Notas iniciais
Começando mais uma *-* Bom, eu estava viajando de volta pra casa depois do ano novo e tive essa ideia no caminho: por que não uma fic no velho oeste? Eu simplesmente amo OUAT e amo faroeste também... Então, aqui está! Comentem se gostarem para ver se continuo ;) Ah, vale lembrar que esta fic se passa em um universo paralelo, então não tem ligação com a maldição, Emma não é filha dos Charmings e dai por diante... xD Muito bem, boa leitura o/

Sentada junto ao balcão há cerca de duas horas, a loira amaldiçoava o relatório recebido uma semana atrás em sua mesa. A cidade era um retrato bem desenhado do perfil daquelas bandas: tímida, pequena e eventualmente mal frequentada. Mas estava longe de ser o que ela procurava. Faria Carter pagar por todas as horas cavalgadas sob o escaldante sol do deserto do Maine.

Do lado oposto do balcão, uma morena de cabelos longos serviu-lhe a bebida. Ela agradeceu, depois daquela jornada era o mínimo que merecia. Praticamente vazio, o Saloon tinha um ar estagnado e seus únicos fregueses no momento eram alguns poucos homens distraídos com um jogo de poker e um casal na mesa aos fundos. Virando o copo, a loira sinalizou para que a garçonete trouxesse uma segunda rodada.

— Então... – a moça iniciou a conversa – Disse que está só de passagem... Tem certeza de que não quer ficar alguns dias? Eu e minha avó temos também uma estalagem do outro lado da rua.

Com demasiado interesse, a morena estudava a mulher sentada a sua frente. Não era todo dia que a cidade recebia visitantes.

— Acho que não vai ser necessário. – a loira agradeceu.

— Bom, de qualquer maneira, se mudar de ideia... – a garçonete retomou a palavra, mas ruídos vindos da entrada do estabelecimento desviaram a atenção da forasteira.

Mesmo de costas, ela conseguiu identificar: eram quatro; passadas largas e firmes, esporas tilintando. Ainda que por instinto, ousou acrescentar "sorrisos de escárnio" como um último detalhe a sua descrição mental. Se ela já havia falhado na técnica, não saberiam dizer, mas fato era que a loira levara a melhor. Ao se virar, ela deparou-se com a imagem exata que havia acabado de imaginar.

Prontamente uma discussão acalorada iniciou-se entre o quarteto e os integrantes da mesa de jogo. Não demorou muito até a primeira garrafa voar pelos ares e logo a briga envolvia sete homens nada cordiais. Sem parecer surpresa, a garçonete alcançou uma espingarda guardada atrás do balcão. Porém, antes que pudesse mirar, a loira colocou-se entre ela e os alvos. Segurando o cabo da arma, ela acalmou a moça:

— Deixa comigo, eu cuido disso. – disse, piscando para a morena — E, ah! – retirou seu chapéu, colocando-o ao lado da dose de uísque – Pode cuidar disso pra mim?

Surpresa, a garçonete apenas assentiu.

— Ahn.. Claro Srta.... – ela esperou.

— Swan. – a loira ofereceu a mão — Mas pode me chamar de Emma.

— Ruby.

As mulheres se cumprimentaram.

— Não devo demorar. – Emma disse, virando a segunda dose.

Lidar com desavenças de bar não era uma ocorrência que exigisse sua presença em uma cidade, mas, de qualquer forma, seria bom para ocupar sua mente. Além do mais, Emma jamais dispensava uma boa briga.

Duas mesas já estavam de pernas para o ar e uma segunda garrafa passou voando pelos ares, mas esta não chegou a atingir o chão. Agarrando o objeto no ar, a loira arremessou-o de volta, acertando precisamente a nuca de um dos grandalhões. Como efeito esperado, o homem desabou. E foi desta maneira que em menos de um segundo, ela passou de anônima à detentora de toda a atenção do estabelecimento.

— Ei gracinha, saia do meio disso ou vai acabar se cortando... – um dos sujeitos de preto advertiu.

Emma notou similaridade na forma como eles se vestiam. Inteiramente trajados em negro, e com expressões nada simpáticas, os capangas que ainda restavam de pé se ocupavam dos homens que há menos de um minuto jogavam pacificamente.

— Acho que essa luta está um tanto desequilibrada, amigo... Quatro contra três não me parece muito justo. – carregada de sarcasmo, a frase da loira arrancou um sorriso sinistro de um dos homens.

A julgar pelo porte avantajado e a postura imponente , Emma deduziu ser o líder do quarteto. Exibindo os dentes amarelados, ele dirigiu-se à forasteira de forma um tanto ameaçadora. Emma não se deixou intimidar.

— E o que é que você vai fazer? – o homem fitou os oponentes, que tremiam de medo — Quer se juntar a eles? Acertamos os números, mas não acho que isso deixa as coisas mais justas... – alargando o sorriso maldoso, ele percorreu o corpo da mulher com um olhar nada discreto.

— Tem razão... Deixo vocês chamarem mais alguns para o seu grupo. – Emma piscou para eles, deixando os homens realmente furiosos.

— Ora, sua vadia!

O líder deixou o sujeito que segurava pelo colarinho cair sobre a mesa de fichas e destinou atenção total à forasteira.

— Eu geralmente não bato em mulheres... Mas você bem que está merecendo uma surra aqui... E quem sabe uma mais tarde na minha cama.

Emma aguardou tranquilamente o homem se aproximar. Ele fitou seu busto de forma nada discreta e atreveu-se a estender o braço na intenção de tocá-lo. Seu gesto reprovável foi impedido por um vigoroso tapa nas costas da mão. A cortesia de Emma tinha limites, e ele havia acabado de ultrapassar todos eles.

O grandalhão dirigiu-lhe um soco, que foi evitado com facilidade. Não foi possível dizer o mesmo do golpe que ela retribuiu. Sem dosar sua força, a loira acertou-lhe em cheio as costelas e com um adicional chute no peito, colocou-o para fazer companhia ao amigo sobre o piso de madeira.

— Isso é tudo o que vocês têm??

Ao ver o líder subjugado, os outros dois capangas ignoraram por completo a presença dos demais homens e concentraram-se na forasteira. O primeiro veio com o punho pronto para acertá-la no rosto, mas Emma esquivou-se no último segundo. Ela acertou-lhe o queixo, fazendo alguns dentes voarem. Percebendo que a loira não estava para brincadeiras, o segundo homem sacou o revólver. No entanto, Emma já havia previsto aquela jogada e com um doloroso chute na mão do sujeito, tirou a arma de cena.

— Não, não, não... – provocou, sacudindo o dedo de forma negativa – Sua mãe não lhe ensinou a jogar limpo?

Neste dado momento o sujeito atentou-se para os dois calibres 38 que ela carregava na cintura. A loira sacou os revólveres e pôde ver o homem tremer. Emma sorriu e atirou ambas as armas para trás.

— Ruby! – ela gritou.

Ágil como de costume, a garçonete apanhou os revólveres com segurança, depositando-os sobre o balcão.

— Hoje vamos aprender algumas coisas sobre lutas... – ela segurou o homem pelo colarinho e atirou-o com força para o lado – E quem sabe sobre moral.

O corpo voou por sobre uma mesa, colidindo com um amontoado de cadeiras, fazendo uma nuvem de farpas de madeira voar pelos ares.

O último dos homens de pé avançou sobre a loira, tentando acertá-la com um chute. Emma rolou para o lado, fazendo com que ele acertasse uma viga de sustentação do Saloon. Ruby assistia tudo, divertindo-se com o fato da forasteira estar dando uma surra nos homens. A mesa em que se encontrava o casal mais cedo, agora acomodava apenas duas notas atiradas às pressas.

— Ora, seu diabo loiro! – berrou o homem, sentindo um choque percorrer sua perna.

Emma sorriu. Ela adorava quando eles perdiam a paciência. Muito mais ágil que o oponente, a mulher já estava no seu encalço. Ela cutucou seu ombro, fazendo com que se virasse.

— Foi um prazer te conhecer também.

Com esta frase e um soco certeiro na testa, ela derrubou o último dos capangas. Porém, aproveitando esse segundo de distração, o primeiro grandalhão que Emma havia acertado já se levantava e conseguiu agarrar a loira por trás. Emma já estava pronta para contra-atacar, quando as portas do Saloon se escancararam pela segunda vez. Uma mulher adentrou o recinto. Por um momento ela perdeu toda a concentração no que estava fazendo, como se algum tipo de magnetismo forçasse sua atenção para a mulher. Para sua sorte, o mesmo pareceu acontecer com o sujeito. A loira sentiu o aperto afrouxar.

— Mas o que diabos está acontecendo aqui!? – a mulher perguntou, sem nem ao menos fingir simpatia.

Emma percebeu que deveria ser alguém importante. Ela trajava um vestido preto que acompanhava as curvas de seu corpo até chegar aos pés. O corpete justo exibia costuras bem trabalhados em finas linhas escarlate, luvas de seda cobriam-lhe as mãos, e fartas mechas de cabelo escuro desciam por sobre seu peito, ocultando parte do decote. Um grande medalhão de prata pendia de seu pescoço e dois intensos olhos castanhos fitavam a forasteira naquele momento.

Emma sentiu o homem que a segurava engolir em seco. Era sua brecha. Utilizando uma estratégia de defesa, ela usou o peso do grandalhão contra ele mesmo, atirando-o por cima de seu ombro. Com um baque surdo, o homem ganhou o chão e um silêncio constrangedor dominou o estabelecimento. Emma olhou de relance para a garçonete.

— Ahn... Está é... – Ruby começou a gaguejar.

— Sou a prefeita Mills. – a própria fez questão de se apresentar, rigidamente – E baderneiros não são bem vindos aqui. Muito menos baderneiros forasteiros...

A última palavra soou ríspida, de forma quase pessoal. Emma não soube bem como reagir, apenas endireitou-se e passou a mão no cabelo. Não sabia o motivo, não devia nada a ninguém muito menos àquela mulher, mas apenas sentia uma forte necessidade de que ela não lhe visse pela primeira vez naquele estado. A loira caminhou até a entrada e aproveitou o trajeto para ajeitar a fivela e a camisa de forma, no mínimo, apresentável.

— Ahn... Me desculpe eu... Não sou daqui... Meu nome é Swan. Emma Swan. – ela estendeu a mão.

A morena encarou seu gesto por um tempo, mas não retribuiu.

— Então, Srta Swan, sugiro que pegue a estrada e siga seu rumo. Esta cidade não precisa de turistas.

Dito isso, a misteriosa mulher retirou-se, dando as costas à forasteira. Não se incomodou com despedidas ou qualquer outro gesto de simpatia. Emma caminhou até o balcão, pensativa. Ruby devolveu as pistolas, que ela ajeitou nos respectivos coldres.

— Quem era aquela, afinal? – ela sinalizou a entrada com a cabeça.

— Regina. Regina Mills. – a garçonete respondeu – Prefeita daqui desde... Desde que eu me lembre. Ninguém nunca ousou se opor à ela.

— E o xerife dessa cidade? As coisas parecem um pouco jogadas por aqui...

— O último que se atreveu a colocar a estrela no peito deixou um belo furo de brinde. E descansa no final da rua... Debaixo de sete palmos de terra.

"Interessante..." pensou. Quem sabe aquela cidadezinha não se mostrasse mais intrigante com o tempo? Talvez Carter tivesse salvo seu traseiro naquele exato momento. Emma ajeitou o chapéu na cabeça e pegou-se sorrindo ao pensar na mulher de vestido preto. Aqueles olhos... Alguma coisa havia ganhado sua atenção e aquela última conversa fez com que ela refletisse sobre o assunto.

— Ahn, Ruby... Você disse que tem uma estalagem...

Emma viu um sorriso cordial brotar nos lábios da moça.

— Decidiu ficar?

— Uma semana.

Ruby procurou algo sob o balcão e ofereceu a ela uma bela chave, trabalhada com detalhes em metal.

— Bem vinda a Storybrooke, Emma.


Notas finais
E ai? Reviews? Deixem suas opiniões, se estiverem gostando eu posto mais em breve ;) o//