Once Upon A Supernatural Time

2 Bem-vindo A Storybrooke


– Storybrooke, Maine, 3 dias depois -

– Emma, você precisa comer alguma coisa. – insistiu Mary Margaret, com o prato de sopa nas mãos.

Emma não respondeu, como nas outras vezes. Ela estivera deitada em sua cama com as mesmas roupas há dois dias, desde quando voltaram para a casa após a batalha contra Hook.

Mary Margaret segurou a sopa por mais alguns segundos, mas ao ver que a filha realmente não iria aceitá-la, afastou-se e desceu as escadas para a sala de entrada.

– Ela não quis comer de novo? – perguntou David assim que a viu. Mary Margarte colocou a sopa sobre o balcão da cozinha americana e balançou a cabeça negativamente. David se aproximou e abraçou-a por trás – Não se preocupe. Ela só precisa de tempo.

– É só que... Me dói tanto ver nossa filha assim, e não ter nada que possamos fazer...

– Podemos falar com a Regina. Ela sabe como é perder uma pessoa amada e se recuperar.

– Não é tão simples. A Emma levou muito tempo pra se entregar pra alguém, e ela perdeu os dois amores da vida dela em um espaço de tempo muito curto... Não sei quanto tempo ela vai levar pra superar isso... Se é que vai superar...

– Não se preocupe. – ele beijou a bochecha dela – Nós vamos pensar em algo. Somos os pais dela.

Dean espremeu os olhos para ler a placa que se aproximava. “Bem-vindo a Storybrooke”.

– É aqui? – perguntou ele.

Sam esticou-se um pouco pra frente.

– Acho que sim, mas não estou vendo nada.

– Pega os pergaminhos do Crowley.

Sam assentiu e procurou os pergaminhos na bolsa de couro. Ao achá-los, entregou um para Dean e segurou um consigo.

– Como diabos isso funciona? – perguntou Dean.

– Talvez devêssemos abri-los...

Dean abriu o seu violentamente enquanto segurava o vocalnte com o joelho.

– Essa merda tá escrita numa língua morta ou qualquer coisa assim.

Sam franziu as sobrancelhas e abriu seu próprio pergaminho. Ele não tinha ideia de que língua era aquela.

– Eu posso dar uma pesquisada online, e...

Mas então eles cruzaram a borda da cidade. E sentiram.

Os irmãos Winchester se entreolharam, um confirmando que o outro também havia tido aquela sensação estranha de que haviam atravessado algo. Dean voltou sua atenção para a estrada.

– Tenho um mal pressentimento sobre isso.

Henry estivera passando os últimos dias na casa de Regina, pois a situação na casa de Emma era muito complicada. Durante esse tempo, ele havia tentando achar uma forma de animar sua mãe, mas não conseguira pensar em nada. Até se odiou por ter quebrado a caneta do Autor e não poder escrever um final feliz para Emma.

Por volta das onze da manhã, a campainha tocou. Ele estava sozinho em casa – Regina e Robin haviam saído com Roland e sua irmã ainda sem nome, mas ele havia preferido ficar – então desceu prontamente para atender a porta.

A visão do outro lado não podia ser melhor. Violet estava parada na entrada, usando um vestido creme que contrastava perfeitamente com seus cabelos.

– Oi! – Henry sorriu de orelha a orelha.

– Oi. – ela sorriu timidamente – Eu... Eu soube o que aconteceu com a sua mãe, e pensei em ver se você estava bem.

– Já estive melhor. – ele admitiu.

– Ah... Você não quer... Fazer alguma coisa juntos?

Henry pensou por alguns segundos, então saiu na calçada e fechou a porta atrás de si.

– Quer saber? Eu podia usar um pouco de distração. Quer ir ao Granny’s?

Violet assentiu, sorridente.

Não demorou para que Sam e Dean avistassem a pequena cidade, e logo estivessem dentro dela. A rua principal era bem larga, apesar de não haver semáforos, e havia uma enorme torre de relógio em uma de suas esquinas.

– Isso não tem muita cara de conto de fada. – comentou Sam.

– Espero que encontremos logo a casa de doces, tô morrendo de fome. – Dean parou o carro ao lado de uma garota loira – Ei, bonitinha, onde podemos bater um rango por aqui?

– Hm... Vocês podem ir no Granny’s.... Fica logo ali, virando naquela rua. – ela apontou para a direção da qual falava.

– Valeu. – agradeceu Dean e deu partida novamente – “Granny’s” – ele murmurou – Parece que a maluquice tá começando.

Eles estacionaram a alguns metros do restaurante, e caminharam até lá. Dean abriu a porta, que soou um sininho, mas ninguém além da senhora atrás do balcão – que sinalizou para que entrassem – pareceu reparar.

Os dois se sentaram à uma mesa com bancos estilo anos 50, e uma garçonete logo trouxe o cardápio. Sam pediu uma salada com chá gelado e Dean pediu um hambúrguer com cerveja. Assim que a garçonete saiu, eles continuaram o assunto:

– Não sei, Dean, não parece ter nada de estranho nesse lugar, pra mim.

– Talvez seja uma armadilha do Crowley. Precisamos ficar atentos.

– Ok. Então, qual é o plano? Pergunta por aí se alguém viu a Rowena ou algum fenômeno estranho nos últimos dias?

– Você tem alguma ideia melhor?

Sam apoiou os cotovelos na mesa e se inclinou para frente para poder falar mais baixo com Dean:

– Se essas pessoas forem mesmo personagens de contos de fada, talvez não precisemos esconder nossa identidade. Podemos ir direto ao ponto. Só precisamos encontrar a pessoa certa com quem falar.

– Aham. Podemos perguntar a algum passarinho se ele viu alguma coisa.

Sam fez uma careta para Dean, mas antes que qualquer um dos dois dissesse alguma coisa, a garçonete voltou com os pedidos. Dean mergulhou de cara no hambúrguer e grunhiu de felicidade.

– Não sei se o Crowley estava falando a verdade, Sammy, mas esse lanche é com certeza mágico.

Henry havia visto os dois rapazes entrarem pela porta da frente do Granny’s. Os dois haviam sentado a algumas mesas de distância de onde ele estava com Violet, mas ele não conseguia ouvir o que conversavam.

– O que foi? – perguntou Violet e olhou sobre o ombro, tentando ver o que estava distraindo Henry.

– Aqueles dois no canto. Eu nunca vi eles por aqui. São de Camelot?

– Não que eu me lembre... Mas eles podem ter vindo pra cá com a gente quando a sua mãe lançou a maldição, não?

– Sim, mas... Você não acha que eles parecem acostumados com esse mundo?

Violet olhou para os dois rapazes novamente e depois voltou a olhar para Henry.

– Realmente. Talvez tenham vindo de outra cidade...

– Não. Você não tá entendendo, Violet, ninguém vem pra Storybrooke. A cidade não existe no mapa, e tem um feitiço de camuflagem nas fronteiras. Pra alguém entrar aqui, precisa de magia.

– Você acha que tem algo de errado, então?

– Eu não sei, mas vou tentar descobrir. Você se importa de esperar aqui?

– Não, sem problemas.

Henry sorriu de leve para ela, levantou-se e foi até a mesa onde Sam e Dean estavam.

– Ei, acho que nunca vi vocês por aqui antes.

– E aí garoto? – disse Dean – Eu sou Dean, esse é meu irmão Sam. Estamos de passagem.

– Eu sou Henry. Hum... Desculpa perguntar, é que não recebemos muitos visitantes, mas vocês têm algum conhecido por aqui?

– Estamos... Procurando uma conhecida nossa. – respondeu Sam.

– Ela mora em Strybrooke? Eu posso ajudar a achá-la.

Os irmãos Winchester se entreolharam. Foi Sam quem respondeu:

– Nós achamos que ela talvez tenha morado aqui por um tempo, e ido embora há alguns meses.

Henry estava achando aquilo tudo muito estranho. Mesmo com tantas coisas que haviam acontecido em Storybrooke nos últimos anos, como eles não haviam notado que uma pessoa havia saído? E como essa pessoa não havia tido nenhum efeito colateral, como perder a memória ou virar árvore? E como havia conseguido voltar pra lá?

A situação podia ser muito mais complicado do que ele havia pensado. Era melhor deixar os adultos cuidarem dela.

– Minha mãe é a prefeita, ela conhece todos que já moraram aqui. Podemos falar com ela.

– Parece ótimo. – disse Dean, e comeu o último pedaço de seu hambúrguer.

Regina já estava esperando no gabinete da prefeita quando Henry chegou. Ele havia ligado para ela e explicado a situação de um jeito que Sam e Dean não entendessem, mas que ela percebesse que algo estava errado. Seu coração se apertou ao ver o garoto sozinho dentro do carro de dois homens estranhos, mas eles logo estacionaram e Henry correu para os braços dela.

– Está tudo bem? – ela perguntou a ele.

– Acho que sim. – ele respondeu, apesar de estar se sentindo apreensivo com a situação e culpado por ter tido que deixar Violet almoçando sozinha.

Regina se afastou de Henry e olhou os dois homens parados no caminho que levava à porta de entrada.

– Muito prazer, eu sou Regina, prefeita de Storybrooke.

– Eu sou Dean, esse é meu irmão Sam Winchester.

– Por favor, entrem. Henry, espere aqui na sala, ok?

Henry assentiu.

A Rainha Má conduziu os dois caçadores até seu escritório e sinalizou para que eles se sentassem nas duas cadeiras que ficavam na frente de sua mesa, enquanto ela ocupou sua posição de prefeita.

– O Henry me disse que vocês estão procurando uma pessoa.

– Sim, uma conhecida nossa. – respondeu Sam – Ficamos sabendo que ela havia vindo pra Storybrooke, e viemos procurá-la.

– E vocês não tiveram nenhum problema para chegar aqui? – ela ergueu uma sobrancelha.

– Achamos que tínhamos nos perdido quando chegamos, mas logo a cidade apareceu. – respondeu Sam.

– Tipo mágica. – acrescentou Dean, com um sorriso sarcástico.

Regina torceu o nariz. Estava claro que aqueles dois sabiam mais do que estavam transparecendo.

– Me falem mais sobre essa amiga de vocês.

– O nome dela é Rowena. Cabelos vermelhos, sotaque russo, provavelmente usando um vestido longo e muita maquiagem. – disse Sam.

– Não, essa pessoa não é daqui.

– Tem certeza? – perguntou Dean.

– Acredite, Sr. Winchester, eu conheço todo mundo dessa cidade.

Mas não era verdade. Ela havia deixado Ingrid passar despercebida há algum tempo, e havia vários moradores de Camelot que ela não conseguia. Mas eles não precisavam saber disso.

Dean se curvou para frente e apoiou a mão na mesa.

– Escute, prefeita, recebemos uma informação muito confiável de que a Rowena estava aqui, e precisamos encontrá-la o mais rápido possível.

– E por que exatamente vocês precisam encontrá-la? – ela espremeu os olhos.

O escritório ficou em silêncio por alguns segundos, enquanto os dois se encaravam, até que Sam se pronunciou:

– Dean, acho que devemos contar a verdade a ela.

Dean permaneceu na mesma posição por mais algum tempo antes de se encostar novamente na cadeira.

– Ok.

Sam voltou-se para Regina, que cruzou os braços, pronta para ouvir a história.

– Ok, o que eu vou contar agora pode ser difícil de acreditar.

Regina riu de leve.

– Duvido.

– Certo... Bem... Eu e o Dean... Nós somos caçadores. Não de animais ou qualquer coisa assim. É um lance mais.... Sobrenatural.

Regina ergueu uma sobrancelha.

– Fantasmas, vampiros, lobisomens, bruxas, demônios. Você nomeia, a gente caça. – explicou Dean.

A Rainha Má não gostava de aonde essa história estava indo. Se esses homens caçavam esse tipo de coisa, eles poderiam ser uma ameaça para Storybrooke, e todos os seus moradores que tivessem algum tipo de poder.

– E o que vocês acham que essa Rowena é? – ela perguntou.

– Uma bruxa. – respondeu Sam – Uma bruxa bem poderosa, na verdade. Ela fugiu com o livro de feitiços muito perigoso, e o filho dela nos disse que ela viria para cá. Ele nos deu isso. – Sam tirou os pergaminhos do bolso e mostrou a ela.

Os olhos de Regina se arregalaram. Aqueles pergaminhos eram exatamente iguais aos que ela e Emma haviam usado para sair e voltar à cidade, e para permitir que Cruella e Úrsula entrassem.

– Como diabos vocês conseguiram isso? – ela murmurou, irritada.

– O filho dela é bem poderoso também. – explicou Sam. Ele deixou de lado a parte sobre Crowley ser o rei do inferno.

– A coisa é a seguinte. – interveio Dean – O filho dela achava que ela viria pra cá pra abrir um portal pra uma tal de Floresta Encantada, onde todos os personagens de contos de fadas são reais e tudo mais. Então se você souber qualquer coisa sobre isso, acho melhor nos avisar antes que ela tenha alguma chance de botar esse plano em prática.

Regina encarou os dois em silêncio por um bom tempo. Eles não pareciam estar mentindo sobre nada, e se estivessem dizendo a verdade, essa Rowena representava um perigo não só para Storybrooke, mas pra Floresta Encantada também. Para Henry, e Robin, e Emma. Ela precisava fazer algo.

– É verdade. É possível abrir um portal para a Floresta Encantada por aqui. – ela admitiu – Mas é uma tarefa bem difícil. Eu tenho um item que pode fazer isso, mas está muito bem guardado. Se ela realmente planeja seguir em frente com esse plano, só consigo pensar em uma pessoa que ela possa contatar.

Rumplestinski checou novamente a gaveta na qual havia guardado a adaga. Ainda estava lá. Ele não pretendia usá-la novamente, e se Belle nunca soubesse a verdade, ficaria tudo bem dali em diante.

A porta se abriu com um barulho de sino. Ele guardou a adaga rapidamente e se virou para a entrada.

– Estamos fechados. – exclamou, antes que pudesse ver quem era, mas logo se assustou.

Parada na porta estava uma mulher com longos cabelos vermelhos e um vestido preto que ia até os pés. Ela caminhou sensualmente em direção ao balcão, com um sorriso sincero nos lábios.

– Rowena... – ele murmurou.

– Olá, Rumple.