Notas iniciais
Mais um pra vocês o/ Nossa, é a fic que eu estou me divertindo mais, muitas ideias! Bom, espero que curtam.. Boa leitura!

— SWAN!? – Regina bateu a mão contra a mesa de madeira – EMMA SWAN!?

Ignorando o atrevimento, o homem prosseguiu em sua tarefa de assinar um montante de papéis, evitando sequer o trabalho de erguer os olhos.

A prefeita teve a leve sensação de que aquele nome lhe era familiar quando encontrou a loira no Granny’s Saloon no dia anterior. O motivo veio-lhe à mente apenas após uma noite de sono e algumas desagradáveis constatações. A primeira coisa que fez ao se levantar foi ir ao banco. Sabia exatamente a quem deveria dirigir sua ira.

— Que tem ela? – Gold perguntou, tranquilamente.

— Sabe muito bem o que tem ela... Vai me dizer que isso foi apenas uma coincidência?! Que você não tem nada a ver com essa história e que ela veio voando magicamente milhas e milhas do Texas até essa maldita cidade?!

— Não... Não disse que foi coincidência.

Por alguns segundos, Regina sentiu o ar faltar. Se já tinha vontade de arrastar a cara do banqueiro pelos trilhos da cidade caso ele viesse com uma de suas desculpas esfarrapadas, não negar o fato fez com que sua fúria atingisse uma proporção ainda maior.

— Então..Você...Está..Me dizendo... – ela respirava no intervalo de cada palavra, controlando-se para não fazer algo de que pudesse eventualmente se arrepender – Que ela veio de propósito?!

O banqueiro amontoou os contratos na escrivaninha ao lado e guardou a caneta no bolso do terno. Olhou fixamente nos olhos da prefeita, descansando as mãos com os dedos entrelaçados na mesa.

— Acho que ambos concordamos que as coisas saíram dos trilhos já tem um tempo, Madam Mayor... Essa cidade já não é mais a mesma e creio que você também tem tido seus problemas, ou estou mentindo?

Regina fuzilou o homem com o olhar, mas não negou. Os pensamentos que invadiram sua mente foram os menos agradáveis possíveis e ela se esforçou para esconder o calafrio que percorreu seu corpo. Sabia muito bem a que Gold se referia.

— As situações mudaram e precisamos mudar nossa abordagem também. – ele prosseguiu.

— E o que você pretende? – ela caminhou lentamente, deslizando os dedos sobre a superfície de madeira da mesa do banqueiro, perdida em seus pensamentos.

— Isso vai depender da Srta. Swan. E além do mais, acho que ela nem sabe do garoto.

— Vai ser só uma questão de tempo... – Regina retrucou, com o semblante fechado.

— Não se preocupe, a Ranger honra seus princípios o bastante para tentar qualquer coisa. E também, desistiu do menino por uma razão. Não creio que isso tenha mudado para ela.

— É fácil pra você falar... Mas se alguma coisa der errado... – o tom da voz de Regina tornou-se realmente ameaçador – Não vai poder se esconder de mim Gold, eu juro.

O banqueiro dirigiu-lhe um de seus sorrisos forçados.

— Sabe onde me encontrar, meu bem.

Regina deu as costas e caminhou até a porta. Antes de sair, porém, virou-se para uma última frase.

— Por que ela Gold? Tanta gente nesse maldito país, tantos outros do Texas, por que a Swan?

— Porque ela é a melhor... Vai por mim, sei o que estou falando.

Regina então retornou a seus negócios, batendo a porta ao sair. Minutos depois da discussão, a loira entrava pelo mesmo local, acompanhada da garçonete.

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Emma passou o restante da manhã vagando pela cidade, tentando fixar melhor o que Ruby havia lhe mostrado. Nesse trajeto ela conheceu o ferreiro Leroy e seus irmãos. Além da ferraria eles também trabalhavam na mina de Gold, esporadicamente. Leroy era um sujeito de cara fechada, mas tinha seus pontos agradáveis. Por volta da uma hora ela foi até o Saloon almoçar com Ruby. O segundo andar do Granny’s servia como restaurante nos dias livres e como local de eventos quando se tinha algum.

— Hey, Ruby... – Emma recordou-se de um detalhe importante que havia deixado escapar.

— Sim?

As duas comiam na cozinha enquanto a vovó cobria o turno da morena por algum tempo.

— Aqueles sujeitos de preto do outro dia... Quem eram? Pelo padrão da roupa imagino que devam ser algum tipo de gangue ou coisa parecida. Isso ou fazem parte de alguma seita fúnebre.

Ruby riu.

— São chamados de Bones. – ela cochichou – Contratados do banqueiro. Sempre se vestem assim. Dizem que é apenas um padrão, mas é mais mesmo pra botar medo e intimidar.

"Bones..." – Emma refletiu – "Que meigo."

Ruby interpretou seus pensamentos e explicou o motivo do nome.

— São como uma extensão do corpo de Gold. Como garras sobre a cidade, estão por toda parte e veem tudo. — disse, de boca cheia.

"Então é assim que o banqueiro é informado das coisas..."— a loira concluiu em seus pensamentos.

— E são sempre cordiais como da última vez, eu presumo... — comentou.

— Sempre. — ela terminou de engolir.

— Ruby! – a voz da avó veio do outro lado da porta.

— Tenho que ir... Já deu minha hora e a vovó precisa voltar para a estalagem.

Emma anuiu e limpou o prato com uma última garfada.

— Tudo bem, vou com você. Não tenho nada pra fazer agora e não vou bater perna sem rumo nesse sol.

A morena de cabelos longos sorriu e as duas assumiram o balcão. A estratégia de Emma nesses primeiros dias era simples: conhecer melhor a cidade e seus integrantes antes de formular qualquer impressão sobre o caso. Ruby seria uma boa companhia naquele tempo, a morena conhecia Deus e o mundo e seu trabalho a colocava em contato direto com as pessoas dali. Além de ser uma boa companhia, de fato.

— Então... Quer ajuda com isso ai? – ela perguntou à garçonete, que carregava com dificuldade três pratos prontos para serem servidos.

— Se não se incomodar... Seria ótimo na verdade! – ela sorriu.

Emma retirou os dois da esquerda, segurando um em cada mão. Ela deu uma boa olhada na comida. "Salada?? Dois pratos de pura salada? Quem pediria aquilo em sã consciência?"

Ruby parecia ler sua mente com facilidade e sempre sabia interpretar suas expressões. A morena acabou rindo.

— Você é mais do tipo bife e batata né?

— Pode apostar que sim, colega! – Emma brincou – Qual mesa?

A garçonete nem precisou conferir.

— Oito.

— Certo.

Emma saiu com os pratos, procurando por seus donos. Ela checou cada mesa sem encontrar o número certo, até restar apenas uma. No canto mais afastado do salão, havia uma grande mesa redonda de madeira escura e a loira concluiu que só poderia ser aquela.

Haviam duas pessoas sentadas, mas ela ainda estava um pouco distante e luminosidade do aposento não estava ajudando. Foi na metade do trajeto que ela conseguiu distinguir os tais clientes e a surpresa quase fez com que derrubasse a comida dos pratos. Virou-se, procurando o olhar da garçonete.

— Eles al-mo-çam a-qui?? – ela moveu os lábios, sem som.

Ruby conseguiu fazer a leitura labial.

— Todos os dias. – ela repetiu o código mudo de Emma e ganhou um olhar zangado da loira, algo que ela interpretou como “você me paga”.

Emma não tinha muita escolha e também não queria dar pra trás como uma criança assustada. Respirou fundo e deu os últimos passos. Ela serviu os pratos à mesa e assim que a mulher a viu, Emma percebeu que não era a única constrangida ali.

— Por favor, me diga que não está trabalhando aqui...

— Ahn... Eu não estou trabalhando aqui..?

— Obrigada, senhor... – Regina murmurou, juntando as mãos em posição de louvor.

— Mamãe! – Henry deu uma bronca na morena – Não vai me apresentar a sua amiga? – disse, cutucando o braço da mulher.

Regina já estava pronta para dizer um belo “não” e completar que ela não era sua “amiga”, mas o garoto conhecia bem a mãe que tinha e adiantou-se.

— Hey! – disse acenando para a loira.

— Hey... Kid. – Emma retribuiu o sorriso.

— Meu nome é Henry e o seu?

— Ahn... Emma.

— Oi, Emma! – o olhar meigo do garoto fez Emma corar.

— Muuuuito bem, chega de apresentações. Isso aqui é um restaurante, não um show de celebridades e eu vim para almoçar, não tagarelar.

Regina ergueu uma sobrancelha e a loira reconheceu aquilo como um sinal de perigo.

— Ok.. Certo... Eu já vou indo. Prazer em te conhecer, Henry.

Emma se afastou depressa, perdendo o olhar furioso que Regina lançou em sua direção.

— O PRAZER FOI MEU, EMMA! – o garoto gritou da mesa.

A Ranger conseguiu chegar até o balcão sem danos adicionais e foi logo arrastando a garçonete até um canto.

— Você sabia que a mesa era deles, não é?

Ruby deu de ombros.

— Achei que quisesse se “enturmar” com todo mundo... Cedo ou tarde você vai esbarrar na prefeita. Só quis ir amenizando as coisas...

Emma refletiu e até que fazia sentido. E também, claro que a mesa devia ser de Regina... Devia ter sacado essa antes. Quem mais comeria tanta salada àquela hora do dia? Era, de fato, a cara da prefeita.

— Ceeerto... Obrigada. – ela sorriu para a garçonete, que retornou ao trabalho.

A hora do almoço não demorou a terminar e Emma acompanhou a morena mais algum tempo nas tarefas do Saloon. No entanto, algo atormentou seus pensamentos durante o resto daquele dia. Os olhos do garoto... Aquelas duas esferas esmeralda... Assemelhavam-se terrivelmente às dela.

Notas finais
O quatro já vem ai o/ Comentem pessoal... Até o próximo!