Once Upon A Time In Wild West...
16 I'm your White Knight...
Notas iniciais
A descida pelo penhasco não poderia ser adicionada à lista de coisas mais fáceis que a Ranger já havia feito, mas também não era das piores. Sem uma ponte caindo e tendo algo a que se agarrar, a loira fez seu caminho até o objeto desejado. Por muita sorte, ou ironia do destino, o chapéu de Henry havia se prendido a um amontoado de rochas no amplo paredão do Canyon. Emma sabia que era uma atitude não muito sensata a de se arriscar ali por aquele motivo, mas para ela a situação envolvia muito mais do que um simples item de vestuário.
Além da promessa que havia feito ao garoto, a loira sabia que o chapéu tinha um grande valor simbólico para ambos, mãe e filho. Regina havia cuidado tão bem dela, queria retribuir de alguma forma.
Agarrou o objeto com uma das mãos e colocou-o na cabeça para liberar seus movimentos.
— Hey, Argo! — ela gritou para o cavalo como se falasse com uma pessoa — Vamos lá!
A loira esperou por algum sinal de entendimento, mas nada aconteceu. Levando os dedos aos lábios, um alto assovio veio em seguida. Ele ressoou por toda a A Garganta do Diabo, ecoando a distância.
— Hey, vai puxar ou prefere me segurar aqui o dia inteiro?! — ela brincou com o animal.
O mais engraçado era que Argo parecia compreender a humana como se fosse uma de sua raça. Ou pelo menos era esperto e treinado o suficiente para interpretar seus pedidos. Logo, a loira iniciava sua jornada rumo à terra firme, sendo sustentada pela força do animal.
Quando atingiu a borda do penhasco, desamarrou a corda que mantinha presa na cintura e caminhou até o cavalo.
— Bom trabalho! — ela deu-lhe alguns tapinhas no pescoço — Vem, vamos sair daqui...
A Ranger já montava o animal quando algo lhe chamou a atenção. Tocado pela luz do sol, um estranho objeto de metal parecia reluzir. Emma retornou ao chão e vasculhou as pedras ao redor. Acabou por encontrar uma pequena peça, algum tipo de distintivo. Ela limpou o objeto e examinou-o com atenção. Parecia-lhe ligeiramente familiar... Quando encontrou a resposta, ela estava mesmo certa. Já havia se deparado com um daqueles, na verdade, com mais de um. Lembranças de um encontro nada cordial em seu primeiro dia na cidade, irromperam em sua mente.
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(Flashback)
Emma tomava sua bebida tranquilamente, enquanto queixava-se da real necessidade de sua viagem até o Maine. Uma morena simpática se encarregava de servi-la e a loira apenas recobrava as forças, sentada junto ao balcão. Foi neste momento que a Ranger viu quatro grandalhões adentrarem o Saloon.
O famoso tipo encrenqueiro acabou levando uma surra da loira, que defendeu as vítimas. A briga foi bem desvantajosa... Para os homens de preto. Emma era uma exímia lutadora, como não se encontrava mais por ai. Antes de se afastar do amontoado de corpos e madeira no chão, ela visualizou um pequeno emblema dourado fixado no uniforme que os homens vestiam.
A insígnia exibia duas letras em ouro, cuidadosamente forjadas. No momento presente, Emma não dirigiu atenção àquele detalhe. Foi descobrir mais tarde que aqueles eram capangas do banqueiro da cidade e mal sabia ela que aquele pequeno objeto teria um papel tão grandioso no desenrolar de fatos que ainda estavam por vir.
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Emma permanecia inerte, enquanto refletia sobre a nova descoberta. A resposta que lhe ocorreu não foi agradável. A raiva tomou conta do semblante da loira e ela apertou com força o emblema até marcar a pele. Emma não se esqueceria daquelas duas letras: GM.
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A cavalgada de volta pareceu-lhe infinitamente menor que a de ida. Argo corria numa velocidade inacreditável. Quando alcançou a cidade, dirigiu-se diretamente ao Saloon. Sabia quem devia procurar primeiro.
— Ruby! — ela correu até o balcão.
A morena limpava alguns copos quando foi surpreendida pela aparente inquietação da Ranger.
— Emma? Está tudo bem?
A loira ignorou a preocupação da mulher e depositou o objeto sobre o balcão.
— Sabe o que é isso, não sabe?? — perguntou, eufórica.
Ruby encarou o emblema. É claro que ela sabia. Todos em Storybrooke conheciam aquele símbolo.
— Sim, é o símbolo de G_
— É o banqueiro não é?? — ela interrompeu a conclusão da frase.
— É, mas pra que voc_
— Eu sabia! — a loira começou a andar de um lado para o outro — Sabia que ai tinha merda!
— Emma! — a morena caminhou para fora do balcão e segurou a mulher pelos ombros, fazendo com que lhe desse atenção — O que está acontecendo?? Senta aqui e me conta direito.
Ruby forçou a loira a se sentar e trouxe para ela um copo d'água.
— Agora... O que é que você sabia? — sentou-se ao lado dela.
Emma virou o copo de uma vez só. Seu sangue já estava fervendo, ela realmente precisava de um tempo para acalmar-se ou acabaria fazendo alguma besteira.
— Encontrei isso no desfiladeiro... — ela começou a explicar — É claro que deve ter caído de algum dos homens que nos atacou...
Ruby processou a informação. Logo sua expressão alterou-se. Ela entendeu onde a loira queria chegar com a constatação.
— E acha que o banqueiro encomendou o ataque?? - sussurrou.
— Não da pra afirmar, Ruby. Não com certeza absoluta... Mas que isso me deixou com uma forte impressão ruim, ah isso sim!
— Mas... Não faz sentido.. Por que ele te traria pra cá então?— a morena estava confusa.
— Eu não sei... Essa é justamente a parte solta desse quebra-cabeça... — Emma levantou-se e ajeitou o chapéu na cabeça — Mas eu vou descobrir!
— Calma, diacho! — a garçonete segurou-a pelo braço — Aonde você vai?? Não vou deixar que faça nenhuma loucura!
— Está tudo bem, Ruby... — a Ranger tentou passar tranquilidade à mulher. Tranquilidade que ela mesma não possuía — Não vou atrás de Gold... Por enquanto. - as últimas palavras saíram num tom grave e ameaçador.
A garçonete cedeu e deixou a Ranger livre.
— Certo... — ela ainda parecia desconfiada — Olha lá, hein?
— Palavra. — Emma cruzou os dedos em forma de x na frente do peito.
— Onde vai com tanta pressa então?
A loira já estava metade para fora da porta.
— Vou falar com alguém...
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Emma aproximou-se da varanda e notou um som familiar que embalava o ambiente. Demorou-se por mais alguns segundos, admirando a música que vibrava pelas paredes da mansão.
Lembrou-se então da importância de sua ida ali e finalmente bateu à porta. O som cessou imediatamente e demorou algum tempo até que alguém aparecesse.
Regina abriu a porta e deparou-se com a loira do outro lado.
— Miss Swan? — ela parecia confusa — Aconteceu alguma coisa?
— Regin__ Madam Mayor... Precisamos conversar.
A expressão de desentendimento ainda ocupava lugar no rosto da morena, mas ela abriu passagem para que a mulher entrasse.
— Henry está em casa? — Emma perguntou.
— Não.
— Melhor assim...
Um estranho formigamento tomou conta do corpo da prefeita ao ouvir que Emma queria uma conversa a sós. Que assunto poderia ser aquele? Regina preferiu pensar que não se tratava de algo relativo ao garoto. Não estava com clima nenhum para aquilo no momento. A prefeita notou que Emma vagava com o olhar pelo amplo salão de entrada da mansão, aparentemente perdida em pensamentos, ou apenas admirando a decoração. Na última vez em que havia estado ali, não tivera tempo para aquilo.
— Você toca piano? — Emma deparou-se com o grande piano de cauda negro que encontrava-se num dos cantos do salão.
— Isso é relevante? — Regina estava curiosa para saber o que a mulher fazia ali.
— Ahnn... — ela ficou sem graça — Não, eu só... Deixa pra lá.
Emma parecia visivelmente abalada.
— Quer se sentar?
A prefeita conduziu-a até um sofá próximo e a conversa iniciou-se. Em alguns minutos Emma colocou as cartas na mesa. Regina ouvia com atenção, sua expressão fechava-se gradativamente. A Ranger expôs seu plano e a morena ficou perdida em pensamentos. Vários sentimentos lutaram por espaço em sua mente, mas ela esforçou-se para afasta-los e erguer seu costumeiro muro de defesa.
— Você quer o quê? — tentou soar surpresa e incomodada com a situação, mas percebeu que bem lá no fundo não era assim que se sentia verdadeiramente.
— Regina... Pense bem...
Ao ouvir a loira chama-la daquela maneira, ela sentiu-se arrepiar. Controlou os nervos para manter uma postura indiferente.
— Pense em Storybrooke como um... — a Ranger pensou numa palavra para utilizar ali — Reino.
Emma ajeitou-se no sofá, endireitando-se e tentando não soar ridícula ou infantil com aquela explicação.
— E você... É a rainha. Certo?
Regina agora controlava-se para não achar graça. Por mais que tentasse evitar, Emma sabia fazê-la sorrir. Aquele seu jeito inocente e até meio bobo.
— Ceeerto... — ela entrou na linha de pensamento da loira.
— Pense em mim então como o seu... — ela agora escolheu cuidadosamente o termo para causar o efeito desejado e não extrapolar os limites ali — Cavaleiro Branco.
— Cavaleiro Branco? — Regina ergueu uma sobrancelha.
— É... Alguém que te protege... Quero dizer, — ela tentou corrigir-se o mais rápido possível — que protege o reino.
A prefeita considerou a hipótese por um tempo.
— Qual é, Regina... Você sabe que pode ser ainda mais perigoso... Pense no Henry também...
Ao citar o filho, a morena sentiu-se ligeiramente desconfortável. Mas a expressão nos olhos de Emma transmitia-lhe tranquilidade e ela então percebeu que não se arrependia de ter revelado a verdade sobre o garoto. Esse dilema vagou por sua mente durante horas naquele dia, mas ali ela realmente se deu conta de que se pudesse voltar no tempo, faria tudo exatamente igual.
— Tem certeza de onde está se metendo, Swan?
— Pode apostar. Deixe as coisas comigo. Só preciso do seu consentimento...
Com um último suspiro a prefeita então aprovou aquela nova investida.
— Bom, acho que você já é grande e sabe o que faz. Se quer se arriscar nisso, que seja então.
Emma não conseguiu conter um sorriso. Regina ficou ligeiramente sem graça com aquele gesto e levantou-se, esfregando a poeira da roupa.
— Hram.. Então... — continuou — Mais alguma coisa?
Emma percebeu que talvez já tivesse prolongado a conversa demais.
— Ahn.. Não. Não, eu já... — ela apontou a porta — Vou indo.
Elas caminharam até a saída em silêncio, um leve constrangimento pairando no ar.
— Sabe o que fazer então, Miss Swan? — Regina perguntou, detendo-se no vão da porta assim que a loira passou por ele.
— Pode ter certeza! — Emma ajeitou o chapéu na cabeça.
Só ai a morena atentou-se ao objeto, reconhecendo-o imediatamente.
— Ei, esse... — ela apontou.
— Ah sim! — a Ranger estendeu o chapéu à prefeita — Já ia me esquecendo...
Regina tocou o item, mas não tomou-o das mãos da mulher.
— Não estava com você quando a trouxemos... — fitou a loira nos olhos — Como conseguiu de volta?
— Tenho muitas habilidades. — piscou.
Regina quis amaldiçoar a si mesma naquele momento, por sentir que havia corado.
— Era importante... — Emma continuou — E o que importa agora é que eu o trouxe de volta...
A troca de olhar estendeu-se por alguns segundos, sem mais palavras.
— Por cuidar de mim... — a Ranger voltou a falar — Queria agradecer de alguma forma...
Regina então pegou-se pensando sobre aquela frase. Talvez a loira já estivesse fazendo isso.
— E além do mais, Henry ficaria desapontado se eu não cumprisse minha promessa. — sorriu.
A prefeita também sorriu, involuntariamente.
— Acho que devia devolver a ele então... — Regina nem percebeu e as palavras saíram espontaneamente. Quando deu por si, já havia sugerido.
O sorriso nos lábios da mulher à frente adquiriu um novo brilho. Aqueles olhos esmeralda fitavam-na com um calor que Regina não compreendia.
— Hram... — a prefeita limpou a garganta, tentando cortar a situação — Acho que deve ir então.
Emma devolveu o chapéu à cabeça e assentiu.
— E Swan... — ela chamou, quando a loira já preparava-se para partir — Cuidado com a cena... Não vá exagerar.
Emma abriu um sorriso de tal forma cafajeste que conseguiu deixar a morena desconfortável.
— Madam Mayor... A situação exige uma cena. E das grandes. Não vamos desapontar os espectadores...
Regina quis virar-se e correr dali, para esconder as bochechas que queimavam novamente. Mas ao invés disso, apenas balançou a cabeça em consentimento e riu mais uma vez do jeito da loira. Claro que esta última parte ela fez discretamente e apenas para si mesma. Voltou-se então para o interior da mansão, pronta para fechar a porta. Desta vez quem interrompeu foi a outra.
— Belo movimento! — a voz de Emma soou.
Regina virou-se, confusa.
— Perdão? — disse com a sobrancelha erguida.
— Beethoven. — ela corrigiu-se rapidamente, percebendo somente agora que sua frase poderia ser interpretada de outra forma — Moonlight Sonata.
Por mais que tivesse lutado incessantemente contra o gesto naquele dia, mais uma vez o sorriso iluminou o rosto da prefeita. Percebeu então que Emma exercia aquela força sobre ela.
— Nunca imaginaria que fosse conhecer... — limitou-se a dizer, controlando a empolgação no tom de voz.
— Os brutos também podem ter bom gosto, Madam Mayor... — ela ajeitou o chapéu uma vez mais, em reverência — Pode se surpreender de vez em quando. — e com mais uma piscada, virou-se.
O sorriso brilhou com mais intensidade, a própria prefeita percebeu que já não o controlava. Agradeceu por Emma já estar de costas e não ver. Observou a loira caminhar por alguns segundos e depois voltou a entrar. Fechou a porta atrás de si e recostou-se sobre a madeira.
Decidiu subir e descansar um pouco. Jantariam no Grannys esta noite e além do mais, ela não poderia perder o espetáculo que estava prestes a acontecer na pacata cidade. Storybrooke teria uma noite agitada, como há muito não se via por ali. Passou pelo piano e seus olhos brilharam com uma leve empolgação, sentimento que não reconhecia há algum tempo.
— Ora, ora... Mas quem diria? — riu, subindo as escadas.

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