Once Upon A Prophecy
7 Part I: Everything for Emma
Notas iniciais
Decidi postar para mostrar o quanto fiquei feliz, thank you! *OOO*
Snow White suspirou.
- Já é a terceira vez em cinco minutos. – comentou David ao seu lado com um sorriso.
- Estou nervosa. – comentou Snow. Suas mãos tremiam. – Por que ela? – indagou sentindo seus olhos se encherem de lágrimas novamente. – De todas as crianças, por que a minha Emma?! – falou num sussurro quase furioso.
O salão de festas já estava lotado. Os nobres riam e bebiam sem uma preocupação no mundo. Leopold estava no meio dos súditos, com um copo de vinho na mão, um pedaço de carne na outra e um sorriso no rosto. Já Snow e David sentavam em seus tronos, ambos com os rostos tristes e abatidos. O berço dourado estava a frente dos dois e o bebê dormia pacificamente.
No decorrer da festa, os nobres e outros governantes deveriam apresentar a Leopold, David e Snow, depois oferecer um presente ao bebê no berço e assim foi durante toda a noite. Emma permaneceu adormecida, só abrindo os olhos algumas vezes para olhar para selecionadas pessoas. David estava convencido de que Emma reconhecia quem sentia pelo casal uma verdadeira amizade e abria os olhos para conhece-los, Snow ria, mas no fundo fazia sentido.
Alguns rostos conhecidos a olhavam com simpatia, provavelmente já escutaram o rumor de que Emma estava terrivelmente doente. O Conselho deu a ordem para a morte de Emma e não importava o quanto Snow implorasse, os velhos Anciões não mudavam de ideia. Tudo por causa de uma profecia.
Nunca odiou os destinos tanto quanto agora.
David não soube o que falar. Desde a ordem do Conselho, parecia que tudo estava desmoronando e era esperado que eles não fizessem nada. Seus olhos azuis foram para a figura do bebê envolto em uma manta azul clara, dormindo, como o pequeno anjo que era. O Conselho esperava que eles entregassem Emma sem lutar, sem reclamar, sem sofrer, mas como, David se perguntava, como quando eles a amavam tanto?!
- Vamos fazer o que tem que ser feito. – respondeu David.
- E se não der certo? – indagou Snow. – E se ele estiver mentindo para nós?
O barulho da música e da conversa afogava os sussurros irritados dos dois governantes.
- Sabemos que eles odeiam o Conselho e também sabemos que a nossa filha vai destruí-los. Você conversou com os destinos, se lembra?
Snow se lembrava bem demais. O encontro com os destinos tinha sido a fonte de muitos pesadelos e crises de choro. Snow White podia ser inocente, mas ela definitivamente não era estúpida. Quando soube da gravidez, ela viu algo ruim e realmente maldoso nos rostos dos sacerdotes do Conselho e dos próprios Anciões. Ela percebia os olhares piedosos dos mais novos, ela sabia dos cochichos e das reuniões. Algo não estava certo e se o aperto que sentia no coração fosse alguma indicação, Emma estava em perigo e esse sentimento se provou verdadeiro quando duas semanas depois ela quase perdera a filha.
O Conselho foi o responsável pelo seu quase aborto. Quem descobrira fora Granny, quando ela e sua neta, Red foram visita-la na enfermaria do castelo. Red ficou desconfortável falando que o cheiro que vinha de Snow estava estranho, Granny concordou. Naquela hora, David estava numa reunião com Leopold e os empregados tinham acabado de deixar uma sopa e um copo de água para a princesa. Granny estava preocupada e pegou o copo de água, deu um gole e fez uma expressão de nojo.
Red se aproximou, mas Granny não a deixou beber. Só o cheiro já deixou a mais nova enjoada.
- “Você bebeu essa água hoje?” – indagou Granny com o rosto assustado.
- “Só um gole.” – respondeu temerosa. Sem perceber, levou uma das mãos até seu ventre. – “David também bebeu e ele está normal.”
- “Você não vai beber essa água e talvez, mais nenhum liquido desse castelo.” – disse Granny com sua voz mais séria.
- “O que houve?” – indagou Red. – “Cheira mal, mas nem por isso!”
- “Isso é um veneno, Red.” – respondeu Granny com o rosto contorcido de raiva. – “É um remédio para aborto, Snow. Eu reconheceria esse cheiro em qualquer lugar. A parteira de nossa vila o usa quando a criança é indesejada. É feito de uma planta muito comum e misturado na água, como um remédio. Dizem que o não tem gosto, mas você sabe da minha situação e da Red... ” – Ela estava tão preocupada. Snow apertou mais seu ventre, absolutamente apavorada, enquanto Red olhava para a avó com os olhos arregalados. – “Eu não sei como você não abortou ainda. Essa criança é uma lutadora.”
Depois, Snow ficara tão apavorada e tão paranoica que ela se recusava a comer ou beber qualquer coisa sem a presença da Granny ou Red para garantir que não tinha algo a mais na comida.
A cozinha era vigiada obsessivamente por fadas e pelos anões e tudo que chegava no castelo passava por Granny. O pensamento de que o Conselho tentara matar a filha de Snow mexeu profundamente com todos. Leopold ficara aterrorizado e David queria enfrenta-los, Snow pediu por silêncio, pediu para deixa-los em paz, mexer com o Conselho era suicídio.
Snow nunca se importara com o Conselho antes. Eles eram bons e justos até onde ela sabia, mas quando as tentativas para a morte da criança ficaram mais insistentes: remédios nas comidas, crianças entregando a ela frutas enfeitiçadas, acidentes estranhos, Snow começou a duvidar de tudo que sempre acreditou.
O Conselho não era bom. Não quando eles queriam matar algo tão bom e puro quanto seu bebê. Mas a maior pergunta era: por que.
- Só há um lugar que pode responder essa questão. – dissera Hope quando Snow a procurou desesperada. O dragão branco a olhou gentilmente.
- Que lugar? Eu não posso deixa-los machucar o meu bebê.
- No Mundo Zero.
A conversa com os destinos tinha sido breve, mas aterrorizante. Foi previsto que se Emma morresse, os sete mundos estavam condenados. Snow morreria pouco depois de Lancelot e David seria morto pelos próprios homens. O Conselho era o verdadeiro governante do mundo sete e ninguém ousaria dizer não se o Conselho decidisse se livrar dos monarcas.
Era terrível, o sentimento de vulnerabilidade.
Mas, havia uma saída... Na forma do governante do mundo dois. Uma maldição seria feita, Emma cresceria, a maldição seria quebrada e com a ajuda dos outros mundos, o Conselho cairia e Snow se agarrou com todas suas forças a essa última esperança.
Hope, o dragão branco, parecia não estar tão preocupada, era quase como se ela soubesse o que iria acontecer dali em diante, ou pelo menos, tinha uma noção bem maior do que os outros. Desde que Leopold subira no trono, a presença de Hope foi cada vez menos requisitada. Ela sabia que aquilo não era um bom sinal, não completamente. A não necessidade da intervenção do Rei e do Dragão era bom, pois significava que o reino prosperava, mas também significava que ambos estavam sem prática na arte da luta e da guerra.
Hope sabia que protegeria sua família real, mas ao mesmo tempo, sentia medo do pensamento de enfrentar dragões como Acnologia, Igneel ou Gold, esses três conhecidos por sua crueldade e força em batalha, infelizmente eram os três menos confiáveis. Acnologia soltava uma chama diferente, quase azul e potente, doía mais do que as chamas de qualquer outro dragão; Igneel era gigantesco, o maior dos sete, e também era o mais forte, uma patada era capaz de arrancar mais carne do que Hope arrancaria com uma mordida e Gold... Bem, Gold era rápido, incrivelmente rápido, quando ele estava no céu, era como se pudesse desaparecer em pleno ar e por mais que não fosse tão forte quanto Igneel ou tivesse as chamas tão mortais quanto Acnologia, Gold conseguia ser o mais esperto dos dois. Ele tinha o poder da empatia, em outras palavras, ele conseguia despertar no adversário o sentimento que ele bem quisesse e isso era mortal. Igneel, em estado de raiva, era estúpido, atacando sem parar, mas por causa de seu corpo pesado e imenso, ele se cansava logo virando um alvo fácil. Acnologia sofria do mesmo mal, embora fosse mais difícil de enfurecer, uma vez que o dragão negro começava a ver vermelho nada o parava até ele ficar exausto, perder, momentaneamente, as chamas azuis e cair ao chão.
De todos os sete, Hope se considerava a mais perceptiva. Ela saberia usar a arrogância de Acnologia, a fúria de Igneel e a astúcia de Gold para derrota-los. Já Aithusa, Seamus e Escarlate, ela não temia. Aithusa era bondosa demais, Seamus era pequeno e o mais fraco, provavelmente seria morto por algum dos outros antes da guerra ficar mais perigosa, Escarlate jamais levantaria a pata contra Hope.
Por alguma razão, ela sabia que algo estava para acontecer e o aviso do destino, quando levara Snow ao mundo Zero, só confirmou suas suspeitas.
- “A guerra irá eclodir. Daqui a 28 anos, a Salvadora irá iniciar a luta contra o Conselho e destruí-lo. Você, dragão branco, Hope, deverá protegê-la.”
Ela soube imediatamente que seria a criança que Snow carregava em seu ventre e foi, então, que o quase aborto fez sentido. Os dragões normalmente não estendiam a proteção para os descentes dos seus protegidos, tanto que Hope só veria como sua a tarefa de proteger Snow quando Leopold morresse, mas naquela hora, conversando com a criança destino e percebendo o que o Conselho tramava, Hope sentiu necessidade de proteger a criança de Snow, mesmo que seu mestre ainda fosse Leopold, mesmo que jamais fora tão protetora com a própria Snow, mesmo sabendo que, no fim, aquela criança destruiria tudo que Hope conheceu por séculos, mesmo com tudo isso, Hope já a amava.
Até o nascimento de Emma, Hope conseguiu se manter distante, mas quando o primeiro choro ecoou pelo Castelo, Hope, que dormia fora do castelo, jurou que a ouviu chorar.
Quando Emma nasceu, Snow não conseguiu recusar o plano do governante do mundo Dois. Tudo por seu anjo, tudo pela criança que amara antes mesmo de conhecer, tudo, tudo por Emma.
- Sim, os destinos falaram que Emma deve derrotar o Conselho, portanto ela deve viver. – disse Snow olhando para os nobres felizes cantando e dançando. Como ela invejava a felicidade deles.
Pensaram em esconder Emma, manda-la para qualquer outro mundo para viver até o momento certo, mas rapidamente tal opção foi descartada. Onde Emma estaria segura? O Conselho era onipotente, poderia demorar alguns anos, mas eles a encontrariam e a matariam antes da profecia se mostrar verdadeira.
O mundo Um estava em quase guerra e só havia uma forma de transporte: os dragões. Alguém, com certeza, os veria e se por acaso, eles conseguissem esconder Emma seria somente questão de alguns anos para ela ser morta por alguma guerra. O mundo Um era isolado e doenças estranhas e exóticas assolavam os bebês e crianças, não havia como transportar remédios sem ser pelo dragão azul. A probabilidade de Emma morrer por alguma doença rara era alta.
O mundo Dois era quase tão ruim. Guerras e mais guerras. Crianças e adultos morriam diariamente, e mais eram recrutados. As lutas não cessavam. Não importava o sexo, qualquer pessoa que podia andar e segurar uma arma era recrutada só para morrer cruelmente, seja por outro soldado ou por ogros. Pensaram em pedir para Rumpelstiltskin para cuidar da criança ou deixa-la com algum nobre, mas o governante riu e explicou: “o Conselho acompanha cada passo que dou, queridos, eles saberiam sobre uma criança nova no meu reino e sob meus cuidados. Eles sabem que só tenho um filho e por mais que eu possa ter outros, só Bae é reconhecido na minha corte. Sua filha provavelmente seria morta por algum dos meus soldados por alguns trocados.” Os nobres fariam o mesmo. O que era a vida de uma criança desconhecida por algumas moedas de ouro?
Os mundos Três e Quatro eram mais seguros, entretanto assim como o mundo Sete, as pessoas e os nobres eram completamente leais ao Conselho. Seria fácil achar Emma em qualquer lugar e pedir por um soldado leal mata-la. Era, na verdade, mais perigoso deixa-la em qualquer desses dois mundos, onde, além de não haver lealdade a Snow ou David, eram completamente controlados pelo Conselho.
O mundo Cinco estava à beira de uma guerra e por mais que fosse esquecido pelo Conselho, seus habitante detestavam qualquer coisa relacionada ao mundo Sete. Mesmo que pedissem para Maleficent por um esconderijo na nobreza, a criança não sobreviveria, afinal o dinheiro e a comida eram escassos até mesmo para os próprios nobres, então quem dividiria com uma criança bastarda? Se o Conselho aparecesse, eles provavelmente a venderiam por um pedaço de pão. O desespero na terra do fogo era alto.
Sobrava então o mundo Seis, o mundo negro da tortura e destruição. O Conselho não os observava tanto quanto os outros mundos, mas havia Regina, a Rainha Má da Torre Negra não pensaria duas vezes em negar abrigo para o bebê e mesmo se aceitasse, quem asseguraria que ela não usasse Emma contra eles em algum ponto? Além do mais, o mundo Seis era ainda mais perigoso que o mundo Cinco. Sendo cercado de tritões, criminosos, fome, mercenários e tristeza. Seria como mandar Emma para a morte.
Quanto mais pensavam, mais desesperados ficavam. A maldição, parar o tempo por 28 anos, não parecia ser tão ruim.
- O que vai acontecer com ela? – indagou Snow.
- Irei manda-la para o mundo Zero. – respondeu Rumpelstiltskin. – depois disso será trabalho dos destinos.
Que outras escolhas eles tinham?!
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