Once Upon A Time In Wild West...
30 Revelations...
Notas iniciais
Os primeiros raios de sol daquela manhã cortavam as finas cortinas da mansão, tocando delicadamente os dois corpos adormecidos. A mulher de cachos dourados logo despertou, alongando o corpo para livrar-se do cansaço que a noite passada havia deixado. Fitou a morena a seu lado, ainda de olhos cerrados. Com o máximo de cautela, levantou-se e começou a procurar por suas roupas. Mas a habilidade da xerife não foi suficiente, e a falta de calor denunciou sua ausência à prefeita.
Regina entreabriu os olhos, tentando adaptar a vista à nova luminosidade. Sua expressão facial praticamente tirava conclusões por si mesma, e Emma riu do mau humor matinal da mulher. Encontrou suas calças, e começou a vestir-se.
— Já vai? – Regina franziu a testa – Mas ainda nem tomamos café...
Emma, agora já praticamente com seu look completo, retornou ao tapete. Ajoelhou-se e deu um beijinho na bochecha da prefeita. Regina corou, mas acabou sorrindo. Não estava acostumada com aquele tipo de afeto.
— Acho que não temos muito tempo nas atuais condições, Madam Mayor... – respondeu, acertando a fivela do cinto.
Só ai a morena pareceu contextualizar-se novamente. Por um momento ela havia esquecido completamente da confusão em que estavam metidas, e da guerra que se aproximava. A presença de Emma ali lhe fazia tão bem, a noite passada havia sido surreal...
— Certo. – deixando os devaneios de lado, ela tratou de recompor-se.
Levantou-se do tapete e só ai percebeu que estava completamente nua. Emma deixou seus afazeres com os botões da blusa e fitou-a de relance. O rosto de Regina queimou, e ela pegou uma almofada ali ao lado. A diferença de claridade entre a noite anterior e agora eram consideráveis e aquilo deixou a morena acanhada. Emma não conseguiu conter-se e acabou rindo.
— Acho que vou me lembrar de cada detalhe disso ai por muito tempo, Madam Mayor... À luz de velas ou sob o sol escaldante do deserto. – ela lançou- lhe uma piscadinha provocante.
Regina franziu a testa e atirou-lhe a almofada, mas acabou rindo em seguida. Emma encontrou o vestido da morena – ou partes dele – e entregou a ela.
— Tem mais uma coisa que eu preciso conversar com você... – a Ranger desabafou.
Regina olhou-a de relance, enquanto concentrava-se na tarefa não tão simples de vestir-se.
— O que é? – terminou de entrelaçar seu espartilho e voltou-se para a loira. Sabia, a julgar pelo tom que usara, que o assunto era sério.
Emma suspirou. Não sabia por onde começar.
— Carter pode ter achado uma solução... – ou não, pensou – para nosso problema... Ou pelo menos uma carta na manga que vai diminuir nossa desvantagem.
Regina, agora já vestida como a dama que era, fitou a loira fixamente, tentando ler o que havia por trás daqueles olhos esmeralda.
— Então por que você não parece feliz com isso? – ela foi direta.
Um segundo suspiro veio da xerife.
— É complicado...
Elas sentaram-se no sofá e Emma contou a história toda. Ao final do relato, a expressão de Regina era um misto de surpresa, e medo.
— Regina, eu sei... – Emma instintivamente tocou a mão da morena, e uma breve onde de energia percorreu os dois corpos.
Regina assustou-se, mas logo o toque quente da loira fez com que ela se acalmasse.
— Estou tão feliz em encontrá-lo quanto você. – a expressão de desgosto da xerife não mentia – Mas creio que seja nossa única opção. Spring Hill fica na rota dos bandidos, não há chances de conseguirmos reforços de lá... E qualquer outra cidade está fora do alcance para nossos padrões de tempo.
A prefeita refletiu sobre as opções, e mesmo aquilo soando razoável, ela ainda não conseguia livrar-se do sentimento de apreensão.
— Hey... – Emma intensificou o toque, fazendo com que a mulher a fitasse nos olhos – Nada vai acontecer a ele. É uma promessa.
A firmeza nas palavras da xerife fez com que o coração da morena se acalmasse. Regina sabia que Emma cumpria suas promessas.
— Tudo bem? – a loira perguntou.
Regina assentiu com a cabeça.
— Faça o que tiver que fazer. Confio em você.
A xerife abriu um leve sorriso ao ouvir aquelas palavras. Levantou-se e as duas caminharam até a porta. Antes de se despedirem, Emma virou uma última vez.
— Ah. Quase me esqueci...
Regina esperou o que viria, curiosa.
— Se lembra da história dos lobos?
A reposta para a xerife veio com um aceno de cabeça positivo da morena.
— Então... Aquilo é muito sério, Regina... – continuou.
A morena espantou-se um pouco com o tom de voz da xerife. Ela parecia realmente preocupada com algo.
— Sei que sim... Por que está me dizendo isso agora?
Os olhos esmeralda fitaram intensamente a prefeita.
— Estamos nos aproximando de uma guerra... Só... – ela procurou as palavras corretas – Tome cuidado. Não deixe seus sentimentos saírem do controle. O lobo negro pode ser traiçoeiro se não souber controlá-lo.
Aquela frase provocou um deja vu na prefeita, trazendo-lhe memórias de situações vividas no passado. Ela agora compreendia um pouco melhor a origem de sua ferocidade repentina e talvez aquilo até explicasse seu comportamento abrasivo durante boa parte da vida.
— Vou tomar. – respondeu.
— Tudo bem... – a xerife sorriu, virando-se para deixar a mansão.
Uma breve onda de desapontamento atingiu a morena, como se ela esperasse algo mais quanto à frase anterior da Ranger.
— Ah! – Emma deteve-se – Esqueci de novo...
Deu meia volta e segurou o rosto da prefeita nas mãos, beijando-lhe os lábios. Estática por um momento, mas contente, Regina sorriu. Segurou os cachos loiros e retribuiu o beijo, torcendo para que a situação difícil passasse o mais rápido possível e ela pudesse ter mais momentos como aquele.
— Nos vemos em breve, Madam Mayor... – piscou para ela, retirando-se finalmente.
Regina ficou na porta, observando a loira em sua trajetória colina abaixo. Com os dedos pousados levemente sobre os lábios, a prefeita sorria, quase se esquecendo novamente de que uma guerra estava prestes a assolar Storybrooke.
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Emma alcançou a cidade, após descer a colina Mills, como costumavam chamar. O sol já ardia, ainda era cedo, mas o clima árido não dava tréguas. Ela encontrou Carter na porta do Granny’s, conversando com a conhecida garçonete.
— Hram...
Os dois viraram-se para a loira.
— Bom dia, bela adormecida! – Carter sorriu.
— Teve uma boa noite? – Ruby perguntou, num tom sarcástico.
Emma sentiu que havia corado. Tratou de puxar Carter dali e despediu-se da amiga, dizendo que conversariam depois.
— Realmente... Deve ter tido uma ótima noite! – o homem sorriu largo, assim que a Ranger o soltou duas quadras dali.
— Shh! Não temos tempo pra isso, Carter! – ela tentou disfarçar, mas a julgar pelo estado amassado de sua camisa, já sabia que não tinha como esconder muita coisa – Não devia estar preparando o pessoal? Armando as estruturas na cidade?
— Calma, loira... Você é que ficou dormindo eternamente lá em cima... – ele não perdeu a oportunidade de alfinetar um pouco mais. Emma acabou rindo – Os homens já estão treinando no pasto lá na frente... E eu estava conversando com a morena sobre locais estratégicos aqui de Storybrooke.
— Sei. Como o meu chapéu se era só isso que vocês estavam conversando... – a loira retribuiu as brincadeiras.
Carter fez cara de culpado, mas pareceu não se importar.
— Certo.. – ela continuou – Vá ajeitando as coisas por aqui... Vou resolver nossas pendências com você sabe quem.
O homem assentiu.
— Não se preocupe, vou cuidar de tudo. – respondeu.
Emma anuiu, e começou a caminhar em direção ao estábulo.
— E loira! – Carter gritou, fazendo com que ela olhasse para trás – Tenha cuidado.
— Pode deixar, parceiro... Aquele veneno não me atinge mais.
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O acampamento improvisado já encontrava-se desmontado. Resquícios de uma fogueira haviam sido deixados no centro da clareira, e alguns homens selavam seus cavalos ali perto. O líder permanecia sentado e em silêncio, como havia feito a manhã toda.
— Quanto tempo mais? – um dos capangas aproximou-se, limpando o suor que lhe escorria pelo rosto.
— Quanto tempo for necessário. – respondeu, friamente – Sei o que estou fazendo.
O subordinado ergueu os braços como quem pede desculpas, e retirou-se. Como em resposta à indagação anterior, alguns segundos depois uma massa de nuvens negras formou-se no horizonte. O homem abriu um sorriso amarelo e montou seu cavalo. Finalmente o coelho havia saído da toca.
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Emma jogou o cobertor de lado e tratou de apagar a fogueira improvisada. Fogo e deserto eram uma péssima combinação para o calor. Sentou-se numa pedra ali ao lado, tudo o que precisava fazer agora era aguardar. O antigo sinal de fumaça dos índios era uma técnica que já havia salvado a Ranger em outras diversas situações. Argo aproximou-se, cheirando sua dona.
— Eu sei amigo, eu sei... – Emma acariciou o animal com leves tapinhas no pescoço.
Os minutos debaixo daquele sol escaldante pareciam-lhe eternos, mas algum tempo depois a xerife avistou poeira no horizonte. Levantou-se e aguardou que o cavaleiro se aproximasse.
— Ora, ora... – o homem abriu um sorriso sarcástico ao encontrar a Ranger – Há quanto tempo não tenho a honra de encontrar a grande vigilante do Oeste... Como tem passado?
— Eu não vim aqui pra conversar. – Emma foi direta.
O cavaleiro rodeava a loira, observando cada detalhe. Estava vestido como ela sempre se recordava, parecia até que o tempo não havia passado. Camisa e chapéu pretos acompanhavam uma calça escura e um sobretudo de couro surrado. Um lenço vermelho também podia ser notado no pescoço do homem, e a Ranger torceu o nariz com aquela lembrança. Ele pareceu notar, pois intensificou o sorriso ao constatar que a mulher também usava algo semelhante.
— Mas também não veio pra me prender. – ele finalmente disse.
— Ah é? E quem garante? – Emma lançou-lhe um olhar frio. Era o que ela realmente desejava, mas no fundo sabia que estava blefando.
— Se fosse uma armadilha você já teria me pegado... – ele observou – E se fosse uma armadilha eu não seria tolo o bastante para ter vindo sozinho.
Ele estava certo. Odiava admitir, mas aquele homem ainda a conhecia.
— Agora me diga, se não quer me prender.... – ele freou o cavalo e olhou fixamente nos olhos esmeralda.
Emma queria evitar contato, mas não desviaria o olhar, como um animal assustado. Nunca. Fitou-o com a mesma intensidade, fazendo questão de mostrar que não seria desafiada. Os olhos castanhos não haviam mudado em nada, eram exatamente os mesmos de onze anos atrás.
— ... o que quer então? – ele continuou.
A Ranger suspirou, enterrando seu orgulho e deixando-se vencer pela urgência da situação.
— Preciso da sua ajuda. – decidiu ser franca e direta.
— Como é? – ele riu – A grande Emma Swan está me pedindo ajuda? Será que estou ouvindo direito?
— Se esses anos o deixaram surdo eu não sei, mas não vou dizer novamente. – ela fechou o cenho. Não tinha tempo para gracinhas, e não aturaria aquelas gracinhas.
A expressão do homem voltou a ficar séria e ele pareceu ponderar.
— E o que poderia ser tão importante assim a ponto de você vir me procurar?
O olhar da loira perdeu-se no horizonte, além das pequenas e retorcidas árvores, até pousar no vulto de uma pequena cidade distante.
— Estamos a ponto de travar uma guerra. – confessou – E os recursos estão bem limitados... – ela fitou novamente o homem nos olhos – E eu não tenho a quem recorrer.
— Está fazendo isso tudo pra salvar uma cidadezinha no meio do nada? – ergueu uma sobrancelha.
— As pessoas sempre valem a pena. – a resposta veio ríspida, como se ela remoesse as feridas do passado – Mas acho que isso é uma coisa que você não entende.
A expressão do homem fechou-se, e ele franziu a testa. As memórias pertenciam não só a ela.
— E por que acha que eu deveria me importar?
— Porque se o homem que eu conheci um dia realmente existiu... Ele o faria.
A expressão do cavaleiro era agora ilegível, até mesmo para a loira. O homem parecia em conflito interno, pensativo.
— Não. – disse finalmente, começando a afastar-se com o cavalo.
— Não?? – Emma fuzilou o cavaleiro com o olhar.
— Não. – ele repetiu – Acho que o homem que conheceu está morto, Swan... Ou foi apenas uma imagem que você quis criar.
A mulher cerrou os punhos com tamanha força que a ponta dos dedos ficaram brancas e seu braço tremia de ódio. O cavalo alazão afastava-se lentamente, levando o pistoleiro de volta a seu destino.
— Você não se importa com ninguém?!! – ela gritou, deixando evidente sua raiva.
O cavaleiro puxou as rédeas. Uma leve brisa quente soprou, fazendo seu lenço vermelho se agitar. Ele curvou-se sobre a sela, para poder fitar a Ranger. Seus olhos se encontraram e por um segundo Emma pensou ter visto neles o antigo homem de seu passado.
— Não. – e voltou a cavalgar.
As unhas da loira agora arrancavam sangue da própria pele. Como alguém conseguia ser assim? Ela simplesmente não entendia.
— Nem mesmo com seu FILHO?!! – num impulso, ela teve de fazer uma última e desesperada tentativa.
Emma viu o cavalo brecar imediatamente. O homem ficou apenas estático por algum tempo, sem reação.
— Se existe um pingo de humanidade em você, e se não quer ver a morte do seu filho... Você vai me ajudar. – finalizou.
Emma sabia que aquilo seria um problema a mais, mas ela faria qualquer coisa para salvar a vida do garoto... E de sua mãe.
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