Notas iniciais
Oiii pessoal xD Mais um cap pra vocês ^^ Boa leitura!

A ponte era extensa. Duas ou três vezes a de Storybrooke — e colecionava alguns bons pares de anos a mais também. Emma analisou a situação antes de entrarem no caminho de madeira. As vigas eram largas, e apesar de velhas e um pouco desgastadas, pareciam estar em condições de uso breve. O rio se estendia abaixo deles, o som das águas preenchendo a noite como vozes ancestrais, num um coro triste e ritmado. A lua já estava alta no céu e o caminho por entre as rochas, profundamente esculpidas pelo tempo, se estendia logo após o término da Velha Ponte.

A loira cavalgou de volta à carruagem, que aguardava alguns metros atrás. Regina abriu uma das janelas.

— Parece possível atravessá-la. – Emma falou, torcendo para que seu julgamento estivesse correto – Vou alguns metros a frente, assim que der o sinal, diga para o cocheiro prosseguir.

A prefeita assentiu.

Assim que Emma virou-se, ela gritou:

— Emma! – o chamado irrompeu seus lábios num impulso, Regina só foi perceber sua atitude quando o olhar da loira voltou-se para ela novamente.

— Sim..?

— Ahn... – ela ficou sem jeito, mas algo bateu mais forte em seu peito e ela decidiu que a situação permitia tal atitude. Afinal, ela não sabia o que viria a acontecer. E se não tivesse outra oportunidade? – Só... Tome cuidado.

Emma sorriu para ela. Regina sentiu como se uma brisa morna houvesse tocado seu rosto e enrubesceu. Henry apareceu na janela.

— Hey, Emma! – ele tirou o chapéu da cabeça e passou-o à loira – Pra dar sorte...

O sorriso da loira alargou-se ainda mais. Tirando o seu próprio, ela trocou com o garoto.

— Nada mal... O que acha?

Henry sorriu ao vê-la com o chapéu de família.

— Cai muito bem em você...

— Vou cuidar dele, prometo... Faça o mesmo com o meu.

A loira lançou-lhe uma piscadinha e prosseguiu em seu caminho.

Regina sentou o filho novamente no banco. Como conseguia? De frente àquela situação, a vida em risco, e a loira ainda conseguia sorrir. Conseguia lhe tranquilizar. Apesar de tudo o que sabia que devia sentir por Emma, seu coração começava a lhe dizer o contrário. Henry apertou-se contra ela. Regina acariciou-lhe as costas e ajeitou o novo chapéu em sua cabeça.

— Emma vai nos tirar dessa, não vai mamãe? – ele perguntou, com a voz chorosa.

— Vai querido... – ela o confortou, com confiança nas próprias palavras – Sei que vai...

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Argo estava relutante nos primeiros passos.

— Calma, amigo... – ela acariciou seu pescoço– Já estivemos pior...

O cavalo relinchou, como se entendesse suas palavras. A cada novo passo, a madeira rangia sob as patas do animal. Apesar do barulho ameaçador, Emma concluiu por fim que a ponte aguentaria a carruagem. Ela fez sinal e o cocheiro seguiu-a. O ruído ficou ainda pior. Os quatro garanhões da diligência hesitaram.

— Tem certeza, senhorita Swan? – Bob, o cocheiro, perguntou.

— Me chame de Emma! – ela gritou de volta – Se algo acontecer, não teremos tempo para formalidades.

O homem não conseguiu evitar rir. Os capangas da prefeita, como sempre, não agraciavam as discussões com uma palavra sequer, mas um breve sorriso surgiu no rosto de ambos. Emma era uma pessoa peculiar, e apesar de não serem muito abertos socialmente, tinham de admitir que a presença da loira era bem vinda ali.

— Certo! – Bob continuou – Tem certeza, Emma?

Emma sorriu.

— E acha que daria o sinal se não tivesse? Não vou mandar vocês pro abismo, Bob.

— Então está certo...

Bob chicoteou os cavalos, forçando-os a prosseguir.

— Ta vendo? Sorte que somos amigos, ou você teria de aguentar isso ai...— ela brincou, cochichando para o cavalo.

Mais um relincho. A loira riu e com um toque nas rédeas, liderou Argo à frente da carruagem. Seguiram em passo leve, Emma sempre alguns metros distante, para tentar ao menos não sobrecarregar demais o peso sobre a madeira. Um dos capangas caminhava agora próximo a ela e o outro vigiava a diligência em sua travessia.

Lá pela metade do trajeto, Emma notou o cavalo inquieto. Suas orelhas se mexiam, apontando para frente. Argo estava escutando alguma coisa. A loira vasculhou cada centímetro do desfiladeiro. Naquela noite, mais do que em qualquer outra, ela agradeceu o astro que iluminava o deserto com sua luz prateada. Foi o brilho da lua que alertou a Ranger da situação. Ao longe, em meio às altas pedras do cânion que se estendia imponente pelo caminho, o reflexo do metal reluziu quando foi encontrado pela luz do luar.

— Pro chão!! – ela gritou – Estamos sob ataque!!

Suas palavras alertaram os guardas da prefeita, mas também os responsáveis pela emboscada. Uma bala voou, atingindo a carruagem de raspão. Os gêmeos descarregaram os Winchester em resposta.

— Pra carruagem! – Emma continuou – Arrumem abrigo ou esses sujeitos vão nos transformar em peneiras!!

A loira saltou do cavalo e com um tapinha no flanco, colocou o animal para correr. Jim e Jack se posicionaram ao lado da diligência, usando o grande corpo de madeira como barreira entre eles e a saraivada de tiros que vinha do outro lado do cânion. Emma e Bob logo se juntaram aos dois. A Ranger bateu no vidro e assim que a figura da prefeita apareceu, gesticulou algo do tipo “vai ficar tudo bem. Fique ai dentro”.

A expressão de Regina refletia aflição e medo. Mas ela assentiu e a loira tentou tranquiliza-la com o olhar. “Não deixarei que nada aconteça a vocês..” – ela repetiu a promessa e teve certeza de que a morena entendeu sua mensagem facial. Mas o olhar de Regina não se acalmou. Era quase como se não temesse somente sua segurança. Como se temesse algo a mais.

Ora... Não fique ai parada imaginando bobagens, Swan... – a Ranger não demorou a repreender-se mentalmente – Desde quando a prefeita se importava com qualquer coisa além de si e do filho? Não. Devia estar delirando.

— Swan!! – Jim chamou sua atenção.

Só ai a loira recordou-se de que tinha uma batalha para travar. E perder não era uma opção. Não ali. Não com aquelas pessoas. Ela fez sinal para que Regina fechasse as cortinas e colocou-se ao lado de um dos gêmeos. Os tiros ainda corriam fartos de ambos os lados, mas sem baixas até o momento.

— Eles estão se acobertando no escuro! – Jack alertou – Estamos em desvantagem!

Ele tinha razão. As longas sombras projetadas pelas paredes rochosas serviam agora como camuflagem para os bandidos. Já eles, estavam em campo aberto, sem cobertura alguma a não ser a carruagem. Emma precisava encontrar uma nova estratégia ou os seis fariam companhia aos peixes no rio abaixo. A situação estava bem complicada. Parada no meio da Velha Ponte, a carruagem teria de percorrer meio caminho para frente ou para trás. De qualquer uma das formas, a exposição do grupo aos agressores seria inevitável. Como pintar um alvo vermelho no peito de cada um.

Os gêmeos prosseguiram firmemente na retribuição dos tiros, mas a munição não duraria para sempre. Emma tinha de agir, e rápido. Mas nada parecia apontar uma solução para aquele problema. Até que... De repente uma ideia ocorreu-lhe. Era ousada e muito arriscada, mas era a única que pareceu, mesmo que de forma bem árdua, revelar uma possível saída daquela arapuca em que haviam se metido.

— Jim! Jack! – ela chamou e os gêmeos olharam em sua direção – Segurem as pontas por aqui e quando eu sair, me dêem cobertura!

Eles não sabiam o que ela tinha em mente, mas assentiram. Apostar na Ranger era a melhor opção.

— E eu? O que faço?

Quem falou foi Bob. Emma quase havia se esquecido dele. Ela olhou para o cocheiro indefeso a seu lado.

— Tente não ser morto! – ela lançou-lhe um sorriso fraco.

Os tiros passavam cada vez mais perto.

— Regina! – Emma chamou batendo uma vez mais na janela da carruagem.

A prefeita logo apareceu para abri-la.

— Confia em mim?? – continuou.

Regina hesitou por instante nas palavras, mas em sua mente a resposta já estava formada. Uma bala acertou a dianteira da diligência, fazendo voar uma lasca de madeira bem próximo da loira.

— Vamos lá, Madam Mayor! Não está escolhendo um vestido para um desfile, é só sim ou não!

— Sim! – ela apressou em consertar – Claro que sim...

O final daquela frase provocou em Emma sensações que ainda não entendia. Mas eram agradáveis, disso sabia. Na verdade, era algo maior, mas ela não tinha tempo para penar sobre o assunto na hora. Só tinha ainda mais certeza de que depois daquilo, não poderia falhar.

— Diga ao Henry para se abaixar e ficar ai dentro!

Regina o fez. Os olhos do garoto ainda encontraram os seus e Emma o tranquilizou, sem que nenhuma palavra precisasse ser dita.

— Agora venha! Pule a janela!

Regina arregalou os olhos, mas pela expressão no rosto de Emma, ela não estava brincando. Jim conseguiu finalmente — num golpe de sorte, pois os bandidos estavam praticamente invisíveis a eles — acertar um dos homens. O grito dele ecoou pelo cânion.

— Vamos! É agora! – Emma estendeu os braços e Regina pulou.

Aterrissando de forma nada difícil — e mais agradável do que sua mente gostaria de admitir — nos braços da loira, a prefeita já estava de pé ao lado dela.

— Rapazes! – Emma gritou para atrair a atenção dos gêmeos – Cubram eles de chumbo!

E após essa breve declaração/ordem a Ranger segurou a mão da prefeita e colocou-se a correr em direção à extremidade oposta da Velha Ponte. Sem avisar, nem pedir permissão, nem nada.

— Corra! – ela deu-lhe um empurrãozinho dianteiro para que a mulher ficasse a sua frente – Não olhe para trás!

Regina, apesar de ter obedecido, estava petrificada por dentro. O que diabos Emma estava planejando com aquilo? Ela, no entanto, corria com todas as suas forças. Podia sentir a loira logo atrás de si, como um escudo protetor. De início, os gêmeos não entenderam a investida da Ranger. Mas então... Com a atitude quase que imediata dos malfeitores do lado oposto, não demorou para que o plano se revelasse a eles. Recarregaram os rifles com rapidez. A primeira etapa já estava em andamento com sucesso. Agora cabia a eles garantir que a segunda — e mais importante — se concluísse: derrubar os bandidos e impedir que as mulheres fossem retalhadas pelas costas.

Notas finais
É agora que Emma vai colocar seu plano em ação... Vamos ver o que as aguarda nessa investida arriscada! Até mais! =D