Once Upon A Time In Wild West...
9 End of the road...
Notas iniciais
Emma correu o caminho todo até o correio. Pegou o estabelecimento bem na hora de fechar. O homem sorriu ao perceber o quão ofegante ela estava e como tinha se esforçado para chegar a tempo. Mais dois minutos e ela teria de voltar outro dia.
— Bem na hora! – exclamou o homem.
Emma também sorriu.
— Pois é...
O oficial se recordava da loira. Retirou então um envelope debaixo do balcão.
— Por pouco, senhorita... – ele checou o endereçamento no verso do papel – Swan.
— Obrigada!
Emma agradeceu e começou o trajeto de volta até o cavalo. Estava pronta para abrir a correspondência, mas então percorreu o olhar pela rua principal. A carruagem da prefeita já havia partido, deixando apenas um rastro de poeira ao longe. A noite começava a emitir seus primeiros sinais e o sol já se escondia por detrás das colinas. Sua curiosidade gritava para que abrisse a carta, mas teria que contentar-se em ler depois. Se perdesse a diligência de vista, todo o seu trabalho de acompanha-la seria jogado ladeira abaixo.
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Três homens de negro aguardavam em cima do desfiladeiro. O desânimo já começava a atingi-los, mas então aconteceu. O brilho do espelho, refletindo os últimos raios de sol, deu o sinal bem ao longe. Era hora. O mais alto deles deu a ordem e os outros dois acabaram de preparar o pacote. Assim que o fósforo acendeu o pavio, eles se afastaram com pressa.
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A carruagem seguia em ritmo acelerado. O sol já não se fazia mais presente e Regina não gostava de viajar à noite, queria chegar em casa o mais rápido possível. Por um segundo ela pensou onde estaria a loira que ainda não os havia alcançado, mas depois a razão tomou as rédeas da situação e disse a si mesma que não precisava dela.
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Emma apressava o cavalo, tentando alcançar a diligência. Não faltava muito. Argo era um só, comparado com os outros quatro garanhões da carruagem, mas era o mais rápido que conhecia. Algumas dezenas de minutos depois avistou a poeira deixada por eles, não muito longe.
— Vamos lá amigo! – ela incentivou o animal – Falta pouco!
A lua já se levantava no céu acima deles e de seu brilho, ainda tímido, Emma teve a impressão de visualizar um vulto nos desfiladeiros que começavam a subir a partir dali. Uma sensação agourenta tomou conta de si e a loira apressou ainda mais o passo. Precisava chegar a Regina antes que alguma coisa viesse a acontecer.
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A carruagem freou repentinamente. Regina franziu a testa e Henry remexeu-se no assento.
— O que foi mamãe?
— Não sei querido... Fique aqui.
A prefeita então levantou-se e desceu da carruagem. O cocheiro já caminhava em sua direção quando ela o abordou. Os dois capangas que a acompanhavam desceram de seus lugares.
— O que está acontecendo? – perguntou, com certo nervosismo.
Ele apontou para onde deveria estar a continuação da estrada. Mas ao invés de quilômetros e quilômetros de terra, tudo o que podia ser visto era um enorme amontoado de pedras impedindo a passagem.
— Deslizamento? – ela indagou.
— Pode ser...
Neste exato momento o ruído de patas em movimento e o relinchar de um cavalo cortou o ar. Regina apressou-se em olhar para trás e a figura tranquilizadora da loira em seu garanhão dourado se colocou à vista. Mesmo que não quisesse admitir, ela suspirou aliviada. Emma saberia o que fazer.
— Woow! – ela freou o cavalo – O que houve?
O cocheiro repetiu o gesto e Emma viu então as várias toneladas de pedras que bloqueavam a estrada.
— Não estou gostando nada disso..— ela murmurou mais para si mesma.
A constatação não passou despercebida.
— O que foi, Ms Swan?? – Regina exigiu uma resposta.
— Nada...

A prefeita esboçou aquela expressão usual de “eu dou as ordens por aqui” e Emma entendeu que não seria fácil convence-la com desculpas esfarrapadas.
— Não estou com uma impressão muito boa... Não parece ter sido causado por um deslizamento natural...
— Quer dizer que acha que foi provocado?
Emma assentiu com pesar. Instintivamente ela percorreu todo o desfiladeiro a sua volta com os olhos atentos. Aparentemente nenhuma movimentação. Mas isso não acalmou seu coração.
— Não podemos permanecer aqui... – ela continuou – Uma estrada bloqueada é um chamativo para bandidos. Seria como jogar uma carcaça ao sol. Os urubus não demorariam a aparecer.
Regina refletiu e acabou concordando com a colocação.
— E o que você sugere que façamos? Não vou fazer todo o caminho de volta até Spring Hill. E também, de qualquer forma, vai demorar até que a prefeitura consiga ordenar a retirada de tudo isso do caminho.
— Precisamos de uma rota alternativa. Notei que a estrada tem uma bifurcação lá atrás. Para onde leva?
A prefeita encarou o cocheiro em silêncio. Emma pôde ler em suas expressões que a coisa não era boa. Após algum tempo em silêncio, Regina se pronunciou.
— A Garganta do diabo.
— Oh, que meigo. Eu estava esperando algo mais desagradável, tipo campos silvestres ou mata das flores...
— Ms Swan, não é brincadeira.
Emma assumiu uma expressão também séria.
— Eu sei. Mas não temos alternativa. Achei ter visto alguma coisa na entrada do desfiladeiro. Não acho seguro voltarmos por ali.
Regina ficou pensativa.
— Muito bem. Vamos então.
O cocheiro, a contragosto, voltou ao seu lugar e conduziu os cavalos de volta pelo caminho que haviam percorrido. Os vigias da prefeita assumiram posição de atenção em seus lugares no topo da diligência, preparados e com os rifles já em mãos. Antes que entrasse na carruagem, Emma tocou o braço de Regina.
— Vai ficar tudo bem... Não vou deixar que nada aconteça a vocês.
Apesar de saber que a situação não estava nada fácil, ao ouvir aquelas palavras, o coração de Regina finalmente conseguiu forças para voltar ao ritmo normal. Sabia que Emma tinha propriedade no que dizia, e a loira passava mais segurança a ela do que qualquer exército que poderia desejar ter ali naquele momento.
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Percorreram mais alguns minutos pelo desfiladeiro até encontrar a bifurcação, que conduzia a estrada por uma curva. Tomaram o novo caminho, Emma e os capangas sempre atentos a qualquer movimentação.
— Então.. – ela puxou conversa com o cocheiro – O que é essa tal Garganta do diabo?
Por um segundo, Emma vislumbrou uma centelha de medo iluminar os olhos do homem.
— É uma passagem pelos cânions. Foi praticamente inutilizada depois da abertura da estrada de Spring Hill. É quase um pedido de morte. Você tem que percorrer um árduo caminho pelos desfiladeiros, ao invés de por entre eles.
Emma assumiu um ar pensativo. Ela e Carter já haviam andado por caminhos como aquele diversas vezes. Nunca era agradável, era verdade, mas seu trabalho lhe exigia certos sacrifícios. Quanto à parte do “muito arriscado”, disso ela tinha certeza. E o fato de uma carruagem estar envolvida não ajudava nem um pouco.
— Não tenho notícias de ninguém que passe por lá há anos.. A não ser é claro, um grupo de bandidos ou dois que queira despistar os oficiais.. E funciona. Eles não se atrevem a procura-los por lá.
Que ótimo, pensou. Ainda por cima é um covil de mal feitores. As coisas pareciam só piorar. Eles poderiam tentar voltar até a cidade e seguir de manhã, mas algo dizia a Emma que uma emboscada os aguardava.
— Sei como é...
Na verdade, ela não sabia. A loira e seu parceiro Ranger caçavam suas presas até os confins do mundo se fosse preciso. Essa era também uma grande diferença entre eles e o restante das patrulhas e oficiais de polícia. Um Ranger arriscaria o seu pescoço na mais improvável das missões e não desistira até que ela fosse concluída, ou que ele partisse deste mundo. Um oficial da lei faz o que faz por dinheiro, pra sobreviver, por muitos outros motivos individuais.
Um Ranger deve cumprir o seu dever por honra. Fazer parte da companhia significa colocar o bem estar do país e das pessoas acima do seu próprio. Emma então percebeu ali naquele momento, cavalgando ao lado da diligência, que arriscaria sua vida por aqueles dois que pouco conhecia, mesmo que dever moral nenhum exigisse. Cumpriria sua promessa à prefeita, nem que fosse a última coisa que fizesse.
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Eles cavalgaram por mais algum tempo até finalmente as imponentes fendas naturais erguerem-se à frente. A Garganta do diabo, de fato, fazia jus a seu título.
— Tomara que a Velha ponte ainda aguente... – o cocheiro comentou, quase num tom de prece.
É, tomara...— a loira pensou. Ou nem sua bravura seria capaz de tirar mãe e filho dessa enrascada.
O rosto do garoto apareceu na janela da carruagem. Emma fez o que pôde para dirigir-lhe um sorriso confortante. Henry retribuiu, mas o medo nele era visível. Regina logo apareceu por detrás do menino e o puxou de volta ao assento. Nesse meio tempo, seus olhares voltaram a se encontrar naquele dia. Mas desta vez, a conexão estabelecida ali era diferente.
Uma profunda confiança deixou os olhos castanhos e invadiram as duas esferas esmeralda como uma onda. Os segundos que se passaram ali foram intensos, e pareceram à Emma meses. Como se a relação das duas tivesse atingido um novo nível, e em tão pouco tempo. Regina agora confiava, não só a sua própria, como também a vida do filho à loira. Emma não poderia desapontá-la.
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