Once Upon A Time In Wild West...
5 Busy night
Notas iniciais
Ao sentir o olhar da prefeita cortar-lhe ao meio, Emma constatou que era hora de se mandar dali. Com o sol a pino, ela decidiu que seu tour diário ficaria pra mais tarde. Sentada na varanda da estalagem ela simplesmente observava o vai e vem da cidade. Granny apareceu na porta, misturando algo em uma tigela.
— Ei, Emma... Deu tudo certo hoje de manhã?
A loira assentiu, arrumando uma mecha de cabelo atrás da orelha.
— Foi fácil de achar, como a senhora disse... Precisava só enviar uma carta a um amigo... Dizendo que vou ficar por alguns dias. – mentiu – Ah, já ia me esquecendo... Encontrei o dono dos estábulos hoje, David. Ele nos convidou para um jantar na Fazenda Encantada.
— Gente muito boa, ele e a mulher... Creio que não vai fazer mal deixar a estalagem por uma noite... Você é nossa única hospede, de qualquer forma. Que acha de irmos?
— Estou às ordens, vovó! – Emma sorriu – A propósito, voltando àquele assunto... Não acha que as coisas estão um pouco calmas por aqui? Quer dizer, não vi nada de incomum nesses últimos dois dias, a não ser pelas histórias.
— Calmo até demais... E isso não costuma ser um bom presságio...
Disso Emma tinha certeza. Ventos parados costumavam anunciar grandes tempestades. Um grupo de homens com expressões gélidas passou ali em frente e encarou as duas. Emma ergueu uma sobrancelha.
— Quem são esses sujeitos? – ela sussurrou.
Vovó deu de ombros.
— Nem faço ideia. Pra falar a verdade, ultimamente Storybrooke tem recebido cada vez mais tipos como esse. Eles nunca ficam, é verdade, mas por onde passam deixam um estrago.
A loira observou os homens se afastarem e como devia ser previsto, adentraram o único recinto ali que se encaixava no perfil da gangue: Granny’s Saloon.
— Oh-ow... Acho melhor eu dar um pulinho lá, Ruby pode precisar de ajuda.
A vovó anuiu. Quando Emma já estava a alguns passos dali, ela gritou:
— Ei, Emma!
A loira virou-se.
— Tente não se meter em encrencas...
Com uma continência, ela continuou o trajeto até o edifício à frente e foi pensando pelo caminho. “Não se meta em encrencas...” era também o que seu parceiro Carter sempre dizia, mas infelizmente, depois de atirar, era o que a loira sabia fazer de melhor.
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Ruby preparava alguns drinques quando ela entrou. Emma se aproximou do balcão de forma discreta.
— Hey.
— Hey. – a garçonete respondeu.
— Tudo certo por aqui?
Ruby concordou.
— Por quê?
— Vi um grupo mal encarado acabar de entrar... Por falar nisso, onde é que se meteram?
Ruby indicou o final do salão, na mesa próxima a parede. Para a surpresa da loira, os homens conversavam com a última pessoa dali que ela poderia esperar.
— Que é que eles estão fazendo com ela?
— Acho que devem ser seus os novos contratados... Regina quer reforçar a segurança.
— Já não é suficiente aquela fortaleza do mal? O que ela pode temer?
Ruby fez sinal para que a mulher a seguisse até uma parte mais afastada do balcão.
— Cerca de uns vinte e poucos dias atrás, atacaram a mansão...
— O quê?? Quem?
Ela deu de ombros.
— Ninguém sabe. Conseguiram escapar por pouco, mas a prefeita quase passou dessa pra melhor...
— Atiraram nela??
— Pois é...
— E a casa? Levaram alguma coisa?
— Aparentemente não... Dizem que os vigias conseguiram chegar antes que o estrago fosse maior... Mas a prefeita ficou preocupada.. Dessa vez pode não ter acontecido algo pior, mas..__
— Quebraram sua linha de defesa.
Ruby anuiu, terminando de limpar um copo.
— Ninguém nunca tinha invadido a mansão. O lugar é quase mais seguro que o próprio banco.
Emma se apoiou no balcão refletindo sobre o que havia acabado de descobrir.
— Não sei não... Isso me cheira a outra coisa.
— Acha que não foi roubo? - Ruby pareceu surpresa com o comentário.
— Existem alvos muito mais fáceis por aqui... Pra se arriscar a invadir uma fortaleza dessas só vejo dois motivos: ou queriam roubar algo muito específico, ou o alvo não era um simples objeto...
— Acha que queriam matar Regina??
— Shhh... – Emma cutucou a garçonete.
O grupo passou por ali e se dirigiu à saída. Regina veio logo atrás, mas parou na porta assim que viu as duas mulheres do outro lado.
— Madam Mayor... – Emma cumprimentou, tirando o chapéu da cabeça.
A prefeita encarou aqueles olhos esmeralda por algum tempo, mas depois simplesmente deu as costas e deixou o Saloon.
— Ufa! – Ruby limpou a testa – Se nos pega falando dela estamos mortas.
— Pode apostar suas botas... Agora, me conta... Quem teria motivos para encomendar um golpe desses, em teoria?
— Aqui em Storybrooke? – Ruby riu – Praticamente qualquer um... A prefeita não é das mais populares.
— Certo. Mas agora, vamos restringir esse número aos que teriam condições para isso... Quem quer que tenha invadido a mansão não era amador. E esse tipo de mercenário custa um bom maço de notas.
Ruby e Emma refletiram e a palavra saiu em coro.
— Gold! – disseram.
— Mas não faz sentido... – a loira continuou.
— Por que não?
— Gold me conhece. O que quer dizer que sabe quem eu sou, o que eu faço e como faço... Se estiver mesmo tramando algo, eu só o atrapalharia.
— Talvez queira justamente isso. Tirar as suspeitas contra ele do caminho. Se alguma coisa realmente acontecer, o pessoal daqui também não levaria muito tempo para traçar uma linha até o banqueiro.
— É, talvez... Mas escute o que eu estou dizendo Ruby... Não vou deixar esta cidade até que essas coisas sejam colocadas em panos limpos. E aconteça o que acontecer, não vou permitir que mal algum caia sobre aquela mansão.
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O jantar estava delicioso. Mary Margaret cozinhava divinamente e era também uma pessoa muito simpática. Nem parecia pertencer àquele lugar. Sua pele era tão clara que lembrava a neve. Os cabelos, em contraste, eram negros como o manto da noite e estavam presos em um coque no topo da cabeça. O vestido azul refletia o tom claro de seus olhos.
David, a seu lado, agora devidamente arrumado para a ocasião, trajava uma blusa branca de algodão fino e calças escuras. Emma por sua vez, vestia uma camisa verde escuro e o restante da roupa de sempre: jeans, botas cano alto de couro marrom, e a fina corrente de prata no pescoço. O costumeiro cinto com as armas e o chapéu também a acompanhavam, mas ela havia retirado para se sentar à mesa.
O trio da estalagem não era o único convidado. Leroy e seus irmãos, juntos de Archie, os acompanhavam na refeição. A fazenda era um lugar muito agradável. Ladeada por árvores, o ar ali parecia mais fresco naqueles dias de verão. Merecia, de fato, o título de "Encantada". David tinha lhe mostrado toda a propriedade e contado como havia erguido o local com a ajuda dos ferreiros. As duas casas pareciam ter uma ligação muito próxima, Emma observou. Algo do tipo “amigos de longa data”.
— Então Emma, o que está achando da nossa cidadezinha? – Mary Margaret perguntou de repente.
Emma não havia se preparado previamente para perguntas do tipo, mas tentou elaborar rapidamente uma resposta plausível.
— Bom, ahn... – ela parou e pensou. A loira nunca estava em um lugar por lazer, era sempre alguma coisa relacionada ao seu trabalho que lhe carregava pelo país a fora. Mas estava começando a criar laços com o pessoal dali e suas histórias – Acho que vocês têm algumas ótimas pessoas na cidade. De verdade. – ela sorriu para a vovó e Ruby a seu lado – Apesar do que tenho ouvido a respeito de Storybrooke, ainda tem muita gente de bem por aqui.
Mary Margaret sorriu de volta.
— Ahn, — Emma aproveitou a brecha para fazer uma pergunta – Me disseram que é professora?
A mulher de cabelos negros confirmou.
— É quase mais um hobbie do que um trabalho, pra falar a verdade...
— Todos os garotos daqui estudam lá?
Mary pensou por um momento.
— Bom, creio que sim...
Ruby encarou discretamente a loira tentando ver o que ela pretendia com aquela conversa.
— Até o filho da prefeita?
— Henry! – o sorriso da mulher se alargou – Sim, um menino maravilhoso... Por que o interesse, se me permite perguntar?
— Ahn, nada... Curiosidade só.
Emma percebeu então o olhar da garçonete e viu que ela não seria enganada facilmente assim.
— É que a mãe dele... Bom, Regina parece ser o tipo de pessoa que educa o menino em rédea curta, não sabia se o colocaria junto com outros garotos...
— É... – Mary concordou – Mas ela não tem muita opção em relação a isso. – a mulher riu – É a única escola da cidade e a prefeita é muito ocupada para manter o menino em casa o tempo todo.
— Imagino que sim...
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A noite estava ótima, mas já era hora de voltar para a estalagem. Chegando lá, Granny se despediu e retirou-se para seus aposentos. Emma estava fazendo o mesmo, até perceber que Ruby já havia passado de seu quarto e continuava no seu encalço. Ela abriu a porta e a morena foi logo se colocando para dentro sem esperar um convite.
—Ahn.. Tudo bem, quer entrar? – a loira brincou ao notar que Ruby já havia feito isso.
— Vai, me conta! – Ruby sentou-se de pernas cruzadas sobre a cama e aguardava seu relatório, empolgada como sempre.
— Contar o que, mulher? – Emma se fez de desentendida.
— Ah, deixa disso... Você pode até enganar a Blanchard, mas já passei horas suficientes a seu lado pra saber que ai tem coisa... Por que esse interesse repentino no garoto?
Emma brincava com a correntinha no pescoço, procurando novamente por uma resposta.
— Olha, Ruby... Eu não tenho certeza ainda... Mas prometo que te conto quando descobrir. E eu não estou assim tãaao interessada, tá?
A morena riu.
— Ah, ta... Conta outra, Emma. Tudo bem, não quer falar, não fala. Só uma coisa: toma cuidado com o que vai fazer... Você ainda não a conhece direito, mas Regina é do tipo de cão que late... E morde.
Emma assentiu e a garçonete retirou-se. Deitada na cama, o sono parecia não chegar. Ela pensou na carta e refletiu consigo mesma. O real motivo de seu interesse ainda parecia turvo à seus próprios olhos. Nove anos atrás Emma estava decidida, mas sozinha ali no escuro, percebeu que algo havia mudado. O que isso significaria só o tempo seria capaz de dizer.
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Era pouco depois da uma hora, mas o Saloon ainda funcionava, como de costume. O turno noturno ficava na responsabilidade de um rapaz chamado Jake. Vovó achava que após um certo horário, o que já era susceptível a confusões ficava ainda pior, portanto quem assumia os negócios depois das oito era amigo de Ruby.
Emma ainda revirava na cama tentando dormir, mas o som vindo do outro lado da rua estava tornando essa tarefa um tanto quanto difícil. Um grupo de homens aparentemente havia ficado alegre demais e a farra estava a todo vapor.
A loira levantou-se nervosa e foi até a janela. Ela já estava a ponto de gritar algo nada educado e dar uma lição naqueles marmanjos, o que era a sua cara e ela realmente teria feito, se algo não tivesse desviado sua atenção. Próxima à bifurcação dos trilhos do trem, uma mulher caminhava e era seguida logo atrás por um grande vulto. E algo lhe dizia que a intenção do homem não era perguntar as horas.
Acostumada com a rotina na estrada, Emma dormia vestida então não precisou de mais do que alguns segundos para recolher seu cinto, o chapéu e saltar para fora da janela. O telhado de madeira era algo fácil de percorrer — pelo menos para ela. Fácil até demais, pensou. Lembraria de discutir sobre isso com a vovó numa outra ocasião.
Aterrissou com perfeição no chão de terra e incitou suas pernas a reagirem o mais rápido possível. Por sorte ela conseguiu alcançar o grandalhão no exato momento em que ele segurava o braço da mulher. Armando-se de todo seu peso e força, jogou seu corpo sobre a sombra e ambos foram ao chão. O embate teve início, espalhando montes de poeira por todos os lados. O homem era grande, mas Emma sem sombra de dúvida era mais habilidosa.
— Mas que diabos está acontecendo aqui!? – a mulher ao lado atentou-se para a situação naquele determinado momento.
Aquela voz roubou a atenção de Emma.
— Regina?!
A própria prefeita assustou-se ao ouvir a loira chamar-lhe pelo primeiro nome, ao invés da costumeira forma respeitosa que todos sempre lhe dirigiam. Distraída num momento muito inoportuno, Emma sentiu seu corpo ser erguido e atirado para o lado. Ela atingiu o chão bruscamente, mas sabia lidar com quedas e não sofreu dano maior. Porém, aquilo a havia afastado da refém e esse era o perigo maior. O homem sacou o revólver e Emma viu o metal refletir o brilho da lua.
— NÃAAO!!
Ela não hesitou em atirar-se na frente da prefeita e foi por pouco que conseguiu arrastar Regina para o chão sem que a bala atingisse uma das duas. O recarregar do revólver foi mais lento que o próximo passo da Ranger. Emma acertou em cheio o punho do homem e a pistola voou para fora do campo de visão. O homem grunhiu de dor, agarrando a própria mão. Era o momento de distração que agora ela aproveitaria. Mas geralmente, após um desses, não era comum que a vítima se levantasse para revidar.
Com seu melhor chute no estilo "voadora", Emma derrubou o sujeito, deixando a bela marca de sua bota no meio da testa do homem. Ele desabou, levantando mais uma nuvem de poeira.
Emma lembrou então da outra parte da história, que lutava para se levantar em meio a um vestido completamente bagunçado. Ela não pediu permissão e foi logo passando o braço da mulher sobre suas costas para ajudar a erguê-la. O que deu certo, pois Regina só notou a situação quando já estava de pé e ao lado da loira.
— Swan??! Quer me explicar o que está fazendo aqui??
— Ahn.. Salvando sua vida?!
Emma tentou esconder a indignação em sua voz, sem muito sucesso. Nem mesmo após um acontecimento como aquele Regina parecia abrir uma brecha.
A morena então calou-se e encarou o homem ao chão, e mais a frente, a arma que segundos atrás estava apontada para ela. Um grupo havia se formado na porta do Saloon e caminhava em direção às duas.
—Ah, que ótimo. – a morena revirou os olhos – Plateia era tudo o que eu precisava depois disso.
Emma soltou a mulher para se adiantar até eles, mas a prefeita vacilou.
— Ai! – ela protestou.
— Parece que alguém torceu o tornozelo... Tudo bem, olha... Se apoie aqui... – a loira caminhou com ela até o palanque, onde o pessoal amarrava os cavalos – que eu resolvo isso.
Emma correu até os homens que se amontoavam agora em volta do nocauteado.
— Emma! – Jake reconheceu a mulher – O que aconteceu aqui? Aquela é... – ele forçou a vista na escuridão – Regina?? A prefeita???
Emma concordou.
— Agora shhh – ela tapou sua boca antes que ele dissesse algo inapropriado – Olha, já está tudo certo.. Por enquanto. Alguém tem um laço ai?
Um rapaz ao lado se apresentou com o pedido. Emma laçou o grandalhão caído como um bezerro, sem piedade no aperto dos nós.
— Toma. Amarre esse sujeito no tronco do curral... Mais tarde eu volto pra cuidar dele.
— Já está dando ordens, Swan? – ela ouviu Regina dizer de longe.
Emma virou-se, e não disfarçou a raiva desta vez.
— Vai se opor a isso?? – ela apontou para o homem que havia tentado matá-la pouco antes.
Regina franziu o cenho, mas não prosseguiu.
— Vá. – a loira voltou a falar com Jake.
— Mas e a..__
— Tá tudo bem. Eu cuido dela.
O rapaz precisou de ajuda para arrastar o grandalhão e na metade do caminho de volta Emma se virou.
— E Jake! – o rapaz ergue o olhar para encontrar o seu – Seria melhor que essa história não se espalhasse, por enquanto.
Ele assentiu e ela voltou para o lado da prefeita.
— Bom... Acho que vou ter que te acompanhar de volta pra casa, queira você ou não...
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