Notas iniciais
Lindaaaaaas! Vish, faz um século, né? Eu sei, eu sei... Sinto muita falta de escrever, mas vou voltando aos poucos, assim que der! Boa leitura, meninas! Saudades imensas dos comentários de vocês!

Algumas horas se passaram até que vozes alteradas e esforços em conjunto se concretizassem em um plano. Com a pena em mãos, Emma rasurou o antigo mapa da cidade com um último círculo vermelho. As marcações estavam feitas e os detalhes minuciosamente discutidos entre eles. O Saloon estava imerso no silêncio, as pessoas entorpecidas com a ansiedade e nervosismo. O recinto mais agitado de Storybrooke vivia um momento inusitado e marcante em sua história.

Os salões, acostumados a proporcionar alegria e diversão à todos que ali passavam, agora encontravam-se na mais remota calmaria. O balcão, tão familiarizado com as risadas dos boêmios, aguardava solitário o retorno incerto de seus fregueses. A grande mesa de poker, acolhedora dos melhores momentos do estabelecimento, suportava agora apenas a ínfima esperança dos que lutariam para que os dias de festa pudessem retornar. Debruçados sobre a grande superfície de madeira, Rangers e cidadãos fitavam o mapa uma última vez antes de iniciar os preparativos.

Defender toda uma cidade contra uma horda de assassinos bem pagos e devidamente motivados não seria a tarefa mais fácil que a Ranger enfrentaria. Principalmente quando a cidade em questão possuía quatro meios de entrada diferentes. Eles podiam até estar em maior número, mas Emma conhecia muito bem o poder de um revólver em mãos habilidosas. Cada bandido bem treinado poderia equivaler a seis ou mais leigos na arte do tiro. Aquilo preocupava a Ranger, e ter de arriscar vidas desta forma não lhe agradava nem um pouco. E justamente por isso ela teria de usar todas as artimanhas disponíveis para minimizar as baixas, mas a única certeza absoluta a reinar naquele momento, era a de que fosse como fosse, elas existiriam.

Emma dividiu os homens em grupos, liderados por alguém de sua relativa confiança. Apontou os pequenos pontos vermelhos no mapa com o indicador.

— Preciso dessas barricadas prontas até o entardecer. — ordenou.

Leroy, David e Archie assentiram e retiraram-se, levando consigo seus seguidores. Tão repentinamente quanto havia se enchido, o Granny's viu-se abandonado. Restaram no salão apenas os dois Rangers e a garçonete.

— Então.. Qual dessas posições eu vou tomar? — ela imitou o gesto da Ranger, referindo-se a um dos pontos nos telhados.

— A posição de "trancada dentro de casa protegendo sua avó". — Emma não surpreendeu-se completamente com a iniciativa da amiga. Ruby era osso duro de roer, mas ela não queria mais uma preocupação em seu coração.

A loira recebeu um olhar de repreensão.

— Qual é, Emma! — Ruby protestou — Sei atirar melhor que metade daqueles homens e minha vó é dura na queda, pode ter certeza! Tenho dó do sujeito que chegar perto daquela lá...

O comentário conseguiu fazer com que Emma sorrisse. De fato, Granny parecia o tipo de pessoa que a loira não gostaria de irritar.

— Eu sei... — ela acariciou as costas da amiga — Mas preciso de você segura esta noite. Vou usar a estalagem como rota de fuga para os feridos e também como enfermaria... Preciso de alguém lá para socorrer os que chegarem.

Emma fitou a amiga nos olhos e foi difícil evitar que as lágrimas viessem. Tudo ficava diferente quando no meio de um combate como aquele, havia pessoas amadas envolvidas.

— Não confiaria essa tarefa a alguém que não você. — concluiu.

Ruby pareceu refletir por um momento. Ao decorrer de toda sua vida, a jovem morena nunca havia se deparado com tamanho desafio e aquilo provocava-lhe calafrios. Ela realmente gostaria de poder tomar um lugar ao lado da amiga e travar aquela batalha junto dela, mas sabia que Emma estava certa.

— Tudo bem. Pode contar comigo então! — Ruby passou o braço em volta do pescoço da loira.

Emma sorriu e encostou de leve sua testa na dela.

— Obrigada.

A garçonete também sorriu.

— Vou providenciar o necessário e passar as informações para a vovó!

Emma assentiu e após um abraço, Ruby retirou-se, partindo para preparar a estalagem. Antes de atravessar o vão da porta, trocou um singelo e silencioso olhar com o outro Ranger. Por mais improvável que pudesse ser, os olhos claros do homem deram-lhe a calma de que precisava naquele momento.

— É diferente, não é? — Carter comentou, retirando a loira de seus pensamentos solitários.

— O quê?

— Defender pessoas que você realmente ama...

Emma deixou o peso do corpo recostar-se na grande mesa de madeira. Seu olhar perdeu-se no amplo salão e imagens de sua primeira passada por ali invadiram-lhe a mente. O sorriso acolhedor da garçonete no balcão, a confusão em que havia se metido posteriormente, e é claro...O primeiro encontro com os penetrantes olhos castanhos da prefeita de Storybrooke. Perguntou-se com sinceridade se não havia sido aquele o real motivo de sua permanência na pequena cidade. Acabou sorrindo, no fundo ela já sabia a resposta.

— Bem diferente... — respondeu ao amigo.

Carter afagou-lhe o ombro e lançou-lhe aquele sorriso tranquilo que só ele sabia dar. Aquilo sempre acalmava a Ranger antes de entrar em combate. Não sabia o que teria sido de sua vida se o homem não tivesse cruzado seu caminho. Talvez, como todo o resto, não fosse apenas coincidência. De qualquer forma, agradeceu os espíritos por tê-lo ali com ela.

— Então... — Carter voltou a falar — Acha mesmo que vai funcionar? Acha que não virão por ali?

O homem apontou o esboço da ponte de madeira no mapa.

— Não acho que ele seja idiota a esse ponto... Investir em um ataque direto como esse, não faria sentido. Levariam uma bela desvantagem de terreno.

Carter acabou concordando com a cabeça.

— Além do mais, se tivessem vindo pela frente.. Creio que já teríamos sofrido um ataque. — Emma observou — Não.. Acho que estão dando a volta.

— Pode ser. E o que vamos fazer com o senhor "N"? — Carter assistiu a expressão da loira enrijecer.

— Virá ao meu sinal. Estão acampados próximos daqui, mas não os quero dentro de Storybrooke até que seja necessário.

— De acordo...

O Ranger parecia nutrir tão pouca afinidade pelo sujeito em questão quanto Emma. Indicou agora o risco vermelho sobre o papel.

— E isso? Acha mesmo que vai funcionar?

Emma deu de ombros.

— Conscientemente ou não, vai atrair atenção. E é o que precisamos.

Após refletir por alguns segundos, o homem anuiu.

— Quero Regina e Henry seguros e longe do conflito. — Emma desabafou, de forma inconsciente.

— E o restante das pessoas. — Carter completou sua frase.

— Naturalmente! — Emma sentiu as bochechas queimarem e repreendeu-se por parecer egoísta naquele momento.

A risada do homem ecoou pelos salão e a Ranger acertou-lhe um leve soco no ombro.

— Vem. Vamos organizar as coisas. — a loura enrolou o mapa e pela primeira vez em anos, o Saloon viu-se completamente vazio.

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Storybrooke vivenciava os primeiros sinais reais de que uma guerra se aproximava. A Ranger não via tantas pessoas na rua desde o festival da colheita, mas o clima agora não era de comemoração. O sol ardia acima de sua cabeça, mas ela não reclamou. Precisava aproveitar cada segundo antes do anoitecer... Distraída com seus pensamentos, Emma só notou a aproximação da mulher quando já estava a um passo de esbarrar nela.

— Espero que lute com mais atenção do que caminha, Miss Swan.

Um sorriso brotou instintivamente em seus lábios ao ouvir a tão conhecida voz. Carter apossou-se do mapa que ela carregava e lançou-lhe uma piscadinha discreta.

— Resolva suas coisas, eu cuido do pessoal. Nos encontramos depois. — ele disse à loira.

Emma meneou com a cabeça e o homem seguiu seu caminho. Ao erguer os olhos e deparar-se com a morena, sentiu o familiar calafrio percorrer-lhe o corpo. Faziam menos de seis horas desde que haviam se visto pela última vez, mas a xerife começava a sentir uma crescente necessidade da presença da prefeita. Regina sempre carregava consigo aquele tom de sarcasmo, mas Emma pôde ler em seu rosto sinais de preocupação.

— Acha que estamos preparados? — Regina deu uma olhada em volta, as ruas da cidade estavam agitadas com o vai e vem do pessoal.

— Estamos fazendo o melhor que podemos... — a resposta de Emma não soou tão convincente quanto ela desejava. Tentou disfarçar desviando o rumo da conversa — Preciso ajeitar algumas coisas na mansão. Está indo pra lá?

A prefeita assentiu.

— Precisa arrumar o que achar necessário também. Quero você e Henry instalados o quanto antes. — a xerife prosseguiu.

Por impulso, Regina balançou a cabeça afirmativamente. Só então ela processou a frase da loira.

— Espera! — Emma já havia começado a caminhada, e a prefeita precisou segura-la pelo braço — Não está pensando em me deixar trancada, está?

Emma não soube definir sua expressão no momento. O que estava dando naquelas mulheres? De repente, todas elas pareciam prontas para entrar em combate! Mas se tem uma coisa que ela não conseguia imaginar, e com certeza absoluta não iria permitir, era a prefeita no meio daquele conflito. Ela era o alvo que os bandidos queriam e de nada ajudaria no meio da confusão.

— Regina..._

Antes mesmo da palavra seguinte, ela foi interrompida.

— Swan, não vou deixar que outros lutem minhas batalhas. Sabe muito bem o quão envolvida nisso eu estou.

A voz da prefeita expressava todo seu pesar, e Emma pôde notar um traço de sincero arrependimento ali.

— Eu sei... — pousou a mão no ombro da morena — Mas tornar-se um alvo no meio dessa guerra não vai ajudar. Pelo contrário...

Regina estava pronta para protestar, mas sabia que a Ranger estava com a razão e não encontrou argumentos plausíveis para contrapor sua opinião.

— Sei que está procurando por algum tipo de redenção... — as palavras da loira pegaram a prefeita de surpresa — Mas não vai alcançá-la se não estiver viva.

Emma era mesmo uma pessoa única. A morena não tinha ideia de como a mulher conseguia ler seus sentimentos com tamanha clareza.

— Tudo bem... — forçou-se a concordar.

Emma lançou-lhe um fraco sorriso.

— Vamos.

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Elas caminharam até o Saloon, onde Argo estava não muito distante. Emma desamarrou o animal e montou, estendendo a mão para a morena, em seguida. Regina fitou o gesto, exibindo um misto de expressões em seu rosto.

— Não espera que eu vá na sua garupa, espera?

— Algum problema? — o protesto de Vossa Majestade já era esperado pela loira, mas ela provocou mesmo assim.

Regina torceu o nariz, mas Emma notou que ela tentava esconder um singelo sorriso.

— Não acho que seja muito apropriado... — a prefeita fitou as ruas da cidade, em polvorosa.

— Ora, Madam Mayor! — Emma protestou — Não temos tempo para formalidades!

Regina acabou assentindo, com menos resistência que queria demonstrar. Permitiu que a loira a puxasse e tomou seu lugar atrás dela.

— Ninguém mandou você construir o "castelinho" lá em cima... — Emma brincou, tentando dissipar um pouco o clima tenso que pairava.

— E ninguém pediu a sua opinião sobre a geografia da minha cidade, Swan! — Regina retrucou, mas seu tom não era rude.

Emma apenas riu, enquanto incitava Argo a cavalgar. Na metade mais íngreme da colina, Regina sentiu a gravidade agir. Certificando-se de que não havia ninguém por perto para presenciar a cena, a prefeita viu-se forçada a se segurar na Ranger. Apoiou-se de leve na cintura da loira, mas um novo solavanco obrigou a morena a agarrar-se com mais força, abraçando a mulher por trás. Ela não podia ver, mas sentiu um sorriso nada discreto brotar nos lábios da xerife.

— Sabe, eu poderia me acostumar com isso... — a frase de Emma acompanhou o sorriso maroto.

Regina sentiu a face enrubescer e franziu a testa, de forma engraçada.

— Concentre-se na estrada, Swan! — advertiu.

O sorriso da Ranger apenas se alargou.

— Sim, senhora.

Notas finais
Minhas leitoras estão vivas ainda? haha Geeeeente, quem vai na Ever After? +_+ Eu e And estaremos lá! Se alguém for, quero conhecer! *_* Pensei em criar um grupo no whats com vocês, o que acham? Se quiserem , pode mandar o número por MP ^^ Beijos!! Até o próximo!