.. Calma, ela virão XD É que eu gosto de desenvolver a história e os personagens.. Porque , né, na vida real não ia acontecer assim num passe de mágica ;) Ainda mais com a Regina kkkk Mas, enfim, não se preocupem.. Não deve demorar ;) E Emma ainda vai achar mais nesse abismo do que ela estava procurando.. Mil tretas estão por vir XD Até o próximo galeraa o// Obrigada pelos comentários de vocês