Notas iniciais
Olaaaaaar 8D Gente, tem alguém vivo aqui ainda? Prometi em um grupo no whats que o próximo capítulo seria dedicado à Evil Regal Swan, que disse adorar a história :) Essa continuação vai pra você! Se ainda estiverem por aqui, por favor deixem um comentário pra eu saber que posso continuar atualizando! =D Sem mais delongas, boa leitura! P.s. Dreaming, pode cobrar a HeeyThere pra atualizar a fic dela também u_u E um abraço pra vocês duas =*

Previously on Once Upon a Time in Wild West...

Emma ocupou a última cadeira vaga no Conselho de Storybrooke.

— Quem poderia ter algo contra vocês? — Emma continuou.

Regina estava se matando à procura de uma resposta, mas esta parecia não vir. Ela não era a figurinha preferida da cidade, sabia disso muito bem... Mas nenhuma de suas inimizades parecia comportar tal agressão. A não ser... Um calafrio percorreu-lhe o corpo quando aquela possibilidade surgiu em sua mente.

— Não.. Não pode ser...

— O quê? Lembrou-se de algo??

— Nada. É impossível. — ela tentou corrigir.

Emma não amenizou a intensidade do olhar. Regina suspirou.

— Está morto. — ela usou um tom firme, como se tentasse convencer a si própria — Há muitos anos.

Gold voltou-se para ela, entendendo de quem se tratava. Emma sentiu um nó no estômago. Nunca tinha visto o banqueiro com tal expressão de pavor.

— Isso é ridículo, não tem como ser... — ele retrucou.

E de repente, todos pareceram entender o mencionado. A mesma expressão de medo cruzou os olhos silenciosos de todos os membros do conselho.

— Acho que depois de tudo, nunca é tarde para se acreditar em fantasmas... — disse a xerife — Quem? — ela perguntou uma última vez.

— Killian Jones. — foi Regina quem decidiu falar — É uma longa história.

***

– Onde eles estão? – Carter gritou, colocando todos em alerta.

As pupilas da Ranger dilataram-se como as de um animal e uma ferocidade fora do comum apossou-se de seus instintos. Ela ouviu cascos de cavalo se aproximando pela entrada principal e percorreu o restante da cidade com o olhar. Apesar de completamente encobertos pela escuridão e disfarçados de negro, os inimigos apresentavam-se a ela como alvos pintados de branco. Entretanto, as palavras em resposta morreram antes de deixar seus lábios. Eles estavam por toda a parte .

***

O tilintar metálico das esporas quebrou o silêncio mortal na ante sala. Sentado naquela cadeira, impotente, Gold sentiu a sombra projetada sobre ele engolir as últimas centelhas de esperança que ainda carregava.

– Vejo que não se desfez dessas ridículas botas. — os gélidos olhos verdes encararam o banqueiro.

Instintivamente, Gold forçou-se a olhar para baixo, para o objeto que havia lhe rendido o apelido nada carinhoso de seu rival.

As botas eram resistentes, e haviam suportado mais intempéries do que o banqueiro gostaria de recordar-se, embora não fosse o suficiente para ocultar todas elas. Ranhuras e alguns pequenos cortes feriam o couro de crocodilo, deixando marcas tênues, porém permanentes. De certa forma, era assim que ele próprio encontrava-se agora. Por detrás do semblante frio e dominador, Gold já sentia seu passado cobrar-lhe os honorários.

– Algumas coisas nunca mudam. — foi o que conseguiu responder.

– E algumas outras mudam pra sempre. — com amargor no olhar, Hook fitou o gancho metálico no local onde antes estivera sua mão. — Mas hoje é, de fato, uma noite de mudanças!

O entusiasmo na voz do homem de negro não surtiu o mesmo efeito sobre o banqueiro. Os únicos sentimentos a se manifestarem fortemente no antigo dono da cidade eram o temor e a certeza indiscutível de que aquela noite alteraria para sempre o rumo da pequena Storybrooke.

***

As alterações fisiológicas do corpo humano diante de uma situação de perigo são fascinantes. Uma cascata de reações se desencadeia, preparando todo o seu organismo para uma resposta de luta ou fuga. A descarga de adrenalina dilata suas pupilas, o fluxo sanguíneo aumenta, os músculos preparam-se para responder às necessidades vitais de seu sistema.

Emma estava bem familiarizada com todas essas sensações, mas não daquela forma. Suas pupilas não só estavam dilatadas, mas adquiriram a capacidade de enxergar sob o manto da noite. Seu sangue pulsava dentro das veias e artérias, como a correnteza do rio após uma forte chuva. O corpo urgia pelo anseio de entrar em ação e ela sentia uma força imensurável invadir gradativamente cada um de seus sentidos.

"Eles estão por toda parte", o pensamento vibrou uma vez mais em sua mente. Nunca temor semelhante havia invadido a Ranger, mas da mesma forma, nunca tamanha força havia fluído em seu âmago. Emma não queria vence-los, ela precisava vence-los. Toda uma cidade, todo um povo que havia aprendido a amar, dependia de sua liderança neste momento.

Sobre o telhado de uma das casas próximas ao Saloon, ela definiu seu primeiro alvo. Pronto para arremessar sua silenciosa faca, o homem mal teve tempo para processar os próximos acontecimentos. Primeiro o eco do tiro rasgou o ar, em seguida, uma dor dilacerante irradiou-se em suas costelas. O som de seu corpo tombando sinalizou o início do combate. Os companheiros de negro na ofensiva, a armada de Sorybrooke pronta para dar sua vida defendendo a cidade.

***

Dizem que o amor é facilmente refletido nos olhos das pessoas. Aqueles em específico, o banqueiro admirava incansavelmente. Admirava o entusiasmo, a gentileza, a bondade nata que cintilava por trás de cada fitada... Traços tão extintos em si mesmo. Porém, desta vez o que via ali não era nenhuma dessas características, mas algo que nunca antes havia presenciado. O que os olhos de Belle refletiam naquele instante era pavor. Um pavor tão intenso que gelou o sangue do banqueiro.

– Por favor, eu imploro... — a voz da bibliotecária saiu num sussurro.

Hook segurava Gold pelos cabelos, de forma nada cordial. Debruçado com o peito sobre uma mesa de madeira, o corpo do banqueiro pesava, desprovido de vivacidade. Belle, amarrada a uma cadeira, assistia impotente o marido ser torturado.

– Isso lhe parece familiar, crocodilo? — o homem de negro encurtou a distância entre eles. Gold viu no reflexo do gancho o ardor do olhar de Hook — Será que foi assim que ela lhe implorou a própria vida, antes que você a tirasse?

– Do que ele está falando? — Belle indagou.

O passado conturbado do banqueiro não era nenhum mistério para os cidadãos de Storybrooke, apesar dos inúmeras detalhes mal contados que ocultavam-se por detrás de cenas dissimuladas . A verdadeira história da morte de sua esposa nunca fora desvendada por completo, mas naquela noite o decorrer dos fatos seria revelado em voz alta, pela primeira vez.

***

(Anos atrás...)

Sua mente girava, procurando em vão algum sentido, ou talvez, apenas a aceitação. Num segundo estava nos braços do amado, sentindo o afago que havia se transformado em sua única paz. No outro, a dura mão do marido envolvia-lhe o pulso, rasgando a fantasia que ela havia construído esperançosamente durante aqueles dois meses.

Os capangas do banqueiro arrastavam o homem que amara em segredo durante aquele tempo, lutando em vão por liberdade. O último olhar que às pressas trocaram, foi na verdade um adeus. Uma despedida tão amargurada quanto a alma daquele que prendia sua mão no momento, um desespero tão intenso por saber que tal encontro jamais se repetiria.

O vento carregou as nuvens, libertando o brilho da lua. Gold conseguia agora fitar a esposa com clareza, cada detalhe de seu corpo, os olhos repletos de silenciosas lágrimas... Amaldiçoou o céu, pois as cenas seguintes atormentariam-no com nitidez pelo resto de suas noites.

***

— Diga a ela, seu covarde! Diga! — Hook esbravejou.

– Por favor, deixe Belle fora disso... — suplicou o banqueiro, quase sem forças.

– Como você deixou Milla? — a voz do homem estremeceu, ao mencionar o nome da mulher que mesmo depois de morta, nunca havia deixado de amar — Destruir minha vida não era o suficiente?

Hook andava impaciente de um lado para o outro da sala, como se revivesse a dor daquela noite.

– Não... Você queria tirar tudo de mim, até a última gota. — seu tom foi diminuindo, até transformar-se num funesto sussurro — Mesmo que isso significasse assassinar a própria esposa.

O choque da verdade atingiu Belle, como um tapa na cara. A incredulidade foi assumindo seu semblante e Gold assistiu desesperado a mulher que amava fita-lo como se olhasse para um estranho, um homem que não mais conhecia.

– Ela era minha esposa! — defendeu-se Gold.

– E por isso você tinha direito sobre a vida dela?? As pessoas não são bonecos que você pode controlar, crocodilo... — por um segundo, a ira esvaiu-se do homem de negro, dando lugar ao pesar — Talvez, se tivesse sido um homem melhor, ela não precisasse ter fugido de você.

A fala do banqueiro morreu antes mesmo de deixar seus lábios, caindo junto de seus ombros. Não havia defesa para algo que se concordava. A sala silenciou-se, envolvida nos arrependimentos e angústias que cada um carregava individualmente. Hook analisou a expressão de seu adversário, a visível derrota que por tanto tempo havia ansiado. Mas ainda tinha mais por vir... Um sorriso maldoso desenhou-se em sua face.

– Mas além de falhar em minha execução, há algo que você ainda não sabe...

Gold fez esforço para erguer o olhar e encara-lo, evitando contato com Belle, cuja decepção o impediria de continuar resistindo.

– Naquela noite, você me deixou para morrer queimado. Não teve ao menos a decência de me enfrentar cara a cara... — a cólera em seus olhos fez o banqueiro estremecer — Lavou suas mãos em um "acidente" montado... Claramente, se tivesse sido bem sucedido não estaríamos tendo esta agradável conversa, no momento.

Belle assistia em silêncio, revelação após revelação, como se abrissem uma cortina que permaneceu fechada diante de seus olhos todos esses anos.

– Permita que eu conte então a parte inacabada desta história... — o gancho de metal perfurou a mesa, à poucos centímetros do rosto do banqueiro — Como você se sentiria ao saber que a causa de seu fracasso, da sobrevivência de seu pior inimigo... — ele fez uma pausa, seguida de um gélido sorriso — Foi a traição de seu próprio filho?

***

A primeira bala é sempre o estopim de um combate. Não demorou até uma sinfonia de novos tiros invadir as ruas da pacata cidade do Maine. Emma tomou abrigo atrás de uma árvore, evitando ser atingida de raspão. Já havia derrubado três bandidos e rezava para que os companheiros estivessem com a mesma sorte que ela. Carregou o revólver e procurou por um novo alvo. Antes de mirar, porém, um vulto chamou sua atenção. Próximo à estalagem, ela vislumbrou alguém adentrar uma das janelas da cozinha. O desfecho irrompeu em sua mente, como um dolorido golpe. Ruby.

– Não... — uma súplica irrompeu-lhe os lábios.

Sem pensar duas vezes, ela abandonou a segurança da árvore e disparou em direção ao local.

– Carter! — gritou — Me cubra!

O Ranger encarregava-se da entrada leste, mas desviou a atenção imediatamente ao pedido da loira.

– Cuidem dessa parte! Não podemos deixar que cavalos cheguem em reforço! — ele instruiu dois homens que o acompanhavam, logo antes de saltar para o prédio ao lado.

Aterrissou com certo esforço no teto do banco, mas um rolamento foi o suficiente para manter suas pernas intactas. Precisava proteger Emma em qualquer que fosse sua estratégia e teria uma visão melhor dali. Chegou a tempo de impedir que a parceira fosse baleada pelas costas, eliminando um bandido escondido na varanda de uma casa. Emma lançou-lhe um olhar de agradecimento, enquanto sumia de vista no corredor ao lado da estalagem.

Avaliando as janelas, refletiu sobre sua próxima abordagem. Poderia tentar ser silenciosa e surpreende-lo, ou partir para a forma direta e agressiva. Um grito ecoou, vindo do interior. A Ranger então teve a resposta de que precisava: não haveria tempo para estratégias.

***

Ruby apertava as faixas na perna de um ferido, quando foi surpreendida pelo bandido. Ele apontou a arma, mirando em seu peito, mas pareceu refletir em seguida, como se considerasse um melhor proveito para aquele corpo. O grito da moça mal pode ser ouvido, pois foi superado pelo som da janela estilhaçando-se mais a frente. Com rapidez sobre-humana um vulto deslizou pelo chão, erguendo-se e apanhando o surpreso bandido pelo colarinho. Não houve tempo para reagir e logo ele voou pelo aposento, atingindo bruscamente a parede do outro lado. Ouviu-se apenas o estalo de seu pescoço, ao encontrar o chão.

Ruby ainda tinha sentia o coração pulsar acelerado no peito, mas acalmou-se assim que o feixe do luar iluminou uma das mechas douradas. Certificando-se de que o homem não mais acordaria, Emma voltou-se para a amiga.

– Você está bem?

Ruby assentiu, mas a Ranger encontrou algo estranho em seu olhar.

– O que foi? — prosseguiu.

Ainda tentando processar a imagem diante de seus olhos, a morena apontou para o rosto da loira.

– Eu estou bem... A pergunta é: você está?

Ruby tocou gentilmente o ombro da amiga, caminhando com ela até o hall, onde havia um espelho na parede. A morena de cabelos longos indicou para que ela prosseguisse. Estava escuro, apenas o vulto de seu corpo podia ser vislumbrado, mas seus olhos... Com as íris bem delineadas, brilhando como duas intensas chamas verdes, eles estavam nítidos à distância, brilhando no escuro. Emma encarou o espelho e o que viu encara-la de volta, foi o reflexo de um predador.

Notas finais
Estou com saudade dos comentários de vocês ♥ Quem quiser que eu continue - prometo não demorar tanto - deixa um alô aqui que jajá volto com mais um capítulo! E um abraço pra TheWickedSwan que costurou um livro lindo pra mim e me fez voltar a escrever =) Agradeçam a ela.