Notas iniciais
E depois de mil anos... Retornei rsrs Gente, queria pedir desculpas pela falta de tempo para atualizar as fics... Foi uma época tensa também, com alguns acontecimentos que tiraram totalmente o meu foco para escrever. Mas queria agradecer também pelos comentários no cap anterior *_* Obrigada mesmo ^^ Teve até gente nova nas reviews *_* Aqui está a continuação e assim que der vou tentar atualizar a outra fic ^-^ Boa leitura!

Grande Águia adentrou a cabana e ao vê-lo o rosto de Emma iluminou-se. O ancião caminhou até ela e foi recebido com um caloroso abraço. A índia veio logo atrás, e Emma abraçou-a com o mesmo entusiasmo. Regina não gostou nada daquilo, mas não interferiu. Nem sabia se tinha direito de sentir-se incomodada... Então apenas afastou-se, dando um pouco de espaço para aquele reencontro.

* — dito no idioma Cherokee

— * O que fazem tão longe de casa? * — Emma dirigiu-se ao índio. O coração da grande tribo Cherokee localizava-se a muitas milhas dali, nos territórios entre o Arkansas e o Tennessee.

— * Os irmãos Pennacook precisavam de reforços na Reserva... — Grande Águia explicou — E você precisava de minha orientação...*

O ancião sorriu e Emma o acompanhou. De repente, ela percebeu que mesmo que as vezes não houvesse alguém realmente a seu lado, ela não estava sozinha.

— Bom ver você... — ele arriscou no idioma comum.

Emma alegrou-se ao ver que o índio ainda se lembrava de algo do que ela havia ensinado. A conversa prolongou-se um pouco mais, mas de qualquer forma aquela foi a única parte que a prefeita entendeu. Sentia-se deslocada ali e queria dar privacidade a eles. Começou então a se esgueirar para fora da tenda, mas parou ao perceber que era observada. Grande Águia acenou para que ela se aproximasse e Regina obedeceu, em silêncio. Sentou-se ao lado do índio.

— Obrigado. — ele disse no idioma comum, e completou com um gesto indígena de agradecimento — Grande Águia saber que conseguiria.

Regina não sabia o motivo de tal gratidão até que, refletindo um pouco...

— Espera. — ela encarou os olhos da loira e depois voltou-se novamente para ele — Você sabia...

Foi ai que tudo pareceu fazer um pouco mais de sentido. Ela havia ficado furiosa ao ver o índio desistir de Emma tão facilmente. Não tinha cavalgado aquelas milhas à toa! Mas agora ela parecia compreender o motivo.

— Lobo Negro ser a única capaz de trazer ela de volta. — ele deu um sorriso fraco e pousou a mão no ombro da prefeita.

Após o gesto, o ancião retirou-se. Regina havia se sentido realmente honrada, mas respirou mais aliviada depois que o índio deixou a tenda. A prefeita não estava muito habituada à presenças daquele nível, o maior posto sempre havia sido o seu. Virou-se para a loira, e percebeu então que ainda não estavam a sós. Pocahontas entendeu a deixa e decidiu acompanhar o índio. Com um último olhar — e com certo toque de hostilidade, notado por Regina — ela retirou-se.

Sozinha com a Ranger uma vez mais, a prefeita não conteve sua curiosidade.

— Vai me surpreender com mais uma história mirabolante sobre esses índios, Ms. Swan?

Emma riu, a velha prefeita estava de volta. Tentou sentar-se, mas ainda estava um pouco fraca e acabou se desequilibrando. O ferimento estava cicatrizado, mas o corpo ainda sofria um pouco com o impacto da bala. Com uma ajudinha da morena, ela conseguiu se ajeitar.

— Sabe, eu e Henry temos mais em comum do que imagina... — ela admitiu — Fiquei órfã quando ainda era praticamente um bebê.

Após ajudar a loira, Regina sentou-se de frente para ela. Aquela nova informação instigou ainda mais sua curiosidade.

— Seus pais, eles...?

— Ninguém sabe. Se morreram ou apenas me abandonaram, o importante é que a sorte estava do meu lado naquele dia... De alguma forma — o olhar de compaixão da morena deu-lhe forças para continuar o relato — fui encontrada por um índio... E me criaram, como se fosse uma deles. Sem Grande Águia eu com certeza não estaria aqui, e não teria me transformado no que sou hoje..

— Você.. É a filha do chefe??— sussurrou.

Emma riu.

— Pode-se dizer que sim... Grande Águia nunca pôde ter filhos... Dedicou todo o seu tempo então única e exclusivamente ao bem estar da tribo, tornando-se o mais sábio dos Cherokee e nosso líder. Quando me encontrou aquele dia, disse que foi um presente dos espíritos. E me criou como se fosse sua filha.

Regina percebeu então que sua fala anterior estava correta. Emma sempre conseguia surpreende-la. Ela nunca havia se perguntado sobre o passado da loira, mas uma história assim com certeza não era de se esperar.

— E Pocahontas? — arriscou. Pelo que havia percebido ela e Emma eram próximas... Até demais.

Emma sorriu discretamente ao notar certo ciúme na voz da prefeita.

— Ela é filha do segundo no comando... Powatan é o irmão mais novo de Grande Águia, e lidera os guerreiros.

— Então vocês são... Primas?

— Basicamente. Fomos criadas juntas...

A prefeita torceu o nariz, mas escondeu aquela reação da loira. E falando do diabo...

— Trouxe para vocês.

As duas estavam entretidas na conversa e nem notaram quando a índia retornou. Ela trazia nas mãos duas tigelas.

O inglês da nativa era bem desenvolvido, Regina notou. Devia pratica-lo com a Ranger com certa frequência e a prefeita sentiu-se irritada com aquela ideia. Emma agradeceu e Regina apenas acenou com a cabeça. Pocahontas era linda, mais jovem, e tinha aquele toque exótico atraente. Mesmo que fossem "primas", a prefeita não sentia-se confortável com a proximidade entre ela e a loira. E olha só! Quem era ela para sentir-se ou não incomodada com os relacionamentos da Ranger?

Nenhuma das duas tinha discutido sobre o beijo mais cedo, mas também não tiveram tempo. Regina ainda não sabia direito o que aquilo significava ou como as coisas se desenrolariam daqui pra frente, mas tentou afastar aquele pensamento por hora.

— Vamos recolher as tendas ao nascer do sol... — Pocahontas dirigiu-se à Emma — Vai voltar conosco?

A voz da índia estava carregada de expectativa, fazia anos desde que ela havia visto a loira pela última vez. Emma lançou um olhar discreto para a prefeita ao lado. Regina tentava se virar com o ensopado, aparentemente não utilizavam talheres por ali, e fingiu não dar importância para a conversa paralela.

— Ahn... Na verdade, estou envolvida com algumas tarefas atualmente... — ela tentou não desapontar a índia — Prometo visita-los quando der. — sorriu.

O brilho no olhar da nativa esvaiu-se, mas já esperava por uma resposta semelhante, de qualquer forma. Desde que havia ingressado nas Forças Especiais do Texas, ela via a amiga com menos frequência a cada tempo. O trabalho sempre manteria Emma ocupada, enquanto a criminalidade vagasse pelas terras americanas... O que seria eternamente.

Ela dirigiu à Emma mais algumas palavras no dialeto indígena e voltou a deixar a tenda. Sai a índia, entra o animalzinho. Justo quando a prefeita havia pensado que comeria em paz.

— Ahh não... — ela protestou ao ver o guaxinim aproximar-se.

Emma mordeu os lábios para não rir. O animal invadiu o espaço pessoal da morena como se ele nem mesmo existisse. Subiu por suas costas, e começou a fuçar em seus cabelos a procura de algo interessante. Com a tigela nas mãos, Regina tinha poucas opções para se defender.

— Emma?! Uma ajudinha?

— Meeko!

O guaxinim, que tinha agora grande interesse no caldo que a prefeita segurava, parou e olhou a loira.

— Seja bonzinho... — Emma implorou. Aquela cena era impagável, mas não queria uma prefeita rabugenta pelas milhas que ainda tinham que percorrer de volta.

O animal então fez menção de ir embora, mas dois passos depois, voltou correndo e deu uma grande lambida na tigela da morena.

— Mas que diabos..!! — ela protestou.

Emma não conteve-se desta vez e sua gargalhada pode ser ouvida em alto e bom som. Meeko foi proteger-se da ira da mulher branca atrás de sua amiga e Regina rejeitou o restante do caldo, colocando a tigela de lado. Ao ver a comida desprotegida, o guaxinim atacou novamente. Caiu sobre a tigela, lambuzando-se no caldo.

— Vai! Pode ficar! — a prefeita cruzou os braços — Eu não ia comer mesmo...

— Vem cá. — Emma chamou — Divide comigo.

Uma pontada de incerteza atingiu Regina, mas os acontecimentos anteriores tinham deixado a morena com fome. Sentou-se então ao lado da loira.

— Nem sabia que guaxinins comiam esse tipo de coisa...

— O difícil é achar o que eles não comem...

A prefeita acabou por rir, mas foi ai que lembrou-se do problema com os talheres. Ao notar que Regina estava sem graça, Emma adiantou-se. Levou a tigela em direção aos lábios da morena. A prefeita encarou-a por um segundo, mas acabou cedendo. Deixou que Emma conduzisse e tomou um generoso gole. O calor da comida era recebido de bom grado por ambas. Depois do que haviam passado, era o mínimo de que precisavam.

— Vamos partir assim que terminarmos, ok? — Emma anunciou.

Ambas sabiam que Storybrooke devia estar um caos com o sumiço delas e ainda tinha Henry... Precisavam se apressar, mesmo que os corpos exigissem o contrário. A prefeita concordou com a cabeça. Emma então levou a tigela à boca e sorriu ao perceber que tocava novamente os lábios da prefeita, mesmo que indiretamente. Regina notou o gesto e desviou o olhar. Sabiam que haviam diversas preocupações e grandes problemas por vir, principalmente após aquele novo ataque. Mas ambas sorriam em silêncio com a mesma imagem na mente... Aquele beijo não seria esquecido tão cedo.

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Emma conversou com seu povo por algum tempo mais, enquanto a morena preparava-se para partir. Despediram-se então e a Ranger foi buscar o cavalo que havia sido igualmente medicado. Pocahontas aproveitou a situação para puxar Regina de lado.

— Mais o que é que.._

— Escuta — a índia não tinha muito tempo, então tinha que ser direta — Escolhida ou não, saiba que tem uma responsabilidade em mãos...

Regina não fazia ideia do que se tratava, mas decidiu deixar que a outra terminasse.

— Se você desaponta-la ou magoá-la__

— Não vou. — a prefeita cortou a frase quando deduziu o rumo da conversa, livrando o braço das mãos da índia, de forma quase rude.

Pocahontas não estava esperando por uma atitude tão firme, mas ela não conhecia a prefeita de Storybrooke.

— Muito bem. Espero que mereça o que lhe foi concedido.

— Não se preocupe. — a morena voltou a impor-se. Curta e grossa.

E dito isso, Regina voltou a caminhar em direção à Ranger. Ofereceram-lhe um segundo cavalo, mas a desculpa dada foi que supervisionaria Emma, caso ela tivesse uma recaída. A loira que não ia protestar. Antes que subisse atrás de Emma, Grande Águia chamou-a e colocou uma espécie de colar em seu pescoço. Um lobo negro havia sido entalhado em madeira e pendia na extremidade do cordão.

— Para dar força. — disse no idioma comum.

A morena sorriu e agradeceu. Nunca iria esquecer-se da primeira vez em que vira aquele rosto na fumaça da fogueira e de como juntos, haviam salvado Emma. Subiu no cavalo e elas partiram.

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Regina foi embalada pelo cavalgar de Argo e acabou cochilando. Involuntariamente, agarrou-se à cintura da loira e repousou a cabeça em seu ombro. Quando mudaram de direção, o movimento fez com que despertasse. Ainda meio sonolenta, percebeu a situação em que se encontrava e logo desvencilhou-se. Emma percebeu o que acontecia e riu baixinho.

— Hey, está tudo bem... — ela pegou os braços da morena a passou-os novamente ao redor de sua cintura.

Regina corou, mas agradeceu por Emma não poder ver.

— Ahn.. Posso te perguntar uma coisa? — a prefeita arriscou.

— Claro...

— Lá atrás... Me chamaram de Lobo Negro. E notei alguns olhares estranhos dos índios, não sei explicar... — Regina mencionaria ainda a tal conversa com Pocahontas, mas acabou decidindo omitir essa parte — O que significou tudo aquilo?

O que significa tudo aquilo, Emma quase corrigiu.

— Vamos ter tempo pra conversar depois, prometo... Mas agora acho que temos assuntos mais urgentes. — ela acenou com a cabeça e Regina olhou por cima de seu ombro para ver o que era.

Um grupo de cavaleiros se aproximava, levantando poeira no deserto.

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Ruby andava de um lado para outro. Henry já estava começando a achar que a qualquer momento ela faria um buraco no piso do Granny's.

— Calma... — ele tentou tranquilizar — Logo vão achá-las.

A morena parou e fitou o garoto.

— Como consegue? — ela estava admirada com a atitude do menino. Henry era filho da prefeita, e quem estava arrancando os cabelos era ela.

— Sei que elas estão bem... — Henry deu de ombros — Não sei explicar como... Apenas sei.

O garoto também não compreendia, mas sentia que as duas estavam a salvo. David e Leroy haviam reunido alguns homens e saído para procurá-las. O som de passos na madeira chamou a atenção dos dois.

— Alguma notícia?

Mr. Gold estava parado na entrada do Saloon, apoiado em sua costumeira bengala.

— Ainda não. Mas teremos em breve. — Ruby tentou compartilhar do otimismo de Henry.

O homem apenas acenou com a cabeça e deu as costas.

— Estarei em meu escritório. Por gentileza, avisem-me quando tiverem.

Permaneceram em silêncio até que o banqueiro se distanciasse.

— Não acha que ele está um pouco... Preocupado demais? — Ruby desconfiou.

Na verdade era exatamente isso que Henry tinha lido naqueles olhos frios: um desespero que nunca havia visto no banqueiro. Apesar da confiança que o garoto tinha no que sentia, algo lhe dizia que havia muito mais por trás daquela história...

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O homem de negro caminhou pela caverna, seus passos ecoando no vazio. Chegou na borda da pedra nua, avistando o grande salão abaixo: o coração da caverna. Aquela cavidade era um esconderijo perfeito para os ladrões e vinha sendo usada por eles há anos. Alojavam-se ali e a escuridão não lhes incomodava... Nada que alguns pares de velas não pudessem resolver. Alguns dos bandidos riam e jogavam cartas, outros apenas bebiam, recostados em cadeiras um tanto acabadas.

Ao atingir a borda da escada de pedra, no nível superior, a sombra do homem foi projetada no salão abaixo. Como se um balde d'água tivesse atingido suas cabeças, os capangas se calaram e voltaram seus olhares para cima. Poucos conheciam a silhueta do chefe fora das sombras de seu trono, e nenhum jamais havia visto o rosto por debaixo da máscara que o cobria. Ou pelo menos, nenhum que tivesse sobrevivido para contar como era.

— Homens! — ele anunciou — Preparem-se. Saímos em três dias.

O homem de negro deixou o local, voltando à sala de que quase nunca saía. Os bandidos mais jovens, que haviam ingressado recentemente no bando, viam seu comandante pela primeira vez fora da escuridão... E aquele breve encontro fez com que a diversão cessasse e serviu para que os fanfarrões que antes se embebedavam ali, recordassem a quem estavam servindo. Logo o salão era preenchido pelo som de armas sendo carregadas e dominado pela verdadeira essência daqueles homens: olhares gélidos e sorrisos maldosos.

Notas finais
Desculpem novamente pela demora, pretendo atualizar em menos tempo agora ^^ Storybrooke vai virar uma loucura nesses próximos cap, alguém arrisca um palpite?rsrs Vejo você em breve ^^/ Obrigada pelo carinho, pessoal! 8D