Notas iniciais
A universidade vem consumindo todo o meu tempo e energia 8''D Mas to de volta o Agradecendo mais um vez por me acompanharem e pelo carinho nos comentários... ^^ Eu queria poder postar mais de uma foto nesse cap D: Mas já que não da, eu escolhi uma e postei as outras pra vocês nos links u_u Espero que gostem ^^

Colocar Emma de volta no lombo do animal não foi tarefa fácil, mas Regina pôde contar com a ajuda de Argo. O cavalo deitou-se, como se tivesse sido adestrado para tal tarefa, e isso deu à prefeita a vantagem de que precisava. Com a altura agora possível, a morena ajeitou o corpo da Ranger e subiu junto dela. Argo ergueu-se sem dificuldade e uma nova jornada sob o céu escuro iniciou-se.

Regina havia atentado-se ao ferimento de Emma, firmando melhor as ataduras antes de partirem. No que se referia a ela própria, também havia recordado de vestir o que restou de sua blusa. Assim que deixaram a gruta, ela ergueu o olhar a procura da estrela. Lá estava ela: brilhando sozinha na escuridão da noite, renovando suas esperanças. Conduziu Argo naquela direção, sem deixar de firmar a loira um segundo sequer. Emma estava segura em seus braços, apesar de uma cavalgada sob a chuva não ser o melhor lugar para estar naquelas condições.

— Aguente firme, Emma... — ela pensou em voz alta — Vai sair dessa.

A chuva estava mais branda, mas ainda assim atrapalhava a jornada. Regina não tinha ideia de para onde aquele caminho levava, ou o que encontrariam lá. Só sabia que havia uma chance de salvar a Ranger, e era isso que ela ia fazer.

E por várias dezenas de minutos elas cavalgaram, guiadas apenas pelo astro no céu. A chuva cessou e os últimos pingos gelados deixaram de castigar as mulheres. Pelo menos isso...— pensou. Mas a incerteza voltou a ocupar lugar no coração da morena ao notar que quanto mais percorriam aquele caminho, mais ele parecia interminável... Bem como a escuridão, que vinha engolindo toda a paisagem. Sua esperança teve uma nova recaída, mas foi ai que ela avistou um clarão mais à frente. Mais que depressa ela incitou Argo naquela direção e gradativamente a luz que vinha de uma fogueira foi tornando visível as formas ao redor. Um amontoado de cabanas pontudas revelou-se diante de seus olhos. Estrategicamente dispostas e com uma "arquitetura" característica, ela foi capaz de reconhecer seu domínio.

Hesitou por um segundo. Recordou-se da figura esfumaçada e só ai pareceu dar atenção aos detalhes da cena. O ancião ostentava um grande cocar de penas no topo da cabeça. Índios... Será que aquela atitude era mesmo sensata? Será que eram confiáveis? Bom, de qualquer maneira não teve tempo para um julgamento melhor: um grupo de homens avistou o cavalo e vieram correndo em sua direção. Argo disparou até eles, como se reconhecesse aquelas pessoas. Regina não foi capaz de processar uma reação imediata e foi então levada ao encontro dos peles vermelha.

— Woah! — um dos índios ergueu a palma da mão, fazendo Argo parar.

Regina envolveu a loira, de forma protetora. Todos voltaram-se então para a mulher. Olhares fixos na ranger, os índios começaram a entoar em coro uma palavra que a prefeita não reconheceu. O modo como a olhavam parecia indicar que Emma lhes era familiar, mas ela não queria arriscar. Foi então que uma voz, destonante das demais, pronunciou-se:

— Lobo dourado! — a voz veio do meio da multidão e foi dita no dialeto comum.

Uma moça logo apareceu, empurrando os demais para obter passagem. Ela era alta, pele morena, adornada com uma pintura vermelha rubra em um dos braços, e longos cabelos negros. Trajava-se de modo semelhante ao dos outros nativos, porém seu vestido parecia um pouco mais elaborado. Um colar azul com uma grande pedra pendia de seu pescoço e ela agora fitava a loira nos braços de Regina. Mesmo com a pouca luminosidade, a prefeita pôde notar que ela era muito bonita e algo naquele intenso olhar chamou sua atenção. Ele parecia transmitir uma vivacidade e força que só havia visto antes nos olhos esmeralda.

Imagem *_*

A nativa deixou um suspiro de espanto escapar assim que visualizou morena. Sussurrou alguma coisa em seu idioma e a prefeita não pôde compreender o que ela havia dito. A índia aproximou-se então do cavalo, e em reação, Regina envolveu a loira com ambos os braços.

— Está tudo bem! Vamos ajudar! — a moça tentou tranquilizar a prefeita — Grande águia a aguarda.

A nativa conseguia se comunicar no linguajar comum americano com grande facilidade, Regina notou. Ela se perguntou o quanto daquilo poderia ser influência da xerife.

— Sou Pocahontas. — ela se apresentou — Venha! Não temos muito tempo.

Sem questionar mais, Regina conduziu Argo atrás da índia. Tinha provas relativamente suficientes para confiar na ajuda que aquele povo poderia oferecer e opções de menos para recusar. Percorreram várias tendas em forma de cones até chegarem à maior delas, do lado oposto. Alguns índios se apresentaram e ajudaram-na a descer Emma do cavalo. A prefeita supervisionava toda a operação como se eles estivessem carregando algum de seus órgãos vitais. Encaminharam Emma para o interior da tenda e quando a Regina tentou segui-los, a índia a deteve.

— Deve esperar aqui. — ela impediu a passagem da mulher, com o braço estendido.

A atitude seguinte da morena, foi a mais instintiva que já havia tido até então. Inesperada até para ela mesma.

— Não vou deixá-la! — e com um movimento rápido a prefeita esquivou-se da guarda mantida por Pocahontas e seguiu os homens. A índia não foi capaz de impedi-la.

O interior da tenda exalava um aroma que a prefeita não conseguiu reconhecer prontamente. Fumaça pairava no ar e o ambiente todo transmitia uma sensação mística a todos os que ali adentravam. Inúmeros itens adornados pendiam do teto, movimentando-se lentamente com um vento inexistente. Mas aquilo não foi o que atraiu mais a atenção da morena: no centro da construção em forma de círculo, estava o mesmo rosto que ela vira não muito tempo atrás. Sentado com as pernas cruzadas, ele tinha o corpo da loira estendido pouco à frente: deitada, imóvel. Os outros índios que ela tinha visto entrar, já não estavam mais ali.

Pocahontas apareceu logo atrás e alcançou a prefeita.

— * Grande Águia, eu.._ * — a nativa começou a justificar-se em sua língua, mas calou-se quando o ancião ergueu uma das mãos.

Ele disse duas frases no linguajar desconhecido. Pocahontas ponderou por um instante, encarando mulher e depois a loira. Meio relutante, fez uma reverência e retirou-se. Regina ficou imóvel, sem ter certeza do que fazer. O velho então gesticulou para que ela se aproximasse. A prefeita obedeceu. Ajoelhou-se ao lado do corpo da loira e tocou sua pele. Estava cada vez mais gelada... Ergueu o olhar, encontrando o do ancião. Palavras não foram necessárias e a diferença em seus idiomas pareceu irrelevante naquele momento. A expressão de súplica é universal.

O índio leu naqueles olhos o desespero de alguém que teme perder a pessoa amada, e o mais surpreendente, foi que Regina também pareceu notar o mesmo sentimento vindo do ancião. Sem perder mais tempo, o velho recolheu algumas ervas estrategicamente colocadas ali ao lado e aplicou sobre o ferimento da xerife. Começou a entoar um tipo de mantra, sua voz rouca e a ritmicidade das palavras provocaram arrepios em Regina. Mas não eram arrepios ruins, ela simplesmente sentia algo diferente, como se uma energia fluísse ao redor deles. O balançar dos penduricalhos acima de suas cabeças aumentou, mesmo que nenhum vento viesse do lado de fora da tenda.

Regina não questionava nem se assustava com os métodos do ancião, contanto que funcionasse e deixasse Emma a salvo. Um fraco brilho verde saiu das mãos do velho, assim que ele as ergueu acima do ferimento da loira. Não teve com evitar um suspiro de surpresa, desta vez. O ritmo das palavras entoadas foi aumentando, bem como a mágica luminosidade que saia das mãos do índio. Regina encarava o rosto da xerife, a espera de que subitamente ela viesse a abrir os olhos. Mas então o ancião recolheu as mãos, o ar voltou a se estagnar e o brilho sumiu.

— O que aconteceu?? — Regina desesperou-se — Por que parou??

A prefeita não tinha ideia se o outro a compreendia, mas as palavras saíram de impulso.

— Tarde... — o velho comunicava-se da melhor maneira que podia — Lobo dourado estar em viagem espiritual... Longe daqui.

— Então traga ela de volta!!! — os olhos da prefeita viram as lágrimas chegarem, sem que pudesse impedir — Não pode ficar ai sem fazer nada!

O pesar na expressão do índio pareceu somar infinitos anos à seu semblante. Ele tocou o ombro de Regina. Instantaneamente ela sentiu um formigamento percorrer seu corpo, como se uma grande energia desconhecida fluísse sobre ele.

— Forte — ele continuou — você dever ser... Deixar coração guiar.

Então ele ergueu-se e deixou a tenda, o cocar de penas arrastando ao chão. Regina ficou sozinha, e de fato, nunca havia se sentido tão sozinha como naquele momento. A tenda parecia isolar qualquer som que pudesse vir do exterior e o ar a sua volta parecia pesado. Pesado como seus sentimentos estavam nesse momento.

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Emma vinha alternando-se entre momentos de breve lucidez e inconsciência total. Recordava-se do fraco calor da fogueira e da voz da prefeita conversando com ela, mesmo que não distinguisse mais as palavras. Sentiu brevemente os pingos de chuva tocarem-lhe a pele e então veio a escuridão total. Por alguns instantes ela pensou que era o fim. Mas então, uma fraca luminosidade tomou conta de seus sentidos e seu corpo pareceu flutuar, como se já não se prendesse mais a esse plano.

A imagem foi tomando forma diante de seus olhos e uma imensa pradaria, verde e imaculada, estendeu-se à frente de seus pés. Aquele lugar era tão lindo, ela não recordava de já tê-lo visto antes. Parecia até... Surreal. Correu a mão pelo capim e sentiu o quão macio ele era, e o toque pareceu-lhe absurdamente real. Seus sentidos manifestavam-se ali com toda a força. Sentiu que não conseguia conter aquela sensação de paz que a invadia e deixou que as pernas seguissem seu desejo: correu pelos campos, sentindo a delicadeza da grama, a pureza do ar tocando-lhe os cabelos...

Fechou os olhos e permitiu que aquele momento a preenchesse. Por alguns instantes, todo o resto pareceu insignificante. A paz dominava-lhe por completo. Era como se todos os sentimentos mundanos a tivessem abandonado, todas as imperfeições, as mágoas... Seu espírito sentia-se livre e completo.

Um uivo despertou-a daquele momento. Emma abriu os olhos e encontrou um grande lobo fitando-a do topo de uma pequena colina. Seu pelo reluzia à luz do sol, tingindo-o do mais puro dourado que Emma já havia visto. O brilho do ouro parecia insignificante perto de tal beleza. O animal olhava a mulher como se pudesse ler sua alma, e de fato, era isso que a loira sentia. Seus olhos esverdeados transmitiam uma profunda sabedoria.

— Venha. — mentalmente o lobo dirigiu-se a ela, e a mulher entendeu com clareza.

Sem questionar, e como se um imã estivesse atraindo seu corpo, a loira seguiu o espírito. Eles caminharam lado a lado, e ele lhe mostrou toda a beleza daquele lugar. Emma conseguia ver o mundo, espiritual e carnal, as imagens dançavam diante de seus olhos. Ela assimilava uma quantidade de informações absurda, e o tempo parecia não existir. Tudo era tão quente e agradável, tão lindo... O sol parecia ter domínio infinito sobre aquelas terras e Emma desejou ficar ali para sempre...

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Era a segunda vez na noite que Regina encarava a loira daquela forma, mas agora ela temia que fosse definitivo. Tocou a mão da mulher... Estava gelada, o ritmo do pulso parecia quase não existir. Encarou o rosto da xerife e desejou com todas as forças rever aqueles olhos esmeralda. Deixou que as lágrimas corressem fartas, que exprimissem toda sua dor. O mundo era um lugar tão imprevisível... A prefeita vinha sentindo um vazio tão grande durante todos esses anos... Vazio que só conseguia preencher em partes com o amor do filho. Mas nem isso podia deixá-la completa.

E então... Uma nova pessoa surge em sua vida e derruba todas aquelas velhas barreiras que ela havia erguido cuidadosamente por tanto tempo. E no momento em que encontrou aquela mulher... Soube que devia temê-la. Soube que devia odiá-la... Mas não odiava. E mesmo com tão pouco tempo, seu coração voltou a encarar o mundo daquela forma especial. Seu vazio começou a diminuir e nem tudo parecia perdido. Até que a loira cerrasse os olhos e despejasse a escuridão novamente em seu peito.

Regina jogou-se ao chão e abraçou a mulher, segurando-a com todas as forças, como se aquilo pudesse impedir Emma de deixá-la.

— Seu tempo aqui ainda não acabou, Miss Swan... — sussurrou em meio aos soluços — Não me deixe...

Seus sentimentos gritavam por espaço e mesmo que fosse para uma despedida, ela permitiu que eles tomassem o controle. Encarou a loira uma vez mais e seus lábios desceram de encontro aos dela.

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Emma continuava a contemplar aquele novo mundo. O espírito a conduzia por diversos locais, e era como se ela já o conhecesse há centenas de anos. Estava feliz ali. Parecia ter atingido um estado máximo de compreensão do mundo ao redor e de paz interior. O lobo caminhava a seu lado e ela acariciou-lhe a cabeça. O animal pareceu surpreso por um segundo, mas apreciou o afeto. A pradaria parecia-lhe infinita enquanto percorriam aquele caminho, mas foi então que ela avistou um novo ambiente surgindo mais à frente.

Longos canyons cobertos de branco estendiam-se imponentes. Flocos de neve caíam ao chão, tingindo a paisagem com sua pureza. Não havia sol e o céu enegrecia-se com uma noite eterna. Ambas as paisagens dividiam o mesmo espaço e tempo, como o encontro de dois rios. A escuridão do outro lado era um pouco intimidadora, mas não menos bonita que a luz em que se encontrava.

Um novo uivo cortou o ar e Emma procurou de onde ele vinha. Um grande lobo negro ergueu-se acima do cume coberto de neve, sua cor contrastando com a imaculada paisagem branca. Ao contrário do outro, o lobo negro tinha intensos olhos castanhos, mas a mesma sabedoria parecia emanar deles. Emma encarou o novo espírito, admirada e em um segundo ele já estava à sua frente.

"Não me deixe..." uma voz ecoou no vazio. Emma não teve certeza se aquilo havia se passado apenas em sua cabeça, mas foi tão real quanto a paisagem que a cercava. E de repente imagens irromperam em sua mente, e uma breve memória de sua vida carnal veio à tona. Um sentimento de angústia tomou conta dela e algo pareceu incompleto. A paz que ela sentia foi interrompida.

— Seu tempo não terminou. — a voz do lobo negro era firme e sábia — Ainda não...

Emma não soube de onde vinha aquele sentimento ou o que a impulsionava para os atos que tomava, só sabia que era o que devia fazer. Fitou o lobo dourado a seu lado e ele assentiu com a cabeça.

— Venha comigo. — o animal negro virou-se e começou a caminhar.

A loira acariciou uma última vez o espírito e seguiu o outro lobo. Caminharam noite adentro e então o vento soprou forte e envolveu as duas figuras num redemoinho de cores.

Lobos +_+

Notas finais
Primeiro beijo +_+ Não deu pra descrever nesse cap, mas aguardem o próximo :3 Abraços p vocês ^^/ Obrigada!