Once Upon A Time In Wild West...
32 There will be blood
Notas iniciais

Algumas horas se passaram até que vozes alteradas e esforços em conjunto se concretizassem em um plano. Com a pena em mãos, Emma rasurou o antigo mapa da cidade com um último círculo vermelho. As marcações estavam feitas e os detalhes minuciosamente discutidos entre eles. O Saloon estava imerso no silêncio, as pessoas entorpecidas com a ansiedade e nervosismo. O recinto mais agitado de Storybrooke vivia um momento inusitado e marcante em sua história.
Os salões, acostumados a proporcionar alegria e diversão à todos que ali passavam, agora encontravam-se na mais remota calmaria. O balcão, tão familiarizado com as risadas dos boêmios, aguardava solitário o retorno incerto de seus fregueses. A grande mesa de poker, acolhedora dos melhores momentos do estabelecimento, suportava agora apenas a ínfima esperança dos que lutariam para que os dias de festa pudessem retornar. Debruçados sobre a grande superfície de madeira, Rangers e cidadãos fitavam o mapa uma última vez antes de iniciar os preparativos.
Defender toda uma cidade contra uma horda de assassinos bem pagos e devidamente motivados não seria a tarefa mais fácil que a Ranger enfrentaria. Principalmente quando a cidade em questão possuía quatro meios de entrada diferentes. Eles podiam até estar em maior número, mas Emma conhecia muito bem o poder de um revólver em mãos habilidosas. Cada bandido bem treinado poderia equivaler a seis ou mais leigos na arte do tiro. Aquilo preocupava a Ranger, e ter de arriscar vidas desta forma não lhe agradava nem um pouco. E justamente por isso ela teria de usar todas as artimanhas disponíveis para minimizar as baixas, mas a única certeza absoluta a reinar naquele momento, era a de que fosse como fosse, elas existiriam.
Emma dividiu os homens em grupos, liderados por alguém de sua relativa confiança. Apontou os pequenos pontos vermelhos no mapa com o indicador.
— Preciso dessas barricadas prontas até o entardecer. — ordenou.
Leroy, David e Archie assentiram e retiraram-se, levando consigo seus seguidores. Tão repentinamente quanto havia se enchido, o Granny's viu-se abandonado. Restaram no salão apenas os dois Rangers e a garçonete.
— Então.. Qual dessas posições eu vou tomar? — ela imitou o gesto da Ranger, referindo-se a um dos pontos nos telhados.
— A posição de "trancada dentro de casa protegendo sua avó". — Emma não surpreendeu-se completamente com a iniciativa da amiga. Ruby era osso duro de roer, mas ela não queria mais uma preocupação em seu coração.
A loira recebeu um olhar de repreensão.
— Qual é, Emma! — Ruby protestou — Sei atirar melhor que metade daqueles homens e minha vó é dura na queda, pode ter certeza! Tenho dó do sujeito que chegar perto daquela lá...
O comentário conseguiu fazer com que Emma sorrisse. De fato, Granny parecia o tipo de pessoa que a loira não gostaria de irritar.
— Eu sei... — ela acariciou as costas da amiga — Mas preciso de você segura esta noite. Vou usar a estalagem como rota de fuga para os feridos e também como enfermaria... Preciso de alguém lá para socorrer os que chegarem.
Emma fitou a amiga nos olhos e foi difícil evitar que as lágrimas viessem. Tudo ficava diferente quando no meio de um combate como aquele, havia pessoas amadas envolvidas.
— Não confiaria essa tarefa a alguém que não você. — concluiu.
Ruby pareceu refletir por um momento. Ao decorrer de toda sua vida, a jovem morena nunca havia se deparado com tamanho desafio e aquilo provocava-lhe calafrios. Ela realmente gostaria de poder tomar um lugar ao lado da amiga e travar aquela batalha junto dela, mas sabia que Emma estava certa.
— Tudo bem. Pode contar comigo então! — Ruby passou o braço em volta do pescoço da loira.
Emma sorriu e encostou de leve sua testa na dela.
— Obrigada.
A garçonete também sorriu.
— Vou providenciar o necessário e passar as informações para a vovó!
Emma assentiu e após um abraço, Ruby retirou-se, partindo para preparar a estalagem. Antes de atravessar o vão da porta, trocou um singelo e silencioso olhar com o outro Ranger. Por mais improvável que pudesse ser, os olhos claros do homem deram-lhe a calma de que precisava naquele momento.
— É diferente, não é? — Carter comentou, retirando a loira de seus pensamentos solitários.
— O quê?
— Defender pessoas que você realmente ama...
Emma deixou o peso do corpo recostar-se na grande mesa de madeira. Seu olhar perdeu-se no amplo salão e imagens de sua primeira passada por ali invadiram-lhe a mente. O sorriso acolhedor da garçonete no balcão, a confusão em que havia se metido posteriormente, e é claro...O primeiro encontro com os penetrantes olhos castanhos da prefeita de Storybrooke. Perguntou-se com sinceridade se não havia sido aquele o real motivo de sua permanência na pequena cidade. Acabou sorrindo, no fundo ela já sabia a resposta.
— Bem diferente... — respondeu ao amigo.
Carter afagou-lhe o ombro e lançou-lhe aquele sorriso tranquilo que só ele sabia dar. Aquilo sempre acalmava a Ranger antes de entrar em combate. Não sabia o que teria sido de sua vida se o homem não tivesse cruzado seu caminho. Talvez, como todo o resto, não fosse apenas coincidência. De qualquer forma, agradeceu os espíritos por tê-lo ali com ela.
— Então... — Carter voltou a falar — Acha mesmo que vai funcionar? Acha que não virão por ali?
O homem apontou o esboço da ponte de madeira no mapa.
— Não acho que ele seja idiota a esse ponto... Investir em um ataque direto como esse, não faria sentido. Levariam uma bela desvantagem de terreno.
Carter acabou concordando com a cabeça.
— Além do mais, se tivessem vindo pela frente.. Creio que já teríamos sofrido um ataque. — Emma observou — Não.. Acho que estão dando a volta.
— Pode ser. E o que vamos fazer com o senhor "N"? — Carter assistiu a expressão da loira enrijecer.
— Virá ao meu sinal. Estão acampados próximos daqui, mas não os quero dentro de Storybrooke até que seja necessário.
— De acordo...
O Ranger parecia nutrir tão pouca afinidade pelo sujeito em questão quanto Emma. Indicou agora o risco vermelho sobre o papel.
— E isso? Acha mesmo que vai funcionar?
Emma deu de ombros.
— Conscientemente ou não, vai atrair atenção. E é o que precisamos.
Após refletir por alguns segundos, o homem anuiu.
— Quero Regina e Henry seguros e longe do conflito. — Emma desabafou, de forma inconsciente.
— E o restante das pessoas. — Carter completou sua frase.
— Naturalmente! — Emma sentiu as bochechas queimarem e repreendeu-se por parecer egoísta naquele momento.
A risada do homem ecoou pelos salão e a Ranger acertou-lhe um leve soco no ombro.
— Vem. Vamos organizar as coisas. — a loura enrolou o mapa e pela primeira vez em anos, o Saloon viu-se completamente vazio.
—_________________________________________________________
Storybrooke vivenciava os primeiros sinais reais de que uma guerra se aproximava. A Ranger não via tantas pessoas na rua desde o festival da colheita, mas o clima agora não era de comemoração. O sol ardia acima de sua cabeça, mas ela não reclamou. Precisava aproveitar cada segundo antes do anoitecer... Distraída com seus pensamentos, Emma só notou a aproximação da mulher quando já estava a um passo de esbarrar nela.
— Espero que lute com mais atenção do que caminha, Miss Swan.
Um sorriso brotou instintivamente em seus lábios ao ouvir a tão conhecida voz. Carter apossou-se do mapa que ela carregava e lançou-lhe uma piscadinha discreta.
— Resolva suas coisas, eu cuido do pessoal. Nos encontramos depois. — ele disse à loira.
Emma meneou com a cabeça e o homem seguiu seu caminho. Ao erguer os olhos e deparar-se com a morena, sentiu o familiar calafrio percorrer-lhe o corpo. Faziam menos de seis horas desde que haviam se visto pela última vez, mas a xerife começava a sentir uma crescente necessidade da presença da prefeita. Regina sempre carregava consigo aquele tom de sarcasmo, mas Emma pôde ler em seu rosto sinais de preocupação.
— Acha que estamos preparados? — Regina deu uma olhada em volta, as ruas da cidade estavam agitadas com o vai e vem do pessoal.
— Estamos fazendo o melhor que podemos... — a resposta de Emma não soou tão convincente quanto ela desejava. Tentou disfarçar desviando o rumo da conversa — Preciso ajeitar algumas coisas na mansão. Está indo pra lá?
A prefeita assentiu.
— Precisa arrumar o que achar necessário também. Quero você e Henry instalados o quanto antes. — a xerife prosseguiu.
Por impulso, Regina balançou a cabeça afirmativamente. Só então ela processou a frase da loira.
— Espera! — Emma já havia começado a caminhada, e a prefeita precisou segura-la pelo braço — Não está pensando em me deixar trancada, está?
Emma não soube definir sua expressão no momento. O que estava dando naquelas mulheres? De repente, todas elas pareciam prontas para entrar em combate! Mas se tem uma coisa que ela não conseguia imaginar, e com certeza absoluta não iria permitir, era a prefeita no meio daquele conflito. Ela era o alvo que os bandidos queriam e de nada ajudaria no meio da confusão.
— Regina..._
Antes mesmo da palavra seguinte, ela foi interrompida.
— Swan, não vou deixar que outros lutem minhas batalhas. Sabe muito bem o quão envolvida nisso eu estou.
A voz da prefeita expressava todo seu pesar, e Emma pôde notar um traço de sincero arrependimento ali.
— Eu sei... — pousou a mão no ombro da morena — Mas tornar-se um alvo no meio dessa guerra não vai ajudar. Pelo contrário...
Regina estava pronta para protestar, mas sabia que a Ranger estava com a razão e não encontrou argumentos plausíveis para contrapor sua opinião.
— Sei que está procurando por algum tipo de redenção... — as palavras da loira pegaram a prefeita de surpresa — Mas não vai alcançá-la se não estiver viva.
Emma era mesmo uma pessoa única. A morena não tinha ideia de como a mulher conseguia ler seus sentimentos com tamanha clareza.
— Tudo bem... — forçou-se a concordar.
Emma lançou-lhe um fraco sorriso.
— Vamos.
—_________________________________________________________
Elas caminharam até o Saloon, onde Argo estava não muito distante. Emma desamarrou o animal e montou, estendendo a mão para a morena, em seguida. Regina fitou o gesto, exibindo um misto de expressões em seu rosto.
— Não espera que eu vá na sua garupa, espera?
— Algum problema? — o protesto de Vossa Majestade já era esperado pela loira, mas ela provocou mesmo assim.
Regina torceu o nariz, mas Emma notou que ela tentava esconder um singelo sorriso.
— Não acho que seja muito apropriado... — a prefeita fitou as ruas da cidade, em polvorosa.
— Ora, Madam Mayor! — Emma protestou — Não temos tempo para formalidades!
Regina acabou assentindo, com menos resistência que queria demonstrar. Permitiu que a loira a puxasse e tomou seu lugar atrás dela.
— Ninguém mandou você construir o "castelinho" lá em cima... — Emma brincou, tentando dissipar um pouco o clima tenso que pairava.
— E ninguém pediu a sua opinião sobre a geografia da minha cidade, Swan! — Regina retrucou, mas seu tom não era rude.
Emma apenas riu, enquanto incitava Argo a cavalgar. Na metade mais íngreme da colina, Regina sentiu a gravidade agir. Certificando-se de que não havia ninguém por perto para presenciar a cena, a prefeita viu-se forçada a se segurar na Ranger. Apoiou-se de leve na cintura da loira, mas um novo solavanco obrigou a morena a agarrar-se com mais força, abraçando a mulher por trás. Ela não podia ver, mas sentiu um sorriso nada discreto brotar nos lábios da xerife.
— Sabe, eu poderia me acostumar com isso... — a frase de Emma acompanhou o sorriso maroto.
Regina sentiu a face enrubescer e franziu a testa, de forma engraçada.
— Concentre-se na estrada, Swan! — advertiu.
O sorriso da Ranger apenas se alargou.
— Sim, senhora.
Fale com o autor