Once Upon A Time In Wild West...
31 A new conception
Notas iniciais
Os últimos metros até a pequena cidade pareceram à loira uma distância interminável. Seus pensamentos vagavam sob o sol do escaldante deserto e as gotas de suor deixavam-lhe o corpo, uma a uma, minando junto delas as esperanças da Ranger. Desde seu alistamento nas Forças Especiais, Emma já havia enfrentado situações que colocariam à prova a resistência de qualquer ser humano. E sem pestanejar, ela havia vencido cada uma delas. Mas uma nuvem escura parecia ofuscar aqueles brilhantes olhos esmeralda, bloqueando a fonte de vigor que emanava tão naturalmente nos dias anteriores. Nunca algo havia abatido a loira com tamanha força e agora ela se via diante de um precipício, onde uma turva corrente de incertezas se colocava entre ela e seu almejado destino.
O descompasso dos cascos que batiam sobre o chão castigado desviou a atenção da loira. Argo freou, como se quisesse propositalmente despertar a dona de seus devaneios.
— Que foi, amigo?
O animal balançou a cabeça de forma frenética, claramente uma mensagem que a Ranger entendeu.
— Eu sei... – ela conseguiu sorrir, afagando-lhe o pescoço – Vamos conseguir.
O apoio de seu leal companheiro era o mais puro que a loira poderia desejar naquela situação. Aquilo injetou-lhe uma dose extra de auto-confiança e ela incitou o cavalo a cavalgar... Tinha muito a planejar em Storybrooke.
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A voz de Carter soava acima das demais, gritando ordens e instruções para os cidadãos. Uma pilha de caixas encontrava-se amontoada em frente ao Grannys. O ruído intenso das conversas cessou assim que o cavalo Palomino apontou à distância, e olhos repletos de expectativas e ansiedade fitaram a loira se aproximar.
Emma amarrou Argo numa viga de madeira e completou o trajeto a pé. O ar ficou estagnado e o único som agora era o tilintar das esporas da Ranger. Emma aproximou-se e observou o conteúdo das caixas: pacotes de munição e algumas armas. Ela rapidamente fez uma contagem mental dos homens ali perto e cruzou as informações com o estoque de recursos disponíveis. Não era muito, mas era o melhor que tinham para se defenderem. O olhar de Carter encontrou o seu e não foram necessárias palavras ali. Emma anuiu e eles caminharam para um canto afastado.
— Ruby! – ela chamou, antes de se distanciar.
A garçonete logo apareceu e abriu um sorriso ao ver a amiga de volta. Emma retribuiu, de forma sincera.
— Pode nos arrumar um mapa da cidade? – continuou.
— Claro!
A morena retirou-se mais que depressa para completar a tarefa requisitada.
— Levem essas caixas e tudo mais que possa ser útil para o interior do Grannys! – a Ranger dirigiu-se agora ao restante do pessoal – E juntem todos aqueles capazes de lutar... Nos reunimos em dez minutos.
Após as ordens da loira, a aglomeração se desfez e cada um foi providenciar o necessário. Carter e Emma abrigaram-se do sol, debaixo de uma árvore. O olhar do Ranger expressava uma preocupação visível, e ele não fez rodeios.
— O que ele disse? – perguntou, sério.
— Vai nos ajudar.
Emma não parecia muito confortável, o homem notou. O simples envolvimento do sujeito em questão serviria para explicar o fato, mas Carter conhecia muito bem aquela loira e sabia que havia algo mais em jogo.
— Emma? – ele tocou o ombro da amiga, em apoio – O que mais aconteceu?
Após aquela pergunta, Emma sentia-se prestes a ruir. A imponente fortaleza que era o corpo da Ranger, parecia agora feita de vidro e vulnerável à menor das intempéries. As pessoas comuns não notariam isso, mas Carter não era uma pessoa qualquer. O homem intensificou o toque, como se quisesse dizer que lidariam com o que estivesse por vir, não importa o que fosse.
— Tive que contar a ele...
As palavras de Emma deixaram seus lábios, com pesar. Sabia da necessidade de sua atitude, mas ainda assim arrependia-se de ter que tomá-la. Carter não a repreendeu, muito menos expressou qualquer reação negativa.
— Vamos dar um jeito nisso. – o tom de voz do amigo acalmou o coração da xerife, e ela deixou que sua cabeça pousasse no ombro do homem – Seu garoto vai ficar bem.
Carter alisou os longos cachos loiros, e os dois trocaram um abraço carinhoso.
— Obrigada por estar comigo nessa... – as palavras da mulher saíram naturalmente.
— Parceiros pra toda vida, lembra? – ele brincou com o antigo pacto que haviam feito. Aquilo fez com que Emma abrisse um sorriso – Me agradeça quando tudo tiver acabado.
A xerife assentiu, e endireitou-se. Afastou do rosto os cabelos e respirou fundo. Já estava na hora de pegar aquele boi pelos chifres.
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Em pouco menos de meia hora o salão do conhecido Granny's já encontrava-se lotado. Basicamente todos os homens da pequena Storybrooke, determinados a defender sua cidade, haviam se reunido à pedido da Ranger. Os olhos esmeralda estudavam o mapa fixado na mesa , atentando-se a cada pequeno detalhe que pudesse parecer significativo. Carter colocou-se a seu lado e tocou o ombro da Ranger.
— Já estão todos aqui. — informou.
Emma correu os olhos pelo salão, fitando seus novos recrutas. Boa parte do pessoal já lhe era bem familiar e sua memória fotográfica recordava-se brevemente do restante. O murmúrio das pessoas e os olhares confusos mergulhavam o ambiente numa aura de grande ansiedade.
— Acho que todos já tomaram conhecimento da reunião do Conselho... — Emma tentou manter o tom de voz neutro e calmo.
As pessoas assentiram e as conversas paralelas propagaram-se ainda mais. Emma percebeu a necessidade de resolver aquele assunto com urgência. O pessoal já começava a mostrar sinais de desespero.
— O que diabos está acontecendo? — uma voz soou na multidão.
Emma seguiu o som e deparou-se com um dos sete irmãos. Sua fisionomia lhe era conhecida, recordava-se dele no jantar que Mary Margaret havia organizado assim que ela chegara em Storybrooke. Se sua memória não estivesse falha, aquele era Leroy, o ferreiro. Emma não notou hostilidade no tom do homem, mas uma extrema preocupação em sua voz.
— Muito bem... Acho que não temos mais tempo a perder, então vou direto ao ponto. — ela prosseguiu, tomando um lugar no salão onde todos pudessem enxerga-la — Não é novidade que Storybrooke tem vivido alguns dramas no decorrer desses últimos anos...
Os olhares agora estavam completamente vidrados na Ranger e o murmúrio cessou, levando a atmosfera dentro daquelas paredes a um nível quase desconfortável.
— A boa notícia é que agora sabemos o motivo... — Emma fez uma breve pausa.
— E a má..? — Leroy interpretou a sequência da frase.
— A má é que estamos sozinhos para travar essa batalha.
A sentença da loira abateu a plateia com a força de um vendaval. Emma suspirou e discorreu sobre os acontecimentos que os havia levado até aquele ponto. Olhares alteravam-se ao decorrer de seu discurso, e não foram os melhores. Naquela multidão, a Ranger identificou medo, angústia, incertezas... Mas isso não foi o que mais lhe preocupou. O sentimento que leu em algumas expressões e que a fez considerar o quão delicada seria aquela situação foi outro: raiva. Aquilo não era nada bom...
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Regina empurrou a pesada porta de madeira, adentrando a construção pela primeira vez em muitos dias. Ela preferia aquele lugar à qualquer outro na propriedade Mills, mas os eventos atuais haviam privado a prefeita de muitas coisas. E não era por hobby que ela agora retornava aos estábulos...
Reuniu os itens de selaria e dirigiu-se à baia. Um majestoso alazão estava em seu interior e, ao notar a aproximação da mulher, caminhou até ela. O animal pareceu contente em rever sua dona. Regina sorriu e preparou Rocinante para partir. Ao sentir o contato com a sela, os cabelos soltos ao vento e a tão conhecida sensação de liberdade, a prefeita viu-se mergulhada nas lembranças de sua infância e mesmo naquelas circunstâncias, não conseguiu privar-se do prazer que sentia em cavalgar. Desceu as colinas em direção à cidade. Precisava visitar seu filho uma última vez antes que tudo começasse.

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Emma Swan tentava conter a calorosa discussão que havia se iniciado, assim como manter o controle das pessoas ali dentro. O Saloon estava um caos, e todos pareciam querer expressar suas opiniões a respeito do que estava por vir. Parecia difícil até reconhecer as pessoas com toda aquela algazarra, mas uma frase chamou a atenção da Ranger.
— ... e agora vamos ter que arriscar nossas vidas por culpa deles? Deixe que a prefeita e o banqueiro se virem com o buraco que cavaram!
Emma não conseguiu reconhecer o autor da frase, mas aquilo não era relevante. Ela já havia ouvido o bastante. Sabia que a situação era delicada e havia tentado resolver as coisas de uma forma mais democrática, mas aparentemente aquela estratégia não funcionaria. E a menção à prefeita foi a gota d'água. A loira sacou o revólver do cinto e um tiro ensurdecedor ecoou pelo interior do Saloon. A jogada surtiu o efeito desejado instantaneamente, foi como jogar um balde de água fria em dois cachorros briguentos.
— Chega! — assim que voltou a ganhar a atenção desejada, guardou a arma no coldre. Disfarçou uma rápida olhada para cima, checando se não havia feito estrago nenhum com sua brilhante ideia improvisada, e retomou a fala — Não estamos aqui para discutir nem atirar a culpa em ninguém!
Alguns dos homens entreolharam-se, envergonhados por receberem sermão da Ranger. Outros, mantiveram a feição gélida, a reputação da prefeita realmente não era das mais populares. Aquilo enfurecia a loira, mas ela sabia que não podia forçar as pessoas a enxergar a Regina que ela conhecia. A morena havia feito algumas péssimas escolhas no passado, e querendo ou não, teria de lidar com isso agora. Mas Emma faria de tudo para amenizar aquela complicação.
— Sei que estão indignados com tudo isso... — prosseguiu — E sei que algumas das atitudes da prefeita não foram as melhores... Mas nada disso importa agora. Os homens que cavalgam pra cá não vão se importar em quem está metido nessa história ou não. Eles vêm com um único propósito em mente. — Emma fez uma pausa, encarando sua plateia com a frieza que aquele momento exigia — Vingança e morte. Não vão poupar ninguém se não fizermos algo para impedir!
— Eu acho que ela está certa! — Ruby tomou o lugar a seu lado.
Archie e David fizeram o mesmo. As expressões foram se amenizando e as pessoas pareceram mais dispostas a cooperar.
— Estamos ouvindo, Ms Swan... — Leroy manifestou-se em nome dos outros.
— Muito bem. — a loira endireitou a postura — Vamos fazer o seguinte...
Logo a mesa do mapa foi rodeada pelos cidadãos e Emma iniciou seu plano.
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— Mãe... Eu vou ficar bem.
Henry tentava afrouxar o abraço eterno da morena. Regina desvencilhou-se do garoto, sorrindo de forma um pouco desconcertada. Sabia que estava sobrecarregando o filho com suas preocupações, mas tinha motivos bem concretos para isso. Henry retribuiu o sorriso, conseguia ler o conflito que se desenrolava na mente da prefeita.
— Emma vai dar um jeito nas coisas... — disse, apertando a mão da morena.
O sorriso de Regina alargou-se e uma lágrima quase correu por sua bochecha. Mary Margaret apareceu no vão da porta.
— Já decidiram o que vai acontecer? — apesar do esforço para manter-se imparcial, era notável a preocupação em sua voz — Henry vai ficar mesmo aqui?
Regina virou-se para a professorinha. Chegava a ser maldosamente irônica aquela situação. As duas nunca haviam se dado muito bem, mas Regina agora teria de confiar a vida de seu bem mais precioso sob a proteção daquela mulher. E por um erro que ela própria havia cometido.
— Ainda não sei... — a prefeita respondeu — Emma vai providenciar as coisas depois.
Mary Margaret assentiu.
— Esse cheiro... — Henry interrompeu — Biscoitos?
A professorinha abriu um sorriso.
— Acabaram de sair! — ela acenou para que ele fosse até a cozinha.
O garoto mais que depressa passou pelo vão da porta e saiu à procura dos doces. Deixadas a sós no cômodo, nenhuma das duas soube o que falar por alguns segundos.
— Obrigada. — Regina finalmente quebrou o silêncio.
Mary Margaret olhou a prefeita nos olhos e sorriu de forma sincera.
— Henry é um ótimo menino... Ele vai ficar bem.
Regina anuiu. Mary Margaret retirou-se, para ajudar Henry na cozinha. Sozinha, a prefeita aproximou-se da janela e deixou que seus olhos percorressem a paisagem calma da fazenda. Começou a perceber o quão equivocados poderiam estar seus pensamentos sobre uma infinidade de temas. Sentia uma névoa se dissipar, limpando sua visão e a cada dia que passava, construía uma nova concepção da vida. Rezou para que tivesse a chance de amadurecer aquelas novas ideias.
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