Once Upon A Time In Wild West...
7 I will always protect her
Notas iniciais
— Você sabia que ele ia só roubar? Por que tudo aquilo então?? – a garçonete conversava com Emma, na mesa do café.
— Isso é o que chamamos de “fazer uma cena”...
Ruby refletiu por um momento e pareceu compreender.
— Ahhhn... Pra botar medo nos sujeitos né.
— Pra botar limites... – Emma corrigiu.
— E como sabia? Quero dizer, como percebeu que não era um golpe como o anterior?
Emma deu de ombros.
— Não era o padrão. Ele se aproximou demais, num local nada estratégico. Se fosse pra matar, um tiro de longe seria muito mais fácil. E ainda por cima o sujeito era super amador... O que me fez ter certeza de que o caso não estava ligado ao ataque à mansão. Quem quer que tenha encomendado a morte da prefeita, não desceria tão baixo assim.
— É... Acho eu faz sentido.
— Bom, está tudo muito bom aqui, mas preciso ir desamarrar um bezerro. – Emma piscou para a vovó e saiu pela porta da frente.
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Não eram nem dez da manhã, mas o sol já castigava aqueles que ousavam colocar os pés para fora de casa. Emma nunca tinha visto as ruas de Storybrooke tão cheias. Alguns curiosos se amontoavam próximos ao poste onde o homem estava amarrado, mas assim que notaram sua presença, o bando se dissipou como um cardume de peixes que é atacado por um tubarão.
De vários pontos da rua, os moradores observavam vidrados, aguardando as próximas cenas. O único ruído que cortava o perfeito silêncio daquele momento era o som de uma águia que sobrevoava os céus. Emma fez seu trajeto lentamente até parar de frente ao homem.
Ele suava, parte pelo calor, parte pelo nervosismo de imaginar o que a Ranger faria com ele.
— Suponho que tenha aprendido a lição...? – ela perguntou, agachando para ficar frente a frente com o homem.
Ele apressou-se em gesticular um “sim” com a cabeça. Emma então o desamarrou. Seus músculos doíam e a circulação do corpo todo estava desordenada. Emma precisou apenas de um encostãozinho com a ponta da bota para que ele tombasse de lado.
— Jake!
A mulher notou que o rapaz já estava de pé e conversava com um sujeito ali perto. Ele logo se apresentou. Emma lhe atirou uma moeda.
— Dê alguma água a esse sujeito... E depois me encontre nos estábulos. – o rapaz assentiu e ela continuou, se dirigindo agora a todos os seus espectadores – Alguém sabe me dizer onde está o cavalo do nosso amigo aqui?
Um homem do outro lado do trilho apontou para o tronco próximo à torre de água. Emma caminhou até o local e desamarrou o animal. Faria uma visitinha matinal a David.
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— Bom dia.. – ela cumprimentou.
— De fato! – David sorriu para ela, saindo de uma das baias – Soube dos feitos de ontem...
Pelo que parecia o ocorrido havia se espalhado como fogo num paiol. "Bom..." – Emma pensou. Era essa mesma a sua intenção.
— Pois é... Só dando uma ajeitadinha nas coisas.
— Creio que sim... – ele ainda sorria de forma afetuosa – Ué, trocou de cavalo? – disse, apontando para o animal que ela segurava.
— Nem que uma cobra tivesse picado o meu! – Emma brincou – Não, não.. Preciso que me ajude com uma coisinha...
Ela e David alimentaram o cavalo e lhe deram bastante água.
— Pronto. Novo em folha. Vai poder correr pra muito longe, amigo... Não vamos querer que pare antes de percorrer uma distância considerável carregando aquele sujeito daqui.
— Então.. O que vai fazer com ele?
— Nada. Apenas mandá-lo pra fora de Storybrooke com um aviso. Se tiver alguma coisa naquela cabeça grande, nunca mais vai voltar... Se decidir bancar o durão, me vejo com ele depois... E ai não vai ser do jeito educado.
David riu. Jake apareceu na porteira, ajudando a segurar o homem que mal conseguia comandar as próprias pernas.
— Hora do show. – Emma disse, virando-se em direção à saída.
Colocar o homem sobre o animal foi um pouco trabalhoso, com todos aqueles quilos extras. Mas uma vez lá, ele fez o melhor que pôde para manter o equilíbrio. Os observadores agora se aglomeravam mais perto dali, mas ainda mantinham certa distância por precaução. Nenhum deles gostaria de desencadear a ira da Ranger novamente.
— Vou lhe avisar somente uma vez: Storybrooke não precisa de pessoas como você, então eu sugiro que seja esperto e se um dia precisar passar por aqui... – ela fez uma pausa encarando ameaçadoramente os olhos do homem – É melhor dar a volta, ou atravessar o rio a nado. Porque colega, você não tem ideia do que eu sou capaz de fazer...
Dito isso, ela deu um tapinha no flanco do animal que saiu a galope. O homem ainda olhou uma última vez para trás. Emma conseguiu ler a raiva em seu rosto, mas muito acima disso, medo, e uma certeza de que a loira cumpriria sua palavra. A Ranger sacou o revólver e atirou para cima. O grandalhão cavalgou por vários quilômetros, sem sequer olhar para os lados.
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O almoço estava sendo servido e Emma ajudava Ruby, como de costume. A prefeita chegou com o filho e eles ocuparam a mesa de sempre. A loira fingiu não ver e prosseguiu em sua tarefa de limpar o balcão.
— Ahn... Emma. – Ruby lhe deu uma gentil cotovelada no braço – Ela quer falar com você.
Emma sentiu seu corpo congelar e levou um tempo para processar a frase. "Ela que falar comigo??" — pensou. Emma era do tipo durona, sempre tinha sido, mas sentiu que precisava de mais coragem para cruzar o salão com os olhos do que para duelar com qualquer sujeito daquela região.
Regina simplesmente gesticulou com a cabeça, indicando que ela se aproximasse. O caminho até a mesa foi árduo e pareceu bem mais extenso do que das vezes anteriores.
— Sente-se. – Regina ordenou.
"O quê?? Ainda por cima ela quer que eu me sente?" Emma sentiu a pressão cair até os pés. Com relutância e certa dificuldade ela obedeceu, ficando de frente para os dois.
— Não vamos querer atrair mais atenção desnecessária, não é Swan?
O garoto sabia que interromper a mãe poderia não ser muito seguro, e foi por isso que ao invés de cumprimentar ou não fazer nada, ele escolheu um meio termo e apenas acenou para a loira. Emma retribuiu e não conseguiu evitar um sorriso.

Regina pareceu não gostar muito da ideia, mas não protestou.
— Ahn, claro. Sim... – Emma se atrapalhava para falar.
— Vamos ao que interessa. Achei que ontem tinha me dito que “abafaria” o caso. Eis que chego hoje à prefeitura e até o cavalo do João Ninguém ali da esquina está sabendo do ocorrido! – Regina controlava-se para manter o tom de voz.
— Madam Mayor... – Emma começou, se esforçando para construir argumentos plausíveis – Lidei com a situação da melhor forma que encontrei.
A prefeita abriu a boca para protestar, mas Emma continuou.
— A cidade saberia, de um jeito ou de outro. Mas dessa forma... Duvido que alguém vai ter coragem de abrir a boca em público.
Regina ponderou suas palavras. Infelizmente, parecia fazer sentido.
— Isso precisa ter um fim. E esse tipo de gente não aprende apenas com belos discursos, vai por mim...
A morena limpou a garganta.
— Muito bem... Parece que não tenho outra saída a não ser confiar na sua... Experiência.
Emma precisou se conter para não sorrir novamente. Era uma frase simples e banal, mas aquele gesto significava muito para ela. Confiança já era um bom começo.
— Não vai se arrepender.
— Sei... Certo, tanto faz.
Regina voltou a soar como a velha prefeita que Emma havia conhecido, mas lá no fundo a loira conseguiu ver que algumas pequenas coisas estavam começando a mudar.
A morena se levantou.
— Vamos, Henry. Já está na hora de ir para a escola.
O menino seguiu a mãe, mas antes de se afastar sussurrou no ouvido da loira.
— Obrigado por cuidar dela...
— Sempre, kid... Sempre vou protegê-la.
Henry sorriu de orelha a orelha e Regina puxou o garoto pelo braço. Emma observou os dois se distanciarem e sozinha na mesa, refletiu: de onde diabos tinha vindo aquela última frase?
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