Notas iniciais
Oi meninas!!! Quanto tempo , né? Estive ocupada ultimamente, e confesso que uma crise de inspiração também me pegou no caminho rs Mas consegui terminar este capítulo e acho que vou engatar com mais firmeza na continuação dos próximos! Agradeço a quem continuar por aqui, e agradeço desde já a paciência! Boa leitura!!

Do topo da colina, o olhar da xerife de Storybooke perdeu-se no horizonte avermelhado daquela tarde. Enquanto aguardava a morena retornar, Emma contemplou a movimentação na cidade. Já não reinando mais absoluto, o sol dividia espaço no céu com os primeiros sinais do crepúsculo que viria roubar-lhe a cena, anunciando a noite no deserto. Os preparativos para a fogueira que havia ordenado já estavam sendo finalizados e ela pôde ver ao longe, Carter posicionando estrategicamente sua milícia.

Voltando-se para a mansão, decidiu procurar Regina. Sabia que era difícil para ela, que estava em choque... Queria apoiá-la, mas o tempo era precioso e a presença da Ranger era necessária nos preparativos para o combate. Com duas leves batidas na porta, ela adentrou o hall da construção.

— Regina? – chamou.

Encontrou a prefeita no cômodo adjacente, próxima ao piano. Aquele objeto em especial invadiu-lhe a mente com lembranças de uma noite que jamais seria esquecida. Inevitavelmente foi levada a sorrir.

Regina segurava algo entre as mãos, quando a loira se aproximou. Guardada por uma moldura cuidadosamente trabalhada, havia uma antiga foto. Emma não tinha notado o objeto das outras vezes em que estivera ali, mas a expressão de Regina demonstrava a importância que tinha para ela. Observando cuidadosamente a imagem ela notou o motivo.

Em tons de preto e branco, a antiga foto exibia um senhor, abraçando uma jovem moça com um bebê no colo. No olhar do falecido pai da prefeita, repousavam os mesmos confortantes olhos castanhos que a Ranger havia se acostumado a procurar. O chapéu da cavalaria, que ela mesma carregava no momento, descansava sobre a cabeça do homem e o sorriso no rosto da morena era sereno.

— É a única foto que tenho dele... – Regina confessou.

A tristeza era visível em sua voz, e isso comoveu à loira. A dor de perder alguém que amava era uma velha conhecida da Ranger, julgando primeiramente seu ramo de trabalho, onde o dever e as fatalidades caminhavam de mãos dadas. Ela apenas rezou para que não voltasse a senti-la naquela noite.

Regina retornou o retrato ao seu lugar de origem e preparou-se para partir. Emma pegou a bolsa que ela havia preparado e jogou por cima do ombro.

— Tem o essencial aqui? – indagou à prefeita.

Regina assentiu e elas caminharam em silêncio, deixando a mansão. A prefeita apagou as luzes e trancou a porta. Enquanto empenhava-se nessa tarefa, um leve calafrio percorreu-lhe o corpo. De alguma forma, Regina soube que a próxima visita a sua casa seria ainda menos agradável que aquela breve despedida.

***

Do topo de uma pequena colina, o homem avistava a linha do trem e os contornos da tímida cidade que se estendia. Os últimos raios de sol deixavam o céu, e ele sabia que o momento se aproximava. O farfalhar de asas de um corvo forçou-o a desviar o olhar de seu alvo e ergue-lo para o céu. Oferecendo o braço, o animal pousou sobre sua camisa.

Amarrado em uma de suas finas pernas, estava um pequeno pedaço de papel enrolado que foi retirado pelo homem. O conteúdo, seja ele qual fosse, fez com que um maldoso sorriso brotasse no rosto mascarado. Com um gesto de mão ele deu a ordem e seus cavaleiros prepararam-se para montar.

***

Na descida colina abaixo, elas praticamente não conversaram. As palavras lutavam para sair, mas nenhuma ousava pronunciá-las, temendo que isso pudesse atrair algum mau presságio. O conflito nunca estivera tão próximo, e Regina percebeu que somente agora o peso concreto daquele momento caía sobre seus ombros. Mas lutou para não deixar transparecer os medos que corroíam seus pensamentos.

A cidade nunca exibira tanto movimento, e elas cavalgaram até a rua principal. Acelerando o galope, Emma procurou por Carter. Encontrou-o por sobre um dos telhados, terminando de instruir alguns homens numa barricada.

— Carter! – chamou.

O amigo dirigiu-lhe a atenção.

— Vou acomodá-los. Pode posicionar os homens, estarei de volta em dois minutos. – disse.

O homem assentiu, e Argo galopou em direção à fazenda Encantada.

***

Regina foi a primeira a descer do cavalo cor de palha. Ela segurou a mochila com suas provisões e deu o primeiro passo em direção à casa. Uma mão rapidamente segurou seu pulso e ela virou-se, encontrando o olhar de Emma.

— Não teremos tempo para nos despedir... – a loira disse, sem saber expressar-se ao certo – E também não sou muito boa com essas coisas.

A Ranger saltou do cavalo, parando ao lado da mulher.

— Três de nossos homens ficarão com vocês, inclusive Archie. – informou – Tranquem a casa e apaguem todas as luzes... Alguém virá informa-los quando tudo tiver terminado.

Regina assentiu, e desviou levemente o olhar, sabia que uma lágrima iria desprender-se a qualquer momento.

— Regina, é muito importante que vocês__

— Nós ficaremos bem. – a prefeita interrompeu – Não se preocupe, já terá coisas demais para se atentar. E Henry é um menino esperto... Acho que puxou isso de ambas as mães.

A tensão do momento foi quebrada por sorrisos que iluminaram os rostos das duas mulheres.

— Ms Swan... – ela retomou a fala, com um tom sereno – Prometeu uma vez a Henry que traria o chapéu dele de volta, e vi que deu a alma para que isso fosse feito. – a morena retirou o anel de um dos dedos e pousou-o na mão da Ranger. Era quase irônico como aquela joia assemelhava-se com perfeição o tom dos verdes olhos da loira. Regina a tivera por praticamente toda sua vida, mas não era tarde para que um novo significado se fundisse aos cristais da esmeralda – Prometa que me trará de volta.

Emma fitou o objeto em sua palma estendida. O pequeno anel carregava naquele momento um peso infinitamente superior ao que realmente continha, e a loira quase pôde sentir isso se expressando fisicamente. Portava agora a profundidade de uma promessa e a esperança de um coração aflito.

— Eu prometo. – as palavras deixaram os lábios da Ranger em forma de prece, enquanto apertava fortemente a joia em sua mão.

Regina assentiu com o olhar, sentença nenhuma seria necessária para comprovar sua plena confiança na xerife.

— Agora vá... – Emma voltou a dizer.

Os olhares das duas se cruzaram de maneira tão intensa que elas seriam capazes de descreve-los com perfeição, mesmo que anos viessem a se passar depois daquele momento. Regina deu um passo adiante, sem interromper o contato. Permitiu que seus lábios seguissem o caminho desejado, encontrando os de Emma.

Não havia ninguém por perto, e mesmo se houvesse, ela não teria feito diferente. Regina rezava com todas as suas forças para que não, mas poderia estar olhando para o rosto corado da loira pela última vez. A imagem da Ranger na cabana, imóvel e sem vida, irrompeu em sua memória. Uma nova lágrima correu por sua face, mas Emma interrompeu o terno beijo e a enxugou com o polegar. Um tímido sorriso formou-se em seu rosto e aquela tranquilidade momentânea atenuou as aflições da morena.

Não trocaram mais palavras, pois a essência daquela despedida era mais forte do que qualquer uma delas. Emma voltou a montar seu cavalo e Regina seguiu a caminho da casa. Alguns poucos passos depois, virou-se e bradou em voz alta:

— Emma!

Puxando as rédeas de leve, a loira virou-se.

— É um anel muito especial... – completou, com um fraco sorriso.

A xerife também sorriu, encaixando a joia esmeralda em um de seus dedos. Voltou-se para Regina, e seus olhares se encontraram pela última vez antes que ela se afastasse.

— De fato... Pertence a uma mulher muito especial. – respondeu.

***

Os passos de Argo pareciam pesados, e as imagens que a loira presenciava à medida em que atravessavam a rua principal de Storybrooke pareciam correr em câmera lenta. Ela vislumbrou os vultos dos homens nos telhados, as barricadas improvisadas dispostas do longo da principal rota da cidade e o desenho da grande fogueira mais à frente.

Despediu-se da amiga na enfermaria que haviam montado na estalagem e também da matriarca que a havia recebido tão calorosamente em seu primeiro dia ali. Pareciam que anos haviam se passado desde aquela lembrança. Desceu do cavalo e afagou-lhe o pescoço, incitando o animal a afastar-se. Continuaria por perto, caso ela lhe chamasse, mas não participaria ativamente do embate.

Argo relutou em acatar seu comando desta vez, parecia sentir a gravidade da situação. Mas Emma acabou vencendo a disputa e com um relinchar melancólico ele galopou para fora de sua visão.

Os feixes de luz da tarde que ainda resistiam, acabavam de ser engolidos por detrás das montanhas e a escuridão iniciava seu reinado, anunciando uma noite que seria, de fato, dominada pelas trevas. Parada no centro da malha de ferro que traçava a cidade, o olhar de Emma perdia-se no horizonte. Carter parou ao seu lado.

— Estamos prontos. – declarou – Os homens do "Sr N." estão de prontidão?

— Sim. Aguardam meu sinal. – respondeu.

A loira fitou o amigo. A expressão serena que costumava exibir dava lugar às fortes linhas que desenhavam seu rosto naquele momento, denotando sua concentração ante à batalha que estavam prestes a se iniciar. Apesar disso, os olhos profundos e confortantes continuavam a brilhar por detrás daquela preocupação.

Emma assentiu e correu o olhar por toda a extensão da pequena cidade, certificando-se de que tudo estava em seu devido lugar. Satisfeita com a constatação, ela tocou o ombro do amigo.

— Muito bem. Vamos botar essa fogueira pra arder. – anunciou.

***

Poucas centenas de metros os separavam dos limites de Storybrooke. Trajados de negro, as sombras da noite encobriam seus passos com o manto da escuridão. Um dos cavaleiros aproximou-se do líder mascarado.

— Todos estão preparados. – disse.

— Ótimo. – uma voz grave veio em resposta – Escolha três dos homens e já sabem o que fazer. O restante seguirá o plano inicial.

O capanga assentiu, mas sua expressão denotava um traço de incerteza.

— Mas, senhor... – ambos fitavam os contornos de uma fogueira que queimava à distância. As chamas tremeluziam, iluminando parcialmente a entrada da cidade, que parecia deserta – Não acha que isso pode ser uma armadilha?

Por detrás da máscara, intensos olhos claros encararam o cavaleiro. Nem mesmo o ar da noite cortava de forma tão gélida quanto o olhar de seu superior, e ele tremeu.

— Seria decepcionante se não fosse, não acha? – a curta resposta veio acompanhada de um sorriso macabro.

Naquele exato momento o homem amaldiçoou suas escolhas e os fatos que o haviam levado para a vida do crime. Já era tarde para voltar atrás, e ele percebeu que muito provavelmente não teria chance de tomar novas atitudes no futuro. O som de dezenas de cascos pisoteando sem piedade o árduo chão do deserto preencheu o silêncio da noite.

***

Em poucos segundos a luz das chamas da grande fogueira eram as únicas a iluminar fracamente a entrada secundária de Storybrooke. O luar alternava-se por sob as nuvens, ora presente, ora completamente apagado. Do telhado da igreja, Emma aguardava qualquer tipo de movimentação. David assumia a visão do Saloon, e Carter tinha sua posição do lado oposto da rua, por sobre os telhados da prefeitura.

A Ranger trocou um olhar à distância com seu parceiro, e mesmo sem a iluminação adequada, ela percebeu que compartilhavam do mesmo pensamento: estava quieto demais.

Esforçando-se para vencer a escuridão, ela vasculhou rapidamente as redondezas. O vento balançava os galhos das árvores e os grilos interromperam sua serenata naquela noite. Para sua surpresa, ela vislumbrou o vulto de algo se movendo próximo à escola. Ergueu-se para conseguir uma melhor vista.

Não fosse tudo o que havia ocorrido naqueles últimos dias, Emma questionaria sua sanidade. O vulto pertencia a um grande lobo pálido que caminhava por ali. Ele deteve-se, virando-se lentamente para ela. Emma jurou que podia vê-lo encarando-a nos olhos. Animal, espírito, ou o que fosse, não importava. A expressão de aviso é universal.

Tão repentinamente quanto havia surgido, o vulto branco desapareceu carregado pelo vento. Mais que depressa, Emma fez sinal para que Carter ficasse de prontidão. Com dois pulos em lugares estratégicos, ela desceu de seu posto e pôs-se a caminhar com cautela. Sua intuição lhe dizia que algo estava errado com a barricada da escola.

***

Gold checou Belle pela décima vez antes de trancar novamente o cômodo. O escritório reserva, localizado no andar subterrâneo da mansão não possuía janelas, e ele sabia que a esposa estaria segura ali. Voltou a sentar-se em sua poltrona na antessala, e permitiu-se um tímido gole de whisky. Seus guardas estavam posicionados por toda a propriedade, mas ainda assim ele não se sentia completamente seguro.

Imerso em seus próprios pensamentos e alimentando o amargor que tomava seu coração, ele brincou com o copo na mão.

— Senhor? – o chamado veio acompanhado de um leve toque na porta.

— Sim? – respondeu, sem desviar o olhar.

— Notícias da Ranger.

— Entre. – ordenou.

Já estava na hora, pensou.

O homem de negro adentrou o recinto, com passos leves e decididos. Gold ainda tinha sua atenção voltada para o objeto e não pareceu importar-se. Mas deveria...

— E então? O embate acabou? – perguntou, mas sem esperança sobre a resposta. Não havia escutado um tiro sequer até o momento.

— De fato... Para você acabou.

Ao ouvir a grave voz de perto, memórias iluminaram como chamas a mente do banqueiro. O copo veio ao chão, derrubando o restante do líquido cor de âmbar que ainda continha e um calafrio cortante percorreu sua espinha. Alcançou a arma que estava a seu lado, mas já era tarde demais. Um doloroso chute acertou sua mão, e o revólver voou para um canto do cômodo. Erguendo o olhar ele deparou-se com uma máscara negra cobrindo o rosto de seu antigo nêmeses, mas os mesmos olhos sedentos de vingança brilhavam por detrás dela. Ele trajava o uniforme do chefe de sua guarda, mas o gancho brilhava no lugar de uma de suas mãos.

***

Emma esgueirou-se, acobertada pelas sombras. Logo o contorno da escola ficou visível e ela alcançou uma de suas paredes. O frio daquela noite parecia mais intenso, mas foi o mau pressentimento que fez com que os pelos de seu braço se eriçassem. Ela percorreu os vértices da escola, colada junto à parede. A barricada montada por eles estava do lado oposto, próxima aos rochedos da colina que se erguia.

Ao completar a parede final, antes de inclinar-se para observar o que estava acontecendo, Emma soube que definitivamente havia algo errado. Um revólver jazia jogado mais a frente, sem dono. Abaixando-se para usar um arbusto como cobertura, ela abriu o leque de sua visão para a cena que arrancou um suspiro de terror da Ranger: os cinco homens que deveriam estar em seus postos, encontravam-se espalhados pelo chão. Armas distribuíam-se de maneira aleatória por todos os lados e fartas poças de sangue manchavam a terra ao redor dos corpos.

O desespero que acometeu a Ranger foi de tal forma avassalador que ela precisou fechar os olhos por um segundo. Já havia presenciado chacinas muito piores, mas no centro da clareira, estirado com os olhos vazios voltados para o céu e a garganta aberta em um rasgo, estava Jake, o garoto que a havia atendido durante todos as noites no Saloon. Ela compreendeu por completo naquele momento o motivo de seu trabalho exigir o menor número de relacionamentos possíveis com outras pessoas.

Um ódio avassalador invadiu o âmago da Ranger e ela forçou-se a abrir os olhos para a realidade. O tempo estava contra eles e seus inimigos tinham se provado piores do que ela havia previsto. Correu até a cena, constatando de fato o óbito de todos os integrantes. Sem perder mais um segundo sequer, sacou a arma e recolheu uma das pequenas tochas ali. Jogou-a sem piedade sobre uma pilha de lenha ao lado, emitindo o sinal de aviso para os outros postos.

O fogo acendeu-se quase que instantaneamente e os olhos de Carter dirigiram-se aterrorizados para os fundos da escolinha. Fartas e pesadas nuvens encobriam a lua e as trevas estavam prestes a tomar Storybrooke. No momento em que Emma apareceu no campo de visão, Carter soube que a coisa estava feia.

A loira concentrou-se, tentando vencer o escuro que encobria a cidade e definir seus próximos passos. Um arrepio percorreu seu corpo e ela sentiu uma presença ao seu lado. O grande lobo que havia aparecido mais cedo estava ali. Calmamente ele induziu o olhar da loira mais à frente e ela sentiu uma intensa onda de energia tomar-lhe. Fechou os olhos e cambaleou.

Quando voltou a abri-los, o animal já não se encontrava em qualquer parte. O mais curioso é que algo parecia surpreendentemente diferente. Uma folha da árvore ao lado caiu, e Emma pulou assustada. Sua audição captava o menor dos ruídos com assustadora precisão. O escuro parecia inexistir e ela enxergava tão bem como se o sol ali estivesse presente.

— Onde eles estão? – Carter gritou, colocando todos em alerta.

As pupilas da Ranger dilataram-se como as de um animal e uma ferocidade fora do comum apossou-se de seus instintos. Ela ouviu cascos de cavalo se aproximando pela entrada principal e percorreu o restante da cidade com o olhar. Apesar de completamente encobertos pela escuridão e disfarçados de negro, os inimigos apresentavam-se a ela como alvos pintados de branco. Entretanto, as palavras em resposta morreram antes de deixar seus lábios. Eles estavam por toda a parte .

Notas finais
Eu tendo a ser um pouco detalhista de vez em quando e acho que ainda veremos alguns capítulos com essa batalha rs Mas espero que estejam gostando! Se ainda ta viva por aqui, deixa um comentário pra eu poder revê-la! ^^ Queria aproveitar também pra agradecer a TheWickedSwan (And-Chan) que betou e postou o cap ontem por mim e falando nela, passem pra ver a atualização de Harvest Moonlight! Beijos, meninas!