Notas iniciais
Mais cenas com o nosso casal preferido *-* Mais um cap pra vocês o/

— Ai!

— Olha aqui, Madam Mayor... Se vai protestar o caminhou todo, devia pelo menos ter me deixado buscar o cavalo.

— E acordar o casalzinho feliz? Não obrigada, não preciso da compaixão daqueles dois.

Emma percebeu que ela se referia a David e Mary Margaret. A prefeita não gostava de ninguém, fato. Mas parecia gostar ainda menos deles.

— Então eu sugiro que a gente lide com isso de outra forma. É uma bela subida até a mansão, não acha?

Ela encostou a mulher numa árvore ali perto.

— Me diz, como alguém paga tanta proteção e sai no meio da noite, no-me-io-da-noi-te – ela reforçou, pronunciando as sílabas separadamente– Sozinha?!

— Swan, o que eu faço ou deixo de fazer não lhe diz o mínimo respeito! — ela fez uma breve pausa, mas o silêncio da loira forçou-a a prosseguir — Tinha assuntos a tratar.

Emma tentou imaginar que o tipo assunto que pudesse exigir aquela atitude inconsequente.

— Está tendo algum romance escondido, Madam Mayor?

Os olhos de Regina se arregalaram, denunciando sua surpresa frente à colocação da loira. Emma concluiu rapidamente que a abordagem não havia sido nem um pouco apropriada, mas a resposta à sua pergunta inoportuna parecia ser negativa. Não soube o porquê, mas aquilo a aliviou.

— Como se atreve?! – Regina esbravejou e a Ranger ergueu as mãos em rendição.

— Ok, ok... Tudo bem, sem mais perguntas.

De qualquer forma, já havia obtido uma silenciosa declaração do que importava.

— Que tal... Se eu te carregasse?

— Nem se minhas duas pernas tivessem sido comidas por coiotes!! – Regina protestou novamente, fazendo Emma bufar.

— Você quer o que então?? Que eu te role até lá?

A prefeita cruzou os braços.

— Não me olhe assim, preferia o tornozelo ou uma bala no peito? — continuou.

Ao término de sua própria frase, a loira olhou instintivamente — e segundo ela, sem querer — para o busto da mulher. Por um segundo, antes de ficar furiosa, Regina sentiu a face corar.

— Bem que você podia ter construído seu castelinho num lugar mais acessível né... – Emma se apressou em dizer, cortando o sermão que estava prestes a receber.

— Se fosse pra ser acessível, não seria um “castelinho”. – Regina retrucou, brincando com o termo que ela tinha usado.

Aquilo fez Emma rir e por um momento a prefeita também abriu as barreiras, juntando-se a ela. Não durou muito, mas Emma apreciou cada instante.

— Vamos... Vamos tirar você daqui.

—_____________________________________________

Assim que a mansão entrou no campo de visão, alguns guardas correram ao encontro das duas, e quando notaram de quem se tratava, muitos outros se juntaram a eles. As luzes do exterior se acenderam e o garoto saiu em disparada pelo portão.

— Mamãe! – ele abraçou Regina pela cintura, fazendo a mulher soltar um gemido de dor com a força do impacto – O que aconteceu??!

— Está tudo bem, Henry... Agora está tudo bem...

O garoto então percebeu a presença da loira.

— Emma! Que está fazendo aqui? – ele perguntou de forma preocupada, não rude.

Regina ergueu uma sobrancelha esperando pelo discurso da loira de “como ela tinha sido heroína e salvado a prefeita da cidade”, mas a resposta simples de Emma a deixou surpresa. Mais uma vez, naquela noite.

— Ahn..Hey, kid... Estou só dando uma mãozinha.. Na verdade, acho que tá mais pra uma perninha... – ela piscou para o garoto.

Henry riu. O pessoal da mansão tratou de ajudar a prefeita e logo Emma viu que sua presença não era mais necessária ali. O menino se despediu e a loira iniciou sua caminhada ladeira abaixo. Dois passos à frente ela ouviu a voz, já tão familiar a seus ouvidos, dirigir-lhe a palavra:

— Hey! – Regina disse, fazendo a loira se virar – Obrigada... — as palavras da prefeita não passaram de um sussurro, mas nem por isso Emma deixou de sorrir. E a melhor parte veio depois – Emma.

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Dizem que para baixo todo santo ajuda. E realmente, a loira não levou mais do que quinze minutos para voltar à cidade. A multidão reunida no curral havia aumentado e ela revirou os olhos, pensando em como lidaria com a situação. Não queria expor a prefeita. Quando ela entrou pela porteira, notou ali duas presenças inesperadas: a garçonete e o homem de preto, apoiado em sua bengala.

— Que é que você está fazendo aqui? – ela se dirigiu primeiro a amiga.

— Eu é que pergunto... O que aconteceu??

— Isso nós vamos descobrir agora.

Emma caminhou até o tronco onde o homem estava amarrado e aparentemente, ainda inconsciente.

— Gold? Não esperava te encontrar aqui...

— Estava por perto quando ouvi o disparo...

Emma colocou a cabeça para funcionar. A casa do homem não era exatamente próxima e ele não era do tipo que anda por ai à noite. Regina também não. Aquilo estava suspeito.

— Tentei levar o sujeito para a cela do banco, mas aparentemente esse pessoal – ele apontou o grupo com a bengala – Não estava muito de acordo... Disseram que você deu ordens para mantê-lo aqui.

— E foi isso mesmo. – ela lançou uma piscada discreta pra Jake.

— Posso saber com que autoridade?

Ela não sacou o motivo do interrogatório de primeira, mas após essa frase deduziu o que ele tinha em mente.

— Primeiro, as coisas aqui parecem bastante jogadas. Não existe um xerife, não há lei, então basicamente qualquer um manda e desmanda como bem entender. Vale quem late mais alto. Mas eu não concordo com esse jeito e não acho que vá trazer nada além de mais tumultos para a cidade. Portanto é com esta autoridade que me manifesto – Emma sacou o distintivo do bolso, erguendo para que todos pudessem vê-lo – Comando do Texas. Ranger federal.

Emma ouviu suspiros de admiração e surpresa das pessoas presentes. Gold ergueu as mãos.

— Muito bem... Creio que saiba como lidar com esta situação então.

— Tenho algumas ideias em mente. – ela forçou um sorriso.

— Bom, divirtam-se.

Dito isso o banqueiro retirou-se, acompanhado de três homens de negro.

O restante ali encarava a loira com um misto de idolatria e medo. Com seu anonimato fora de jogo, as coisas se tornariam mais fáceis por um ponto, e mais difíceis por outro. Mas Emma concordou com a estratégia e entendeu os motivos de Gold. Se ela quisesse realmente resolver as coisas por ali, teria que adotar uma abordagem mais firme e isso inevitavelmente envolveria mais riscos. A loira estendeu a mão e o rapaz lhe entregou a corda que amarrava o grandalhão.

— Água. – ela pediu.

Sua jogada começou a surtir efeito quase que imediato. Um dos homens ali se apressou em correr e trazer um balde a ela.

— Ruby... – Emma acenou para a garçonete e ela entendeu na hora.

Com prazer, ela atirou a água fria no homem, desacordado até esse momento. Num susto ele recuperou os sentidos, mas levou ainda algum tempo para assimilar a situação.

— Muito bem, bela adormecida... Vamos ver quanto tempo você leva pra abrir o bico. – de alguma forma, a coisa toda tinha se tornado meio pessoal.

Emma puxou a corda que enrolava seu corpo no tronco, apertando ainda mais a barriga do sujeito. Ele grunhiu de dor.

— O que você pretendia? Quem te mandou?!

Ele agora se remexia como uma minhoca no sol, tentando se desvencilhar. Era tudo em vão, mas Emma estava apreciando o espetáculo.

— QUEM!? – ela intensificou o aperto.

— NINGUÉM, DIABO!! – o homem rugiu.

— Tem certeza?...

Emma notou que ele já estava vermelho.

— Tenho!! Eu juro pelas minhas botas! – o grandalhão arfou por ar – Eu só ia roubar, diabo! Mas ai você apareceu e__

— Acho que é ai que está o problema de vocês... Sem ninguém para puxar o cabresto, acham que tudo é permitido. Não mais, cavalheiros... – Emma gesticulou para que Jake retirasse o réu do tronco – Vamos começar a pagar pelos nossos atos. – essa frase ela disse com mais ênfase, para que todos ali ficassem cientes.

A multidão pareceu se encolher num canto e em pouco tempo o grandalhão estava livre do tronco, mas ainda amarrado. Ele fez menção de tentar uma fuga, mas o olhar gélido da Ranger transmitia um recado bem claro.

— Ahn- ahn – an... Eu não faria isso se fosse você, amigo.

Ele deu uma boa olhada nos calibre 38 que ela carregava no cinto. Engoliu em seco e aceitou que não venceria aquela disputa.

— O que fazemos com ele agora? – Jake perguntou.

— Amarrem no poste, em frente ao Saloon. Vai ficar até amanhã e servir de lição para os outros.

O homem arregalou os olhos. As pessoas que assistiam tiveram reação semelhante.

— Ei, sua cascavel! – ele esbravejou – Não pode fazer isso comigo!!

Emma já se dirigia de volta para a estalagem, mas num piscar de olhos ela estava novamente no encalço do sujeito, segurando firmemente seu rosto entre os dedos.

— Posso. E vou.

Foi a única e última coisa que ela precisou dizer ali. O grupo esperou a loira se afastar para carregar o homem até o local que ela havia ordenado. O Saloon ainda funcionou por algumas horas, mas Emma dormiu tranquila até o amanhecer, o estabelecimento estava quieto como uma igreja.

Notas finais
Estou me divertindo muito com esta fic, é bom explorar os personagens de formas diferentes de vez em quando rs Até mais , pessoal!