Once Upon A Prophecy
6 Part I: Be the Judge that our world needs
Notas iniciais
Um ano e duas semanas se passaram. Regina contara cada dia e cada segundo. Esperara ansiosamente pelo dia final.
A criança, a Salvadora, tinha nascido. Há duas semanas sua presença agraciava o mundo. O Conselho estava inquieto e através de Rumpelstiltskin, ela sabia que a ordem de execução da criança já fora dada, mas antes, eles fariam aquela festa, a apresentariam para os sete mundos, assim as suspeitas seriam mínimas. Era raro uma criança nobre morrer na hora do parto no mundo Sete, mas o Conselho já tinha inventado todas as desculpas para justificar a morte prematura da criança.
– “Dizem que a criança já está doente.” – dissera o Governante do mundo Dois. – “Mas, a criança está completamente saudável. Eu mesmo verifiquei.”
Eles teriam que ser mais rápidos que o Conselho.
A maldição negra já estava feita e Rumpelstiltskin já a entregara para Snow com todas as instruções. Leopold teria que morrer, mas o velho Rei se oferecera para a tarefa.
– “É a vida da minha neta em jogo. Eu já sou velho. Vivi demais, amei demais, agora é a vez dela e nem o Conselho tirará isso de nós.”
Seria heroico se não fosse tão patético. A verdade é que o Rei estava doente, terrivelmente doente. O velho não teria mais do que um ano de vida, então ele preferiu usar do resto de sua vida inútil para dar uma chance a neta. O engraçado de tudo isso era que Snow e o marido estavam tão desesperados para salvar a criança que nem sequer se lembraram que tudo com Rumpelstiltskin tinha um preço e talvez, o preço exigido por ele fosse alto demais para ser pago.
Regina não sabia exatamente o que foi prometido para o casal real por Rumpelstiltskin. O Governante não era confiável, mas diante das circunstâncias atuais ninguém poderia reclamar. A situação nos sete mundos estava preocupante.
O mundo Cinco estava quase declarando guerra ao mundo Três por causa dos unicórnios. As pessoas não encararam bem a possibilidade de “exportarem” seus anjos e a maior parte da população já se preparava para afundar navios e levantar armas contra qualquer pessoa vinda do mundo Três. Infelizmente, o mundo Um também estava furioso. Desde que a noticia da exportação de unicórnios se espalhou, os habitantes do mundo das águas, mesmo isolados uns dos outros, estavam tendo reações semelhantes.
– “Eles podem ter unicórnios e nós não podemos ter navios? Eles podem roubar de outro mundo e nós não podemos comprar transportes dignos para nosso mundo?!”
Morgana dissera em uma carta que estava temerosa. A revolta no mundo Um era tanta que até os Reis dos Mares pareciam entender e conspirar por uma guerra. Os monstros que povoavam os mares e atacavam barcos e navios, simplesmente perderam o interesse por tal esporte. A surpresa da Sacerdotisa fora muita quando mensagens sobre exércitos de diferentes ilhas se reunindo chegaram.
– “Eu temo não poder esperar por muito tempo, Regina. Eu temo essa guerra e o quanto ela irá nos destruir.”
O Conselho tentava fazer falsas emendas, prometendo melhorar, prometendo suprir todas as necessidades de todos os mundos. O que não foi dito era que os mundos privilegiados seriam os únicos que ganhariam por detrás das “emendas”.
O mundo Seis recebia cada vez mais prisioneiros. Os presos políticos, os responsáveis por iniciar rebeliões, os lideres da revolta eram todos incluídos no exército real e todos apresentavam a Regina uma carta escrita por Morgana ou Maleficent pedindo por um lugar na Torre Negra para aqueles homens. Claro, que a Rainha do mundo Seis aceitava a todos.
O exército negro era o maior dos sete mundos. Com grandes estrategistas, guerreiros e as melhores armaduras e armas. O Conselho era muito cego em sua soberania e o mundo Seis sempre fora muito submisso. Eles esperavam a traição de todos os lugares, menos do mundo da Justiça. Cegos e tolos. O mundo Seis, antes de Regina, não teve um governante acompanhado por um dragão. O mundo Sete apresentava os candidatos e os nobres e o povo escolhia o melhor. O Conselho pensava que o mundo Seis não era digno de medo por ser somente uma extensão do mundo sete.
“Por que temer aquilo que controlei por séculos?”
A verdade era que o Conselho e o Mundo Sete estavam na posição de soberanos por tantos anos, por tantos séculos que a possibilidade de uma traição nem sequer passavam por suas cabeças brancas. Como Rumpelstiltskin dissera:
– “A chave para derrotar o mundo sete é a arrogância do Conselho.”
E ela concordava.
– Esse vestido é perfeito, Majestade! – exclamou Kaede, a velha chefe das empregadas. A mulher tinha os cabelos brancos presos num coque, uma velha blusa cinza e larga, uma saia marrom quase preta, um avental desbotado também marrom e chinelos confortáveis. Ela sorria e era servida por mais duas empregadas mais novas.
Regina confiava em poucas pessoas, mas a velha governanta cuidava dela desde que fora declarada Rainha do mundo Seis. Kaede era sincera, sincera até demais; temperamental, severa e justa. Ela não sabia mediar suas palavras nem mesmo para a Rainha.
Certa vez, há muito anos, quando Regina ainda chorava todas as noites pela injustiça de tudo aquilo, por Cora, por Daniel, pelas centenas de pessoas mortas todos os dias por culpa dela, Kaede entrara em seu quarto. Até hoje, Regina não soube por que.
–“Você não entende! – gritara a jovem Regina com o rosto manchado de lágrimas. – Eu perdi tudo! Absolutamente tudo! E agora, eles querem que eu decida quem vive e quem morre! Eu não sou algum tipo de Deus!”
A velha respirara fundo, os olhos cor de mel endureceram, ela colocou ambas mãos na cintura e respondeu, sem hesitar:
–“ Então seja algum tipo de Deus! – respondera. – É um conselho terrível, eu sei! Nenhum de nós tem o direito de ser o Destino ou Deus, mas você, a Rainha do mundo Seis, a Juíza dos Sete mundos, você TEM que ser Deus. Do contrário, você não vai sobreviver aqui e irá levar todos nós a morte. Aquelas criaturas lá fora não temem humanos, eles temem Deuses; Nosso povo sofrido não tem esperanças em pessoas, eles confiam e esperam um Deus; Os outros mundos não respeitam a nós por que somos humanos, eles nos respeitam por que temos um Deus no Trono de Ferro. É muita pressão, é muita responsabilidade, eu sei, meu Deus, eu sei. Acompanhei Airon até o final de sua vida, vi como aquele homem bom e justo se recusara a se transformar no Juiz duro e cruel que precisamos, eu vi como ele morria pouco a pouco envenenado pelo ar do mundo Seis, eu vi como o Castelo começou a perder o respeito... Você não estava aqui quando os Tritões se revoltaram, certo? Ah, eles mataram mais de dois mil soldados, eles entraram no Castelo e mataram todos os presos da Torre Negra. Eu nunca tinha visto tanto sangue! – tremeu — E você sabe por que, criança? Por que eles não tinham medo de Airon! Por que naquela cabeça de peixe deles, ninguém da Torre era forte o suficiente para fazê-los temer! E até hoje, eles ainda pensam isso! Eles pensam de você o mesmo que pensavam de Airon! Não só eles! Os espectros começaram a avançar para a Muralha, a nossa maior defesa contra os Gigantes de Gelo, tudo por que eles não mais temem o que faremos se as regras forem quebradas! – ela parou e suspirou. Seu rosto moreno estava avermelhado. – Eu sei que você é gentil, é pura, assim como era Airon e se fosse qualquer outro mundo, não duvido que vocês fossem governantes esplêndidos, mas isso aqui não funciona. As criaturas que nos rodeiam não são sábias quanto os Elfos do mundo Um, nem tranquilas quanto os Sprouts, não, eles vão nos destruir! Facilmente! Só vivemos tanto por que tivemos grandes e cruéis lideres. Lideres que só ligavam para o nosso mundo e eram cruéis com todos que quebravam as leis. Lideres que faziam o sangue de qualquer criminoso gelar no momento em que fossem arrastados para a Torre Negra. E você, meu bem, tem algo que nem Montresór, o Cruel ou Luka, a Luz Negra ou até mesmo Katrina do Coração de Gelo tiveram, você, Regina, minha Rainha, tem um dragão, um dragão negro. Eu sei das lendas, sei que o nascimento de um dragão negro implica em mudanças, assim como todas as criaturas ao nosso redor também sabem.”
Kaede ajoelhou-se. Regina ainda tinha o rosto manchado de lágrimas, mas dessa vez, ela olhava Kaede com compreensão. Os generais, Aragor e um jovem Albino principalmente, estavam preocupados com os Tritões revoltosos no Forte e com a movimentação suspeita dos espectros no Norte. Havia muitos rumores sobre a atual fraqueza da Torre Negra e os sussurros preocupados dos informantes e do povo estavam incomodando o exército negro. Eles estavam vulneráveis sem um governante realmente temido.
– “Eu sinto muito, muito, minha Rainha. Mas, não há outra escolha. Ou a Senhora se transforma na Juíza que precisamos ou todo mundo Seis vai explodir em guerra.”
Aquilo foi como um tapa para Regina. Depois daquele discurso, a Rainha Má da Torre Negra começou a emergir. No dia seguinte, ela fora com Acnologia para o Forte e queimara tudo, ela não saberia contar quantos tritões foram mortos naquele dia. Depois, com os tritões cooperativos, ela mandara um exército para o norte com Aragor como Comandante e um acordo com os espectros foi formado. Com isso, os sussurros pararam e o povo voltou a respirar com alivio.
Foram anos de trabalho para levantar a moral do exército, fortifica-lo como fora com Montresór, arma-lo como fora com Luka e treiná-los tão bem quanto fizera Katrina. Era seguro dizer que o exército atual seria o objetivo final dos trabalhos dos três mais recentes regentes, caso Airon não tivesse optado por um desarmamento.
– Você atrairá toda a atenção da festa, minha Rainha! – exclamou uma das garotas mais novas, Keisha, de talvez 14 anos. Vestia-se como Kaede, mas suas roupas eram mais novas, sua pele mais escura e seus olhos verdes brilhavam.
Regina olhou para a garota pelo espelho e abrira um sorriso, quase arrogante.
– Esse é o objetivo. – respondeu.
Kaede soltara alguns risinhos, mas continuava concentrada no trabalho de vestir a Rainha.
– Diana! – exclamou para a outra morena limpava um lindo espartilho de veludo vermelho sangue com vários detalhes negros. A garota nunca tinha visto diamantes, mas ela não duvidava que algumas das pedras brilhantes no espartilho realmente o fossem. – O espartilho, criança!
Diana, com longos cabelos castanhos encaracolados presos por um lenço, assentiu fervorosamente e pegou o acessório. Ela vestia-se como Keisha, mas sua pele era mais clara e seus olhos, castanhos escuros.
Kaede pegou o espartilho e com a habilidade adquirida em anos de prática, facilmente o prendeu em Regina.
– Pronto. Perfeito, minha Rainha.
Kaede, Diana e Keisha se afastaram. Regina respirou fundo e encarou o espelho se admirando por um momento. O vestido era muito longo com um pano aveludado e vermelho, muito vermelho. As mangas eram compridas e cobriam todo o braço moreno da Rainha em veludo vermelho até seu punho, onde o vermelho dava lugar a detalhes pretos em ambos os braços. Mas, diferente do que é possível imaginar, o vestido não era totalmente pudico. O material aveludado que cobria seu tronco era interrompido, assim como nas mangas, por detalhes pretos num fundo quase transparente na parte central do vestido. Expondo assim, seu colo e o contorno dos seios. Para finalizar, usava o espartilho vermelho com detalhes pretos iguais aos do vestido. Seus longos cabelos negros estavam presos, não com seu rabo de cavalo usual, mas um penteado diferente que Kaede insistira em fazer. E em seus pés, Regina usava sapatos de salto alto escarlates, mas por causa do comprimento do vestido, estavam escondidos.
Sorriu e assentiu para Kaede mostrando seu contentamento.
– Está perfeito, Kaede.
A velha sorriu mostrando os dentes tortos e amarelados.
– Ótimo! Eu e minhas meninas trabalhamos duro para criar esse vestido para a nossa Rainha!
Diana e Keisha sorriam orgulhosas e Kaede não pôde culpa-las, afinal a Rainha estava estonteante!
– Nossa ajuda será necessária para as escolhas das joias, minha Rainha?
Regina se virou para as três e negou.
– Eu decidi mais cedo tudo que irei usar. Obrigada.
Kaede se curvou e as outras duas a imitaram.
– Então, se nos dá licença, Majestade, somos necessárias na cozinha.
– Na verdade, eu preciso falar com você, Kaede, a sós.
A mais velha assentiu. Diana e Keisha fizeram mais um reverência e saíram do quarto da Rainha.
Regina sorriu para Kaede e se aproximou. A velha não se sentiu intimidada e permaneceu firme. Kaede era uma mulher forte, nascera e crescera no mundo Seis. Criara cinco crianças saudáveis e inteligentes. Já quase morrera e já matara pela sua família. Não tivera medo de Airon, nem do velho Aragor ou do líder da guarda do Forte do Tritão, Edward e também não tinha medo de Regina. Ter medo no mundo Seis era uma fraqueza. Ou enfrenta o escuro ou seja devorado por ele, não havia meio termo, não ali.
Kaede retribuiu o sorriso quando Regina tocou seus ombros. A Rainha suspirou.
– Algo irá acontecer hoje. – disse Regina com a voz baixa. – Mas, você não precisa temer.
A velha empregada não era tola. Ela percebera que algo estava errado há muitos meses. Os generais faziam comentários suspeitos, mas ninguém admitia o que estava para acontecer.
– Eu sei. – respondeu e respirou fundo. – Eu sinto as coisas, sabe? E eu sei que algo estranho vai acontecer. Está no ar.
Regina forçou um sorriso.
– Quando acontecer, eu estarei no mundo Sete, mas será rápido e eu prometo que nada de terrível irá acontecer com vocês. Eu prometo. Eu confio em você para manter a calma dos empregados.
– Irá doer?
Regina balançou a cabeça.
– Não. – respondeu sinceramente e completou: — O tempo irá parar por 28 anos. Todos os sete mundos ficarão parados. Vocês nem perceberão o tempo passar.
– E a senhora?
– Eu... – suspirou. – O mundo Sete será enviado para um mundo sem magia. O meu tempo também parará, mas posso demorar um pouco para voltar quando a maldição quebrar. Eu confio em você para controlar os empregados até eu voltar. Vou deixar alguém responsável pelo exército também.
Kaede assentiu.
– Fico feliz que pense tão bem de mim. – sorriu.
– Obrigada por tudo. – disse. – Mas agora... eu cuidarei de você e do mundo Seis.
– Eles vão cair?
– Não, eles serão destruídos.
Fale com o autor