Once Upon A Time In Wild West...
38 Not just a pretty face
Notas iniciais
Instinto de mãe sempre fala mais alto e a primeira reação de Regina foi esgueirar-se rápida e silenciosamente até o quarto em que Henry dormia. Da extremidade da escada Mary Margaret havia feito sinal para alertar Leroy, que ordenou que ela permanecesse escondida com os outros dois no quarto de cima. Cerca de dois minutos haviam se passado desde então. É engraçado como o tempo é capaz de brincar com a mente das pessoas. O que são dois minutos quando se diverte numa mesa de pôker? Ou quando a noção das horas é perdida na conversa com um amigo de longa data? Mas ali, parados no escuro, ouvindo apenas o ruído de suas próprias respirações, aquele tempo lhes pareceu uma eternidade.
Regina envolvia o filho com os braços, de forma protetora. Mary estava ao seu lado, ouvidos atentos, observando Henry se agarrar às roupas da mãe como se aquele abraço fosse o único lugar seguro que conhecesse. Apesar dos recentes acontecimentos em Storybrooke, o garoto só havia presenciado os efeitos catastróficos de um embate uma vez na vida. Nunca esqueceria aqueles momentos de desespero na ponte, a promessa de Emma, a carruagem se despedaçando no desfiladeiro... Todo aquele sentimento de aperto no peito voltou a afligi-lo ali. Sua mãe era a pessoa mais forte que conhecia e vê-la desesperada daquela forma causava-lhe arrepios. Rezou silenciosamente para que Emma estivesse bem.
— Não posso mais me esconder aqui. — a prefeita estava impaciente, a posição de fuga não combinava com sua personalidade.
Desvencilhou-se do garoto de forma cuidadosa, beijando-lhe a testa numa tentativa de confortar a ele e a si própria. Caminhou pelo quarto, vasculhando o local a procura de algo útil para usar como defesa.
— Regina. — Mary foi atrás e tocou o braço da mulher, fazendo com que se voltasse para ela — Não temos nada aqui, não pode se arriscar de peito aberto! — sussurrou.
O aposento era pequeno, mas aconchegante. A cama de casal dividia espaço com um criado de madeira rústico, um guarda roupa, duas poltronas e uma mesinha. O tapete, as cortinas claras e o quadro com uma pintura da fazenda decoravam o ambiente, que cheirava a lavanda. A foto do casal, que Mary olhava algumas horas antes, repousava silenciosamente sobre a mesinha, as palavras de um livro entreaberto abandonadas e sem voz naquele momento.
Regina odiava admitir, mas a professorinha tinha razão. Não havia qualquer objeto para auxilia-los contra os invasores. Sentiu uma raiva momentânea de si mesma, como pôde deixar que aquela situação acontecesse? Havia se distraído com aflições sobre o embate lá fora e deixara de atentar-se para o fato de que ele poderia bater a sua porta a qualquer momento.
— Droga! — reclamou — Não devíamos ter--
— Shhh!! — Mary tapou sua boca.
Elas ouviram um ruído abafado vindo do andar de baixo. Permaneceram em silêncio absoluto por alguns segundos, esperando qualquer outro sinal, mas este não veio. Henry olhou para a mãe, com olhos lacrimejantes.
— Acha que foram embora?
Regina ouviu a voz da professorinha se distanciando ao longo da frase, como se estivesse entrando em transe. Um estranho formigamento percorreu seu corpo e ela fechou os olhos, levemente tonta.
— Regina? — Mary chamou baixinho, uma segunda vez.
— Eles estão na casa. — foi tudo o que ela conseguiu dizer.
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Sete passos. Sete míseros passos. A distância entre seu quarto e o de Ruby na estalagem, próxima demais para impedir que a garçonete bisbilhotasse a loira constantemente, distante o suficiente para separar Emma de seu objetivo ali. Escondida sob a mesa de jantar, no segundo piso do Saloon, ela calculava mentalmente sua trajetória até o balcão do outro lado.
Os homens de negro ajeitavam suas armas nos coldres, conferindo a munição. Quando eles se dirigiram à escada, a Ranger respirou fundo. Era hora.
Retirou a caixa de fósforos do bolso e riscou um deles, deixando que iluminasse a escuridão ao seu redor. Fitou a chama por um breve momento, numa prece silenciosa. Aquela pequenina centelha de fogo seria o limiar entre a vantagem dos invasores e dos defensores de Storybrooke. Com velocidade sobre-humana ela deixou seu esconderijo, correndo em direção ao balcão. Quando os homens viraram-se, tentando entender o que acontecia, o primeiro bastão vermelho voava em direção ao andar de baixo, com sua faísca brilhando no ar. Dois outros vieram em sua direção, sem tempo para retaliação.
"Me perdoe, Vovó..." — pensou Emma, enquanto atirava-se contra a vidraça mais próxima.
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O forte tremor da explosão fez Carter desequilibrar-se. "Diabos, loira! Ela conseguiu mesmo!" pensou. Recuperando-se do abalo, o Ranger finalmente olhou por sobre a barricada que lhe servia de abrigo, no telhado do banco. Chamas intensas abraçavam as paredes externas do Granny's Saloon, desafiando as sombras ao redor. As luzes dançavam iluminando os trilhos do trem, antes esquecidos na escuridão. Qualquer vantagem que o elemento surpresa pudesse lhes dar estava perdida, o saloon brilhava como uma imensa tocha sobre a cidade. Por outro lado, Emma havia derrubado o covil improvisado dos bandidos, expondo-os e eliminando grande parte deles.
Um sorriso delineou-se em seus lábios e ele sentiu-se revigorado para entrar em combate novamente. O cenário já não era tão desvantajoso. Porém, naquele mesmo momento o sorriso morreu e seus olhos passaram a vasculhar os arredores em desespero. Havia se esquecido de um detalhe: onde estava a loira?
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Emma livrou o peito do peso de uma tábua de madeira, sentindo as costelas doerem. Seu corpo já estava habituado a fugas improvisadas, com cenários nada amigáveis. Mas de qualquer forma, um salto no vazio do segundo andar do Granny's não era algo agradável. Afastou do rosto uma mecha de cabelo, enquanto apoiava-se em um dos joelhos tentando colocar-se de pé. Outra fisgada, dessa vez mais intensa.
Checou o local visualmente, mas não encontrou sinais de sangramento. Devia ser interno... Nada bom. Mas aquele inconveniente teria de esperar para ser resolvido, do outro lado dos escombros o homem de negro se erguia.
Ignorando a dor, ela forçou-se a fazer o mesmo. Fazendo valer o ditado de que vaso ruim não quebra, o líder dos capangas havia sobrevivido e dirigia-se em sua direção, com ódio estampado no rosto. Antes de saltar da janela, Emma havia vislumbrado o homem sacrificar seus companheiros sem piedade contra as dinamites que se aproximavam, enquanto corria para a janela do outro lado do salão. Tudo bem, ela estava contando com aquele embate.
— Devia ter voltado pra sua cidade enquanto podia, loirinha. — o homem provocou, exibindo os dentes ensanguentados — Agora vou ser obrigado a acabar com a sua raça.
— Curioso... — Emma concluiu a tarefa de colocar-se de pé, enquanto o homem diminuía a distância entre eles — Eu ia dizer o mesmo.
Numa fração de segundo levaram a mão ao coldre, tento o mesmo reflexo. Para surpresa de ambos, encontravam-se igualmente vazios. O impacto da explosão seguido da queda devia ter arrancado os revólveres de seus lugares. Vasculharam rapidamente os arredores com os olhos. Emma saiu na dianteira, encontrando seu calibre 38 há poucos metros de distância, próximo a um amontoado de vigas que ardiam em chamas. Mas sua vantagem durou pouco, pois analisando sua fisionomia o homem logo notou a descoberta.
Eles se entreolharam novamente por um segundo, antes de saírem em disparada até o objeto. A distância favorecia o homem de negro, mas assim que ele curvou seu corpo para agarrar a arma, Emma usou a velocidade em que estava para deslizar no chão de terra, chutando o objeto para fora de alcance. A poeira que ela levantou, somada à fumaça do fogo ao redor, cegou os dois temporariamente.
Emma lacrimejou, tossindo o ar sujo em seus pulmões. Viu a sombra do homem se aproximar em sua direção bem a tempo de desviar. O capanga passou furiosamente por ela, que conseguiu esquivar com um passo para o lado. Ele armou-se de um pedaço de madeira quebrado e desferiu golpes no ar tentando acertar a loira. Emma desviava a cada nova investida, mas estavam lutando muito próximos das chamas e a fumaça não estava ajudando.
Quando o golpe veio de cima para baixo, mirando sua cabeça, a Ranger viu a oportunidade. Agarrou o pedaço de madeira no ar, segurando firme com as duas mãos. Agora a disputa era braço a braço pela posse da arma improvisada. Ambos colocavam suas forças sobre o objeto, puxando-o para si ao mesmo tempo em que tentavam observar a estratégia um do outro. Percebendo a dificuldade da loira em mover-se, o homem arriscou um palpite. Deixou que ela puxasse o objeto para si e somou a força de seu corpo na mesma direção, acertando o joelho no tórax de Emma.
A loira arfou, sentindo uma dor dilacerando irrompendo em suas costelas. Bastardo! O homem conseguiu acertar em cheio o ferimento e seu peito ardia como se fosse estilhaçar a qualquer momento. A loira caiu de lado, mal conseguindo abrandar sua queda com um dos braços. O bandido sorriu maldosamente à visão da Ranger se contorcendo ao chão.
— É uma pena ter que acabar com um rostinho tão bonito... — ele usou um tom de deboche, preparando o golpe no ar — Mas confesso que gostaria de ter presenciado sua expressão assistindo o sofrimento da prefeita.
Ao ouvir aquelas palavras, Emma quase perdeu a respiração por completo. Com o olhar vidrado nas chamas, ela sentiu o formigamento voltando a percorrer seu corpo. Após a queda, a loira havia se desconectado da estranha força em seu interior, como se a dor tivesse tirado sua concentração. Mas a frase do homem despertou novamente os sentidos da Ranger. Algo feroz.
Confiante e decidido a encerrar aquele embate, o capanga desceu sua arma executora com força em direção à loira. Emma previu o movimento, como se sentisse a energia que fluía do homem. Com um giro, ela velozmente retirou o corpo da mira do ataque, fazendo com que o homem cravasse com força a madeira no chão. Surpreendido com a agilidade de sua oponente que mal se sustentava nesse mesmo instante, ele ficou exposto por apenas uma fração de segundos. Mas foi só isso que a Ranger precisou. Agarrando o braço do homem com uma chave de perna, ela fez pressão com força para um dos lados, quebrando o osso do membro.
O homem berrou de dor, soltando a arma e rolando de lado, enquanto olhava desesperado para a fratura exposta em seu braço. Emma ergueu-se rapidamente, não iria perder a vantagem desta vez. Com um olhar quase cruel, ela tomou nas mãos a madeira que quase atingira sua cabeça e dirigiu-se ao capanga.
Incapaz de processar uma defesa rápida o suficiente, ele visualizou os cachos loiros de sua oponente dançando em meio à fumaça escura que emanava das vigas ao redor. Seus olhos brilhavam num tom verde sobrenatural...
Emma apertou a estaca contra a face do homem de negro, usando a ponta para arrancar um estreito fio de sangue de sua bochecha. O bandido havia presenciado alguns feitos da loira e ouvido suas histórias, Rangers eram conhecidos por seu código de conduta e matavam somente quando necessário. Mas um arrepio gelado cruzou-lhe o peito, pois ele não vislumbrou qualquer traço de hesitação em seu olhar.
— Vai ser uma pena acabar com um rostinho tão bonito... — ela pronunciou, antes de cravar a estaca com força no peito do homem.

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