Once Upon A Time In Wild West...
12 She's gonna be alright...
Notas iniciais
A força dos corcéis foi a única coisa que impediu a carruagem de despencar por completo, abismo abaixo. O corpo de madeira ficou suspenso, uma árdua batalha travada entre a força da gravidade e a resistência dos animais, que viria a culminar no oscilante desfecho daquela cena. Emma era de longe a que estava em pior situação. Agarrada na parte de trás da diligência, o impacto quase atirou longe a loira, que agora mantinha-se segura apenas por uma mão. O rio corria violento abaixo deles. A queda seria consideravelmente perigosa e potencialmente fatal.
— JAAACK!! – ela gritou com o pouco de força que lhe restava.
Não houve resposta. Seu rosto ardia e ela percebeu que estava sangrando. Lascas de madeira e cortes estavam distribuídos por todo o seu corpo. Com esforço ela conseguiu agarrar-se novamente com ambas as mãos. Foi então que lembrou-se dos outros. Os três ainda estavam no interior da carruagem e não havia sinal deles também.
— Regina!! – chamou desesperadamente – Regina, vocês estão bem??!!
O silêncio se estendeu por mais tempo do que ela gostaria, mas então o som da janela se abrindo encheu seu coração de esperança.
— Emma??!! – o medo se fez presente no semblante da morena ao ver a Ranger pendurada de forma precária – Vou te ajud__
— Não!! – Emma logo interrompeu assim que a outra fez menção de ajudá-la – Não se mexa!!
Como em resposta à sua frase, a madeira rangeu e os cavalos relincharam. Elas sentiram carruagem vacilar e descer um pouco mais em direção ao abismo. Regina soltou um suspiro de susto.
— Não. Mova. Um. Músculo... – Emma advertiu – Olha, eu vou tirar vocês dessa e...__
Regina riu internamente. Nem mesmo a pior das situações era capaz de ofuscar o otimismo da loira. Ela nunca desistia mesmo.
— Henry.. – Emma se lembrou de repente, interrompendo a própria frase – Ele está bem..??? E Bob?
— Estamos bem...— ela ouviu a voz em coro dos dois que vinha de dentro da cabine.
Ela suspirou parcialmente aliviada. Mas a tensão muscular estava cobrando deu preço e sabia que não aguentaria muito mais tempo. Outro rangido na madeira. Desta vez mais forte. Emma percebeu então que o fundo da carruagem estava começando a ceder com o peso acentuado que tinha de suportar. Preciso tirá-los daqui já.. – ela apressou-se
A voz de Jack foi a coisa mais agradável que ela poderia ouvir no momento.
— Emma?? – sua cabeça apareceu no desfiladeiro acima – Regina! Graças a Deus!
Regina sorriu e foi acompanhada pela loira. As pontas dos dedos da Ranger já estavam brancas com a pressão excessiva. Se o homem não tivesse aparecido não sabia o que teria acontecido.
— Jack! – ela exclamou – Não tem ideia de como estou feliz por estar vivo!
— Não se mexam! Vou tirar vocês daí!
Os cavalos estavam fazendo um esforço enorme para não caírem do penhasco e Jack tomou as rédeas, tentando fazer com que andassem e puxassem a carruagem para cima. De início ela não se moveu muito, mas pouco a pouco a estrutura de madeira começou a ser erguida. O próprio Jack juntou forças ali. Regina sorriu e tranquilizou Henry com o olhar. Finalmente parecia que aquele pesadelo teria um fim. Tudo o que ela queria agora era pisar em terra firme. Emma sentiu as forças se esvaindo, mas tentava resistir. A dor em sua musculatura era acompanhada pela ardência nos ferimentos.
Faltava pouco e a primeira roda atingiu o solo de pedra, dando certa estabilidade à diligência. Com esse novo fator alavanca os corcéis puderam aliviar um pouco o fardo. Tudo parecia estar caminhando para o final daquela história, mas então... A madeira rangeu pela terceira vez e agora o que veio depois não foi o silêncio.
A parte central traseira da carruagem começou a se desfazer e a madeira se rompeu. Regina soltou um grito de pânico e procurou pelo filho. Ela estava agarrada a uma janela, Bob à outra. Mas Henry... Henry não tinha nada para se apoiar.
— Henry!!!! – ela tentou segura-lo, mas era tarde demais.
Com um grito desesperado ele despencou rumo ao vazio. Regina estava a ponto de cerrar os olhos e talvez até desmaiar, mas então ela viu: Emma, no último segundo, conseguiu agarrar o garoto pelo braço. Henry pendia, balançando no abismo, seguro muito mais pela força de vontade que física, da Ranger. Jack percebeu o que estava acontecendo e forçou os animais ainda mais.
Regina agarrou-se ao braço da loira, ignorando agora qualquer aviso da mesma sobre “não mova um músculo”. A distância já estava razoável e Bob conseguiu saltar para o chão firme. Ele logo se pôs de pé e correu para tomar o lugar de Jack.
— Vá! – ele gritou – Ajude-as!
Jack correu de volta ao desfiladeiro e tentou agarrar Regina enquanto a carruagem terminava a subida. Estava quase lá, mas a estrutura de madeira parecia a ponto de se desfazer por inteiro.
— Regina!! Pega a minha mão!! – ele estendeu o braço tentando alcançar a mulher.
A prefeita pareceu ignorar. Tinha as unhas cravadas no braço da loira de tal forma que um filete de sangue escorreu pela pele da Ranger. Henry evitava até respirar. Estava em choque. Sua única ação era se agarrar ao máximo em Emma. Esta por sua vez, já exibia os sinais de exaustão física estampados na palidez de seu rosto.
— Regina...— murmurou, com a voz fraca – Pegue a mão dele...
— NÃO!! – ela protestou – Não vou te soltar!!
Jack tentava se aproximar da mulher a cada novo progresso na subida da diligência. Mas ainda estava um pouco distante e ele não poderia arriscar.
— Regina...— ela continuou — Precisa fazer isso... Ou todos nós vamos cair... Vou te passar Henry assim que você sair daqui...
— Miss Swan, você não está entendendo! – a prefeita estava sendo consumida pelo nervosismo – EU NÃO VOU DEIXAR VOCÊ CAIR!!
Emma quis sorrir, mas não encontrou forças.
— Prometo que não vou...— ela murmurou.
A carruagem finalmente colocou as duas rodas sobre a pedra e Jack conseguiu puxar Regina dali. Vendo que a morena já estava a salvo, Emma, com um último movimento e usando o restante da energia de seu corpo, balançou Henry e Jack conseguiu alcançá-lo. O menino logo foi deitado ali ao lado pela mãe e ela voltou-se para o abismo onde a loira ainda pendia. Emma viu os sentidos falharem e o corpo ceder. O braço vacilou e de repente seu apoio não existia mais. O inevitável teria acontecido, não fosse por um último esforço de Jack, que agarrou a loira pelo punho antes que o abismo a engolisse. Exigindo toda sua força, ele conseguiu impulsionar a Ranger, atirando-a para a segurança.
A loira aterrissou de qualquer jeito e acabou levando a prefeita também também ao chão. Jack correu para o lado do garoto e avaliou sua situação. Estava exausto, mas nada mais do que isso. Henry lançou-lhe um sorriso fraco e eles foram averiguar a situação da Ranger. Emma tinha o corpo jogado, mas sua cabeça estava apoiada no colo da morena. Regina deslizava a mão por seus cachos loiros. Henry aproximou-se, o braço ainda tremendo pelo esforço que tinha feito.
— Mamãe...? – ele encarou a prefeita com os olhos marejados ao visualizar a loira completamente desacordada.
— Ela vai ficar bem, meu amor... – Regina pronunciou as palavras mais como uma prece do que qualquer outra coisa – Eu prometo... Ela precisa ficar bem...

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