Notas iniciais
Oiii pessoal 8D Obrigada por comentarem no capítulo anterior! Faz muita diferença pra mim saber que ainda estão aqui e os comentários sempre me instigam a postar logo! Estou realmente feliz com o carinho de todas vcs! Aqui vai mais um! Acho que vão começar a entender um pouco da treta entre o Hook e a prefeita hehehe Boa leitura! Mais flashbacks virão em breve... P.s. direitos da foto para o autor, não sei quem é mas ficou linda rs

O grande astro da noite dominava o céu. Liberta de sua prisão sob as nuvens, a lua banhava a cidade com seu brilho argênteo. Projetando-se como garras, as sombras das árvores envolviam a casa da fazenda de forma sombria. Do interior ouvia-se apenas o ranger da madeira com o vento e mesmo os animais da fazenda faziam-se escravos do silêncio. Até o primeiro tiro quebrar essa atmosfera...

— Então, começou... — Regina suspirou angustiada, como se o tiro lhe tivesse sido endereçado.

Os pequenos olhos verdes fitaram-na, em apoio. Era engraçado... Vivera menos invernos do que qualquer outro ali, mas o que faltava-lhe em idade, seu olhar compensava em maturidade. Henry sempre fora o alicerce da família... Talvez a inocência, a esperança incondicional da infância, permitissem que ele sustentasse tanta firmeza em um olhar tão inexperiente. Ou ainda pudessem ser os genes da mãe biológica manifestando-se naturalmente. Quaisquer que fossem os motivos Regina sempre o invejara nesse ponto e gostaria mais do que nunca de poder enxergar a presente situação através dos olhos daquela criança.

Henry segurou a mão da mãe entre as suas e ela permitiu-se sorrir. Entretanto, o pequeno conhecia bem aquele semblante e sabia o que estava escondido por trás dele.

— Não se preocupe, eles vão ficar bem. — tentou anima-la.

Regina assentiu. Do outro lado do quarto, Mary Margaret mantinha-se em silêncio, observando algo em mãos. Beijando a testa do garoto, Regina deitou-o de volta na cama e andou até a mulher. Ao aproximar-se, pôde averiguar que ela segurava o retrato do marido. Notando a presença da prefeita, Mary enxugou discretamente uma lágrima que havia escapado.

— Meus pais diziam que quem vive por aqui deve estar sempre preparado para aceitar as perdas... Mas será que alguém realmente está um dia? — a professorinha perguntou-se.

— Acho que entre dizer e viver essa sensação, existe um abismo considerável. — Regina destacou.

— Como conviver com a possibilidade de perder a pessoa que amamos a qualquer momento?

Regina respirou fundo, afastando-se para perto da janela, onde seu olhar perdeu-se na escuridão dos campos.

— Acho que temos de abraçar com todas as forças a esperança de tê-la de volta... Do contrário, seriamos forçados a encarar antecipadamente um cenário em que a vida não mais faria sentido... Isso nos impediria de desempenhar o papel que ainda nos está reservado nessa trama, e isso não pode acontecer.

Mary não foi capaz de ocultar a surpresa diante da resposta. Sua relação com a mulher nunca havia sido das melhores, mas tempos de guerra podem criar laços inesperados. Das duras palavras que costumavam deixar os lábios imponente prefeita de Storybrooke, manifestavam-se agora apenas as sábias. Talvez, quando aquilo tudo chegasse a um fim, elas pudessem ser mais próximas. Se o fim lhes fosse favorável...

Forçando-se a acreditar nas próprias palavras, Regina virou-se, com a fisionomia mais branda.

— Desculpe por atormentá-la com minhas preocupações... Temos que cuidar de Henry. — Mary desculpou-se e ambas fitaram o garoto, deitado na cama — É que tudo o que tenho está lá fora, e pode não voltar...

A prefeita tocou o ombro da professora, compartilhando de suas preocupações.

— Talvez eu também tenha mais a perder do que imagina...

***

Os sons da batalha ecoavam, distantes, na mente da Ranger. Seus olhos fixavam-se apenas no reflexo diante de si, ainda assimilando os detalhes, como se quisesse confirmar que realmente pertencia a ela.

— Emma? — uma voz chamou-a.

O transe fez com que a loira esquecesse a amiga ao lado, e a reação primária de defesa da fera foi ativada. Seu movimento foi tão rápido que a jovem só percebeu o que acontecia quando já tinha as mãos da Ranger em seu pescoço.

— Ruby! — com arrependimento no olhar, Emma afastou-se da morena — Me desculpe, eu... Não sei o que está acontecendo comigo.

A jovem de cabelos longos ajeitou a gola da camisa, recuperando-se do susto. Mas logo sua expressão amenizou-se, confortando a amiga.

— Emma, tá tudo bem. Você está se sentindo mal?

— Na verdade... Nunca estive melhor.

A loira franziu o cenho, surpresa com tamanha honestidade em sua resposta. A verdade era mesmo essa, fisicamente, seu corpo parecia estar pronto para enfrentar o mundo. Mentalmente, ela ainda não tinha certeza. Sentia sua parte humana em conflito com a fera. Precisava acalmar-se, deixar o instinto assumir, sabia disso. Mas até que ponto ela ainda teria controle sobre suas ações? Quase feriu a amiga, não podia correr o risco de deixar-se assumir por completo e não ser capaz de distinguir amigos de inimigos.

— Então qual a sua preocupação? — Ruby perguntou.

Como resposta, Emma fitou o pescoço da amiga e não foi preciso explicação alguma.

— Olha, a culpa foi minha. Você estava distraída.

Emma ainda não parecia convencida.

— Já teve um cachorro? — continuou.

A loira não entendeu muito bem o motivo da pergunta, mas assentiu. Lembrou-se de quando vivia com os índios e dos cães selvagens que caçavam com eles. Resgatou com saudade a memória de Misaki, seu leal companheiro, morto no embate com um grande cervo. Na língua Cherokee, seu nome significava "coiote". Ela o havia batizado assim por sua pelagem cor de bronze e suas orelhas pontudas, que davam ao cão o aspecto dos predadores do deserto.

— Sim.

— Pois então... Imagine, seu cão amava você, certo? Ele reconheceria você em qualquer lugar e não te atacaria?

— Bom, acho que sim.

— Agora imagine, se ele estivesse comendo, ou deitado, dormindo. Se você o cutucasse, acha que ele teria qual reação? Seria provável que ele pudesse se assustar e tentar te morder?

— É possível... — Emma começou a entender o propósito da jovem.

— Pois então... — Ruby afagou-lhe o braço — Confio em você. — apontou a janela que dava para a rua, onde Carter liderava um ataque em solo — E eles também confiam. Sei que vai conseguir encontrar forças para usar essa energia, ou o que quer que seja, de forma segura. Agora, você precisa ir.

A Ranger nunca deixava de se surpreender com a sabedoria prática da amiga e suas palavras surtiram efeito. Emma retomou a confiança e respirou fundo. Sabia que o espírito de seu lobo era pacífico, mas até a mais gentil das criaturas ao ser ameaçada mostra os dentes. Teria de medir e ponderar aquele novo "poder". Poderia ser o trunfo na manga de que ela precisava.

— Obrigada. Por tudo.

Abraçou a morena e dirigiu-se à porta. Antes de deixar a segurança da estalagem e atirar-se na incerteza das ruas, sentiu um arrepio. A energia fluía com mais intensidade por seu corpo e concentrou-se ao máximo para utiliza-la bem. Previa que o espírito do lobo traria o desfecho daquele conflito. Algum tempo depois sua dedução foi, em partes, confirmada. Mas com um detalhe bastante inesperado...

***

— Não... — Gold repetia a palavra, como se aquilo pudesse alterar de alguma forma a história que ouvia.

Hook continuava a exibir o sorriso amargo nos lábios, deleitando-se do sofrimento de seu inimigo. Ansiava há muito por aquele dia.

— Negar não vai mudar o passado. Apenas ouça o resto dos acontecimentos.. E use esse tempo para se preparar para o futuro que te aguarda.

***

Dentre todas as sensações que lhe acometiam, a condenação não era que mais lhe feria. Aceitava seu penoso destino, mas pensar em Milla... Nas mãos daquele homem, se é que poderia ser assim chamado. Para Killian, o banqueiro não passava de uma besta, uma fera de sangue frio e sem coração. Algo mais como... Lembrou da vestimenta característica do homem e de suas inseparáveis botas de couro. Couro de crocodilo... Crocodilo. Era assim que ele lhe parecia.

A porta da delegacia se abriu, desviando sua atenção para a entrada. Viu o guarda fazer uma leve reverência e pôde imaginar quem o aguardava. Logo a mulher apresentou-se em seu campo de visão, ostentando o ar imponente já esperado. Mas apesar da frieza usual em seu semblante, Killian percebeu ali certa inquietação.

— Veio prestar suas condolências, majestade? — ironizou.

— Posso estar equivocada, Sr. Jones, mas não acho que esteja em posição para gracejos. — a prefeita rebateu, duramente.

O homem engoliu qualquer lampejo de resposta. Podia não adorar a mulher a sua frente, mas depositava nela suas últimas esperanças.

— Peço perdão, Srta. Mills. Velhos hábitos nunca morrem. — forçou um sorriso falso.

— Sua situação não está favorável... — ela puxou uma cadeira e sentou-se de frente para ele, do lado oposto da cela.

Dilacerando seu orgulho, Killian aproximou-se das barras de sua prisão. Certamente a prefeita de Storybrooke nunca lhe fora simpática, mas parecia não ser com ninguém. Também nunca havia interferido ou lhe causado dano pessoal, então talvez valesse a pena apelar para seu lado humano.

— Quanto tempo vão me manter aqui? Talvez eu possa prestar serviço comunitário, pagar uma multa...

— Sr. Jones, não acho que esteja entendendo a gravidade de sua acusação. Homicídios não são facilmente perdoados por aqui. Muito menos quando envolvem a "elite". — ela enfatizou a palavra, com certo desgosto a ter de se referir ao banqueiro daquela forma.

— Homicídio?! Do que você está falando?

Regina não pareceu surpresa com sua reação. Aquilo estava cheirando muito mal...

— Como prefeita da cidade, é meu dever atender às acusações. Quando se trata de algo corriqueiro, tenho poder para reunir o conselho e deliberar uma pena. Mas creio que sua situação está fora de minhas mãos... Teremos que retê-lo e aguardar o julgamento da capital.

Seu sorriso modelou-se de falso para desesperado, enquanto o homem ligava os pontos. As lágrimas começaram a surgir em seus olhos, já vermelhos de ira.

— Ele a matou. Sabe disso, não é?

Regina absteve-se da resposta.

— Eu podia prever que iria armar pra mim, mas a própria esposa... Como ele pôde!!?

O homem acertou com força as barras de metal, assustando a prefeita por um momento.

— Sr. Jones, não agrave sua situação! — ela ordenou, sem muito entusiasmo.

No fundo, Killian sentia que ela tinha pena dele.

— Não pode acreditar nas acusações dele! — esbravejou — Eu amava Milla, e aceito com amargor o peso de ter sido a causa de um adultério. Mas eu nunca encostaria a mão nela! Acho que você sabe disso!

— Eu não sei e nem cabe a mim saber de nada. Isso será decidido pelo juiz. Vim apenas trazer-lhe a notícia do julgamento.

Killian agora ria de forma sinistra, como se a loucura começasse a possuir seu corpo.

— Acha mesmo que se ele foi capaz de assassinar a própria mulher a sangue frio, vai me deixar escapar dessa?

O olhar da prefeita encontrou o seu e ele pôde reconhecer ali o pesar que ela carregava. Escondido atrás da fisionomia gélida que sempre lhe acompanhava, mas ele estava ali.

— Vai deixar que mais uma vida seja perdida de forma injusta? — continuou.

— Todos nós temos coisas a perder, Sr. Jones... — ela levantou-se, com o olhar baixo.

— Então vai mesmo continuar com seu jogo de poder... Achei que no fundo pudesse ter algo de bom em você. — uma lágrima quente escorreu em seu rosto, pensando em Milla e no destino obscuro que lhe aguardava.

— Acho que é como você mesmo disse... — ela voltou a fita-lo, uma última vez antes de deixar a delegacia — Velhos hábitos nunca morrem.

Notas finais
E ai? Quem ta ansiosa pra saber o que vem em seguida? O que vocês acham que vai rolar dessa treta? Algum palpite? rs Deixem um alô aqui que já tô com saudade de vocês! Beijos!! ♥