Notas iniciais
Cap 2! =) Obrigada por acompanharem pessoal... Tenho várias ideias para essa fic e espero que continuem gostando... Boa leitura!

Emma teve uma noite de sono melhor do que esperava. A estalagem era tranquila e agradável, bem diferente de suas últimas noites no deserto. Ela desceu até a cozinha, a avó de Ruby, Granny, a havia convidado para o café. Chegando ao cômodo, foi recebida com um sorriso vindo de ambas.

— Bom dia, Emma... Sente-se. – a vovó indicou a mesa, já preparada para o desjejum.

Emma devolveu a gentileza e escolheu um dos lugares. Ruby logo arrastou a cadeira até seu lado.

— Então... O que te traz aqui? O que você faz da vida?

— Ruby! – Granny advertiu – Sempre discreta... – a senhora balançou a cabeça de modo repreensivo, fazendo Emma rir.

Os olhos da morena brilhavam de entusiasmo. Ela era de fato curiosa, mas incrivelmente Emma não se sentia incomodada com isso. A presença da mulher lhe agradava e de alguma forma, sentia que podia confiar nela.

— Tudo bem... Bom, em resumo eu e meu amigo Carter prestamos serviços ao país. Há outros também, mas somos mais ligados e trabalhamos na mesma divisão. Ele analisou a ficha da cidade, mexeu alguns pauzinhos e aqui estou.

— Que tipo de serviços?

Emma deu de ombros.

— Todo tipo que infrinja a lei ou a harmonia dos Estados Unidos. Roubos, corrupção, assassinatos... De tudo.

— Então você é uma espécie de tira?

— Basicamente... Sim.

— Legal.. – Ruby bateu as mãos, empolgada – Nunca tive uma oficial como amiga. Na verdade... – ela refletiu – Nunca nem tive uma amiga que soubesse usar armas.

Emma divertiu-se com a espontaneidade da moça. Seu ramo de trabalho não permitia que ela fosse chamada de amiga por muitas pessoas, mas Ruby parecia não se importar com o fato de conhecê-la há menos de um dia.

— Mas é melhor para todos que isso fique entre nós por enquanto...

Emma foi logo se apressando em advertir, uma vez que a morena parecia não ter muito freio na língua.

— Promessa! – Ruby beijou os dedos cruzados em frente a boca.

Granny também assentiu e serviu o café. Emma serviu-se de uma boa xícara e saboreou os deliciosos biscoitos da vovó.

— E o que há de errado aqui em Storybrooke, afinal? – Ruby perguntou no intervalo de um de seus goles.

Emma deu de ombros novamente.

— Ainda não sei ao certo... De princípio achei que nada, mas depois as coisas mudaram com aquela situação lá no Saloon.

Ruby tentou recordar-se dos detalhes do dia anterior.

— Por causa da prefeita?

Apesar de não ter certeza, Emma sentiu um leve ardor em suas bochechas e percebeu que devia ter corado.

— Ahn, também... Quer dizer, ninguém tem um mandato assim tão longo. E aquela história toda do cargo de xerife... Não cheira bem. Aliás, agradeceria se pudessem me contar mais sobre isso tudo.

— De fato... – quem falava agora era a vovó – Ninguém se atreve a pregar a estrela no peito há uns quatro anos... O último que o fez – ela interrompeu sua fala para fazer o sinal da cruz – Graham, que Deus o tenha... Foi enterrado pouco tempo após assumir o cargo. Assim como os muitos outros antes dele.

— Parece então que a única lei por aqui é a lei do revólver? – Emma observou.

— A do revólver e a do ouro.

— O que quer dizer? – Emma debruçou-se sobre a mesa, interessada.

— Mr Gold. Banqueiro, dono da mina e praticamente de toda a cidade. – foi Ruby quem disse – É o único que se equipara à prefeita, aliás, em alguns aspectos tem até mais influência que ela.

A loira refletiu sobre aquela nova informação. Parecia ser uma peça crucial no quebra cabeças que ela estava prestes a construir. Onde tem muito dinheiro, sempre se acumulam muitos abutres. Emma havia aprendido isso das piores formas possíveis.

— Eu gostaria de conhecer esse tal de... Gold.

— Vai por mim, você não iria gostar... – Ruby preveniu.

— Eu sei... – a loira riu – Mas infelizmente meu trabalho nem sempre me leva à pessoas agradáveis. Na verdade, eu diria que quase nunca. Tenho sorte de ter encontrado vocês aqui.

Ruby e a avó dirigiram-lhe um sorriso sincero.

— Ruby, por que não leva Emma para uma volta na cidade? Ainda está cedo para abrir o Saloon, de qualquer maneira...

— Claro! Assim você fica mais a par das coisas por aqui para o seu... Caso. – Ruby lançou-lhe uma piscadinha.

Emma sorriu e agradeceu a vovó pelo café da manhã. Elas deixaram a estalagem antes das sete.

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Emma acabou descobrindo que toda a estrutura da pequena Storybrooke havia sido planejada em torno da malha de ferro. A linha do trem cortava o a cidade ao meio, percorrendo toda sua extensão. As casas importantes e pontos comerciais distribuíam-se em suas bordas. No extremo oeste, uma ponte de madeira ligava aquele pedaço de terra ao outro lado de um grande Canyon.

Ruby levou a loira até lá e Emma admirou as águas turvas que corriam por entre o desfiladeiro. Do topo até o rio seria uma queda considerável. Na volta, Emma aproveitou para deixar seu cavalo no estábulo ali ao lado. Com certeza seria melhor que dormir amarrado ao poste da estalagem. Por aquelas bandas, todo cuidado era pouco. O lugar era a última construção daquele lado da linha antes que o desfiladeiro engolisse os últimos metros de terra firme. Emma se despediu do corcel cor de palha e elas prosseguiram. A morena lhe mostrou mais algumas casinhas ali perto, nada espetacular.

— Espera, o que é aquilo lá? – Emma perguntou apontando para uma estrutura ao longe, aos fundos do estábulo.

— Ah, a Fazenda Encantada. É como chamamos. – ela deu de ombros – David vive com sua mulher lá. Mary Margaret. Eles criam o gado que abastece praticamente toda cidade e ela também é professora nos dias de semana.

Emma conseguiu distinguir o desenho de um celeiro, uma pequena casa e um curral com alguns animais. A próxima parada foi a lojinha de conveniências do Grilo. Antes de entrar, porém, Emma apontou para uma grande estrutura azul do outro lado da rua.

— Torre de água. — Ruby informou.

— Ah, claro. – a loira sentiu-se ligeiramente idiota por perguntar algo tão óbvio – E, ah.. Antes de entrarmos, por que é que se chama assim?

— Bom porque a gente usa pra armazenar a água e...__

— Não! – Emma riu e indicou a placa da loja – Loja do Grilo?

— Ah... – Ruby riu também – O sobrenome dele é Cricket.

— Grilo! – as duas falaram juntas.

— E dizem que nas noites de lua cheia uma maldição o transforma no inseto verde.

Emma encarou a mulher.

— Não, brincadeira. É só por isso mesmo. – Ruby gargalhou e a loira teve de admitir... Não conhecia alguém tão descontraído desde Carter, há nove anos.

A morena mostrou a ela o estabelecimento e apresentou-lhe ao dono.

— Aqui você vai achar tudo o que precisar... Bom, pelo menos tudo o que se pode precisar aqui em Storybrooke! – disse Ruby.

Emma assentiu e elas se despediram. Mal sabia ela que a pacata loja desempenharia um papel tão crucial em seu futuro próximo.

Levou mais cerca de uma hora até Ruby lhe mostrar o restante daquele lado da rua, o que incluía mais algumas casas comuns, a estalagem que Emma já estava familiarizada, o prédio dos arquivos de Storybrooke, onde ela conheceu uma jovem de cabelos castanhos chamada Belle, e finalmente o banco.

— São casados. – Ruby disse de repente.

— Quem?

A morena apontou para a construção que elas haviam acabado de deixar.

— Belle e Mr. Gold. Eles moram naquela casa grande lá adiante.

Ela indicou o local e Emma avistou o que era a maior e mais luxuosa casa até o momento. Um ponto solitário que não parecia pertencer àquele ambiente.

— Belle pretende construir uma biblioteca no andar de cima do Arquivo. Mas ainda é projeto para o futuro.

Emma anuiu. Sem dúvida, uma pessoa muito educada a jovem de cabelos castanhos. Refletiu internamente sobre o que teria levado uma pessoa como ela a casar-se com o tipo do banqueiro. Não que a loira o conhecesse, mas era simplesmente um padrão que ela já havia lidado muito na vida. E sinceramente, não havia uma diferença muito grande entre a personalidade de um e outro.

O interior do banco era incrivelmente elaborado, algo comum em estabelecimentos do ramo, apesar do claro contraste com o exterior. Trajando um impecável terno preto e apoiado em uma bengala minuciosamente trabalhada, um homem de meia idade conversava com a mulher do caixa. Ao notar a presença das duas, virou-se. Ruby o cumprimentou com a cabeça.

— Ahn, bom dia Sr. Gold. Esta é..._

— Srta. Swan. – ele completou sua frase – Emma Swan.

A loira surpreendeu-se com o fato do desconhecido revelar sua identidade.

— Ahn... Com todo respeito, Sr. Gold, nos conhecemos?

— Pessoalmente? Não. Mas seu nome anda por essas bandas... Bom, pelo menos para pessoas atentas como eu.

Gold se aproximou.

— Um Ranger do Texas não passa facilmente despercebido, Srta. Swan...

Foi a vez de Ruby arregalar os olhos. Emma fez sinal para que ela se acalmasse, teriam tempo para discutir o fato depois.

— Creio então que o senhor seja muito ligado à lei... – ela provocou. Não sabia o motivo, mas aquele homem não lhe passava boas intenções.

— Claro que sim. Quem você acha que enviou as papeladas da cidade para o seu departamento?

— O quê? – Emma não foi capaz de disfarçar o espanto – Você me chamou aqui?

— Quem mais? Fiquei a par do seu breve encontro com a prefeita e ela não pareceu estender um pano vermelho para a sua chegada.

O homem caminhou até o extremo da ampla sala, detendo-se de frente a um quadro na parede. As duas o seguiram.

— E, se me permite perguntar, qual o seu interesse em tudo isso? – a loira continuou.

Gold apontou para o quadro. Era uma pintura de Storybrooke, mas parecia exibir a cidade em seus melhores anos.

— O que qualquer pessoa sensata desejaria. A ordem deixou este lugar há muito tempo, Srta. Swan... É também minha cidade afinal de contas, sou só um cidadão cuidadoso como qualquer um.

Emma arqueou uma sobrancelha. Tinha algo por detrás daquilo, tinha que ter. A forma como Gold havia dado ênfase em "minha cidade" a incomodava. Um novo cliente adentrou o prédio e ele pediu licença.

— Nos veremos em breve, Srta. Swan...

Foi tudo o que disse antes de se afastar.

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O ar do lado de fora, apesar de mais quente, pareceu a Emma mais leve. O encontro com Gold havia plantado várias dúvidas em sua cabeça, mas aparentemente ela não era a única a ter perguntas.

— Uma Ranger?! Sério?? – os olhos da morena brilhavam como de manhã.

— Sabe o que é?

— Tá brincando? Se eu sei sobre a Cia. dos Rangers do Texas, sobre os legendários pistoleiros que protegem os EUA há anos, sobre os mais famosos cavaleiros do oeste americano? Claro que eu sei, Emma. Era tudo o que eu mais queria ser quando ainda era pequena...

A loira sorriu. As pessoas, pelo menos as do lado bom da história, sempre admiravam os Rangers, mas para Ruby essa questão tinha ainda um tom pessoal.

— Então era isso que você estava escondendo né... – brincou, dando um empurrãozinho na loira.

Emma riu junto com a moça. Mesmo com o pouco tempo, uma amizade já começava a se formar entre elas.

A prefeitura ficava do lado esquerdo do prédio de Gold, mas lá elas não entraram. Do lado oposto da linha de ferro, Ruby lhe mostrou a igreja, que ficava logo em frente ao banco, e a escolinha construída nos fundos do terreno. Ao lado da construção, erguia-se a torre do relógio.

O curral para os animais dividia espaço com o Saloon, que ela já conhecia, e um ferreiro tinha sua sede logo atrás dessas construções. De restante, espalhavam-se várias casinhas aqui e ali e uma enfermaria improvisada funcionava próxima ao limite do desfiladeiro. Foi então que ela se lembrou.

— Ahn... E a prefeita? Mora em algumas dessas casas aqui?

Ruby riu até os olhos lacrimejarem e Emma teve de esperar a graça do que quer que tivesse dito passar para obter sua resposta.

— Ai, Emma... Você é engraçada, sabia?

A loira deu de ombros.

— Não, não... – Ruby continuou, enxugando os olhos – A mansão da prefeita fica logo acima daquela colina.

Ela indicou o local e Emma conseguiu visualizar a sombra da enorme construção à distância. Foi ai que ela entendeu o motivo da zombaria. É claro que Regina nunca moraria ali. Sua casa era imponente e propositalmente distante do resto da cidade. Um recado sutil de que ela não se misturava com as pessoas "comuns".

A vontade completamente inapropriada de passar para cumprimentá-la surgiu em seus pensamentos, mas Emma logo fez questão de abortar a ideia. Apenas riu consigo mesma, e caminharam de volta à estalagem. A hora do almoço já se aproximava e Ruby precisava assumir seu lugar no Saloon.

— Engraçado, não?

— O quê? – a loira perguntou.

— Uma casa tãaaao imensa para duas pessoas...

— Duas?! – Emma falou sem pensar, com uma entonação que surpreendeu até ela mesma.

Não havia pensado em Regina como uma mulher casada e de repente aquela ideia fez com que ela se sentisse irritada, mesmo sem saber o porquê.

— É... Ela e o filho.

— Filho?

Bom, pelo menos soava melhor que “marido”.

— Ahn – ram... Henry. Tem nove anos.

Antigos pensamentos brotaram na mente da loira. Suas memórias viajaram, perdendo-se no tempo, vários anos atrás. Um apertou tomou seu coração.

— Hum... Nove anos é? – ela comentou, só por comentar.

Suas ideias estavam a milhas dali e ela caminhou sem mais prestar atenção aos comentários aleatórios de Ruby. "Nove anos..." Seria a idade que seu filho teria hoje.

Notas finais
Reviews? Até o proximo, gente.. Muito empolgada com essa fic =D